Caderno H
Assunto para uma tese
Da influ ência do estilo Cantinflas em nossa crítica doutrinária.
Apontamento para um poema
As águas riem como raparigas
à sombra verde-azul das samambaias.
Zoologia
O hipopótamo é um bruto sapatão afogado.
Cé us
Cada um deveria ter um c éu à parte, um céu que ele próprio escolhesse... Mais ou menos do seu agrado.
Fico a imaginar, por exemplo, que, para o Telmo Vergara, deveria haver um céu com cadeiras na calçada, com longas charlas espaçadas quarentonas sossegadas.
De repente, riscaria o cé u do Céu um anjinho cadente. Isso não mudaria o rumo à conversa. Anjinho não se pisa nunca.
Mas... o Paulo Corrêa Lopes... em que céu estaria ele agora, que não manda dizer nada?
Decerto, Paulo, n ão haverá aí onde estás cem mil portas batendo, batendo, batendo, como num dos teus poemas de angústia aqui da Terra.
Tu nunca foste muito aqui da Terra, Paulo: erravas os caminhos... mas eras bom e amigo... Quem me dera acreditar que estejas agora no que deveria ser o verdadeiro céu, o Céu d’Aquele que disse: Eu sou o Caminho e a Vida.
Não me telefones, Paulo: eu sou tão terra a terra.
Para mim o verdadeiro c éu seria encontrar eternamente Maria pela primeira vez. Maria, o Céu? Não! Maria, a Terra Prometida.
Ah! vida... tão comprida... Falemos de outras vidas... Não de mim.
O Erico? Oh, sim. O Erico, feliz, faria turismo no Céu, sem saber que estava no Céu.
E, um dia, nas suas andanças, haveria de pegar em flagrante o Egídio Squeff sentado à sua mesinha predileta, imaginando, com aquele seu sorriso exilado de sempre, como haveria de ser o Céu...