Duas Irmãs, Um Duque
Capítulo 19
Beijos Muito Espontâneos.
E Também de Outro Tipo
Olivia soltou-se ofegante e voltou-se, ainda nos braços de Quin. A duquesa não parecia especialmente zangada ou crítica. Olhava-os até como uma criança observaria uma lagarta: com curiosidade, mas sem repulsa.
– Tarquin – exclamou.
– Mãe – respondeu ele, sem se afastar de Olivia
– Que está fazendo?
– A beijar Olivia – disse Quin. – Espontaneamente.
A duquesa deveria ter franzido a testa – só que devemos concluir que ela não executava expressões faciais desse tipo.
– Miss Lytton, poderia perguntar-lhe a mesma coisa.
Olivia pensou em responder Estou sendo beijada, mas concluiu que a hipocrisia seria a opção mais prudente.
– Espero que a exaustão da noite tenha provocado um nível de indesejada hilaridade – disse, juntando as palavras na esperança que a duquesa se confundisse.
Mas que ideia a sua. Aquela mulher escrevera O Espelho dos Elogios. Estava perfeitamente à vontade num labirinto de linguagem.
– Não me parece uma expressão de hilaridade – comentou a duquesa viúva. – Tarquin, deveria lembrar-lhe o desastroso papel que a espontaneidade representou no seu primeiro casamento, mas não o farei.
– Muito bem – disse Quin, apertando Olivia nos braços.
– Não preciso de o fazer – prosseguiu a mãe –, pois esta jovem está prometida algures e os beijos espontâneos, hilariantes ou outros, não terão consequência por esse fato. Miss Lytton antes de ceder a este ataque de indesejado desfrute, recordou o meu filho de que em breve será duquesa?
Olivia teve a súbita sensação de que a duquesa viúva era um abutre a voar por cima de si, o que provavelmente a transformava num leão ferido. Ou em qualquer outra coisa mais vulnerável: um coelho atropelado pelas rodas de uma carruagem.
– Sim – respondeu, olhando para Quin. – Conforme informei a senhora duquesa, estou prometida algures.
– Ao marquês de Montsurrey – disse Quin. – E assim que Montsurrey regresse a Inglaterra ser-me-á prometida e casará comigo – voltou-se para a mãe. – Olivia será duquesa de Sconce.
– Não concordo.
Seguiu-se um momento de pesado silêncio.
– Talvez deva deixar-vos sós para discutir o assunto – disse Olivia soltando-se delicadamente do abraço de Quin.
A duquesa ignorou-a completamente, mantendo o olhar fixo no filho.
– Miss Lytton estará mais do que adequada para um simplório como Montsurrey. Além do mais, demonstrou uma louvável lealdade para com o pobre rapaz e eu escrevi ao pai dele dizendo. Porém, Olivia não é adequada a si.
– Penso que é – afirmou Quin.
Olivia afastou-se.
A duquesa voltou-se para ela.
– Suponho que não saia daqui como uma criada culpada que tivesse partido um pires. Olivia endireitou-se imediatamente.
– Pensei que seria mais delicado permitir que continuasse a conversa com o seu filho em privado.
– Concordaria, mas o que tenho dizendo diz-lhe respeito a si... e à sua irmã. Ela é adequada para ser duquesa de Sconce que, a propósito, é de longe um título mais antigo e augusto do que o de Canterwick. A menina não é adequada a essa posição.
Enfrentando os olhos da duquesa, Olivia percebeu de que poderia baixar os olhos e nunca recuperar uma posição de força ou responder à letra.
– A minha irmã seria realmente uma notável duquesa de Sconce – disse na esperança de evitar a guerra aberta.
– Esse fato é irrelevante – disse Quin. Olivia não precisava de se voltar para ver que ele sorria; apercebia-se pelo seu tom de voz. – Tenciono casar com Olivia, não com Georgiana.
– Sem dúvida, por amor – disse a duquesa num assomo de fúria. – E que conseguiu com o amor, Tarquin, senão a reputação de ter chifres, que ainda hoje, tantos anos depois, o persegue? – Voltou-se para Olivia. – Sabe que ele não falou durante um ano inteiro, depois da sua débil mulher se ter afogado? Que não falou?
– Falei – protestou Quin.
– Oh, pode ter pedido uma fatia de carne assada, mas nunca disse nada que valesse a pena ouvir. Passou um ano sem que mostrasse qualquer interesse na vida.
– Era como se fosse sonâmbulo – concordou. Para espanto de Olivia, não parecia nem um pouco zangado.
– Montsurrey é idiota – declarou a duquesa. – Olivia assumiu uma atitude rígida. – É um fato – prosseguiu bruscamente a duquesa antes que Olivia pudesse dizer alguma coisa. – É um ótimo partido para a menina, mas o mesmo não se passa com o meu filho. A menina é, Miss Lytton, se me perdoa a franqueza, anafada, grosseira e bastante mal-educada. Este último defeito é realmente surpreendente dado que a sua irmã gêmea conseguiu o máximo nível do refinamento. E mais ainda, a menina é pouco interessante e não demonstra qualquer capacidade para se preocupar com assuntos importantes para o meu filho.
Olivia endireitou o seu corpo roliço o mais possível e disse com precisão gelada.
– Responderei apenas à afirmação que se reflete nos meus pais, embora note que a sua falta de delicadeza não mereça qualquer resposta. Os meus pais podem não ser membros da aristocracia, senhora duquesa, mas são aparentados com pares do reino por ambos os lados. De fato, o direito do meu pai ao título de esquire existe há mais uma geração do que o dos Sconce. E posso acrescentar que em assuntos de boas famílias, ninguém na minha família se casou com um Bumtrinket.
O colo da duquesa viúva ergueu-se levemente no ar, semelhante a um balão em ascensão que Olivia vira uma vez no Hyde Park.
– Não me referia ao seu nascimento – disse ela, mordendo as palavras com gélido desdém –, mas aos seus modos.
– Gosto da figura de Olivia – disse Quin, intervindo. Pela primeira vez, percebia-se na voz um leve tom de advertência. – De fato, posso dizer que adoro. E penso que os seus modos são perfeitos para uma duquesa.
– Claro que sim! – disse a duquesa, irritada. No seu rosto havia manchas vermelhas e os seus olhos negros brilhavam de fúria.
– Que quer dizer com isso? – perguntou Olivia.
– Quero dizer que é feita da mesma massa que Evangeline, a primeira duquesa. Também adorava a aparência dela e descobriu demasiado tarde que toda essa sensualidade libertina mascara uma mulher que deveria sentir-se lisonjeada se lhe chamassem prostituta.
– Mãe. – A voz de Quin era agora tão gélida como a da duquesa. – Já foi demasiado longe. – Peço-lhe, por todos nós, que altere o seu tom de voz e o seu comportamento.
– Não o farei – disse a duquesa, visivelmente alterada. – O duque de Canterwick escreveu-me antes de a menina chegar – disse voltando-se para Olivia com a expressão de uma mãe tigre desejando defender uma cria.
Olivia aguardou com a cabeça erguida.
– A menina informou o meu filho de que já poderia estar grávida do herdeiro ao título de Canterwick? Há de notar que nada digo acerca do fato de não estar casada; o duque é tão inocente que é quase certo a menina ter molestado o pobre homem, que mal tem dezoito anos. São fatos tão desagradáveis que não se espera que ninguém exterior à sua família mais próxima os saiba, Miss Lytton, pois não são muito lisonjeiros a seu respeito.
– A senhora duquesa está a ameaçar-me? – perguntou Olivia em voz sufocada.
A duquesa recuou, mas pôs as mãos nas ancas e manteve-se firme.
– Certamente que não. Nós, os aristocratas, não temos necessidade de recorrer aos métodos que a senhora tem em conta.
Quin fitou Olivia com uma pergunta silenciosa.
– Não há herdeiro – conseguiu ela dizer.
– Mãe! – disse ele em voz venenosa e fria como o gelo. – Far-me-á a fineza de informar os seus criados que partirá para o alojamento das duquesas viúvas logo de manhã. Não estou falando da casa que existe aqui na propriedade, mas aquela anexa a Kilmare, nas nossas terras da Escócia.
Para surpresa de Olivia, foi ela, e não a duquesa que exclamou:
– Não! – em resposta àquela ordem.
A duquesa manteve-se em silêncio durante um segundo. Depois baixou a cabeça e fez uma reverência. Olivia agarrou o braço de Quin e abanou-o.
– Não vai fazer uma coisa dessas – disse-lhe com pouca delicadeza. Ele franziu a testa.
– Eu não...
– A sua mãe e eu temos o perfeito direito de discordar acerca do que é melhor para si, sem que o senhor interfira!
– Não interferi. Reagi àquilo que a minha mãe disse a seu respeito. Isso não posso e não quero tolerar da parte de pessoa alguma – olhou para a mãe e repetiu com os dentes cerrados. – De pessoa alguma. Deveria saber que um homem que sugerisse que Olivia e Evangeline têm o que quer que seja em comum teria de resolver o assunto pela espada.
– Oh, por amor de Deus – disse Olivia agarrando-lhe a gravata, já que abanar o braço não surtira o mínimo efeito. – Pode descer dessa montanha ducal por um momento e prestar atenção? A sua mãe está preocupadíssima consigo e o senhor ameaça mandá-la para a Escócia? Não estava a brincar quando disse que nem sempre compreende as emoções, pois não?
A duquesa viúva emitiu um pequeno ruído, mas Olivia não olhou para ela. Mantinha os olhos fixos em Quin.
Este franziu a testa.
– É claro que a sua mãe pensa que eu me pareço com Evangeline... bem, em tudo, exceto na figura. Cheguei aqui noiva de um duque e, quando todos esperavam que ficasse noivo da minha irmã, roubei-o. A sua mãe entrou num aposento e deu conosco desacompanhados e, por sorte, não estávamos estendidos no chão. Pareço ser uma leviana da pior espécie. Se pensar em desafiar para um duelo qualquer homem que lhe faça notar, teremos um casamento muito curto.
Quin franziu ainda mais a testa.
– Não teremos tempo para todos esses filhos que imaginou – continuou sem sombra de pesar. – Não teremos tempo senão para percorrer a região atacando as pessoas que afirmam o que é óbvio. Não se engane, não só o dirão. Aposto que farão cornichos nas suas costas, pelo menos durante alguns anos.
Nos olhos dele parecia surgir algum bom senso.
– Não está a ver? – disse, soltando-lhe a gravata. – Nada disso importa. A sua mãe ama-o. Quer poupar-lhe os chifres e as murmurações e também uma mulher gorda... – olhou para a duquesa. – Essa é a parte que tenho dificuldade em lhe perdoar.
Quin estendeu os braços, puxou-a para ele e estreitou-a nos braços com tanta força que ela mal pôde respirar.
– Preciso de si – disse em voz baixa e intensa junto ao cabelo dela. – Por amor de Deus, Olivia, como consegui viver sem si?
Ela puxou o rosto dele para o seu.
– Sou sua, para o bem e para o mal.
Ouviu-se um pequeno estalo quando se fechou a porta que dava para o salão de baile, mas Olivia não prestou atenção.
– É a peça que me falta – disse Quin. – Faz-me sentir.
– O senhor sempre sentiu. É um dos homens mais sensíveis e carinhosos que conheço. Qualquer um poderá dizê-lo.
Ele abanou a cabeça, por isso Olivia puxou-lhe o rosto para o dela e beijou-o de um modo tão escaldante que disse aquilo que nenhum deles conseguiu exprimir por palavras… naquele momento.
Sem nada dizer, Quin deixou-se cair num cadeirão. Levando Olivia consigo. Desta vez nada os impediu e ela sabia: ele sabia. Beijaram-se até ela soltar pequenos gemidos e estremecer, tocando-lhe o corpo com dedos trémulos.
Quin puxou-lhe suavemente o corpete... e o seio dela caiu-lhe na mão. Por um momento, imobilizou-se.
– Olivia, a senhora é a mulher mais bonita que eu alguma vez poderia imaginar. Posso?
Ela não tinha a certeza do que ele tencionava fazer, mas acenou afirmativamente. Diria sempre que sim, embora não fosse sensato dar-lhe a conhecer.
A boca dele pousou quente e húmida na curva do seio dela. Olivia arqueou as costas e ofereceu-se até que os lábios lhe chegaram ao mamilo.
Olivia não teve bem a certeza do que aconteceu depois. Pensou que o mais que faria seria soltar um gemido abafado de surpresa, talvez um gritinho senhoril... não. Com todo o salão de baile cheio de aristocratas, soltou um grito do fundo da garganta, uma expressão de desejo e paixão escaldante.
Sem se deter, Quin tapou a boca e chupou ainda mais.
Olivia mordeu o dedo, sentindo espirais de tontura invadirem o corpo e fazendo com que o coração lhe batesse na garganta.
Ele ergueu a cabeça, retirou-lhe a mão da boca e passou o polegar pelo mamilo dela. Olivia ergueu-se junto ao braço dele, louca de desejo, ofuscada pelas sensações que a percorriam.
– Não podemos fazer isto aqui – disse Quin, gemendo junto à garganta dela.
– Não? – Olivia estremeceu, espantada pelo seu tom de voz, pelo desejo insaciável. – Claro que não. – Sentou-se, preparando-se para se pôr de pé.
Quin fitou-a com um convite malicioso no olhar e passou-lhe de novo o polegar pelo mamilo. De novo as costas dela se arquearam junto a ele, enquanto abria as pernas num convite que ele não aceitou.
Por fim imobilizou a mão. Olivia engoliu em seco, lutando contra o impulso de pedir mais.
– Tem a certeza absoluta que não traz dentro de si o filho de Montsurrey? – falava sem qualquer censura na voz, apenas um pedido de informação.
Ela encostou de novo a cabeça ao peito dele.
– Tenho.
– Mas a senhora e ele…
Olivia tentou pensar como lhe haveria de explicar sem deixar de honrar a promessa que fizera a Rupert. Georgiana era sua irmã gêmea, a sua outra metade; Rupert compreenderia se ele lhe dissesse a verdade.
Mas Quin… Quin era o homem que a iria roubar a Rupert. E, mesmo que Rupert não a quisesse verdadeiramente, estava, não obstante, habituado a ela. Para um homem que adorava os hábitos, seria uma provação perdê-la. Certamente Rupert não gostaria que Quin soubesse do aipo murcho.
– O pai dele estava preocupado porque Rupert ia para a guerra – disse ela, escolhendo as palavras com cuidado.
Silêncio. Depois...
– Canterwick obrigou-a a deitar-se com esse filho simplório sem estar casada por estar preocupado com a falta de um herdeiro?
Dito assim, parecia horrível.
– Não fui forçada.
– Ofereceu-se como voluntária?
– Não.
– Foi uma violação – disse ele terminantemente.
– Não, não foi! Rupert não... Rupert nunca…
– Então foi uma violação de ambos, a senhora e ele.
Olivia soprou.
– Faz com que isso pareça desprezível. Gosto muito de Rupert e ele de mim. Temos suportado tudo isto o melhor possível. E recitou-me um poema que tinha escrito. Era muito bom.
– Como era?
– Era acerca da morte de um pardal que caíra de uma árvore. Rápido, esperto, um pássaro cai junto a nós, a escuridão tomba nas árvores.
Quin fez um gesto aborrecido.
– Não entendo, tal como não entendo o poema malicioso que Peregrine me ensinou. O que quer ele dizer quando diz que a escuridão se amontoa nas árvores? Sendo eu uma pessoa que estuda a luz, posso dizer-lhe que os raios não se amontoam em parte alguma.
Olivia compôs o corpete do vestido e encostou-se ao braço dele para lhe poder ver o rosto.
– O poema de Rupert e a quintilha humorística não foram feitos para ser dissecados. Só para nos fazer sentir qualquer coisa, mais nada.
– A escuridão amontoada faz sentir alguma coisa? – Quin parecia adoravelmente confuso.
– Ele fala do desgosto, do desgosto que sentiu quando o pardal caiu da árvore. O pássaro era rápido e esperto e depois, partiu. A escuridão amontoou-se na árvore onde o pássaro cantara.
A expressão de Quin alterou-se.
– Sim, como Alfie – disse, e puxou o rosto dela para o seu peito. A emoção dele era tão natural que doía.
Ficaram ali sentados durante algum tempo. Quin apertando-a nos braços. Por debaixo da porta as notas de uma contradança interrompiam o silêncio vindas do salão de baile. A música era alegre e doce e vinha de muito longe, de um mundo em que os rapazinhos – ou os pardais – não caíam das árvores.
Por fim, Quin aclarou a garganta.
– Apercebe-se de que Montsurrey…
– Rupert – corrigiu-o. – Rupert detesta ser tratado pelo título. Se fosse capaz, trataria o mundo pelo nome próprio.
– Apercebe-se de que cada vez gosto menos de Rupert? Escreveu o único poema que percebi, foi defender a pátria enquanto eu durmo confortavelmente em casa e estou a roubar-lhe a noiva.
– Rupert adoraria a ideia de que alguém sente ciúmes – disse Olivia. – Pode não ter um pensamento claro, mas compreende os sentimentos e fica magoado quando as pessoas são desdenhosas.
– Não há dúvida de que entende os sentimentos.
– Creio que a lesão cerebral o libertou. Chora quando se sente comovido, sempre que vê ou ouve alguma coisa que o entristece.
Quin digeriu isto em silêncio. Por fim, pôs-se de pé e ajudou-a a levantar.
– Tem a certeza de que quer casar comigo. Não reagi ao poema senão quando me explicou. Porque não poderia ter sido feito em frases completas.
– Rupert raramente fala com frases completas.
– Mas poderia ter sido mais claro. Porque não disse: quando morreu o pardal veloz, provavelmente de velho, e caiu de uma árvore, senti o meu coração escurecer.
Olivia abraçou-se.
– Esqueceu-se de luminoso, mas saiu-se muito bem com o escurecer.
– Luminoso não faz sentido. Os pássaros da família dos passeridae são quase todos cinzentos ou castanhos. Percebo que a minha versão seja mais comprida, mas é mais precisa. E gramaticalmente correta.
– Mas a sua versão fala dos sentimentos de Rupert enquanto Rupert lhe falou daquilo que o senhor sente por Alfie.
– Ah! – Quin refletiu. – Mesmo assim, continuo a achar muito ilógicas a conjugação das palavras que ele especificamente escolheu.
– Considere-as o equivalente poético de uma função matemática – sugeriu Olivia. – Acha que devamos entrar no salão de baile e fingir que nada aconteceu? Quer atar o cabelo?
– Não.
– Não quer voltar ao salão de baile ou não quer fingir que nada aconteceu?
– Não tenho qualquer objeção a entrar no salão de baile, porque é a única maneira de chegar às escadas que levam aos quartos. Mudei de ideias.
Olivia soltou uma exclamação sobressaltada.
– Está dizendo...? Não! Criaria um escândalo terrível. De maneira nenhuma.
As mãos dele apertaram-na.
– Cai um pardal a cada segundo, Olivia – deu-lhe um beijo que foi mais uma exigência erótica.
Levou algum tempo, mas Olivia conseguiu terminar o beijo e afastar-se dos braços dele.
– A sua mãe ficaria horrorizada com o escândalo. Vai ficar aqui pelo menos meia hora. Vou tentar esgueirar-me para o salão e tenho esperança de que as pessoas pensem que eu estava simplesmente a recompor-me depois de conversar com a sua mãe.
– Há um criado diante da porta.
– Como?
– A minha mãe colocou-o lá para garantir a nossa privacidade. Olhe para a parte de baixo da porta e verá a sombra das botas dele. Os criados da minha mãe estão treinados para terem os ombros encostados à parede; se abrir a porta, vai bater-lhe por trás o que atrairá a atenção de todos.
Olivia mordeu o lábio.
– Não tinha planeado começar tão depressa a carreira de mulher infame.
Ele dirigiu-se ao fundo do aposento abriu a janela e chamou-a.
– É bom saber que a senhora é uma hábil trepadora.
– Porquê? Estamos praticamente no rés do chão.
Quin passou uma perna por cima do parapeito e pôs o pé no chão. Depois estendeu-lhe os braços a sorrir com um olhar francamente sensual.
– Acabo de me aperceber que não há maneira de chegar aos quartos sem passar pela cozinha.
Olivia agarrou as saias o mais recatadamente possível e conseguiu passar também uma perna por cima do parapeito. Era mais difícil do que parecia e acabou por cair nos braços de Quin num alvoroço de saiotes.
– Pronto – disse ele segurando-a com força e posando-a no chão. – Não voltamos para casa, acho que vamos trepar.
– Trepar? Trepar a quê? – Olivia olhou em volta. Estavam no lado da casa na esquina do salão de baile. Exceto onde a luz amarela se escoava das janelas, os jardins eram cor de prata, à luz da lua cheia.
– Está falando de uma escada de mão que chegue até ao seu quarto? Porque eu recuso-me terminantemente a subir uma escada de mão. Não sou uma louca varrida, para fugir assim, ao luar.
– Não me disse que eu podia apenas olhar para si assim, se estivéssemos em cima de uma árvore?
– Não quero subir a mais árvores, Quin! E se cai outra vez? Teve sorte em não ter morrido.
Quin limitou-se a sorrir.
– Mesmo com a minha idade avançada, posso subir a esta árvore – estendeu a mão. Mas Olivia recuou.
– Está muito frio aqui. Não sei qual é a sua ideia, mas tenho a certeza de que não será muito própria.
– Não é nada própria. E não se preocupe com o frio. Vou buscar um ou dois cobertores dos cavalos ao estábulo.
– Quer ficar cá fora?
Olivia ia fazer uma enfiada de objeções, mas Quin preferiu contra argumentar beijando-a. O beijo foi tão bem sucedido que deu por si empoleirada de novo no parapeito da janela, o que punha os seus seios a um nível que Quin obviamente apreciava.
– Ainda bem que a porta está fechada – disse Quin um pouco mais tarde, com a voz rouca de desejo. Olivia engoliu em seco e caiu em si. Os seus ganchos tinham desaparecido e o cabelo caía-lhe nos ombros. E mais, o corpete descera quase até à cintura. A sua pele em demasiada quantidade, brilhava ao luar.
– Oh, oh! – exclamou ela, agarrando-se ao vestido. – Oh, não!
– Sim, sim! – disse Quin, pegando-lhe nas mãos e abrindo-lhe os braços para lhe poder admirar os seios. – Nunca me fartarei de a admirar, Olivia. É como uma droga – largou-lhe as mãos e baixou a cabeça.
Olivia sossegou, pegou no cabelo negro que lhe caía como seda sobre o seio enquanto ele a beijava, beijos úmidos, com a boca aberta que lhe enviavam pelas pernas um formigueiro, uma espécie de doce tormento.
– Já não tenho frio – murmurou, enchendo-se de coragem. Era o melhor fazendo. Escolhia o seu próprio duque.
– Onde fica a sua árvore?
Seguiu-o. Mas, na realidade, seguia o riso solene – e era um riso – que florescia nos olhos dele quando ela subiu o corpete; o doce calor da boca dele, o som puro da voz dele pronunciando o seu nome.
O seguiria para todo o lado.