Duas Irmãs, Um Duque

Eloisa James · Capítulo 22 de 37

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Duas Irmãs, Um Duque

Capítulo 21

A Definição do Casamento

Quin acordou de manhã muito cedo, tal como era seu hábito. Porém, percebeu imediatamente de que nada lhe parecia familiar. Normalmente, acordava numa cama imaculada e macia, sem ninguém mais dentro dela para abraçar.

Mas agora estava deitado sobre uma superfície dura e áspera, abraçando uma bela mulher adormecida. E mais, a luz da madrugada, banhava o rosto sem ser impedida por cortinados e os pássaros pareciam cantar-lhe ao ouvido.

Subitamente, percebeu do mundo e reconheceu o local em que se encontrava e com quem. Abraçara Olivia durante toda a noite, como se tivesse medo que ela fugisse. Olivia, cujos olhos risonhos e tolo sentido de humor e irônica inteligência o surpreenderam e encantaram... enquanto o enlouqueciam com a sua sensualidade.

Olivia pertencia-lhe. Acabara por encontrar uma mulher que era o oposto de Evangeline. Evangeline que se fingira virgem quando afinal não o era.

Olivia fingira ser uma mulher experiente quando afinal não o era. Durante uns instantes, refletiu sobre o que poderia ter acontecido entre ela e o seu virtuoso Rupert, mas acabou por desistir. Ela nunca lhe diria; devia ter prometido a Montsurrey.

Se tivesse sabido... entrara nela, julgando que estava habituada a meter-se na cama com o noivo, pensando que era uma mulher habituada ao prazer. A sua falecida esposa habituara-o àquilo. A ser brusco, fazer amor com Evangeline fora como percorrer um caminho público.

Fazer amor com Olivia fora completamente diferente e não apenas por causa das diferenças físicas. Cada gemido e estremecimento pareciam provocar alterações no seu próprio corpo.

E através de tudo aquilo apercebera-se de uma violenta sensação de posse. Olivia era sua, só sua. Nenhum outro homem a tinha tocado como ele. Era espantosa a violência da sua posse e não era lógica.

Ali ficou, durante algum tempo, escutando o cantar de um tordo e pensando no tipo de traição que faz com que um homem desespere por encontrar uma mulher que o ame apenas a ele. A virgindade de Olivia fora o melhor presente que ela lhe pudera dar. Sentia os braços rígidos só de pensar. Causara-lhe dor física e sentia-se muito mal por isso. Mas saber que era o primeiro...

Tentou esquecer a sensação; era ilógico! Pouco importava com quantos homens uma mulher tinha dormido. Dissera-o a si próprio, depois de Evangeline, na noite de núpcias, lhe ter contado detalhadamente as suas muitas explorações (que haviam tido início com um criado na tenra idade de quinze anos). E tivera razão.

Nenhum desses homens mudara interiormente Evangeline ou o que ele sentia por ela.

Mesmo assim, aquele brilho – aquele brilho feroz, animalesco e possessivo no fundo do seu coração – não desaparecera. Afastara-o por ser semelhante à poesia, injustificado, ilógico.

Pobre Olivia, certamente magoada após os acontecimentos da noite anterior. Deitou-a suavemente de costas e acariciou lenta e suavemente aquelas curvas macias, leitosas e inebriantes. Ela continuava a dormir; refinou o toque com um beijo de vez em quando. Ela mexeu-se algumas vezes, mas apenas quando ele começou a explorar com a mão o interior da sua coxa enquanto aproximava a boca do mamilo doce e rosado...

Ela acordou.

Não lhe deu os bons-dias. Sentou-se muito direita e gritou.

– Valha-me Deus! Onde estou eu?

Quin não era muito bom a responder a perguntas (a menos, claro, que dissessem respeito a problemas matemáticos). Em vez de responder, estendeu o braço, puxou aquela mulher de carne sensual para o seu peito e beijou-a. E isso fez como que a mesma violenta sensação de posse lhe invadisse uma vez mais o peito.

Deixou que acontecesse.

Não era lógico. Não era de fato ele. Mas era uma sensação muito forte.

– Oh, Quin – murmurou Olivia. Estava deitada de costas e ele aproximava o corpo do dela, beijando-a enquanto o fazia.

– Hmmm.

– Adoro quando me rosnas ao ouvido.

Quin ficou pensando.

– Me faz parecer um buldogue raivoso.

Ela ergueu as mãos acima da cabeça espreguiçando-se num movimento que demonstrava puro prazer.

– Não quero dizer que rosnes como um cão. É que... parece tão feliz por me ter aqui.

– É minha – disse ele num tom prático. – Claro que estou feliz por te ter aqui. Abriu-lhe as pernas.

– Mas o que vai fazer aí? – perguntou Olivia, espreitando-o.

– Vou beijar-te as coxas.

Ela tentou juntar os joelhos.

– De maneira nenhuma. Temos de regressar a casa, antes que os teus convidados deem pela nossa ausência. Graças a Deus que esses pássaros fizeram uma tal barulheira que nos acordaram.

Ele fez-lhe uma pequena carícia na coxa e ela estremeceu apesar da conversa, aproximou a língua um pouco mais do seu ponto mais quente, acariciou o seio do modo que sabia conseguir quase enlouquecê-la de prazer.

– Porquê, Quin, porquê – disse ela naquela sua voz sufocada que ele apenas ouvira algumas vezes. – O que…

Ele passou um dedo pelas belas pregas rosadas. Ela sentou-se de novo.

– Não! – E depois continuou falando. Tinham de voltar a casa, tinham de tomar banho e de se vestir, tinham de evitar a mãe dele, tinham de...

A única coisa de que a sua adorada Olivia ainda não se apercebera era que quando Quin se decidia fazendo uma coisa... conseguia o que queria.

A única maneira de parar o dilúvio de palavras e a ansiedade de Olivia era beijando-a. Como a mão dele descobrira o caminho para o local mais macio e húmido de todo o corpo dela, Quin não se sentia inclinado a escutar os protestos.

É verdade que queria fazer mais do que acariciá-la. Mas, se perdera momentaneamente o controle na noite anterior, recuperara-o agora. Olivia, a doce Olivia, precisava da experiência de um prazer que a entorpecesse antes que ele se atrevesse a chegar-se a ela.

Por fim, a pôs ofegante e a contorcer-se pela ação do seu dedo e implorando, por favor, por favor, por favor. Rejeitou a urgência de saltar para cima dela e juntou outro dedo ao primeiro... e pronto. Ela gritou, agarrando-se aos ombros dele, todo o seu corpo a tremer.

E foi tão sedutor que Quin teve de fato que se deter um momento para se controlar. Olivia era tudo o que ele queria… tudo o que poderia querer alguma vez.

Não poderia arruiná-lo.

– Quin – disse ela, esforçando-se por voltar a respirar normalmente. Oh, isso. Isso.

Ele acenou afirmativamente dando ao seu corpo uma nova lição de autodomínio. Não, não se chegaria a ela.

– É a sua vez – disse ela, parecendo um soldado corajoso diante de uma batalhão de elefantes armados.

Foi o suficiente. Acalmou a ereção o necessário para conseguir sentar-se.

– É tempo de voltarmos a casa – disse, olhando em volta em busca das cuecas. Rapidamente vestiu a camisa e as calças. – Temos de voltar antes que os criados andem todos por aí.

– Sinto os joelhos fracos – constatou Olivia. Tinha a voz rouca e parecia convidá-lo exatamente para aquilo que não o convidava.

– Levanta-te – disse ele.

– Vai você – sugeriu. – Vou dormir mais um pouco e já vou – enrolou-se sobre si própria e cobriu-se de novo com o cobertor. Fechou os olhos.

– Não posso deixar-te aqui em cima da árvore.

– Sim. Claro que pode. Vai para casa e toma o pequeno-almoço com toda a gente. Eu vou depois. Desse modo, ninguém pensará que passámos a noite fazendo coisas maliciosas em cima de uma árvore, que é o que toda a gente adivinhará se aparecermos juntos. Sei que muitas vezes penso que as pessoas fazem destas coisas nas árvores.

– Não posso deixar-te aqui em cima – insistiu ele, paciente.

– Não há problema. Foste você e não eu quem caiu da outra árvore.

Quin acocorou-se.

– Olivia, acorda. Vamos para dentro e eu não posso levar-te ao colo.

– Estou muito cansada e muito magoada. Não vou descer enquanto não descansar. Acorda-me daqui a umas horas.

E aquilo era uma ordem. Quin levantou-se o melhor que pôde e olhou para a sua futura duquesa. Olivia parecia dormir sossegada, com uma mão sob a face, os belos caracóis despenteados espalhados por cima do cobertor. Nem sequer tinha uma almofada, mas parecia perfeitamente confortável.

Quin percebeu de que sorria; estava desalinhado e sujo, mas mais feliz do que nunca estivera. Ela abriu um olho.

– Quando voltares, traz-me chá, por favor.

– Conforme te expliquei, os criados não conseguem subir esta escada com um tabuleiro na mão. Espera aí... estará a senhora, Miss Lytton, a pedir a um duque que lhe traga chá?

Ela fechou de novo os olhos, mas ele viu-lhe a sombra de um sorriso. A sua Olivia experimentava os seus poderes.

– Sim – respondeu docemente. – O casamento é isso.

– É isso o quê?

– É ser simpático – disse Olivia a sorrir. – Porque quer que a outra pessoa seja simpática contigo. Ele trouxe-lhe o chá e biscoitos.