Educação universitária: práxis coletiva

Pedro Bergamo · Capítulo 18 de 40

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Educação universitária: práxis coletiva

2. Forma mediativo-configurativa” por entre os sentidos da exurgência das necessidades vital-básicas e do mover-se das funções que as atendem

Chega-se, assim, à (auto)-inferência da forma enquanto compatível com gnoseogenia, a ser explicitada nos seguintes termos:

“Forma de existir por entre opostos” é aquela que incide em “incontinuidade-contato” por entre dois modos de existir que são entre si cabalmente irredutíveis e que correspondem, de uma perspectiva, ao “presencial” (aquele que desperta os sentidos de quem observa e faz repousar-lhe o desejo) e, de outra, ao “privacional” (aquele que anula os sentidos e atiça o desejo). “Incontinuidade-contato” coincide, em alcance conceitual, com a condição de fim-começo ou começo-fim das delimitações, quer externamente ao (modo de existir) “presencial”, quer internamente ao “privacional”. Essa coincidência vem a ser “nascimento-morte ou morte-nascimento” dos (entre si irredutíveis) opostos e se traduz na especificidade da forma que, por isto, se desvela tão concretamente real quanto os próprios opostos e, ao mesmo tempo e lugar, coincide com ultrapassagem do contraditório.

2. “Forma mediativo-configurativa” por entre os sentidos da exurgência das necessidades vital-básicas e do mover-se das funções que as atendem

Dispondo da conceituação referente à “forma de existir por entre opostos”, há como admitir que o “modo de existir ‘privacional’” esteja a usurpar a cognoscibilidade da condição “ausencial” como ocorre a teleconvergência entre os sentidos do exsurgir das necessidades vital-básicas, inclusas as de reprodução da espécie, e do mover-se das funções que se voltam para atendê-las.

Com efeito, houve de acabar presumido, ou mesmo subsumido, que essa teleconvergência adentre uma tal insignificância que sequer perfaça objeto de estudo. É que o modo de ser das necessidades, por si mesmas, não é diretamente cognoscível (não é objeto imediato de percepção e abstração), o que, entretanto, não impede que se admita sentido, contrário àquele das necessidades, ao modo de ser das funções, também por si mesmas. Assim, por conta desta contrariedade e de que o atendimento das necessidades vital-básicas tem de provir do exterior e se destinar ao interior da pessoa, resta supérfluo ser incognoscível a teleconvergência dos sentidos de ambos esses modos de ser.

As cruciais e entre si irredutíveis realidades dos sentidos de ambos esses modos de ser têm efetivamente teleconvergido, o que faculta inferir “incontinuidade-contato” por entre uma e outra das realidades em questão. Para tanto, incide-se em três momentos: (a) há o sentido do exsurgir das necessidades, o qual, não só procede do interior para a aparência ou para a exterioridade da pessoa, como também coincide com o inevitável e contínuo esvaecer-se das energias, tanto conjunturalmente (origem da fome, por exemplo), quanto estruturalmente (origem do envelhecimento); (b) há o sentido do projetar-se das funções, o qual advém do exterior e se orienta para a interioridade da pessoa, coincidindo com o atendimento das necessidades, desde as básicas e as da espécie, até aquelas que derivam das anteriores e que emergem em reciprocidade de coerência com intercâmbio orgânico com a natureza; e, (c) há “incontinuidade-contato” por entre ambos esses sentidos, a qual intervém, como “forma de ser “interflexa”, e o faz à base de reciprocidade de pertinência para explicar e de coerência para justificar a individualidade humana, em alcance complexamente relacional entre a pessoa e o coletivo.

Por sua vez, tal reciprocidade faculta intuir o significado do que deva perfazer “razão dialética” que, então, há de coincidir com “situação interflexa” da forma de ser da “incontinuidade-contato” por entre sentidos que guardam reciprocidade de coerência e de pertinência quanto à relação entre coletividade e singularidade humanas. Assim, “incontinuidade-contato” por entre diferenças, por entre identidades, ou ainda por entre uma(s) e outra(s), coincide com o vértice que é interflexo à individualidade e no qual começam e terminam, ou vice-versa, o sentido de uma comunhão de necessidades a se impor como atratividade do que as atende (congraçamento, sociabilidade) e o sentido de uma conexão de funções que correspondem a tal imposição (ética, responsabilidade). Esse vértice se evidencia por entre o que é necessário e o que é funcional, possibilitando integridade da individuação da pessoa e da coletividade, ambas a se objetivarem como realizações.