Educação universitária: práxis coletiva
3. Questões alternativamente inadmissíveis
Neste horizonte de “historicização”, cumpre questionar as circunstâncias vigentes, mediante proposição de alteridade de saída ao menos no âmbito das humanidades. Trata-se de saída pela qual a referência marxista do modo de produção há de acabar substituída por inequivocação quanto a produzir, por aquém do que vem sendo proposto à base de correção do discurso político e de radicalidade normativa. (Tal alteridade de saída tem a ver com questões ainda inadmissíveis cujas sínteses são apresentadas logo a seguir).
3. Questões alternativamente inadmissíveis
Subsistem (não escassos) reais-concretos que ainda não têm tido oportunidade de se tornarem fundamento de correspondentes objetos de saber. Nesta altura das questões que devem preceder à abordagem da especificidade dialética, cumpre ter em vista, dentre esses reais-concretos, os três tópicos que se seguem.
Em primeiro e principal plano, emerge a questão de que o significado do que seja propriamente produzir tenha como ser inferível, à base da “relação entre prole e quem, direta ou indiretamente, a sustenta”. O real-concreto a que corresponde essa relação sempre houve de coincidir com a sustentabilidade do coletivo natural-mínimo, assim como de perfazer uma referência de (ainda potencial) “historicização”, cujo substrato-chave há de incidir em despossessão, ético-educacionalmente mediada, de coletivos progressivamente mais complexos. A dialética dessa despossessão adentraria radicalidade, por incidir em inalienável “real-concreto humanizador” e, por isso, seria também antisseletivista. Ademais, cumpre admitir que a reprodução de elites tem sido radicalmente incompatível com democracia. E, mesmo que se tratasse de uma elite acatada como virtuosa, ela teria que se caracterizar por assumir reciprocidade de coerência com essa mesma incompatibilidade.
Racionalidade com relação a fins e a valores é outra das questões em apreço, pela circunstância de se restringir apenas a processos e a pertinentes desfechos. É que essa racionalidade não se volta para sequer a eventualidade de lhe subsistirem pontos cegos ou costas, cuja percepção e interpretação incidam no desvelar-se da razão a si mesma. Há sintomas dessa incidência, dentre os quais destacam-se duas subquestões: (a) aquela da “situação epistêmica”, acima já descrita e sumariável como sobrepor-se a diferenças como se fossem identidades (especificidade disto ou daquilo não deixa de incidir na diferença que é própria de uma totalidade), ou então, calar sobre diferenças pertinentes a resultados que presumem funções; e, (b) “criação de escassez”, igualmente já exposta e sintetizável como imperceptível acumulação de objetos de desejo ainda irrealizado ou irrealizável, a ocorrer em alcance sincrônicotopocêntrico, ou seja, como matriz de contraditórios aos quais correspondem contradições.
E, já adentrando o limiar de especificidade dialética, há a questão pouco ou nada acessível à própria reflexão e que precisa vir referenciada por “identidade a toda prova”. Trata-se da identidade que só é própria à imaterial infinitude em que resulta a imperceptível acumulação de objetos de desejos irrealizáveis ou a ainda serem realizados, vale dizer, ao “modo de existir ‘privacional’” de tal acumulação, ao qual se chega por força do inescapável ponto de partida da produção intelectual. Tal identidade – primordial produto em dialética – perfaz requisito para a fundamentação do método e da formalidade lógica. Por força de tal princípio ou ponto de partida, é este modo de existir que, em oposição àquele perceptível da propriedade, permite deflagrar a determinação da especificidade dialética, ou seja, a fundamentalidade de toda a investigação ora em processo.