Caderno H
Exumações e citações
Exumaçõ es e citações
De uma antologia de poetas e filósofos chineses organizada por Lin Yutang, transcrevo estas palavras de Cheng Panchiao, no prefácio de suas obras escolhidas, depois de destruir o que considerava sem valor permanente: “Estes são os poemas e escritos que desejo preservar. Se alguém lhes fizer acréscimos, virei como fantasma e quebrar-lhe-ei a cabeç a.”
Imposs ível deixar de sorrir ao pensar como estaria agora a cabeça do sr. Magalhães Junior, se fosse o velho Machado o autor dessa ameaça. Mas isso não é nada: as exumaçõ es machadianas de Magalhães Junior são honestas, é claro. O pior é esta epígrafe que o velho Machado não apôs ao seu Dom Casmurro e que se acha numa edição que anda por aí: “A mulher é um doce e terno mistério que todo o mundo adora sem conhecer. — S. Dubray.” Graças a Deus não sei quem é esse Dubray, mas fazerem o Velho Mestre referendar essa chulice é uma sacrílega falta de respeito.
Paremos por aqui, pobre leitor. E, para acalmar nossas palpitaçõ es, vamos ler, ao acaso dos dedos, algumas frases desta antologia.
“Grande homem é o que não perde o coração de criança.” — Mêncio (372-275 a.C.)
“Somente quem não encara as coisas materiais como coisas materiais pode ser senhor das coisas.” — Chang Tse (335-275 a.C.)
E, para edificação de todos, termino com as palavras de Shen Chenlin, o qual já viveu na era atual, tendo falecido apenas em 1779:
“O que os poetas escrevem agrada ao espírito, embeleza a cútis e prolonga a existência.”
Eis aí um cartaz que deveriam afixar em todas as Feiras do Livro. Do conhecimento