Duas Irmãs, Um Duque

Eloisa James · Capítulo 21 de 37

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Duas Irmãs, Um Duque

Capítulo 20

A Felizarda Senhora de Peedle

Afinal, a árvore ficava atrás dos estábulos. Não era simplesmente uma árvore. Era uma casa numa Olivia ficou em baixo, olhando estupefata.

– Mas que coisa é esta?

– Uma casa na árvore. A casa de Alfie.

– Alfie tinha uma casa na árvore? – Tratava-se de uma pergunta estúpida; afinal ali estava ela, uma casinha em cima da árvore. Tinha até janelas e porta.

– Alfie gostava de fazer perguntas – disse Quin, ainda segurando-lhe a mão. – Fazia perguntas acerca de tudo: o que segurava a Lua no céu, porque ficavam as maçãs castanhas e quem criara o alfabeto. Um dia quis saber por que razão vivíamos no chão e não nas árvores.

Olivia inclinou-se e deu-lhe um leve beijo na boca.

– Era o seu pardalito.

– Sim – mas a voz não estava pesada de desgosto. Era até alegre. – Mandei construir a casa na árvore para Alfie porque pensei que ele me fizera uma pergunta muito inteligente e merecia a experiência. Vivemos aqui dois dias.

– E o que decidiu Alfie?

– Que os duques de Sconce vivem no chão porque é muito difícil para os criados subirem os degraus até lá acima com o tabuleiro do jantar e Cleese não o podia mesmo fazer. Alfie fez notar que Cleese só era feliz quando sabia o que todos estavam fazendo, por isso não seria muito bom da nossa parte se decidíssemos viver para sempre na árvore.

Olivia soltou uma gargalhada.

– Um raciocínio próprio de um futuro duque. Espere! Será que ouvi alguém rir para além de mim? Quin puxou-a de encontro ao seu corpo rígido.

– Se subir a essa casa na árvore comigo, Olivia, não haverá volta a dar. Nunca permitirei que se case com Rupert. E não se iluda... permiti que Evangeline se passeasse por onde queria, mas não farei o mesmo consigo. Se fizer sequer olhinhos a um homem, provavelmente mato-o.

Olivia pôs-se em bicos de pés para lhe beliscar o queixo.

– É recíproco. Se o apanho a olhar para os seios de outra como faz com os meus, não a mato a ela... trato mas é de si. Considere-se avisado. Quin soltou uma gargalhada.

– Riu-se duas vezes num minuto – troçou Olivia. – A esse ritmo vai horrorizar a minha mãe com essas gargalhadas.

– Fui fiel a Evangeline – disse, ignorando o gracejo. – E o que sinto por si é duas vezes maior do que o que sentia por ela. Parece-me que não vou ser capaz de lhe ser infiel.

Olivia sentiu um nó na garganta e o seu sorriso estremeceu. Respirou fundo e voltou-se para o tronco da árvore.

– Como se sobe?

– Há degraus pregados no tronco. Espere um momento – entrou nos estábulos e voltou com dois cobertores ao ombro. Momentos depois, Olivia entrava na casa.

A casa na árvore tinha janelas dos quatro lados, abertas para o luar que entrava como pó das fadas transformado em prata líquida. Tinha altura suficiente para Olivia ficar de pé, mas Quin tinha de baixar a cabeça. O chão estava coberto de esteiras sobre as quais Quin colocou os cobertores.

Olivia hesitou. Estava tudo muito bem enquanto Quin dizia que adorava os seios dela. Mas não havia modo de tapar aquelas janelas. Pensara que fariam amor num quarto, às escuras.

Quin sentou-se e estendeu a mão. Ela esboçou um sorriso fraco.

– Não se aceitam arrependimentos – disse alegremente. Aproximou-se, agarrou-lhe na mão e puxou-a para o seu colo.

– É que... não há cortinas.

– Bem sei… e o som espalha-se.

– Não precisa de parecer tão satisfeito! Creio que preferia o velho Quin que nunca sorria.

– Demasiado tarde – mordeu a orelha e depois passou sobre ela a língua quente. – Mandei todos os cavalariços para a cozinha, exceto dois velhos surdos que não a ouvirão.

– Ouvirem-me? – o comentário não foi apreciado. Ele pensaria que ela não sabia controlar-se.

Num movimento rápido, Quin caiu para trás e colocou-se sobre Olivia, instalando-se entre as pernas dela. Adequavam-se perfeitamente. Olivia sentiu que a sua pele acordara naquele momento. Talvez não conseguisse de fato controlar-se.

Ele equilibrou-se sobre os cotovelos, olhando-a durante muito tempo.

– ... Até que a morte nos separe?

Havia uma leve sombra de tristeza e ansiedade nos olhos de Olivia, que murmurou uma imprecação silenciosa acerca da falecida esposa de Quin e acenou afirmativamente.

– Na saúde e na doença.

Quando o duque de Sconce se decidia a pôr em prática uma qualquer coisa mecânica, as suas complexidades eram imediatamente aprofundadas e a roupa de Olivia não era exceção. Mais rapidamente do que julgara possível, despojou-a dos sapatos, do vestido, do corpe...

Ajoelhando ao lado dela, com os olhos incendiados de desejo, estendeu a mão para a camisa.

– Não – exclamou Olivia, agarrando-lhe a mão. Afinal, a camisa era traiçoeiramente delicada. Porque teria decidido vestir uma coisa tão transparente como uma vidraça? Olivia olhou para o seu próprio corpo e descobriu que a camisa estava presa por baixo das suas ancas e por isso punha o ventre em evidência. Porque teria comido tantas empadas de carne? Não poderia ter imaginado um momento como este? Sentiu-se rígida de mortificação e arrependimento.

Se ao menos fosse Georgiana – uma pessoa suficientemente controlada para não comer demasiado. Seria muito melhor para ambos se tivesse as coxas esguias de Georgie. Se tivesse as pernas da irmã poderia exibi-las, voltar-se de lado e saber que ele nunca poderia afastar os olhos. Engoliu em seco.

– Não o farei se tiver de despir a camisa. A sério – as palavras eram resolutas, decididas com dificuldade.

Quin franziu as sobrancelhas, mas acenou afirmativamente. Parecia um falcão domesticado, mas, mesmo assim, bravio. A sua pele cintilava como ouro à luz do luar. Olivia sentou-se, soltando a camisa que deixou de ser tão reveladora.

Que faria uma dama naquela situação?

Apercebeu-se, num canto do seu cérebro, que a duquesificação implementada pela mãe não se ocupara deste assunto. Nem precisaria acrescentar que O Espelho dos Elogios se concentrava na preservação da castidade e não na sua entrega completa.

– Não tenho a certeza do que fazer a seguir – admitiu, na esperança que ele lhe fizesse perguntas acerca das suas supostas experiências com Rupert.

A expressão dos olhos dele era de uma arrogância e contentamento masculinos.

– Felizmente eu tenho. Olivia aguardou.

– Tire-me o casaco – murmurou num tom em que ela quase não o conseguiu ouvir. Um sorriso tremeu-lhe nos lábios quando estendeu a mão para lhe retirar o casaco dos ombros. Depois desabotoou o colete e soltou-lhe a camisa das calças. Fez um gesto para lhe despir a camisa, mas distraiu-se com a pele que encontrou na cintura. Ajoelhou-se também e passou-lhe as mãos pelo abdômen liso e depois pelos músculos salientes das costas.

– Como consegue estar tão em forma? Parece-me que quase todos os homens são moles.

Ele encolheu os ombros.

– Não há dúvida que o exercício físico tem um efeito positivo na fisiologia humana. Parece-me prova suficiente para o praticar regularmente.

Olivia sentiu a pele macia e quente sob os seus dedos. Passou-lhe as mãos por baixo da camisa. Acariciou as costas largas até aos ombros e depois o peito. Excetuando alguns pequenos arrepios, Quin deixou-fazendo o que queria.

Quando ela lhe passou os dedos pelos mamilos, um gemido rouco saiu-lhe dos lábios. Ela espreitou e viu que ele fechara os olhos.

– Não abra os olhos – ordenou sentindo uma centelha de coragem. Se ele mantivesse os olhos fechados, seria o mesmo que ter cortinas num quarto decentemente escurecido.

Ele acenou obediente. Ela sentia-se mais confiante quando ele não a olhava: não precisava de se preocupar com o muito que a sua ridícula camisa revelava.

Conseguiu retirar-lhe a camisa pela cabeça e descobriu que o tronco dele era belo, com uma cintura estreita e lisa. Acariciou o peito e depois – olhando de novo para se certificar que ainda mantinha os olhos fechados – baixou-se e posou a boca onde as suas mãos haviam passado.

Um ruído baixo saiu-lhe dos lábios.

– Nada de abrir os olhos – avisou-o. Ele apertou os olhos, mas acenou afirmativamente.

Ela inclinou-se mais uma vez, beijou-o, provou-o, colocando-lhe pequenos beijos sobre o peito. E continuava a tocar-lhe nos mamilos, porque de cada vez que passava os lábios por eles, ele reagia. O som era como champanhe. Um poder que a embriagava.

Esqueceu-se de lhe manter os olhos no rosto para garantir que ele não ia abri-los. Preferiu aproximar-se, contorcendo-se para poder chegar mais do que os lábios junto ao colo dele.

– Olivia – disse Quin em voz baixa, líquida de paixão.

Sobressaltada, Olivia ergueu a cabeça e encontrou os olhos verdes a fitá-la. A luz cobria-lhe de prata as pestanas espessas dando-lhe o aspeto transcendental de um rei das fadas e não de um simples mortal.

– Devia ficar com os olhos fechados – disse ela, cedendo à tentação e passando-lhe um dedo pelas pestanas.

– O senhor é tão belo, Quin. Demasiado belo para mim.

Ele riu. A terceira gargalhada no espaço de uma hora.

Ela passou-lhe o dedo pelo lábio inferior, inclinou-se para a frente e seguiu cuidadosamente essa linha com a língua.

– Já posso tocar-lhe? – perguntou ele num murmúrio junto aos lábios dela.

– Mmmm – respondeu ela também com um murmúrio adorando o sabor dele.

Quin posou as mãos grandes nas costas dela e puxou-a de encontro ao peito nu. Olivia soltou uma exclamação abafada quando sentiu os seios encostados a ele, inchados e muito sensíveis. Com uma mão segurou-a de encontro a si enquanto fazia deslizar a outra pelas costas, lenta e sensual.

– Não vai acabar de me despir? – perguntou em voz baixa e suave como um desafio a que sabia que ela não poderia resistir.

Ela quase caiu do colo dele quando se voltou para o olhar.

– As minhas calças têm uma abertura – disse sem fazer qualquer movimento para as despir sozinho. Olivia encostou-se um pouco mais e descobriu o que ele estava falando. Experimentou abrir os botões, apercebendo-se de que o ritmo da respiração de Quin aumentava e era agora entrecortada. Assim que viu como tremia ao seu toque, abrandou, acariciando-o apenas no interior do cós das calças, apreciando as rápidas inspirações à medida que os seus dedos insistiam.

Lentamente, muito lentamente, fez descer as calças, baixando pelas coxas musculosas. Assim que as sentiu nos joelhos, Quin retirou-as e atirou-as para o lado. Tinha apenas as cuecas que cobriam com dificuldade o que estava por baixo.

Não era um tronco mole de aipo – embora Olivia afastasse imediatamente este pensamento considerando-o desleal para Rupert. Poderia não casar com ele, mas seria sempre sua amiga.

Lentamente e com cuidado despiu as cuecas a Quin, tentando não se mostrar assustada com o tamanho dele.

Quin atirou também as cuecas para o lado e voltou-se para ela, com as mãos imóveis aos lados. Porém, Olivia sentia a força que ele continha e desejava libertar. Libertar sobre ela.

Sentiu-se invadida por nova onda de ansiedade que a obrigou a afastar os olhos de toda aquela perfeição para as suas coxas – para descobrir que a abençoada camisa se prendera outra vez para lhe acentuar a carne em cima das coxas. Sentiu o rubor subir-lhe às faces quando a soltou.

Quin não pronunciou palavra. Ela ergueu os olhos e viu que ele a olhava com uma expressão tão terna que a fez estremecer.

– Não se atreva a ter pena de mim – disse bruscamente. A surpresa inundou os olhos do duque.

– Está falando de quê?

– De nada – disse Olivia. – Desculpe, mas não percebi... – para sua aflição sentia que as lágrimas ameaçavam surgir.

– Que fazemos agora – perguntou rapidamente.

Quin tinha uma expressão séria no rosto, a expressão de quem pensava em luz ou poesia.

– É que não tenho a certeza do que fazer – disse com a voz embargada. Sentia de novo a ameaça das lágrimas.

– Minha querida – disse ele. – O que se passa? – Estendeu os braços e abraçou-a.

– Nada – murmurou ela, sentindo-se dez vezes idiota. – Beija-me?

– Boa ideia – Quin beijou-a lenta e docemente, com os olhos fechados, conforme verificou antes de se descontrair pensando apenas que estava próximo de Quin.

Depois, quando os beijos a deixaram quase em êxtase, ele moveu-se de maneira que ela deu por si deitada de costas, com o cabelo a rodeá-la. Era quase demasiado: tentando perceber as sensações do corpo dele junto a si, nu, com uma ereção urgente encostada a ela. E a Lua impiedosa, tudo iluminava com a sua luz prateada.

Tinha de admitir que era bonito. O interior da casinha cintilava com uma luz que parecia mágica. Se ao menos não fosse tão reveladora. Um pouco menos de magia era o que Olivia desejava.

– Há qualquer coisa que não está bem – disse Quin erguendo-se de gatas e olhando para ela.

Olivia sentiu o lábio estremecer e, incapaz de conter-se, deixou cair uma lágrima, embora dissesse para consigo, Não chore, não chore, não chore.

Quin limpou-a com o polegar.

– Ajude-me, minha querida. As emoções não são o meu forte. Preciso que me diga o que se passa.

Ela abanou a cabeça.

– Nada! Estou apenas a ser tola.

Ele olhou-a nos olhos e Olivia afastou rapidamente os seus. Ele via demasiado com aqueles seus olhos terrivelmente inteligentes.

Quase sem saber como, ele levantou-lhe as mãos acima da cabeça.

– Se não me disser terei de recorrer à lógica. A senhora não tem medo de estar comigo e disse-me que não era virgem, por isso não deverá ter medo da dor.

Teria mesmo dito aquilo? Ele concluíra que ela e Rupert tinham feito amor. E ela não lhe podia dizer o contrário sem quebrar a promessa.

– A menos que… – Quin hesitou. – Serei muito maior que Rupert?

O olhar dela demorou-se sobre ele com prazer e ele pareceu crescer e latejar sob esse olhar.

– Sim – murmurou ela em voz rouca. Ele riu.

– Não será medo que deteto na sua voz.

– Não o incomoda que eu tenha... que eu tenha visto Rupert antes? Ele franziu a testa.

– Porque haveria de me incomodar? Não foi escolha sua perder a virgindade com Rupert e também não foi ele que o decidiu. Sinto bastante desprezo pelo pai de Rupert, mas nunca por si.

Era próprio de Quin: lógico e justo. Ela conseguiu esboçar um leve sorriso.

– Mesmo assim – disse.

Mas ele interrompeu-a.

– Não é isso, Olivia. Por favor, não me minta. Ela baixou os olhos.

– Quando tenho dúvidas, faço uma lista de perguntas – disse ele mordiscando o lóbulo da orelha até ela gemer.

– Primeira pergunta: a minha querida Olivia tem receio da minha pila?

Pegou-lhe na mão e colocou-a sobre a sua ereção. Olivia soltou uma exclamação abafada, deleitada com o calor sedoso, a suavidade e o modo como latejava na sua mão. Fez subir e descer a sua mão fechada. Olhou para Quin e percebeu de que ele estava de olhos fechados e com a cabeça para trás. Tal como gostava de o ver. Apertou a mão, perguntando a si mesma o que ele estaria a sentir.

Ele afastou-lhe a mão, satisfeito com a resposta silenciosa à sua pergunta.

– Não tem receio – murmurou numa voz um tom mais profundo e mais sério do que antes.

– Segunda pergunta: a minha Olivia tem receio da dor? – Observou-a com atenção.

Ela abanou a cabeça.

– Também achei que não – disse satisfeito. – Além do mais, tenciono dar-lhe tanto prazer que me vai pedir mais – desta vez o sorriso dele era pura e verdadeiramente masculino.

O coração de Olivia deu um salto.

– Terceira pergunta – disse e pôs-se de joelhos. – Será que a tonta, a tonta da minha Olivia receia que eu não goste do corpo dela? – E, depois, rápido como um gato, enquanto ela pensava na resposta a dar, pois embora ele tivesse razão, ela não o queria admitir, rasgou a camisa de alto abaixo.

Ainda bem que mandara o pessoal sair dos estábulos, porque o grito ofendido de Olivia poderia certamente ter sido ouvido nos jardins.

Mas Quin retirava-lhe já os restos do tecido. Olivia fechou os olhos com força, sem querer ver-lhe o rosto. Aquele maldito luar iluminava todas as curvas e carne roliça.

Ele não lhe tocou e nada disse. Olivia sentiu que o tempo parava deixando-a abandonada no momento mais humilhante da sua vida.

Quando por fim ele falou, foi numa voz rude e cheia de desejo.

– Não gostaria de ser escanzelada como a sua irmã, pois não?

– Georgiana não é escanzelada! – respondeu Olivia abrindo imediatamente os olhos.

– Como um tronco de aipo – disse Quin. – Pernas de gafanhoto. Um homem quer isto, Olivia – tinha as mãos suavemente pousadas nos seios dela.

– Bem sei – disse Olivia, estremecendo ao toque que lhe enviava chamas pelo corpo. – Gosto dos meus seios.

As mãos dele baixaram sobre o ventre que não era liso como uma tábua, nem esguio como o de uma bailarina, como o de Georgiana.

– Um homem quer isto – falava ainda com voz profunda, rouca de paixão, enquanto os dedos lhe apertavam as curvas e se afundavam no calor dela. Fê-los depois deslizar até às ancas. – Está lembrada de que eu nunca minto? – perguntou com os olhos fixos nas próprias mãos.

Olivia olhou também para baixo, curiosa, vendo as mãos dele cor de mel agarrarem-lhe as ancas. Parecia feita de nata ao luar, como se a sua pele brilhasse com uma espécie de luminescência interior.

– Estou sim – conseguiu dizer.

– Creio que o que mais gosto são as suas ancas e o seu traseiro. – A emoção na voz dele era inequívoca. – Mas depois lembro-me dos seus seios e do muito que gosto deles. Adoro cada uma das suas curvas sensuais a ponto de querer mordê-las, Olivia, incluindo aquelas que ainda não permitiu que eu tocasse ou beijasse.

Até àquele momento, Olivia mantivera o corpo rígido, as coxas apertadas e o estômago para dentro. Depois, foi-se descontraindo enquanto o observava. Quin não sabia mentir. Tinha a certeza e já o dissera a Georgie. Acreditava nele.

A sensualidade do rosto dele, o modo como a tocava, quase com reverência, inclinando a cabeça, beijando-a agora com avidez...

Era essa a verdade.

– Suculenta – murmurou ele.

– Faz-me parecer uma galinha assada.

– Madura, roliça e deliciosa. Macia.

Ela abanou a cabeça.

– Não são essas as palavras que uma mulher quer ouvir de um homem que lhe olha para as coxas – mas já se sentia melhor e ambos o sabiam.

– Georgie não tem pernas de gafanhoto – disse ela, tocando-lhe para garantir que ela a ouvia. O que ele lhe fazia naquele momento teria como resultado obrigá-la a desfazer-se retirando-lhe toda a energia, mas tinha de garantir que ele entendia uma coisa. – Ela tem as pernas mais esguias e elegantes que qualquer mulher gostaria de ter.

Quin observou-a com olhos predadores, segurando-a entre as suas mãos enormes.

– Não a minha mulher, não você.

Olivia estava prestes a, mais uma vez, defender a irmã, mas ele abriu-lhe as pernas e pôs a boca sobre ela, sobre essa parte do corpo dela.

Por um segundo, Olivia ficou rígida, o tempo suficiente para um avanço da língua e depois para que um dedo acariciasse o local onde a língua estivera, um...

Esqueceu então Georgie. Esqueceu o seu próprio nome. Esqueceu tudo, exceto o homem que a fazia entrar num incêndio de cada vez que usava a língua. Não conseguia evitar debater-se nem abafar os gemidos que lhe saíam da garganta, um após o outro, indignos, guturais, animalescos.

Sentia as mãos de Quin por todo o corpo, tocando-lhe, adorando-a, deslizando por baixo dela, mordendo o traseiro e afagando a leve dor provocada, deslizando pelas coxas, certificando-se de que levavam o prazer a cada centímetro da sua pele, avançando nela, abrindo-a, um dedo entrando... ali.

Olivia ficou de novo rígida, com um gemido a sair-lhe dos lábios.

– É tão apertada – murmurou Quin. – Pronto, Olivia, agora. – Mais um movimento da língua, uma volta do dedo...

Aquela Olivia que ela era – esperta, irônica, apreciadora de jogos de palavras – foi engolida por uma onda de prazer tão aguda que a fez voltar o corpo, arquear-se num grito silencioso igual ao que lhe saía dos lábios.

Quin ergueu-se sobre ela, prendeu-lhe a boca num beijo violento, colocou-a na posição certa e investiu...

Foi o extremo daquela cegueira abrasadora, a completa rendição da sua pessoa e por um momento Olivia nem se apercebeu da intrusão.

Mas logo a seguir sentiu. Foi enorme. Escaldante. Dolorosa.

Mesmo assim era Quin que estava sobre ela, com a cabeça para trás, os olhos fechados.

– É tão... – tinha a voz entrecortada, rouca de paixão. Não conseguiu acabar a frase.

Era tão instintivo como respirara. Ela recuou, o corpo num arco e recebeu o que faltava dele. Mudou de ideias e desejou não o ter feito. O desejo era uma coisa. A dor agonizante outra. A garganta dele soltou um gemido rouco de posse masculina e prazer.

Se o espírito de Olivia não houvesse sido ofuscado, estaria agora muito claro. Aquilo doía como... como... ajudava soltar alguns impropérios que Georgiana nunca diria em voz alta. Ele não só era enorme, como a queimava por dentro. Quem diria que uma parte do corpo poderia ser tão quente?

De súbito, o rosto dele alterou-se e abriu subitamente os olhos.

– Há qualquer coisa em você…

Olivia tentou, em vão, demonstrar que sentia prazer.

– Eras virgem!

Ela nem se incomodou em responder. Perguntava a si própria se alguma mulher já teria desmaiado durante o ato.

Quin baixou um pouco o corpo, aproximando o rosto do dela: Olivia abafou um gemido. O movimento... não era boa ideia. Passaram-lhe pela cabeça mais alguns impropérios que Georgiana nunca ouvira, muito menos dissera em voz alta.

– Fala comigo, querida – a voz de Quin atravessava o violento protesto do seu corpo. Ele mexeu-se de novo.

– Para – disse zangada. – Não te mexas.

Ele acenou com a cabeça.

– Lembras-te daquela quintilha acerca da senhora que era muito hábil com a agulha? Outro aceno.

– Porque não me apaixonei pelo homem com quem ela aprendeu as suas habilidades? Não quero que te mexas mais, nem para trás, nem para a frente. É demasiado grande.

Uma gargalhada venceu o feroz desejo dos olhos dele. Baixou a cabeça e beijou-a longamente.

– Com todo o prazer ficaria aqui para sempre – murmurou. – Julgo que seja o meu lugar preferido em todo o mundo.

– Teriam de nos enterrar num caixão enorme – comentou Olivia a brincar, pois, se não o fizesse, poderia pensar demasiado na tragédia que tudo aquilo era. Não se adequavam um ao outro. Ele era demasiado grande.

– Assim não pode ser – disse ela quando Quin não respondeu ao seu gracejo acerca do caixão. Beijava-lhe a face e a orelha. Tudo muito bem, mas como cada nervo do seu corpo se concentrava nas ondas de dor que sentia entre as pernas, gostaria de dispensar os beijos.

– Quero retirar o que disse acerca de não te mexeres. Provavelmente, será hora de te retirares – disse ela, tentando ser simpática.

Ele fez um leve murmúrio e beijou-lhe as sobrancelhas. Que aborrecimento. Que grande aborrecimento.

– Sai – disse ela, dando-lhe um leve empurrão.

– Não posso. Alguém me disse para não me mexer.

– Não é altura para criares um novo sentido de humor.

Ele esfregou o nariz no dela, num movimento tão espantosamente terno que ela se calou.

– Não teria investido assim se soubesse que era virgem. E tinha a impressão de que me havia informado da sua experiência.

– Concluíste isso – disse-lhe Olivia. – Não era meu... não podia esclarecer-te.

– Mas deixaste o duque pensando que o herdeiro do filho dele poderia vir a caminho? – Olivia viu-lhe nos olhos uma expressão risonha.

– Foi muito bem feito – disse ela mordendo ao de leve o queixo de Quin, só porque ele estava ali e era belo. – Bom, não gosto nada de parecer que tenho um compromisso, mas tenho a certeza de que deveria estar noutro lado.

– Dói, não é verdade? – beijou-a nos lábios.

– Nem consigo descrever quanto.

– Porque é uma dama?

Ela acenou afirmativamente.

– Se eu soubesse que era virgem, teria empurrado os joelhos e depois entrado suavemente e muito devagar.

– O resultado acabaria por ser o mesmo. – Olivia não imaginava que a mecânica pudesse mudar o que quer que fosse, dadas as dimensões das respetivas partes.

– Mas dobrarias os joelhos? Só... para experimentar.

Ela dobrou os joelhos de má vontade.

– Por vezes, a mulher envolve com as pernas a cintura do amado.

Olivia não estava a ver-se fazer tal coisa, como se fosse uma espécie de acrobata. Porque não entenderia ele que ela não servia para as atividades da cama? Podia não ter insistido em cortinas que se deveriam fechar todas as noites, mas levantar as pernas de uma forma tão indigna?

– Nem pensar. Nunca – acrescentou para se certificar de que ele entendera.

Os olhos dele riam, mas era apenas porque não compreendia o muito que aquilo doía.

– Olivia – disse ele, baixando a boca de novo sobre a dela, totalmente descontraído, como se se dispusesse a ficar toda a noite na mesma posição.

– Amo-te. – E depois beijou-a, exigindo que ela abrisse a boca, o que ela aceitou.

Mergulhou nela a língua realizando com ela um jogo escaldante e Olivia compreendeu pela primeira vez. Aquele tipo de beijo era... carnal. Era ofensivo.

– Não admira – murmurou ela.

Ela afastou-se ligeiramente, de sombrancelha franzido.

– Não admira que não permitam que as debutantes beijem – explicou. –

É outra maneira de fazer amor, não é verdade?

Como resposta, Quin tomou-lhe de novo a boca, possessivo, quente, doce. Todas as facetas de Quin ao mesmo tempo.

– Minha querida – disse ele pouco depois, após a sua mão lhe ter acariciado o seio. – Ainda te dói muito?

– Claro – disse Olivia automaticamente embora estivesse a ter prazer com as carícias dele... como não havia de doer? Tinha sempre consciência da dor e da sensação de que alguma coisa estranha e demasiado grande a abria ao meio.

Mas depois mexeu-se um pouco e percebeu de que não lhe doía tanto como antes.

– Parece-me um pouco melhor. Suponho que encolhes quando não fazemos nada durante algum tempo.

Ele pestanejou.

– Minha querida, se pensa que o homem que encontrou o caminho para o local mais doce e mais apertado do mundo encolhe…

Ela mexeu-se de novo, pensando na deliciosa sensação que ele lhe provocara antes de tudo aquilo começar. Não seria justo deixá-lo assim. Não receava a dor. Ou antes não acreditava no medo da dor.

– Devia começar de novo – disse ela. Na verdade, sentia receio, o que não significava que não tivesse coragem.

Ele não parecia convencido.

– Pronto – declarou Olivia. – Já pode mexer-te para a frente e para trás.

Ele retirou-se lentamente. Era estranho, mas depois de ele ter saído, Olivia sentiu-se vazia. Ridículo. Depois ele entrou de novo, desta vez lento, muito lentamente e ela desejou que ele se apressasse para tudo poder terminar, mas estava ao mesmo tempo fascinada pela lenta invasão. E qualquer coisa aconteceu...

Sentiu que respirava com dificuldade e que arqueava um pouco as costas.

– É melhor assim? – perguntou ele em voz baixa, mas ela percebeu da brusquidão da sua voz. Ela acenou afirmativamente.

– Outra vez.

Ela aquiesceu.

Ele entrou lentamente mas firme. Não era confortável. De modo algum, mas era suportável. Por estranho que parecesse, a sensação de fricção era até agradável.

E havia uma leve ansiedade nos olhos de Quin que afastava parte do seu prazer.

– Estou começando a gostar disto – disse ela, com um enorme sorriso. – Poderia fazê-lo toda a noite. Provavelmente…

– Mentirosa – resmungou ele evitando sorrir com os olhos. – Sei que está a ser um inferno para você, Olivia, mas para mim é o céu. Nunca imaginei gostar tanto como contigo.

Apoiando-se nos antebraços, olhou-a com os olhos pesados de paixão.

Olivia sentiu o coração encher-se de felicidade. Arqueou as costas e chegou-se a ele. Era um movimento desajeitado mas Quin percebeu.

Lançou a cabeça para trás, fechou os olhos e avançou rapidamente e com força, uma, duas vezes, de novo... exatamente quando Olivia começava pensando que talvez aquilo não fosse tão horrível, Quin emitiu um som perigoso e brutal e investiu dentro dela uma última vez.

Se tivesse caído assim sobre Georgiana, como uma árvore derrubada, a teria matado.

Felizmente, como nunca tinha experimentado a dieta de alface, Quin não se importou de cair sobre ela. Olivia rodeou o pescoço com os braços, para o manter onde estava. O terrível ardor entre as suas pernas parecia ter diminuído. De fato, parecia até estar a saber-lhe bem.

Era tão íntimo. Quin fazia parte dela. Estavam ligados, duas pessoas juntas como um puzzle que não se podia separar. A ideia comoveu-a.

– Quin – disse ela em voz baixa, voltando a cabeça e beijando-lhe a face. Queria partilhar aquele momento de êxtase, perfeito e tão íntimo.

Ele adormecera.

Olivia começou a rir e a gargalhada dentro do seu peito acordou-o.

– Desculpa meu amor – disse com a voz rouca de sono, afastando-se para o lado. – Não há sítio para nos lavarmos – resmungou.

Fechou de novo os olhos e adormeceu.

Olivia rasgou uma tira da camisa despedaçada e limpou-se o melhor que pôde. Não havia muito sangue, o que era surpreendente. Da maneira que se sentira o sangue deveria ter jorrado.

Mas não.

Procurou o segundo cobertor e cobriu com ele o corpo nu do seu primeiro amante – do seu único amante –, encostou-se a ele e instalou-se para dormir.

Sentia o corpo a latejar de um modo que lhe era estranho e que não a deixava sossegar. Por isso começou pensando de novo naquela maldita dama com a agulha.

Era uma descrição ridícula de uma coisa que mais parecia um ariete. Mas…

Havia qualquer coisa de avassaladoramente maravilhosa na experiência. Fazia-a sentir-se...

Que absurdo, pensou aconchegando-se mais.

Nenhum ser humano pode ser dono de outro. Sentimento de posse? Não.

Devia ter interpretado mal a expressão do olhar de Quin. Nem sequer era ainda sua mulher.

Mesmo assim adormeceu pensando na maneira como ele a olhara enquanto entrava nela: feroz, ansiosa, possessiva.

Mmmm.