Caderno H

Mario Quintana · Capítulo 270 de 362

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Caderno H

Assunto para uma tese

Da influ ência do estilo Cantinflas em nossa crítica doutrinária.

Apontamento para um poema

As águas riem como raparigas

à sombra verde-azul das samambaias.

Zoologia

O hipopótamo é um bruto sapatão afogado.

Cé us

Cada um deveria ter um c éu à parte, um céu que ele próprio escolhesse... Mais ou menos do seu agrado.

Fico a imaginar, por exemplo, que, para o Telmo Vergara, deveria haver um céu com cadeiras na calçada, com longas charlas espaçadas quarentonas sossegadas.

De repente, riscaria o cé u do Céu um anjinho cadente. Isso não mudaria o rumo à conversa. Anjinho não se pisa nunca.

Mas... o Paulo Corrêa Lopes... em que céu estaria ele agora, que não manda dizer nada?

Decerto, Paulo, n ão haverá aí onde estás cem mil portas batendo, batendo, batendo, como num dos teus poemas de angústia aqui da Terra.

Tu nunca foste muito aqui da Terra, Paulo: erravas os caminhos... mas eras bom e amigo... Quem me dera acreditar que estejas agora no que deveria ser o verdadeiro céu, o Céu d’Aquele que disse: Eu sou o Caminho e a Vida.

Não me telefones, Paulo: eu sou tão terra a terra.

Para mim o verdadeiro c éu seria encontrar eternamente Maria pela primeira vez. Maria, o Céu? Não! Maria, a Terra Prometida.

Ah! vida... tão comprida... Falemos de outras vidas... Não de mim.

O Erico? Oh, sim. O Erico, feliz, faria turismo no Céu, sem saber que estava no Céu.

E, um dia, nas suas andanças, haveria de pegar em flagrante o Egídio Squeff sentado à sua mesinha predileta, imaginando, com aquele seu sorriso exilado de sempre, como haveria de ser o Céu...