Duas Irmãs, Um Duque

Eloisa James · Capítulo 33 de 37

Páginas do PDF

Duas Irmãs, Um Duque

Capítulo 32

O Guerreiro e a Amazona

–Foi o colchão – disse Olivia a Petit duas horas depois. Estava sentada numa cadeira no meio do pátio, respirando lufadas de ar fresco, vindo do mar. Doía-lhe o peito, mas já se sentia muito melhor. Um banho muito quente ajudara.

– Os vossos colchões nos salvaram a vida.

Mas havia uma expressão aflita no olhar de Petit.

– Fui eu, foi por minha causa que quase perdemos a vida! Tapei as chaminés para obrigar a madame a sair da cozinha e depois uma delas incendiou-se. Quando percebi que não tinha usado a chave, não consegui atravessar todo aquele fumo. Falhei.

– Foi um acidente – disse-lhe Olivia. – Mas tem de me prometer nunca mais fazer uma coisa tão perigosa.

– Nunca mais – prometeu Petit em voz sufocada. – Nunca, nunca, nunca.

– Pode redimir-te – disse Quin, aparecendo por trás dele. – Leva a Lucy até ao barco a remos que está junto à cabana do Père Blanchard, por favor – e entregou-lhe a cadelinha. – Está muito cansada por ter andado sempre conosco. Dá-a a um soldado chamado Grooper, que deve estar à espera.

– Vou a correr – disse Petit transformando as palavras em ações e desaparecendo pelo portão.

– Meu Deus – Olivia ficou a vê-lo partir. Uma das orelhas de Lucy ainda se via empurrada para trás pelo vento. – A Lucy deve pensar que vai numa corrida.

– Petit foi apanhar a estrada – disse Quin. – Nós vamos cortar pelo bosque e encontramo-lo pouco depois de chegar, mesmo àquele passo – inclinou-se e levantou-a com um movimento suave. – São horas de irmos para casa.

– Não deve fazer isso! – protestou Olivia. – Não pode! Peso muito. – Mas ele limitou-se a pousar um beijo na testa e a sair do pátio, deixando para trás a sórdida guarnição.

Doía-lhe o corpo, mas nunca cedeu à fadiga. Tinham de percorrer meia légua até à enseada onde o barco a remos os esperava, mas os músculos do duque pareciam feitos de aço.

Olivia estava calada, lançara os braços ao pescoço e encostara a face ao peito dele, tão grata, tão viva se sentia que nem conseguia falar. Mas, quando atravessaram o bosque e ouviu o som da água a correr, insistiu em que ele a pusesse no chão.

– Estamos quase no Day Dream – protestou Quin. – Quero sair deste maldito país.

Ela fez-lhe uma festa no rosto.

– Por favor?

Ele gemeu, mas posou-a no chão.

Era o princípio da noite e o ar estava quente e cheirava a flores. As campainhas estendiam-se até à beira de um riozinho preguiçoso ladeado por carvalhos jovens.

– São tão bonitas – murmurou Olivia, ajoelhando sobre uma mancha de flores.

Quin resmungou.

– Desfruta-as agora porque não vai voltar a vê-las. Nunca mais voltaremos a França. Olivia soltou uma gargalhada.

– Claro que voltaremos, depois de a guerra acabar. Um dia quero conhecer a noiva de Petit e saber se o capitaine bêbado deixou de beber. Além do mais, ouvi a sua combinação para que o conhaque fosse enviado regularmente para Littlebourne Manor.

– O melhor que provei em muitos anos – Quin parecia impenitente.

– Detesto dizer, mas o pão da madame era espantosamente bom. Digno de uma viagem a França – a voz dela desvaneceu-se enquanto olhava para ele.

Quin também tomara banho e lavara as marcas de sujidade que o faziam parecer um ladrão na noite. Mesmo assim havia nele algo de diferente. As maçãs do rosto, que pareciam aristocráticas em Inglaterra, eram agora rudes e selvagens. Estava sem casaco e uma manga da camisa fora arrancada desnudando o braço musculoso. Era a figura de um vingador.

– O que é – perguntou ele, olhando-a com ar aborrecido.

– Parece um guerreiro – respondeu ela, todo o seu corpo estremecendo de um modo pouco civilizado à violência mal suprimida que latejava nele.

Quin acocorou-se junto dela e os músculos das coxas evidenciaram-se de tal modo que ela passou os dedos por eles. Uma dama nunca deveria reparar naquelas coisas. A mãe dela ficaria escandalizada, mas ele não se importava absolutamente nada.

– Pensei que te perdera – disse ele num tom decidido e firme. – Fiquei louco, por isso, Olivia, talvez deva avisar-te de que talvez nunca mais seja o mesmo.

Ele pôs-se de joelhos para ficarem com os olhos ao mesmo nível.

– O meu último pensamento antes de ter desmaiado foi para você. Sabia que virias. Amo-te, Quin.

– Nunca percebi grande coisa acerca do amor – disse ele, sem lhe tocar. – Mas sei que adoro o modo como fazes frente à minha mãe, as tuas anedotas sem graça, as tuas quintilhas humorísticas, o teu vestido violeta e a maneira como sobes às árvores e lanças papagaios. – Ela sorriu. Aquilo bastava-lhe.

– A minha mãe disse-me há muito tempo – continuou – que era bom sermos uma família pouco emotiva, porque o amor era perigoso. Demonstrei a hipótese dela apaixonando-me por Evangeline.

Olivia mordeu o lábio, pronta a argumentar.

– Mas a você amo-te muito mais. – A voz dele subiu e quase estremeceu, mas ficou de novo firme. – Amo-te mais do que qualquer outra coisa neste mundo, mais do que à minha própria vida. Se o amor é perigoso, então não quero viver em segurança – falava em voz rouca e num tom radical e duplamente sincero pelo desejo que demonstrava.

Olivia inclinou-se para trás ainda de joelhos.

– Só de olhar para você fico com uma dor... aqui – posou a mão no estômago e depois mais abaixo. – E aqui.

A expressão do rosto dele tornou-se sensual.

– Olivia – murmurou. – Não – disse depois, tentando que a palavra parecesse uma ordem, mas ela tinha a certeza que os guerreiros casavam com as amazonas, o que significava que deveria tornar-se tão corajosa como uma amazona. Não que a história fosse o seu ponto forte.

– Não tenho medo quando está comigo – abriu o botão de cima do seu vestido de aldeã que lhe fora amavelmente oferecido para substituir o fato de viagem estragado. – Não tive medo de Bessette porque vi o que fizeste com ele na fortaleza.

Quin apertou os maxilares.

– Infelizmente, o canalha vai sobreviver. Se eu soubesse que ele te tinha feito essas nódoas negras, teria dado uma sova de morte logo da primeira vez que o encontrei. Ela sorriu e abriu mais dois botões.

– E não tenho medo dos soldados franceses, porque todos eles por aqui têm a mesma idade do teu primo Justin, embora possam não ser assim tão poéticos.

– Não me surpreenderia que Petit tivesse voltado ao seu quarto para rascunhar uns versos a uma deusa da lua inglesa. – Quin olhava-lhe para as mãos.

Olivia abriu o último botão e deixou escorregar o vestido dos ombros.

– Principalmente – disse, pondo-se de pé. – Já não tenho medo de mim mesma nem do meu próprio corpo. O vestido caiu-lhe aos pés, deixando-a em camisa.

– Não tem espartilho – resmungou ele, sem se mexer. – Vou destruir todos os espartilhos que existem em Inglaterra.

– Que mal há num espartilho? – perguntou ela provocando-o e levantando lentamente, muito lentamente a bainha da camisa.

– Aperta-te – disse ele com os olhos em chamas. – Não suporto ver as tuas curvas apertadas.

Olivia sabia que o seu sorriso era radiante; não sentiu o mínimo embaraço quando fez passar a camisa pela cabeça e a atirou para o lado. Quin ficou imóvel, um homem musculoso e selvagem acocorado aos pés dela. Olivia esperava-o simplesmente naquela extensão de campainhas, com um raio do sol da tarde a brincar-lhe sobre os seios e sobre o ventre, deixando que ele a olhasse pelo tempo que quisesse.

Para falar verdade, posicionou as pernas da melhor maneira possível – os joelhos juntos, levemente dobrados. Nunca se sentira tão sensual nem mais desejável. Estar nua ao ar livre, embora (ou talvez especialmente por isso) Quin estivesse ainda vestido, era embriagador. Todo o seu corpo se suavizava e cantava de desejo.

Mesmo assim, ele não se moveu, com aquela nova postura feroz que era agora sua.

– Olivia – disse por fim em voz rouca.

– Sim?

Ele podia sentir-se feroz, mas ela era uma mulher, a sua mulher. Olivia viu o fogo arder-lhe no olhar e as mãos trémulas. Por ela.

– Afasta as pernas.

Ela tomou a postura pouco modesta que ele desejava e, mesmo assim, não se sentiu embaraçada.

– É perfeita – disse em voz rouca. – E é minha.

De repente, envolveu as ancas nos seus braços fortes e passou-lhe a língua entre as pernas fazendo-a gritar.

– Como o mel – disse, repetindo o gesto para fazendo perder o fôlego.

Uma dor doce e insistente espalhou-se rapidamente pelas pernas de Olivia, que entrelaçou os dedos na seda do cabelo dele para se apoiar.

Quin demorou-se, segurando-a depois de ela perder a força nas pernas, passando-lhe as mãos pelas curvas voluptuosas do traseiro, a sua língua tão exigente como o resto do corpo. Não parou enquanto ela não soluçou de prazer, trêmula, tentando falar, mas incapaz de encontrar palavras.

Quin levantou-se e tirou a camisa pela cabeça. Momentos depois, Olivia estava deitada de costas sobre um monte de roupa e de campainhas, com um corpo nu e duro sobre ela. Mas tinha o maxilar apertado e uma expressão preocupada.

– Não posso conter-me, Olivia. E ainda posso fazer-te doer.

Mas ela chegava-se já a ele, puxando-lhe os braços.

– Sinto-me vazia – murmurou. – Quer-te dentro de mim. Ele tocou-a com uma mão e fechou os olhos.

– Estás tão pronta – disse com a voz enrouquecida.

– Oh! – exclamou ela, encostando-se ao dedo dele, à carícia dura do polegar. – Eu… pode… sim! – O sol dourado entrou de novo nela para lhe percorrer as veias.

Quin esperou que os espasmos acalmassem, depois colocou-lhe as mãos enormes debaixo do traseiro. Tinha no rosto uma expressão desesperada, mas ao mesmo tempo cautelosa.

– Quero o teu… – disse ela, mas teve de se deter com a respiração entrecortada.

Um leve riso iluminou o olhar.

– Não te atreva falando num ariete, Olivia Lytton.

Ela estendeu os lábios, encantada com o modo como ele os olhava.

– Mas eu quero – e era verdade.

Se possível, Quin sentiu-se ainda maior do que da primeira vez. Mas tudo foi diferente; ela gritou quando ele investiu, mas não de dor. Ergueu instintivamente as pernas e fechou-as em redor das ancas dele, segurando-o com força.

Um grito breve saiu-lhe dos lábios.

– Não... tão depressa não – disse ele ofegante. Apoiou-se nos cotovelos e beijou-a. – Amo-te – as palavras saíram em voz baixa e firme, como a promessa de um guerreiro. Recuou e investiu de novo. Depois parou. – Não há razão para viver sem você, Olivia. Nenhuma razão.

Olivia sentiu os lábios trémulos e os olhos cheios de lágrimas. Mas ele baixou a cabeça e beijou-a mais uma vez.

– Nada de lágrimas – disse ele. – Estás viva. Estou vivo. Estamos vivos.

– Amo-te – disse ela com as mãos trémulas, tentando puxá-lo ainda mais para si. – Amo-te tanto, Quin. – Os olhos de ambos encontraram-se. – Por favor – disse ela, sem saber o que estava a pedir. Mas Quin sabia e ela tomou o que ele lhe ofereceu, tomou-o e retribuiu.