Educação universitária: práxis coletiva
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Educação universitária: práxis
coletiva em busca de veraz qualidade
e de precisa cientificidade
Universidade Estadual da Paraíba
Prof a. Marlene Alves Sousa Luna Reitora
Prof. Aldo Bezerra Maciel
Vice-Reitor
Diretor
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Coordenação de Editoração
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Conselho Editorial
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Editoração Eletrônica
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Capa
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Comercialização e Divulgação
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Revisão Linguística
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Normalização Técnica
Elisabeth da Silva Araújo
Pedro Bergamo
Educação universitária: práxis coletiva em busca
de veraz qualidade e de precisa cientificidade
Campina Grande/PB
2010
Copyright © 2010 dos Organizadores
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FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL - UEPB
378
B493e
Bergamo, Pedro.
Educação universitária [livro eletrônico]: práxis coletiva em busca de veraz qualidade e de precisa cientificidade/ Pedro Bérgamo. - Campina Grande: EDUEPB, 2010.
981 Kb; ePUB
ISBN 978-85-7879-189-6
1. Educação Superior. 2. Educação -
Aprendizagem. 3. Educação - Qualidade I. Titulo.
21. ed. CDD
EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA Rua Baraúnas, 351 - Bodocongó - Bairro Universitário - Campina Grande-PB CEP - 58429-500
Fone/Fax: (83) 3315-3381 - http://eduepb.uepb.edu.br - email:
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Editora filiada a ABEU
Nota dos editores
Este livro deverá ultrapassar um mero ensaio, porque nele se encontram argumentos pouco ou nada comuns sobre caráter veraz de qualidade e sobre precisa cientificidade de certa educação universitária. Concomitantemente, e é o que mais importa, presume objeto de uma pedagogia que, a partir da sua autoafirmação enquanto práxis coletiva em ambiência acadêmica, há de enfim se tornar apta a romper com o vezo colonizador do seu humano campo de atuação.
Os argumentos, em questão, respondem, antes de tudo, a uma persistente inconformidade com a tirania das circunstâncias em que se processa o processo educativo. Resultam de uma mediada pesquisa-ação que houve de acontecer desde 2002 e, na atualidade, conta com um grupo de pesquisadores incondicionalmente voluntários sob a denominação de “CONSER” (ser junto) e com o beneplácito de servir-se da infraestrutura da Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB), no oeste do Estado da Bahia.
A rigor, a autoria do texto é coletiva. Entretanto, ainda não tem sido possível dispensar uma mediação, a recair sobre um pesquisador educacional que, para tanto, não se furta a responder nominalmente por eventuais falhas expositivas dos referidos argumentos, inclusive porque anteriormente já assumira o desafio de investigar os fundamentos do objeto assim pesquisado, em nível de pós-doutoramento, junto à Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (FE/UNICAMP), sob o título de “FILOSOFIA, EDUCAÇÃO E O MUNDO DO TRABALHO: a relação dialética presente no paradigma da sustentabilidade constituído na dinâmica entre apropriar e produzir e a implantação da pedagogia histórico-crítica como fundamento de um projeto político-pedagógico e institucional de formação superior emancipatório em Barreiras – BA (FASB)”.
Desde a entrega dos resultados da investigação teórica, na FE/UNICAMP, até o encaminhamento do presente texto para publicação, avançaram inferências obtidas à base da práxis coletivo-experimental que passou a ser denominada “Autoaplicação da Proposta Pedagógica Fasbiana”. Quanto, assim, a avançar, cumpre ter em vista não apenas corroboração das hipóteses originárias da investigação procedida junto à FE/UNICAMP, bem como intensificação dessa mesma práxis.
Peculiarmente, cumpre ressaltar oportuno apoio de pesquisadores das Universidades Estadual e Federal da Paraíba, assim como de voluntários paraibanos que, por exercerem docência na FASB na ária da Comunicação Social, têm sido assíduos frequentadores e, inclusive, corresponsáveis pela dinâmica do “CONSER”.
Lista de siglas
CES: Câmara de Educação Superior (Conselho Nacional de Educação; Ministério da Educação)
CIC: Congresso de Iniciação Científica (da Faculdade São Francisco de Barreiras)
CONAES: Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior
CONSER: “Ser junto” (nome de grupo de pesquisa-ação da Faculdade São Francisco de Barreiras)
CPA: Comissão Própria de Avaliação.
ENADE: Exame Nacional de Desempenho de Estudantes
ENDIPE: Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino
FASB: Faculdade São Francisco de Barreiras (BA)
FE/UNICAMP: Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas
IAESB: Instituto Avançado de Ensino Superior da Bahia (Mantenedor da Faculdade São Francisco de Barreiras)
IES: Instituição de Ensino Superior
INEP: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
MEC: Ministério da Educação PAIDEIA (educação na Antiguidade Clássica grega): no caso, nome de grupo de pesquisa da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas
POIETHOS (I): Simpósio Nacional sobre Política, Ética e Educação (Primeiro)
PUCRS: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
SINAES: Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior
UEPB: Universidade Estadual da Paraíba
UNEB: Universidade Estadual da Bahia
UFBA: Universidade Federal da Bahia
Glossário
“Afetividade inequívoca” é o que se desvela como sociabilidade isenta de desejos interesseiros. É percebida na aparência corpóreo-pessoal, por conta da vivência das necessidades humanas, a começar pelas vital-básicas e da reprodução da espécie e, graças a essa vivência, acaba por determinar processo cerebral na perspectiva de este processo ser mediador por entre a exsurgência das necessidades e a sensibilidade para perceber o que as atende. Desequivocação da afetividade há de responder à valoração das necessidades por elas mesmas e a partir das vital-básicas e da reprodução da espécie. À medida que vier a ser vivenciada tal valoração, ficará evidente que a “afetividade inequívoca” co-fundamenta a dinâmica da individuação, a partir do âmago da subjetividade.
“Alteridade de concepção dialética” é o processar-se do pensamento cuja fonte esteja a assumir produção intelectual de modo inequívoco e opcionalmente empreendido e, por isso, se apoie em “incontinuidade”, seja por entre a identidade a toda prova do “modo de existir ‘privacional’” (dos objetos de desejo ainda irrealizado ou irrealizável) e as diferenças pelas quais se manifesta o “modo de existir ‘presencial’” (dos apropriados suportes das utilidades), seja por entre as abstrações correspondentes ao “modo de ser ‘ausencial’” como teleconvergem entre si o sentido do exsurgir das necessidades vital-básicas e o sentido do exercício das funções que as atendem, seja ainda por entre as concepções da “afetividade” e da “vontade”, ambas ao padecer desequivocação.
“Alteridade institucional” coincide com a ocorrência do que é humanamente imprescindível, vale dizer, com o acontecer da produção inequívoca e opcionalmente empreendida. Se viesse a ser efetiva e, na medida disto, tal produção implicaria em reduzir o ônus sustentatório das vigentes instituições, ou seja, estas se tornariam menos absurdas ou menos supérfluas.
“Arrogância reivindicalista” é desvelada por atitudes e condutas, as quais desvinculam obrigações em relação a direitos e tendem a se intensificar junto a vítimas da irreflexa aquisição de conhecimentos fragmentados e fragmentários. Traduz conduta pseudoadulta, por usurpar o natural e frágil sentido do coletivo cujo fulcro é a espécie em reprodução ou a imaturidade naturalmente ainda autoinsustentável. A fonte de pseudoadultez humana não se dá conta de que viver já implica em ela estar remunerada, peculiarmente em espécie (alimentos, abrigo e condições de ir e vir no âmbito do coletivo). É-lhe irreconhecível que assumir atividades parcialmente gratuitas signifique limites para uma apropriação estritamente particularista, uma vez que produzir meios de vida também incide em limites singular-pessoalmente não ultrapassáveis.
“Avaliação também por produção” é constatação de aprendizagem pela qual se desvele singularidade pessoal-humana de forma que esta se explique por um excesso em sua autorreprodução e por destinar este excesso ao soerguimento do coletivo cuja suficiência há de justificá-la. Para tanto, há de escudar-se nos resultados concretos das suas atividades inequivocamente produtivas, os quais têm como refletir caráter único da correspondente fonte – outra fonte jamais os obteria com as mesmas características.
“Autoridade educacional” significa, embora enquanto rito de passagem, reprovar ou aprovar um educando, mediante o ajuizamento de que, respectivamente, não produz ou produz de modo inequívoco. Nos casos concretos em que é gerada oportunidade de tal ajuizamento, cumpre ter em conta os graus de residual imaturidade ou de afluente maturidade.
“Criação da escassez” é o que resulta de apropriar, por além e à revelia de produzir, para atender à necessidade histórico-culturalmente engendrada de espontaneamente só valorizar o que garante plena e prévia certeza quanto a atender às necessidades vital-básicas, alheando-se, para tanto, à questão de critérios na escolha de meios e fins. Por si mesmas, as necessidades vital-básicas nada significam, tal como acontece com o exercício de funções próprias para atendêlas em reciprocidade de coerência com intercâmbio orgânico com a natureza livre. Autoentrega pessoal assim a valorizar não tem como prevenir excessiva aquisição de propriedades externas à pessoa e/ou desejo de acumulá-las ilimitadamente. Mas, suportes de propriedades têm limites físicos, cuja tácita inaceitabilidade desanda em desejos ainda não realizados e/ou irrealizáveis de expandi-los ilimitadamente. Acumulação efetiva de propriedades externas à pessoa perfaz um somatório cujo artifício corresponde ao número de propriedades multiplicado pela quantidade de seus proprietários, mas, ao mesmo tempo, um outro somatório astronomicamente maior, o qual perfaz os resultados da multiplicação de cada propriedade vezes todos os (seus) não proprietários. A diferença quantitativa entre o primeiro e o segundo desses somatórios incide em negatividade (carência ou privação), à qual cumpre adicionar aquela correspondente aos incontáveis e incomensuráveis objetos de desejos ainda não realizados e/ou irrealizáveis. Assim projetada, a negatividade detém “modo de existir ‘privacional’” (vazio, imaterial, insensorial) que é próprio da escassez enquanto necessidade histórico-culturalmente engendrada cuja impossibilidade de pleno atendimento tem feito com que insuficiência de remunerações adentre enigma e inclusive mistério. Já inconformidade com tal insuficiência, a par da remediação de conflitos, tem incidido em ônus cuja cobertura houve de responder pelo inchaço de uma proporção dos preços das utilidades, inclusive daquelas que são imprescindíveis para a produção inequívoca se processar sem incidir no absurdo de sua fonte humana ter sempre mais de pagar e sempre menos de receber para encará-la.
“Crise da historização” vem a ser instabilidade ético-moral e institucional, a recorrerem no âmbito, respectivamente, da subjetividade e dos processos sociais originários no Ocidente e em vias de globalização. Deve-se ao acúmulo de eventos que decorrem de o ser humano precisar fazer guerra contra outrem e contra tudo, para não guerrear contra si mesmo ou contra as suas próprias interessenças, ainda que estas interessenças e ele próprio se evidenciem demolidores do sentido também coletivo da sustentabilidade. “Historização”, enquanto implicadora de crise, é decorrência da autoentrega individualista e corporativista à dinâmica do desejo, desandando na “criação da escassez” e na acumulação de propriedades cuja disseminação gera incontavelmente mais problemas do que soluções.
“Crítico-teoria” vem a ser saída para avançar no questionamento da involuntariedade da inserção nas relações sociais de produção, avanço não consumado pela teoria crítica que se propõe, por tácito que o ocorra, a qualificar as humanidades. Tal questionamento se impõe, uma vez que a crítica de Marx, correspondente à inversão da dialética hegeliana, ainda não implicou superar, de uma vez por todas, o absoluto da ideia pelo absoluto do trabalho, dado que este e, tão só este, sempre houve de processar a sua própria divisão, além de que, subsumido à revolução proletária, ainda haveria de mudar a sua própria história. Na falta de tal avanço teórico-crítico, a concepção de trabalho tem incidido em acentuado esgarçamento, juntamente com o interesse emancipatório da espécie. Alterinamente, a imprescindibilidade de a pessoa ser parcial e opcionalmente gratuita no processo produtivo há de lograr que este mesmo processo se depure de equívocos e acabe por complementar o sentido emancipatório do trabalho na ortodoxia marxiana. “Crítico-teoria” também é o que resulta do pensar cuja fonte se depare por entre o sentido (de nascer e de subsistir tendo necessidades, as vitais-básicas antes das demais), e o absurdo (de criar escassez, à conta de apropriar, por além e à revelia de produzir, para atender a necessidade histórico-culturalmente criada de não valorizar as vitais-básicas, cujo atendimento tem incidido em desvalorização de outrem e da natureza, os quais padecem esse mesmo atendimento, sob pena de exclusão até mesmo fatal).
“Despossessão do coletivo natural-mínimo” é o que ocorreria, caso a pessoa humana vivenciasse, ao menos enquanto rito de passagem e no limiar da sua natural adultez, a situação de sustentar a si mesmo e a um ou mais dependentes, todos em total isolamento em meio à natureza livre. Em contraponto, ver: “Posse do coletivo natural-mínimo”.
“Dialeticidade da razão” é pensar por entre existir e ser, ou seja, por entre, de uma parte, a oposição existente entre a diferença do “modo de existir ‘presencial’” e a identidade a toda prova do “modo de existir ‘privacional’”, e, de outra parte, teleconvergir por entre o exsurgir das necessidades vital-básicas e o provir das funções de as atender, ambos – exsurgir e provir – a procederem de origens antagônicas e sob “modo de ser ‘ausencial’” (imperceptível nas respectivas intencionalidades). É pensar que incide em “incontinuidade” entre diferenças, entre identidades ou entre umas e outras, assim como efetivo ou potencial “contato” entre os suportes de diferenças e/ou identidades. É co-fundamental à unidade que, enquanto tal, presume ruptura entre seus co-fundamentos, anterior ou posteriormente à própria efetividade.
“Formação” tem como vir a ser concebida como capacitação da singularidade pessoal-humana a aperceber-se e a interpretar-se situada por entre dois sentidos diretamente sempre imperceptíveis ou que se encontram fenomenicamente ocultos. Para ambos esses sentidos deixarem de restar meros candidatos a teleconvergirem, urge que não mais ocorram mediados, tanto pela socrático-platônica dinâmica do desejo, quanto pela marxiana alienação no trabalho. Há de ocorrer como “‘ausencial’ forma de ser por entre sentidos”, a começar por entre o sentido do exsurgir das necessidades vital-básicas e o sentido do provir das funções voltadas para as atender.
“Fundo do poço da injustificação” traduz esgotamento da esperança radical de haver melhores condutas no âmbito do que é totalizado pela conjunção de hegemonia política, de reducionismo econômico e de abstracionismo científico-técnico. Ausência de melhores condutas responde à circunstância de que sempre houve desconforto, para não dizer dolorosidade, para assumir produção em reciprocidade de coerência com intercâmbio orgânico com a natureza. A perspectiva de resultados, os mais amplos possíveis, sempre constituiu natural, quiçá divina, compensação por assumir esse desconforto. Todavia, esta compensação está a ser revertida em ônus, ao perfazer, por ocultado que ainda o precise subsistir, proporção do preço dos meios de produzir, à qual correspondem rendas devidas a estritas propriedades, ou seja, a direitos histórico-culturalmente criados (tributos e rendas privadas, destas deduzidos os tributos). Em consequência, a fonte humana de esforço produtivo adentra desânimo ou apela para o apropriar ideologizado como produzir, transferindo para outrem o seu próprio desânimo. Trata-se de tipicamente desumano componente da construção do absurdo. No limite da tendência (“fundo do poço”), o preço final de quaisquer utilidades seria totalmente explicado por tributos e demais rendas de estrita propriedade sobre resultados da produção, de tal forma que toda a renda pessoal teria que se destinar à compra de meios para produzir (a pessoa e a máquina-robô se equivaleriam, à medida que esta condição viesse a satisfazer a pessoa que a nada mais se dedicasse do que àquilo que gosta ou que lhe realize o pertinente desejo, a exemplo do imemorial e sempre ilimitadamente desejado exercício do poder de criar obrigações para os seus semelhantes).
“Historicidade” expressa possibilidade de mudança inerente a uma realidade singular-pessoal ou mesmo corporativa, mudança a se constituir em desapossamento de coletivos sempre mais complexos, a começar por aquele relativo ao natural-mínimo ou à incondicional dependência da sustentação advinda de outrem. Trata-se de mudança que, por irracional que sempre o tenha subsistido entre adultos, tem chegado a ser fonte de gratuidade para as novas gerações e para a suficiência de coletivos, inclusive alterinos e, por isso, ainda a serem mais complexos do que os ora vigentes.
“Historização” expressa a mudança a ser condicionada por excludente avanço em científica-tecnologia e por insistência em substituir originárias potencialidades subjetivo-humanas em favor de aquisições cuja origem é extrínseca à pessoa. Reflete autoentrega pessoal e organizacional à dinâmica do desejo, desandando na “criação da escassez” – na acumulação de propriedades cuja disseminação gera incontavelmente mais problemas do que soluções.
“Incontinuidade-contato” coincide com a unidade da qual perfazem co-fundamentos: (a) abstrações relativas a diferenças ou a identidades; (b) suportes real-concretos de diferenças ou de identidades; e, (c) nulidade da relação espaço-tempo por entre abstrações entre si irredutíveis “e” por entre os correspondentes suportes real-concretos entre si expostos a entrarem em contato, de forma que ambas as nulidades incidam em determinada conjunção (“e”), enquanto esta mesma conjunção se torna tão co-fundamental à unidade quanto esses suportes e aquelas abstrações.
“Individuação íntegra” é a singularidade pessoal-humana a se conduzir coerentemente com “sustentabilidade também coletiva”, ou seja, parcial-gratuitamente contributiva para a suficiência de coletivos sempre mais complexos, mas a partir do natural-mínimo. Para assim se conduzir, passa por “despossessão do coletivo natural-mínimo”, despossessão que atualiza o sentido da “maiêutica” socrática (processo operativo de uma parteira conjuntamente com o da parturiente) e que hoje acaba interpretável como desequivocação quanto a produzir, a ser dolorosamente padecida. Tal singularidade se desvelaria com “vontade inequívoca” (autoimpulsão para assumir “gratuidade”), “afetividade” (sociabilidade isenta de desejos interesseiros) e “inteligência interflexa” (por entre “vontade” e “afetividade”, assim desequivocadas).
“Ínfero referencial” corresponde à situação, que é básica e inarredável, por entre assumir opcionalmente “gratuidade” e criação do absurdo da propriedade, esta enquanto matriz de incontavelmente mais problemas do que soluções e aquele a se desdobrar em sociabilidade alterina.
“Inteligência interflexa” é o que se desvela como pensar por entre “vontade inequívoca” (autoimpulsão para assumir opcionalmente “gratuidade”) e “afetividade inequívoca” (sociabilidade isenta de desejos interesseiros). Este pensar perfaz um momento da “dialeticidade da razão”, o qual há de suprir insuficiência mediativa do “intelecto ativo” em relação ao “passivo” e ao “contemplativo” em Aristóteles.
“Intercâmbio material-comunicativo” é antídoto à sincrônico-topounicidade ou ao resultado da “criação de escassez”. Para tanto, são-lhe presumidas oportunidades enquanto fissuras, brechas ou poros no bojo da onipresente apropriação do poder político e domínio econômico. “Gratuidade” subjetivo-humana vem a ser a fonte de tais oportunidades. No caso, criar escassez coincide com denegar, mediante inserção na propriedade, acesso a fontes de meios de vida, desde as pessoal-próprias ou subjetivas, até aquelas objetivas ou inerentes à natureza livre.
“Interdisciplinaridade” responde à necessidade ou ao problema de esta ou aquela pessoa chegar, antes de tudo o mais, à sua “individuação íntegra”. Trata-se, então, de educar-se de modo inequívoco e opcionalmente empreendido. Todavia, educar-se só ultrapassa mera intencionalidade, porque há de existir sua própria utilidade, objetivo que é deflagrado (“interdisciplinarizado”) pelo ensino do que seja produzir em contraponto a tão só apropriar, no âmbito de cada campo de atuação e à base da especificidade (fundamento de disciplina, ou de aspecto desta). Apesar de imprescindível, o mero ensino de tal discernimento é insuficiente. Atividades-fim (“trabalhos interdisciplinares”) hão de existir e as correspondentes reais-concretizações têm como incidir no que fundamenta o sentido mesmo de uma “avaliação também por produção”.
“Lacuna metafísica” expressa irreconhecível inserção em vazio ou falta de algo que, real-concretamente, coincida com fim-começo ou começo-fim que é limítrofe, não apenas por entre duas ou mais subcategorias enquanto pensadas, como também entre cada uma destas e a categoria principal que corresponde à representação do todo, da unidade ou do próprio indivíduo. A propósito, vazio teria que ocorrer absolutamente indiferenciável, enquanto perfizesse estrita forma. Assim, sem a interveniência de “incontinuidade” (fim-começo ou começo-fim, os quais sejam limítrofes a categorias), torna-se inalcançável “pensar o pensamento” (filosofar). [É expressão cujo significado foi construído a partir de aventada interpretação do que se encontra esboçado em Williams (2000, p. 45-53), enquanto eventual tentativa de teorizar a forma em Platão].
“Maiêutica da vontade” coincide com “parir” (subtrair) o mover-se pessoal para fora da dinâmica do desejo, ou seja, ocorrência do dispor-se, opcionalmente, a gerar “gratuidade”. Vem a ser a deflagração do processo de o ser humano e de a sociabilidade se tornarem íntegros.
“Necessidade superior” é aquela de contar, de antemão e garantidamente, com o atendimento das demais necessidades, a partir das vital-básicas e da reprodução da espécie, graças ao experto expediente de transferir, para outrem, a obtenção dos imprescindíveis meios em reciprocidade de coerência e de pertinência quanto à sustentabilidade também coletiva e ao intercâmbio orgânico com a natureza, livre e humana.
“Pagar para produzir” decorre de o preço final de quaisquer utilidades acabar sempre mais explicável por tributos e demais rendas de estrita propriedade, ambos – tributos e rendas – incidindo sobre resultados da produção, de tal forma que a renda pessoal tenha que se destinar em proporção crescente à compra de meios para tão somente produzir. É concomitante com a extirpação do caráter produtivo do trabalho e com a entronização de outro caráter, aquele de acentuada inserção em consumo sempre mais custoso e superfluamente esgotante do pensar.
“Paradigma da insustentabilidade coletiva” é o conhecimento sobre a criação das condições de se tornar inevitável que se questione a direta ou indireta detenção da propriedade das fontes dos meios de vida, externos à pessoa, como excludente critério de acesso aos resultados do processo de produção acentuadamente científico-tecnologizado. Esse questionamento tende a se tornar proibitivamente custoso, o que reforça seu princípio-motor, ou seja, uma espécie de inchaço da proporção compreendida por tributos e por outras rendas de estrita propriedade na determinação dos preços finais das utilidades. Tal reforço decorre de aumentos de tributos que somente se tornam viáveis com sinalização institucional de variações positivas na taxa de rentabilidade privada.
“Paradigma da sustentabilidade também coletiva” é o conhecimento de que é imprescindível ou alternativamente institucional que ocorram sobras da produção fora da propriedade das correspondentes fontes. Sobras geradas no âmbito da propriedade singular-pessoal de outrem incidem na reprodução do “paradigma da insustentabilidade coletiva”. (O sentido do coletivo, tendo por fulcro a prole ainda autoinsustentável, coincide com a condição do que é devoluto, vale dizer, a criança ignora, enquanto abstração, que possui ou que seja posse de outrem).
“Posse do coletivo natural-mínimo” vem a ser a condição ainda autoinsustentável da prole, cuja subsistência há de estar a cargo de outrem, até que naturalmente se esgote tal condição. A prole incorpora, paradigmaticamente, o sentido do coletivo, por sua fragilidade ou por contar incondicionalmente com outrem. Assim, ela perfaz suporte deste sentido, que, por sua vez, significa não se fazer por si mesmo ou não ter como coincidir com a fonte do que há de constituí-lo.
“Razão material-comunicativa” é percebida objetivadamente ou fora da subjetividade, além de coincidir com intercâmbio por entre um dilema de subsistência e uma questão disputacional. O dilema compreende opostos: o bem-estar individual e geral, que ora é vivenciado, teria como ser possível à conta dos resultados de uma inauditamente reduzida parte do esforço que vem sendo despendido sob sujeitação, ou alterinamente, seria várias vezes maior, se o mesmo esforço contasse com fissuras, brechas ou poros para ser exercido parcial-opcionalmente gratuito. A questão comunicativa tem a ver com o quase-impasse em que se insere a percepção dos teores desses opostos em disputa, pois a tentativa de comunicá-los se depara com desinteresse de quem mais necessita de os perceber e interpretar.
“Relação entre prole e quem, direta ou indiretamente, a sustenta” corresponde ao real-concreto cujo processar-se traduz a “sustentação também coletiva” no âmbito domiciliarmente natural-mínimo. Adulto(s) assume(m) atividades subsistenciais por além do que o faria(m) apenas por si mesmo(s), garantindo a perpetuação da própria espécie. É precisamente o que constitui real-concretamente esse “por além” (“gratuidade”) que não se desenvolveu na espécie humana, ao passo que subsumir irracionalidade em tal mister acabou no que, de forma ainda não qualificada, permaneceu meramente espontâneo nas humanidades – a relação em causa não se tornou objeto fundante de ciências humanas. Os teores dessa relação perfazem um paradigma cujo substrato-chave há de incidir em desapossamento, ético-educacionalmente mediado, de coletivos progressivamente mais complexos.
“Situação epistêmica” trata-se do apoio do observador ainda imaturo (naturalmente ainda autoinsustentável). Tal apoio sempre incidiu em uma irreconhecível insignificância para quem assim se apoia, uma vez que coincide, seja com um inexpressivo ponto dentre incontáveis outros na totalidade real-concreta, seja com a circunstância de se estar do lado de fora de toda especificidade. Tal “situação” tem feito com que esta especificidade não passe de uma totalidade cujos componentes interiores permanecem não observados, além de conterem residuais incertezas quanto a possíveis influências na totalização. Também significa levitar propriedades extrínsecas à pessoa como instrumento de se garantir autossustentação.
“Trabalho interdisciplinar” é a execução de uma atividade pessoal ou grupalmente empreendida, ao menos como “rito de passagem” quanto a produzir de modo inequívoco, execução na qual teleconvergem duas ou mais disciplinas. Assim, a aplicabilidade de teores disciplinares passa a ser aquilatada em um único produto que, desde ao ser projetado, confere sentido também operacional às especificidades dos conteúdos de ensino.
“Vontade inequívoca” é o que se desvela como autoimpulsão para assumir “gratuidade” em reciprocidade de coerência com direto ou indireto intercâmbio orgânico com a natureza livre.
Table of Contents / Sumário / Tabla de
Contenido
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Introdução
I. Prática sócio-seletivista de uma educação universitária
A. Contextualização histórica junto à exclusão continental
e nacional
B. Situação local-regionalmente interiorizada
C. Mediação pelo “paradigma da insustentabilidade
coletiva”
II. Problematização quanto a qualidade e a cientificidade
A. Concomitância de imprecisão sobre qualidade e de
ameaça vinculada à obrigatoriedade de avaliação externa
B. Concepção de qualidade, heteronomicamente exposta
a disputas ideológicas
1. Imprecisões da qualidade sob disputa
2. Procedimentos autoavaliativos: do alcance
estratégico ao caráter “crítico-teoricamente”
autoafirmativo
3. Alteridade de argumentação quanto à
institucionalidade avaliativo-educacional
C. Cientificidade da pedagogia – síntese de um problema
ainda em aberto
III. Instrumentalização para a busca de veraz qualidade e de
precisa cientificidade da educação a promover
A. A notícia sobre uma situação real-concretamente
básica e inarredável
B. “Historização” enquanto “paradigma da
insustentabilidade coletiva”
1. Absurdidade em construção
2. Perspectiva de “crise da historização” e seus dois
horizontes mais visíveis
3. Questões alternativamente inadmissíveis
C. Especificidade dialética
1. Forma por entre opostos” inerente ao realconcreto
da dinâmica do desejo
2. Forma mediativo-configurativa” por entre os
sentidos da exurgência das necessidades vital-
básicas e do mover-se das funções que as atendem
3. Avanço coerente com a história da dialética por
entre opostos
D. Categorias fenomenicamente compreensivas do que
está escondido sob o que está manifesto
IV. Catarse pedagógico-propositiva
A. “Crítico-teoria” a descondicionar percepção e
interpretação do fenômeno pedagógico
B. Autoconcepção da pedagogia na inteiridade da
ambiência acadêmica
1. Alternativas e alteridade quanto a fundamentar a
pedagogia
2. Desconstrução da presumida e imprecisa
qualidade da educação
3. Autoconstituição da práxis educativa
4. Ultrapassagem de equívocos quanto a identificar
faculdades humanas
C. Projeto pedagógico, a abrir-se à própria alteridade
1. “Alteridade de concepção dialética” de ser humano
e de sociabilidade
2. Práxis coletiva, conexa à “interdisciplinaridade” e à
“avaliação também por produção”
3. Às costas da pós-modernista “atitude limite”
D. Qualidade e cientificidade da educação a promover
V. Das percepções sincréticas à síntese
A. Autoridade educacional e a questão do valor intangível
da liberdade
B. Uma “pequena narrativa” da (in)-justificação das
instituições vigentes
C. Projeto político-pedagógico
1. Projeto enquanto opção inerente à própria
concepção
2. Sentido propositivo-pedagógico de transitar por
entre política e ética
3. “Alteridade institucional”: proteção à fragilidade da
autoafirmação propositivopedagógica
4. Síntese dialeticamente arrazoada
VI. Educação universitária em Barreiras e no extremo-oeste da
Bahia
A. Missão
B. Objetivos
C. Resultados alcançados
Considerações finais
Referências