O Poço dos Desejos

David Baldacci · Capítulo 10 de 43

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O Poço dos Desejos

Capítulo Oito

Existiam outras benfeitorias, grandes e pequenas, espalhadas aqui e ali, a m aioria feita de tábuas. As toras do cercado que ficava sob um sem icírculo de bordos pareciam ter sido enfiadas diretam ente na terra e calafetadas com barro. Term inando em declives m uito acentuados, os prados avançavam a partir das benfeitorias centrais com o raios de um a roda. E atrás de tudo, erguiam -se bem altos os Apalaches, reduzindo um a propriedade de bom tam anho com o aquela à sim ples m iniatura para criança brincar.

Finalm ente Lou estava lá, o lugar sobre o qual o pai escrevera durante boa parte da vida, m as para onde nunca voltara. Ela respirou depressa um a m eia dúzia de vezes e ficou m uito reta no banco enquanto o carro se aproxim ava da casa. Era ali que Louisa Mae Cardinal, a m ulher que aj udara a criar seu pai, os esperava.

CAPÍTULO OITO

Dentro da casa, a enferm eira colocava a m ulher a par da condição de Am anda e dava algum as outras inform ações. A m ulher ouvia atentam ente e fazia as perguntas certas.

— E podem os tam bém esclarecer o problem a de m inhas exigências — disse finalm ente a enferm eira. — Tenho alergia a anim ais e a pólen. Procure tom ar providências para que a existência deles aqui sej a reduzida a um m ínim o. E sob nenhum a circunstância os anim ais deverão ter perm issão de entrar em casa. Tam bém obedeço a certas necessidades dietéticas especiais. vou lhe fornecer um a lista. Exij o tam bém liberdade absoluta para supervisionar as crianças. Sei que isto sai da área de com petência de m inhas obrigações form ais, m as sem a m enor dúvida os dois precisam de disciplina, e pretendo fornecê-la. A m enina, em particular, é um a verdadeira peça rara. Tenho certeza de que a senhora é capaz de apreciar m inha franqueza. Agora pode m e levar ao m eu quarto.

— Eu apreciaria que fosse em bora — disse Louisa Mae Cardinal à enferm eira. — Para dizer a verdade, não tem os lugar para a senhora.

A enferm eira, que j á era alta, ficou o m ais em pinada que pôde, m as ainda assim continuou m ais baixa que Louisa Mae Cardinal.

— Com o disse? — perguntou com indignação.

— Peça ao Sam da am bulância pra levá-la de volta. Tem um trem vindo do norte. Enquanto ele não vem , o terreno da estação é ótim o para passear.

— Fui contratada para vir até aqui e tom ar conta de m inha paciente.

— Posso cuidar m uito bem de Am anda.

— Não está qualificada para fazer isso.

— Fale com o Sam e o Hank. Eles precisam ir em bora, querida.

— E eu preciso falar com alguém sobre o que está acontecendo. — O rosto da enferm eira estava m uito verm elho. Com o se ela estivesse à beira de se tornar um a paciente.

— O telefone m ais próxim o fica lá em baixo, em Trem ont. Se quiser, pode falar com o presidente dos Estados Unidos, m as a casa é m inha. — Louisa Mae agarrou o cotovelo da m ulher com um a força que fez os olhos da enferm eira se agitarem . E não vam os incom odar Am anda com isto. — Guiou a m ulher para o vestíbulo, fechando a porta da sala atrás delas.

— Espera m esm o que eu acredite que não tem telefone? — perguntou a enferm eira.

— Nem essa coisa de eletricidade, que tam bém não m e faz falta. Obrigada de novo e faça um a boa viagem de volta. Colocou três notas am assadas de um dólar na m ão da m ulher.

— Gostaria de poder dar m ais, querida, m as foi tudo que m e sobrou da venda dos ovos.

A enferm eira ficou um instante de olhos arregalados para o dinheiro e disse: — vou ficar até m e certificar de que m inha paciente... Louisa Mae agarrou-a de novo pelo cotovelo e conduziu-a até a porta da frente.

— A m aioria das pessoas daqui tem regras contra os invasores. Avisam que o prim eiro tiro pode passar m uito perto da cabeça e é bom prestar atenção no que dizem , pois o segundo pode atingir a pessoa. Agora, escute: estou velha dem ais pra perder tem po dando tiro de advertência e nunca deixei m inha espingarda sem pólvora. E a gente não vai ter um a segunda oportunidade de um a conversa franca.

Quando o Hudson estacionou, a am bulância ainda estava parada na frente da casa, que tinha um varandão largo e fresco, por onde as som bras se alongavam à m edida que o sol ia subindo. Lou e Oz saltaram do carro e encararam o novo lar. Parecia m aior visto de longe. Lou reparou nas pedras m eio esfareladas onde pousavam algum as quinas em penadas da construção. Tam bém eram de pedra os degraus que levavam do terreno à varanda. A coisa que tapava o telhado parecia cartolina pintada de piche e um a cerca de m adeira branca, arqueada em certos pontos, corria ao longo do varandão. Os tij olos da cham iné tinham sido feitos à m ão, m as parte da argam assa que os unia se dissolvera. Nas paredes externas, nos pontos atingidos pela um idade, havia um bom núm ero de bolhas descascando e as tábuas tinham com eçado a em penar e perder o prum o. Elas tam bém estavam precisando de um a pintura.

Lou aceitou a coisa com o de fato era: um a casa antiga, que tinha atravessado várias reencarnações e se situava num a confluência de im placáveis elem entos naturais. O gram ado da frente, no entanto, parecia bem aparado; as j anelas, a escada e o chão da varanda estavam lim pos e ela observou as prim eiras flores da prim avera em j arros de vidro e vasos de m adeira, todos arrum ados no parapeito ou nas j ardineiras das j anelas. Trepadeiras floridas subiam pelas colunas da varanda e entre duas dessas colunas havia um a tela com botões de m aracuj á. Um a áspera trepadeira de m adressilvas corria contra um a parede. Tam bém havia, na varanda, um a bancada de carpinteiro, de m adeira sem verniz, com ferram entas espalhadas no tam po e, na frente dela, um a cadeira de nogueira com assento de vim e.

Galinhas pardas com eçaram a cacarej ar em volta dos pés dos dois, m as logo um casal m al-intencionado de gansos se aproxim ou e as galinhas, em pânico, foram cantar em outra freguesia. Então um galo de pata am arela avançou pela área, afugentou o casal de gansos, esticou a cabeça para Lou e Oz, cantou um a vez e voltou para o lugar de onde tinha vindo. De um curral, um a égua relinchava seu cum prim ento, enquanto a parelha de m ulas continuava im óvel, olhando para o vazio. Tinham um pêlo m uito preto e as orelhas pareciam um tanto desproporcionais aos focinhos. Oz deu um passo à frente para olhar m elhor, m as recuou quando um a das m ulas fez um barulho que Oz nunca ouvira antes, e que parecia claram ente am eaçador.

A atenção de Lou e de Oz se transferiu para a porta da frente sendo aberta com m uito m ais força que o necessário. A enferm eira da m ãe estava deixando a casa. Passou por eles de cabeça em pinada, os braços e pernas com pridos apontando para a frente e atirando salvas de um a fúria silenciosa.