O Poço dos Desejos
Capitulo Dezenove
No final daquela noite, Lou foi para seu quarto, guardou as m eias que havia com prado, deitou-se sem tirar um a só peça de roupa, nem m esm o as botas, e ficou pensando na ida do grupo à cidade. Não fechou os olhos um a única vez até a m anhã chegar e estar na hora de ordenhar as vacas.
CAPITULO DEZENOVE
Algum as noites m ais tarde, estavam todos sentados para j antar enquanto a chuva desabava do lado de fora. Diam ante tam bém viera usando um velho pedaço de lona com um buraco por onde ele enfiava a cabeça. Um a espécie de capa im perm eável feita em casa. Jeb, com o se fosse dono do lugar, se sacudiu e foi para perto do fogo. Quando Diam ante saiu de dentro do capote de lona, Lou viu um a coisa am arrada em seu pescoço. E o cheiro não era nada agradável.
— Que é isso! — perguntou Lou, os dedos apertando o nariz, pois o fedor parecia terrível.
— Assa-fétida — respondeu Louisa pelo garoto. — Um a raiz. Evita resinados. Diam ante, querido, acho que pode ir se aquecer perto do fogo e m e dar isso. Obrigado.
— E quando Diam ante se virou, ela levou a raiz para a varanda de trás e atirou longe a m aldita coisa.
Na m esa, a frigideira de Louisa exalava o duplo arom a de toicinho e costeletas, grandes costeletas cuj a im ensa parte de gordura ninguém se atreveria a com er. A carne vinha de um dos porcos que tiveram de m atar. Um a tarefa de inverno que, por um a série de circunstâncias, haviam sido obrigados a executar na prim avera. Na realidade, Eugene m atara o anim al enquanto as crianças estavam na escola. Oz, no entanto, insistira para que Eugene o deixasse aj udar a lim par o porco e separar a carne aproveitável, as costelas, o toicinho e as tripas. Quando Oz viu o anim al m orto, am arrado num tripé de m adeira, com um gancho de ferro na boca ensanguentada e um caldeirão de água fervente ao lado (só esperando que um garotinho com o ele pusesse o tem pero final), saiu em disparada, os gritos ecoando de um a ponta à outra do vale. Era com o se estivesse fugindo de um gigante distraído que tivesse dado um a topada em seu pé. Eugene adm irou a velocidade e a capacidade pulm onar do garoto, e arregaçou as m angas para cuidar sozinho do porco.
Todos com eram avidam ente a carne, os tom ates em conserva, as vagens que tinham ficado quase seis m eses num m olho de água salgada e açúcar e o resto do feij ão-fradinho.
Louisa encheu todos os pratos, exceto o seu. Tirou alguns nacos dos tom ates, beliscou os feij ões e m olhou pedaços de broa de m ilho no toicinho, m as só isso. Tom ou um a caneca de café com raiz de chicória e olhou em volta da m esa, vendo com o todos se divertiam . Estavam rindo m uito de algum a bobagem que Diam ante havia dito. Ela prestou atenção à chuva batendo no telhado, em bora a chuva ainda nada significasse naquele m om ento. Mesm o que não caísse um a única gota em j ulho e agosto, as sem entes conseguiriam crescer, pelo m enos se os ventos fossem suaves. Logo estariam plantando o indispensável para a alim entação: m ilho, feij ão-m anteiga, tom ates, abóboras, nabos, m andiocas, repolhos, batatas-doces e feij ão roxinho. As cebolas e as batatas com uns j á estavam no solo, e devidam ente cobertas. As geadas não poderiam estragá-las. A terra seria boa naquele ano; tinha esse dever para com eles.
Louisa continuou prestando atenção na chuva. Obrigada, Senhor, m as não esqueça de nos revelar m ais de sua generosidade no próxim o verão. Não em excesso para que os tom ates não abram e apodreçam nos pés, nem tão pouco que só dê para o m ilho crescer até a cintura. Sei que é pedir dem ais, m as eu ficaria m uito agradecida. Disse um silencioso am ém e logo estava se esforçando para j untar-se à festa.
Houve um a batida seca na porta e Cotton entrou. Em bora a corrida do carro à varanda tivesse sido breve, seu casacão estava ensopado. Havia algo de diferente nele; o hom em nem sequer sorriu. Aceitou um a xícara de café, um pedaço de broa de m ilho e sentou-se ao lado de Diam ante. O garoto olhou para ele com o se soubesse o que ia acontecer.
— O xerife passou lá em casa, Diam ante.
Todos olharam prim eiro para Cotton e depois para Diam ante. Os olhos de Oz se arregalaram de tal form a que o m enino ficou parecendo um a coruj a sem penas.
— Verdade? — disse Diam ante, preparando-se para engolir um punhado de feij ões e cebolas cozidas.
— Parece que um a pilha de cocô de cavalo foi colocada no Chry sler novinho em folha do superintendente da m ina Núm ero Dois. O hom em sentou-se nele sem se dar conta, pois j á estava escuro e ele estava resfriado, de nariz entupido, e não sentia cheiro algum . É com preensível que tenha ficado m uito transtornado com a experiência.
— Com o pode ter acontecido? — perguntou Diam ante. Com o o cavalo conseguiu fazer no banco do carro? Provavelm ente foi recuando até a j anela e deixou acontecer. — E Diam ante continuou com endo, em bora ninguém m ais o fizesse.
— Lem bro que na volta a Dickens param os ali porque você tinha um assunto delicado a resolver.
— Contou isso ao xerife? — Diam ante foi logo perguntando.
— Não, perdi estranham ente a m em ória sobre o período que interessava a ele. — Diam ante pareceu aliviado quando Cotton continuou: — Mas passei um a triste hora no fórum com o superintendente e um advogado da com panhia de carvão que j urariam de pés j untos que foi você quem fez aquilo. Claro, através de um cuidadoso interrogatório dos dois fui capaz de dem onstrar que não houve testem unhas do incidente e não havia qualquer vestígio vinculando você à cena dessa... pequena ocorrência. E felizm ente não se pode tirar im pressões digitais de esterco de cavalo. O j uiz Atkins concordou com m inha visão das coisas e assim ficam os. Mas você sabe, filho, esse pessoal do carvão nunca esquece.
— Nem eles nem eu — contra-atacou Diam ante.
— Por que Diam ante faria um a coisa dessas? — perguntou Lou.
Louisa olhou para Cotton, que olhou para Lou sem responder.
— Meu coração, Diam ante, está com você — disse ele —, realm ente está. Você sabe disso. Mas o problem a é a lei. Da próxim a vez, pode não ser tão fácil tirá-lo da encrenca. E as pessoas podem com eçar a querer resolver o assunto com suas próprias m ãos. Então, m eu conselho é que leve a coisa m ais devagar. Digo isto para o seu próprio bem , Diam ante, você sabe que estou certo.
Cotton se levantou e pôs o chapéu. Recusou-se a responder a qualquer pergunta de Lou e não aceitou um convite para ficar. Olhou para Diam ante, que contem plava sem entusiasm o o resto da refeição, e falou: — Diam ante, depois que aquele pessoal do carvão saiu do fórum , eu e o j uiz Atkins dem os um a gargalhada. Eu diria que foi um a gargalhada suficientem ente longa para acabar com a carreira de Atkins. Tudo bem , filho? Diam ante finalm ente sorriu para o hom em .
— Tudo bem — disse ele.