Educação universitária: práxis coletiva

Pedro Bergamo · Capítulo 7 de 40

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Educação universitária: práxis coletiva

A. Concomitância de imprecisão sobre qualidade e de ameaça vinculada à obrigatoriedade de avaliação externa

investigá-lo em fontes caracterizadas por abertura crítica1.

Trata-se, a rigor, de recorrente e predizível silêncio quanto a se aperceber de que metropolismo coincide com sincrônico-topocentria, ou seja, com a cultural-artificialmente criada matriz de contraditórios – a tríade compreendida por hegemonismo político, abstracionismo epistemológico e reducionismo econômico.

Na estrutura dessa tríade, cujos tentáculos sustentatórios de tributação, de contribuições e de retornos (líquidos de tributação e de contribuições) açambarcam todas as fontes de meios de vida, não há como isentar as IES, inclusive as latino-americanas, de perfazerem o suporte gnoseológico de tal açambarcamento.

Assim, viés metropolístico traduz o que, segundo Novaski (2005, p. 79-85), compõe algo de oculto no fenômeno do ensino superior, peculiarmente da pós-graduação “stricto sensu”, além de incidir em funcionalidade sociológica ao “espírito do capitalismo” que, na Civilização Ocidental a se tornar global, move o “desenvolvimento universal em seu valor e significado” (WEBER: 1983, p. 1. Grifo no original).

 

A. Concomitância de imprecisão sobre qualidade

e de ameaça vinculada à obrigatoriedade de

avaliação externa

(Auto)-avaliação institucional é concepção que deriva de uma política educacional (declarada) pública no âmbito do macrossistema MEC-Inep. As implicações dessa política estão a merecer pesquisa e reflexão, peculiarmente da parte de responsáveis por faculdades particulares, isoladas e interiorizadas, a exemplo da IES em apreço – a Faculdade São Francisco de Barreiras/BA (FASB).

De antemão, e neste exemplo pelo menos, cumpre elucidar que (auto)-avaliação institucional se tornou inescapavelmente compulsória e, por isto, traduz-se em tensão dialética entre ameaça externa e oportunidade interna, a primeira de feitio burocrático-estratégico e a segunda administrativo-organizacional. Assim, caracterizar os teores dessa tensão, assim como as forças que os impulsionam, a par de certas implicações de sua (re)-produção, vem a ser o objetivo fundamental deste tópico a investigar.

Torna-se oportunidade interna no sentido de que há como induzir mudança, continuidade ou correção de rumos das atividades acadêmicas (ensino, pesquisa e extensão), precipitando estreitamento de interações nos três principais níveis institucionais: mantenedores (e seus funcionários), docentes e discentes.

Já a ameaça externa carece de atenção pouco ou nada encontradiça no pertinente marco regulamentar, bem como nas práticas avaliativas (à base de planejamento estratégico, acompanhamento e controle). Trata-se de ameaça que advém da condição de tais práticas compreenderem conteúdos imprecisos, fragmentados, extensos e pouco ou nada autopoliciados contra eventual mediação de tendências meramente ideológicas, além de estarem em franca dissonância com o alcance englobalizante, moldador e até reducionista, dos procedimentos avaliativos, quer de instituições, quer de cursos, quer ainda de estudantes. Ademais, são procedimentos que não se pautam em bases pedagógicas, mas antes em teorias administrativas cujo suporte metódico é integrado por recorrência e similaridade de pertinentes práticas e, por isto, disfuncional a mudanças de menos duvidoso sentido qualitativo e, a rigor, de precisão científica. Então, para prevenir riscos de sucumbir a tal ameaça e, coincidentemente, favorecer mudança, há urgente necessidade de contra-avaliar a atual política educacional (declarada) pública.

Na tentativa de atender essa necessidade, cabe formular ao menos hipótese de trabalho, a qual emerge desdobrada em três aspectos básicos: (a) é admissível que, entre si, coincidam alcance crítico da qualidade educacional a ser promovida pela IES e responsabilidade social dos egressos, desde que tal promoção se entenda interiorizada nos alcances tanto sociogeográfico quanto individual-subjetivo do educando; (b) até a mera abertura à busca de qualidade educacional assim crítica necessita de argumentação ainda inaudita, pois, de outra forma, pesquisadores hão de estatelar-se contra um intervencionismo que tem sido radicalmente alheado à dissonância entre “status” (dos teores do marco legal-regulamentar em que se escuda) e ímpeto reducionista (das práticas administrativas, mediante as quais insiste em se afirmar); e (c) procedimentos autoavaliativos, coerentes com um discurso ainda não usual de argumentação, carecem de projetos tecno-cientificamente validáveis, além de libertos em relação à compulsoriedade, vale dizer, sem desta serem vítimas e tampouco cúmplices.