Duas Irmãs, Um Duque
Prólogo
Era uma vez, há já algum tempo...
(ou, para sermos exatos, março de 1812)
… Uma menina que estava destinada a ser princesa. Embora, para sermos absolutamente precisos, não houvesse príncipe no horizonte. Mas estava prometida ao herdeiro de um duque e, do ponto de vista da pequena nobreza, uma coroa ducal era tão boa como uma coroa propriamente dita.
A história começa com essa menina e continua através de uma noite tormentosa e de provas e, embora não haja uma ervilha na história, podemos dizer que, se continuar a lê-la, vai encontrar uma surpresa nessa cama: uma chave, uma pulga... ou talvez, e já agora, uma marquesa.
Nos contos de fadas, a capacidade de nos apercebermos de uma obstrução tão pequena como uma ervilha debaixo de um colchão é suficiente para provar que uma jovem estranha chegada numa noite tormentosa é de fato uma princesa. Na vida real, claro que é um pouco mais complicado. Para se preparar para o título de duquesa, Miss Olivia Mayfield Lytton aprendeu coisas praticamente de todos os ramos do conhecimento humano. Preparou-se para jantar com um rei, um louco ou até com o próprio Sócrates, conversando sobre assuntos tão díspares como a ópera cômica italiana e as novas máquinas de fiar. Mas tal como apenas uma ervilha seca era necessária para determinar a autenticidade de uma princesa, um fato crucial terminou a elegibilidade de Olivia para o título de duquesa: estava prometida ao herdeiro do ducado de Canterwick.
Menos importantes eram os fatos de, quando a história começa, Olivia ter já vinte e três anos e ser ainda solteira, de o pai não ter um título e de ela nunca ter recebido um presente como um diamante de primeira água. Até muito pelo contrário.
Nada disso tinha importância.