Educação universitária: práxis coletiva
B. Autoconcepção da pedagogia na inteiridade da ambiência acadêmica
B. Autoconcepção da pedagogia na inteiridade
da ambiência acadêmica
1. Alternativas e alteridade quanto a fundamentar a pedagogia
Escudando-se em argumentos, por ora não mais do que intuitivamente sopesados, faz sentido abordar uma proposta de ultrapassagem das vigentes especificidades humano-relacionais que configuram ensino-aprendizagem na totalidade compreendida por educação universitária. A justificativa de assim proceder reside em ser já admissível que insuficiências do sentido, que caracteriza o coletivo educacional, passem a se tornar conhecidas em resposta à circunstância de o fenômeno pedagógico vir a ser ancorado na íntegra inteiridade da questão (auto)-sustentatória, ancoragem que lhe possibilite abranger, a par dos próprios conhecimentos e procedimentos metódicos, também inusitadas atitudes de educadores e de educandos.
Tal ancoragem cabe ser admitida, graças ao reconhecimento de que é imprescindível haver opção também transpessoal para buscar caráter veraz de qualidade de processo educativo como questão propriamente universitária. Visualiza-se, a propósito, que a referida ancoragem há que evocar atitudes cuja alteridade procedimental seja imprescindível ao autoconhecimento como porta de acesso a heteroconhecimento, à medida que a evocação, por si mesma, constitua via de acesso a imperceptibilidades subjetivas e, graças a
esta via, àquelas que sejam carentes de objetivação4.
Admite-se, a princípio e em rigor, que a qualificação educacional, em perspectiva, há de avançar por um processo autoconstitutivo, apesar de este processo não estar de antemão reconhecível aos necessitados de que seja promovido. Na perspectiva de tal autoconstituição, têm sido assim também irreconhecíveis certas influências da educação no próprio meio-atitudinal. Dentre estas influências, cumpre ressaltar aquela que tem sido compungida pela circunstância de os objetos de saber só provirem do exterior para o interior do educando. É que acesso tão somente a tais objetos, dada sua tácita e crítico-teorizável correspondência ao que é perceptível, acaba abortivo da originária e inalienável abertura dos educandos à gratuidade da perspectiva de quem a gera, ou seja, ao que é, também, vital-fertilmente imperceptível e que apenas transparece na generosidade juvenil. Outra dessas influências dá-se a conhecer como fetichização do que é assim imperceptível, fetichização que se desvela como impulsão do educando a se buscar no exterior dele mesmo, ou seja, a não coincidir consigo mesmo. Por força desta busca, fundamentos da pedagogia hão de incidir em alternativas de reais-concretos que, por sua vez e inescapavelmente, têm origem, andamento e terminação tão só no bojo da propriedade.
Busca de veraz qualidade da educação expõe-se a ter que ultrapassar uma ainda “crítico-teorizável” autoentrega de educadores ao “impróprio dogma profano”, segundo o qual a mera acumulação de narrativas de saberes se desdobra em melhores condutas – em mudança destas, como usualmente está implícito a falas e escritos. Trata-se de autoentrega que denota um vezeiro alheamento em relação a três questões de extrema relevância: (a) não se leva em conta que fontes de “melhor conduta” perfaçam, de per si, imperceptibilidades; (b) mudança das condutas não tem tido como se dar a conhecer sem incidir na tácita e conveniente insistência em salvar essa mesma autoentrega, porque, sob esta, esconde-se a própria subjetividade; e, (c) incide-se em alheamento quanto a ser necessário prevenir essa autoentrega, prevenção que só há de ocorrer mediante acesso a discernimento entre autoconstituição e (re)-apropriação do próprio fenômeno pedagógico.
Nesta última questão, disponibilidade de tal discernimento denotaria capacidade de pensar cuja alteridade coincidiria com inserção humana no que é, também, vitalfertilmente imperceptível e, neste sentido, imprescindível para tornar íntegro o processo educativo. Trata-se de coincidir, não apenas com anticolonização da pedagogia, como também, e enquanto inequivocação a propósito de produzir, com alteridade de suporte para o campo de atuação pedagógica, no sentido de esta se fazer dialeticamente mediativa na interioridade de todos os demais campos. Para tanto, todavia, cumpre dialetizar intelectual-produtivamente como será possível uma universidade bem diversa da atual.