Educação universitária: práxis coletiva

Pedro Bergamo · Capítulo 12 de 40

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Educação universitária: práxis coletiva

III. Instrumentalização para a busca de veraz qualidade e de precisa cientificidade da educação a promover

III. Instrumentalização para a busca de

veraz qualidade e de precisa

cientificidade da educação a

promover

 

A. A notícia sobre uma situação real-

concretamente básica e inarredável

A princípio, anuncia-se relação entre duas situações da condição já adulta do ser humano: (a) “situação epistêmica” que significa sobre-estar propriedades extrínsecas à pessoa como instrumento de se garantir autossustentação, ilimitadamente; e, (b) “situação hipostêmica” que traduz subestar tais propriedades enquanto condição autossustentatória.

Essa (anunciada) relação tem correspondido a mero vazio de saber e, por isso, este vazio incide na carência de razão para existirem as duas situações. Estas, por sua vez, refletem necessidades de conhecer fontes do que apropriar no exterior da condição adulta do ser humano. Então, o confronto das diferenças correspondentes a tais necessidades também há de perfazer razão de existir aquele vazio com seus não sensoriais objetos.

Existe necessidade de autofundamentação na “situação epistêmica”, pois esta tem sido ainda irreconhecível característica da condição do observador que precisa manter e/ou expandir fontes do que apropriar no exterior de si mesmo. Estas fontes têm de ocorrer como especificidades que também lhe são exteriores, enquanto ele próprio se encontra em um ponto, dentre incontáveis outros, na totalidade real. Assim, o real-concreto de tal apoio perfaz insignificância, assim como conveniência de restar irreconhecível, uma vez que reproduz a extemporaneidade do apoio da pessoa não mais naturalmente autoinsustentável e cujo pensar acabou alheio à sua original inocência no âmago do coletivo natural-mínimo, que lhe constituíra posse até que esta acabasse substituída por propriedades de objetos extrínsecos a sua própria pessoa.

Na “situação hipostêmica” existe necessidade de desalienação, pois ela tem sito característica da condição real-concreta, também ainda irreconhecível, de inequívoco produtor que, enquanto tal, não tem tido como observá-la. Trata-se de condição que permanece usurpada, por ser imprescindível ao atendimento da extemporânea autoinsustentabilidade de adultos excessivamente apropriadores. Já esse atendimento presume atividades, e/ou resultados destas, a terem de ocorrer, em crescente parte, no exterior da propriedade da pertinente fonte, ou seja, forçosamente gratuitas.

Cumpre, então, ultrapassar o que permanece ainda irreconhecível e a perfazer ambas aquelas “situações”, alcançando-se uma síntese que passe a ser denominada de “ínfero-referencial” (situação alterina à “epistêmica” e à “hipostêmica”, ocorrendo por entre assumir opcionalmente gerar “gratuidade”, ou então, criar o absurdo da propriedade enquanto matriz de incontavelmente mais problemas

do que soluções1). Trata-se de síntese que tende a coincidir com “situação diastêmica”, básica e inarredável, e que teria sido buscada

por Sócrates2.

Absurdo criado vem a ser uma sociabilidade eivada de injustificações, ou seja, plena de desigualdades políticas, disparidades econômicas e desníveis de acesso à tecno-ciência, as quais têm ocorrido entre si inseparáveis. Sintoma elucidativo dessa sociabilidade reside em se ter que sempre mais “pagar para produzir”, em vez do que é divinamente natural ou naturalmente divino, ou seja, obter resultados, os melhores e mais amplamente possíveis, compensando o esforço de intercambiar com a natureza, direta e organicamente.

Por sua vez, a opcional geração da “gratuidade” ainda permanece represada, ou seja, resta apenas tencional e potencial. Esta geração se explica e é justificada na relação entre pessoa e coletividade, à medida que esta última, ao contrário da primeira, caracteriza-se por não se constituir nem se manter por si mesma, mas ambas, e concomitantemente, são imprescindíveis à reprodução da espécie. Não há como subsistir suficiência de coletividade, sem um excesso de atividades e/ou de resultados destas, excesso este a ocorrer, necessária e ainda insuficientemente, fora da propriedade particular-pessoal. Tal ocorrência há de constituir antídoto à fonte do desejo de acumular propriedades, fonte que, de forma recorrente e predizível, há de renascer, como o mito da “fênix”, das cinzas das revoluções contra a mera objetividade do alcance privado da propriedade.