O Poço dos Desejos
Capítulo Vinte e um
— Fingindo que sou um a vaca.
— Não tem graça nenhum a — disse Lou. — Tem os de achá-las.
— Isso é fácil! Vacas nunca ficam realm ente perdidas; só ficam zanzando por aí até alguém as pegar. — Ele assobiou e Jeb irrom peu pelo em aranhado de m ato para j untar-se a eles.
Diam ante conduziu-os por um a fileira de nogueiras e freixos; num tronco, um a dupla de esquilos brigava, aparentem ente por causa de algum a divisão de despej os. Todos pararam para contem plar com reverência um a águia dourada em poleirada no galho de um choupo m uito reto, com uns vinte e cinco m etros de altura. Na clareira seguinte, viram as vacas pastando num cercado natural de árvores caídas.
— Sabia que eram da dona Louisa. E pude apostar que vocês vinham batidos atrás.
com a aj uda de Jeb e Diam ante, tocaram as vacas de volta para o curral do sítio. No cam inho, Diam ante m ostrou-lhes com o se agarrar nas caudas das vacas, fazendo os anim ais puxá-los colina acim a. Era preciso fazê-las pagar um pouco, disse ele, pela vadiagem .
— Diam ante — disse Lou quando j á estavam trancando a porteira do curral —, por que você pôs cocô de cavalo no carro daquele hom em ? — Não posso dizer porque não fui eu.
— Vam os lá, Diam ante! Você chegou a adm itir na frente do Cotton! — Ouvidos m oucos. To ouvindo nada que cê diz! Um a frustrada Lou desenhava círculos no chão com o sapato.
— Tem os de ir para a escola, Diam ante. Vai conosco? — Não vou à escola — disse ele, pondo o cigarro apagado na boca e se tornando instantaneam ente adulto.
— Não sei com o seus pais não o obrigam a ir.
Em resposta, Diam ante assobiou para Jeb e disparou com ele.
— Ei, Diam ante! — Lou ficou gritando.
Menino e cachorro só corriam cada vez m ais depressa.
CAPÍTULO VINTE E UM
Lou e Oz passaram correndo pelo pátio vazio e entraram no prédio da escola. Sem fôlego, eles dispararam para j unto das carteiras.
— Desculpe o atraso — disse Lou a Estelle McCoy , que j á escrevia algum a coisa no quadro-negro. — Estávam os trabalhando na plantação e... — Ao olhar em volta, ela notou que pelo m enos m etade dos bancos estavam vazios.
— Tudo bem , Lou — disse a professora. — Sei que o tem po da sem eadura com eçou. Para m im j á basta o fato de vocês terem vindo.
Lou sentou-se em sua carteira. Pelo canto do olho, viu que Billy Davis estava lá. Parecia tão angelical que Lou achou m elhor ter cuidado. E então ao erguer o tam po da carteira para guardar os livros, não pôde conter um grito. A cobra ali enroscada (m arrom com listas am arelas, venenosa, de um m etro de com prim ento) estava m orta.
Mas havia um pedaço de papel am arrado em volta da serpente com as palavras "Fora Ianques" rabiscadas. E foi isso que realm ente deixou Lou com raiva.
— Lou — cham ou a Sra. McCoy da frente do quadro-negro —, algum problem a? Ela arriou o tam po da carteira e olhou para Billy . De lábios franzidos, ele parecia atento num livro.
— Não — disse ela.
Na hora do recreio continuava frio, m as o sol ia esquentando e as crianças, segurando cestinhas com sanduíches de toicinho e coisas parecidas, se reuniram do lado de fora para lanchar.
Todos pareciam ter algo para encher o estôm ago, m esm o que fossem apenas fatias de broa de m ilho ou algum as bolachas. Tam bém havia m uitos abraçados a um a pequena garrafa de leite ou a um vidrinho com água de nascente. As crianças se instalavam no chão para com er, beber e conversar. Dentre os m ais novos, alguns ficavam correndo em círculos até ficarem tontos e cair. Quando isso acontecia, os coleguinhas m ais velhos os levantavam e os faziam com er.
Lou e Oz sentaram -se sob a com prida som bra da nogueira, a brisa erguendo preguiçosam ente as pontas do cabelo de Lou. Oz m ordeu vorazm ente seu pão com m anteiga e tom ou a fria água de nascente que tinham trazido num pote de conservas. Lou, no entanto, não com eu. Parecia estar esperando algum a coisa e esticava as pernas com o antes de um a corrida.
Billy Davis passou todo em proado pelos pequenos grupos de crianças com endo, ostensivam ente brandindo sua lancheira. Ela era feita de um barrilzinho de m adeira com tam pa e tinha um aram e que servia de alça. Ele parou num dos grupos, disse algum a coisa, riu, olhou de relance para Lou e riu m ais um pouco. Finalm ente subiu nos galhos m ais baixos de um bordo prateado e abriu a lancheira. E então deu um grito e caiu da árvore, quase aterrissando de cabeça no chão. com a cobra sobre ele, Billy rolava de um lado para o outro e gritava tentando afugentar a serpente. Aí ele percebeu que era sua própria cobra m orta. Fora am arrada na tam pa do barrilzinho, tam pa que ele ainda segurava. Quando parou de gritar com o um porco esfaqueado, percebeu que todos no pátio estavam m orrendo de rir de seu com portam ento.
Todos, exceto Lou, que sim plesm ente continuava sentada, de braços cruzados, fingindo ignorar aquele espetáculo. De repente, então, ela m ostrou um sorriso tão largo que quase bloqueou o sol. Quando Billy se levantou, ela tam bém o fez. Oz em purrou o pão para dentro da boca, engoliu o resto da água e correu para ficar em segurança atrás da nogueira. com os punhos erguidos, Lou e Billy se encontraram bem no centro do pátio. Quando a m ultidão se fechou em torno deles, a m enina ianque e o garoto dos m ontes com eçaram o segundo round.
Desta vez com um corte na outra ponta do lábio, Lou estava sentada na carteira. Punha a língua de fora para Billy , sentado na frente dela com a cam isa rasgada e um a bela m arca roxa no olho direito. Estelle McCoy estava em pé de braços cruzados, a testa franzida. Logo após interrom per aquele segundo assalto, a professora, indignada, encerrou a aula m ais cedo e m andou um recado para as respectivas fam ílias dos contendores.
Lou estava em excelente estado de espírito, pois tinha ostensivam ente punido novam ente Billy diante de todos. Ele sem dúvida não parecia m uito à vontade. Não parava de se m exer na cadeira e olhava nervoso para a porta. Lou enfim com preendeu sua ansiedade quando a porta da escola se abriu com ruído e George Davis apareceu.
— Que diabo está acontecendo aqui? — o hom em clam ou suficientem ente alto para fazer a própria Estelle McCoy se encolher. Quando ele deu um largo passo à frente, a professora recuou.
— Billy se envolveu num a briga, George — disse a Sra.
McCoy .