Educação universitária: práxis coletiva
VI. Educação universitária em Barreiras e no extremo-oeste da Bahia
VI. Educação universitária em
Barreiras e no extremo-oeste da Bahia
A. Missão
Ao início, a missão da IES estava implícita naquela de índole organizacional da sua mantenedora, o Instituto Avançado de Ensino Superior de Barreiras - IAESB. Mas, assim que a prática educativa passou a ser mediada por pesquisa-ação a respeito de aspectos aplicados do paradigma da insustentabilidade coletiva, tornou-se possível explicitar uma primeira tentativa de formulação, a qual veio a ser apresentada mediante os seguintes teores: “certa educação universitária, cuja diferença qualitativa signifique, tanto economia de conhecimentos para educandos mais ameaçados de exclusão em sentido amplo, prevenindo-lhes inadvertida vitimação a macrotendências inerentes ao próprio processo cultural-civilizatório, quanto motivo de reflexão sobre o significado ético-competitivo da afirmação pessoal e corporativa, para os mais seguros de sua inclusão em largo alcance” (Grifo nosso).
Obviamente que o recurso à expressão “economia de conhecimentos” persistirá sendo funcional a interpretações na perspectiva de facilidades ou de ensinar menos conteúdos, a despeito do que precisa prevenir e da reflexão a ser motivada. Em decorrência, pesquisa-ação há de persistir voltada para suplementar, ou mesmo substituir, o termo “economia” daquela síntese formulativa, uma vez que a apropriação ideológica desse termo continuará impossibilitando que ele seja percebido e interpretado fora da mesquinha relação entre “arrogância reivindicalista” e liberalismo educacional. Essa arrogância, por sua vez, precisará ser prevenida no sentido de deixar de ocorrer sob particularizações ou equivocadas apropriações do significado de desalienação, desde aquele correspondente a “não se deixar explorar”, até aquele já adotado pelo jovem Stalin e aceito pelo também jovem Lênin: pilhar o que for possível, para precipitar a inevitável revolução anticapitalista.
Com o avanço da pesquisa-ação o significado do termo economia aproxima-se daquele de inequivocação quanto a produzir, inclusas neste as atividades de acessar narrativas de saberes e interpretá-las na realidade imediata do educando, no sentido de esta interpretação facultar operagem e consolidar conhecimento, além de incidir em coerência com sustentabilidade também coletiva ou com o caráter alterinamente institucional da gratuidade. Esta, por sua vez, cumpre perfazer princípio que faculte ir ao encontro da “individuação íntegra” do educando.
Assim, inequívoca produção há de corresponder ao pensar que se descobre determinado, também e definitivamente, pela espontânea emergência das necessidades natural-básicas, a serem atendidas em reciprocidade de coerência com intercâmbio orgânico com a natureza, intercâmbio que deixa de ser direto e carece de condizente instalação no mundo das trocas. Trata-se de emergência a acontecer do interior para a aparência da pessoa e que, nesta, determina atividade cerebral por via antagônica àquela dos cinco sentidos. Por sua vez, o alcance antagônico dessa via, com seu próprio e emergencial sentido, não tem influenciado as concepções de método, inclusive a própria dialética. É que, nas vertentes do experimentalismo e do positivismo, apenas o estofo funcional das especificidades tem sido bastante para fundamentar objetos que atendam às regras cientificizantes do método. Mas, a via assim antagônica, ao ser também influenciável, há de preceder aquele estofo e de co-determinar método para inferir caráter íntegro da individualidade humana. Em suma, a mediação do discernimento entre apropriar e produzir há de significar religação entre os teleconvergentes sentidos do mover-se das necessidades vital-básicas e do mover-se das funções de as atender.
Compõe a missão da IES perceber, interpretar, conceituar e “crítico-teorizar” o caráter íntegro da individualidade humana, assumindo posicionamento em prol da promoção deste caráter junto aos educandos, peculiarmente junto àqueles que se encontram no limiar de assumir a própria adultez.
Entrementes, cabe-lhe constatar dissonância entre um tal posicionamento e aquele de tão só as funções das especificidades constituírem fundamentos dos objetos de conhecimento. Para tanto, cumpre desenvolver a pessoa humana em sua singularidade, evocando-lhe a “dialeticidade da razão”. Neste horizonte de autoatribuições, a própria razão-de-ser da pessoa há de se dialetizar por entre opcional geração de gratuidade e cultural-civilizatória construção da absurdidade, mediante difusão de argumentos a respeito de que a premência por avanços científico-tecnológicos, de índole antes de tudo devastatória do Planeta e das potencialidades de seus habitantes, tem tido, por contrapartida, um recorrente impasse junto às humanidades em perceber, interpretar, conceituar e “crítico-teorizar” a negação da gratuidade, a começar pela humana. Urge-lhe, então, posicionar-se em prol, não só da ultrapassagem de tal impasse, como também de mudança na concepção de tecno-ciência, facultando que esta se emancipe do reducionismo inerente à incontida artificialização do meio ambiente e passe a também promover a diversidade vital-fértil da natureza, a começar pela humana.
Em síntese, a missão da IES propende a promover educação que se torne mediadora entre desconstrução da absurdidade e soerguimento do que, em sua própria concepção dialética, veio a ser denominado de inequivocação quanto a produzir serviços educacionais. Será a prestação destes serviços, graças a determinado perfil de seus egressos, a via de influir junto aos determinantes do futuro de Barreiras e do Oeste da Bahia. Para tanto, cumpre priorizar funções que precisam ser exercidas à base da especificidade do processo educativo, resistindo, no âmbito dos limites regulatórios, ao assédio de prepostos do poder que teimam em transformar as IES em agências-propriedades da construção do absurdo, inclusive ao onerá-las com obrigações físicas fora da ambiência propriamente educativa.