O Poço dos Desejos

David Baldacci · Capítulo 25 de 43

Páginas do PDF

O Poço dos Desejos

Capítulo Vinte e Três

Lou pegou um pouco de terra e viu um batalhão de form igas cruzando sua m ão. A trepadeira de m adressilvas, toda florida, j untava seu cheiro às ipom eias, às fragrâncias do cinam om o e dos cravos-da-índia, enquanto a treliça roxa dos m aracuj ás cum pria seu dever de fazer som bra na varanda. Trepadeiras cheias de rosas tinham se enroscado ao redor da m aioria das estacas da cerca e quase lem bravam explosões de fogo.

— George Davis é um hom em horrível — disse Lou. Louisa se encostou no parapeito da varanda.

— Cria os filhos com o m ulas e trata as m ulas m elhor que os filhos.

— De qualquer m odo, Billy não tinha nada que m e fazer o que fez — disse Lou, e depois riu: — Foi engraçado vê-lo cair daquela árvore quando ele viu a cobra m orta que eu pus em sua lancheira.

Louisa se inclinou para frente e olhou-a com um ar curioso.

— Viu m ais algum a coisa naquela lancheira? — Algum a coisa m ais? Com o o quê? — Com o com ida.

— Não, a lancheira estava vazia. — Lou parecia confusa. Louisa balançou devagar a cabeça, recostou-se m ais um a vez no parapeito e olhou para o oeste, onde o sol, com eçando a deslizar para trás das m ontanhas, abrasava o céu de rosa e verm elho.

— Sabe o que acho engraçado? — disse Louisa. — Que as crianças tenham de sentir vergonha quando os pais não se im portam em lhes dar de com er. Tanta vergonha a ponto de levar um a lancheira vazia para a escola e fingir que com em . Não acha engraçado elas não quererem que ninguém perceba que não têm nada para com er? — Não — disse Lou balançando a cabeça, os olhos no chão.

— Sei que não devia falar agora de seu pai. Mas tenho você e o Oz no coração e fico gostando ainda m ais dos dois quando penso em com pensá-los pela perda que sofreram , em bora saiba que isso não é possível. — Pôs a m ão no om bro de Lou e virou a m enina para ela. — Mas vocês tiveram um ótim o pai. Um hom em que am ava vocês. E é por isso que tudo se torna ainda m ais difícil de superar. Tudo se torna sim ultaneam ente um a bênção e um a m aldição que terão de carregar nesta vida. Mas a verdade é que Billy Davis terá de viver dia a dia com o pai que tem . E eu acharia m elhor estar na pele de você e do Oz. Sei que Billy Davis tam bém . Sabe, eu rezo diariam ente por todas as crianças. E você tam bém devia rezar.

CAPÍTULO VINTE E TRÊS

O relógio da bisavó tinha acabado de dar m eia-noite quando as pedras atingiram a j anela de Lou. A m enina estava no m eio de um sonho, um sonho que se desintegrou sob o barulho repentino. Ela foi até a j anela e olhou, a princípio não vendo nada. De repente identificou alguém e abriu a j anela.

— O que está fazendo, Diam ante Skinner? — Vim lhe m ostrar um a coisa — disse o garoto, parado ao lado de seu fiel cachorro.

— Mostrar o quê? Em resposta, ele apontou para o céu. Lou achou que nunca tinha visto um a lua tão brilhante. A visão era tão nítida que era possível ver as m anchas escuras na superfície.

— Posso encontrar a lua sozinha, m uito obrigada.

— bom , num é só isso. — Diam ante sorriu. — Pegue seu irm ão. Vam os lá agora. Vai ser incrível o lugar onde a gente vai. Você vai ver.

— Fica m uito longe? — Lou parecia em dúvida.

— É perto. Você não tem m edo do escuro, tem ? — Espere aí — disse ela, fechando a j anela.

Em cinco m inutos, Lou e Oz conseguiram se vestir, sair devagarinho de casa e encontrar Diam ante e Jeb.

— É m elhor que sej a um a coisa boa, Diam ante — disse Lou bocej ando —, ou você vai ficar com m edo de nos ter acordado.

Com eçaram a avançar num passo acelerado para o sul. Durante todo o traj eto, Diam ante não parou de tagarelar, m as se recusou term inantem ente a dizer aonde estavam indo. Lou finalm ente desistiu de tentar e contem plou com o os pés descalços do m enino cruzavam com facilidade as pedras pontiagudas. Ela e Oz estavam calçados.

— Diam ante, você nunca sente dor ou frio nos pés? — perguntou ela enquanto faziam um a pausa num pequeno outeiro para tom ar fôlego.

— Quando a neve chegar, talvez vocês vej am um ponto roxo no m eu pé, m as só olhando m uito de perto. Vam os! Puseram -se outra vez em m archa e, vinte m inutos depois, Lou e Oz puderam ouvir o barulho de um a rápida corrente de água. Um m inuto m ais e Diam ante ergueu a m ão para eles pararem .

— Agora vam os ter de ir realm ente devagar — disse. Eles o seguiram de perto, passando por pedras que a cada passo se tornavam m ais escorregadias. O som da água parecia estar vindo de todos os lados. Era com o se estivessem prestes a serem atingidos por um a grande onda. Lou agarrou a m ão de Oz, pois tudo aquilo lhe parecia um tanto enervante e ela desconfiava que o irm ão estivesse experim entando um extrem o terror. Depois de cruzarem um enorm e am ontoado de bétulas e um salgueiro-chorão ensopado de um idade, Lou e Oz arregalaram os olhos de espanto.

A queda d'água teria uns trinta m etros de altura. Jorrava de um patam ar de rochas de calcário e m ergulhava num poço espum ante, cuj as bordas serpenteavam para o escuro da m ata. E Lou de repente percebeu por que Diam ante apontara para a lua. Seu brilho era tão intenso, e a cascata e o lago estavam tão perfeitam ente situados com relação a ela, que os três ficaram cercados por um m ar de luz. O reflexo do luar era m uito forte, com o se a noite tivesse virado dia.

Avançaram um pouco m ais. Chegaram a um lugar onde ainda podiam ver tudo, m as o barulho da água j á não era tão intenso. Ali podiam falar sem ser preciso gritar sobre a trovoada da cascata.

— Isto tudo vai dar no rio McCloud — disse Diam ante. Ela é m ais alta que a m aioria das quedas.

— É com o se estivesse nevando para cim a — disse Lou, enquanto se sentava, m aravilhada, num a pedra coberta de m usgo.

Sob a esplêndida lum inosidade, a água espum ando para o alto sugeria realm ente um a nevasca voltando para o céu. Num canto do poço, a água era especialm ente brilhante. Eles se reuniram nesse ponto.

— Sem dúvida foi aqui que Deus tocou na terra — disse Diam ante num tom m uito solene.

Lou se inclinou para a frente, exam inou de perto o lugar e se virou para Diam ante.

— É fósforo.

— O quê? — Acho que é um a rocha de fósforo. Estudei isso na escola.

— Diga de novo — pediu Diam ante.

Ela obedeceu, e Diam ante ficou repetindo a palavra até senti-la correr com toda a falência de sua boca. Achou que era um a bela e agradável palavra para se falar, m as continuou a definir a pedra com o a coisa que Deus tinha tocado, e Lou não teve ânim o para contrariá-lo.

Oz se debruçou e m ergulhou a m ão na água, m as recuou im ediatam ente, trem endo.

— Está sem pre fria assim — inform ou Diam ante —, m esm o no dia m ais incrivelm ente quente. — Olhou em volta com um sorriso nos lábios. — Mas sem dúvida é m uito gostoso.

— Obrigado por nos trazer aqui — disse Lou.

— Trago todos os m eus am igos — disse o garoto num tom am igável, olhando para o céu. — Ei, conhecem bem as estrelas? — Algum as — disse Lou. — A Ursa Maior, a constelação de Pégaso.

— Dessas eu nunca ouvi falar — disse Diam ante apontando para o céu boreal. — Virem um pouco a cabeça. Está vendo ali? E o que eu cham o de urso e está perdendo um a perna. E depois fica o sino de pedra. E m ais na frente... — ele apontava o dedo m ais para o sul —, bem ali fica Jesus sentado à direita do Pai. Só Deus não está ali, porque está sem pre fora fazendo o bem . Porque é Deus. Mas se pode ver a cadeira. — Diam ante se virou para eles. — Não estão vendo? Lá? Oz disse que podia ver tudo aquilo, claro com o o dia, em bora fosse de noite. Lou hesitou, refletindo se não seria m elhor instruir adequadam ente Diam ante sobre as constelações ou não. Ela finalm ente sorriu.

— Sabe m uito m ais sobre estrelas que nós, Diam ante. Agora, depois que você m ostrou, tam bém posso ver.

Diam ante deu um largo sorriso.

— Bem , aqui na serra estam os m uito m ais perto das estrelas do que na cidade. Não se preocupe, vou continuar a ensinar você.

Depois de um a agradável hora passada ali, Lou achou m elhor voltarem .

Estavam na m etade do cam inho de casa quando Jeb com eçou a rosnar e a executar círculos vagarosos na relva alta, o focinho enrugado, os dentes à m ostra.

— Qual é o problem a com ele, Diam ante? — perguntou Lou.

— Acho que cheirou algum a coisa. Há m uitos gritos de anim ais em volta. Não dê atenção.

De repente Jeb disparou num a corrida. Seu rosnado era tão alto que m achucava os ouvidos.

— Jeb! — gritou Diam ante. — Volte aqui agora. — O cachorro nem dim inuiu a velocidade e eles finalm ente viram por quê. O urso negro m ovia-se em longas passadas na orla m ais distante do prado.

— Pare com isso, Jeb! Deixe o urso em paz! — Diam ante correu atrás do cachorro e Lou e Oz correram atrás de Diam ante. Mas cachorro e urso logo desapareceram no escuro da noite. Diam ante finalm ente parou, ansiando por ar. Lou e Oz em parelharam com ele e caíram no chão, os pulm ões quase estourando.

— Droga de cachorro — disse Diam ante fechando os punhos com força.

— Será que o urso vai m achucá-lo? — perguntou Oz, ansioso.

— Bolas, não! Provavelm ente Jeb só vai enxotar a m aldita coisa. Quando ficar cansado, volta para casa. — Mas o próprio Diam ante não parecia convencido. — Vam os agora.

Avançaram por alguns m inutos num passo acelerado até Diam ante dim inuir a m archa, olhar em volta e levantar a m ão m andando-os parar. Ele se virou, pôs um dedo na boca e fez sinal para que o seguissem , m as sem fazer barulho. Eles aceleraram por m ais uns dez m etros e então Diam ante deitou de barriga no chão e Lou e Oz fizeram o m esm o. Avançaram rastej ando e logo estavam na borda de um pequeno barranco.

Era cercado de árvores e vegetação rasteira, e os galhos e cipós, pendendo sobre as beiradas, form avam um alpendre natural. Os raios de luz, no entanto, conseguiam atravessá-lo em certos pontos, deixando o espaço bem ilum inado.

— Que é isso? — Lou quis saber.

— Xiii — disse Diam ante, fazendo concha com as m ãos em volta de um a orelha e prestando atenção. — O alam bique do hom em .

Lou tornou a olhar e captou a boj uda engenhoca com um a barriga de m etal, cham iné de cobre e pernas feitas de toras de m adeira. Os potes a serem enchidos de m alte uísque estavam em tábuas apoiadas sobre duas pedras chatas. Um lam pião de querosene fora pendurado num poste fino enfiado no solo úm ido. Saía um vapor da destilaria e eles ouviram os passos de alguém . Lou se encolheu quando George Davis apareceu am ando um saco de aniagem de uns vinte quilos. O suj eito estava atento ao trabalho e aparentem ente não se deu conta de que eles estavam ali. Lou olhou para Oz. O m enino trem ia tanto que Lou teve m edo que George Davis pudesse sentir o chão vibrando.

Ela puxou Diam ante e apontou para o ponto de onde tinham vindo. Quando Diam ante abanou aprovadoram ente a cabeça, todos deram m eia-volta e com eçaram a recuar. Lou ainda olhou de relance para trás, para o alam bique, m as Davis desaparecera. Foi nesse m om ento, porém , que ela ficou aterrada e quase gritou, pois ouvira algo se aproxim ando.

O urso foi a prim eira coisa que lam pej ou em seu horizonte de visão. Vinha na direção do barranco. Atrás vinha Jeb e os dois passaram por eles. O urso, no entanto, fez um a curva fechada e o cachorro esbarrou no poste onde estava pendurado o lam pião, derrubando-o. O lam pião bateu no solo e se quebrou. O urso guinou para o alam bique e o m etal cedeu e caiu sob cento e cinquenta quilos de urso preto, soltando e rachando o tubo de cobre. Diam ante correu para o fundo do barranco, gritando com o cachorro.

Sem dúvida cansado de ser perseguido, o urso se virou e se ergueu nas patas traseiras, as garras e dentes agora m uito salientes. Jeb parou de estalo ante a visão daquela parede preta de quase dois m etros de altura que poderia parti-lo ao m eio, e recuou rosnando. Diam ante conseguiu pegar o cachorro e puxá-lo pelo pescoço.

— Jeb, seu m aluco! — Diam ante! — gritou Lou, ficando em pé e vendo o hom em vir na direção do seu am igo.

— Que diabo é isto? — gritava Davis em ergindo do escuro, espingarda na m ão.

— Diam ante, cuidado! — Lou tornou a gritar.

O urso rosnava, o cão latia, Diam ante gritava e Davis apontava a espingarda e dizia palavrões. Quando a arm a disparou duas vezes, urso, cachorro e garoto saíram correndo com o alucinados. Lou pôs a cara no chão quando o chum bo grosso atravessou as folhas e se cravou num tronco.

— Corra, Oz, corra! — gritou Lou. Oz deu um salto e com eçou a correr, m as, confuso, avançou para o barranco em vez de se afastar dele. Davis estava recarregando a espingarda quando Oz apareceu. O m enino percebeu o erro tarde dem ais e Davis agarrou-o pelo colarinho. Lou correu na direção dos dois.

— Diam ante! — gritou ela. — Socorro! Davis apoiara Oz num a perna com um a das m ãos e com a outra tentava recarregar sua arm a.

— Maldito garoto — bradava o hom em para o m enino apavorado. Lou atirou-se contra ele de punhos cerrados, m as não conseguiu m achucá-lo. Ainda que baixo, George Davis era forte com o tij olo.

— Solte o garoto — berrava Lou. — Solte! Davis realm ente soltou Oz, m as só para atacar Lou. Ela desabou no chão, a boca sangrando. O hom em , no entanto, não reparara em Diam ante. O m enino agarrou o poste caído, sacudiu-o e acertou as pernas de Davis, que caiu com força no chão. Depois Diam ante com pletou o serviço, golpeando Davis na cabeça com o m esm o poste. Lou agarrou Oz, Diam ante agarrou Lou e os três j á estavam a m ais de cinquenta m etros do barranco quando George Davis retom ou a confiança nas pernas e se levantou espum ando de raiva. Alguns segundos depois, ouviram m ais um estam pido de espingarda, m as j á estavam com pletam ente fora do alcance da arm a.

Quando ouviram algo vindo atrás, correram ainda m ais depressa. Então Diam ante deu um a olhada e disse que estava tudo bem , que era só o Jeb. Mesm o assim correram todo o cam inho de volta e, ao chegar ao sítio, desabaram na varanda da frente, as respirações ofegantes, as pernas e braços trem endo de m edo e cansaço.

Foi então que Lou chegou a pensar em continuar a corrida, pois Louisa estava parada bem na frente deles, de cam isola, segurando um lam pião de querosene. Queria saber onde tinham ido. Diam ante tentou responder pelos três, m as Louisa m andou-o calar a boca. O tom , m uito ríspido, conseguiu de fato em udecer o sem pre tagarela Diam ante.

— Quero a verdade, Lou — ordenou a m ulher.

E Lou contou a ela, incluindo o encontro quase fatal com George Davis.

— Mas a culpa não foi nossa — disse Lou. — Aquele urso...

— Vá agora m esm o para o celeiro, Diam ante! — explodiu Louisa. — E leve este m aldito cachorro com você! — Sim , senhora — disse Diam ante, desaparecendo furtivam ente com Jeb. Louisa tornou a se virar para Lou e Oz. Lou reparou que ela estava trem endo.

— Oz, vá para a cam a. Nesse m inuto! Oz olhou de relance para Lou e entrou correndo. Então só sobraram Lou e Louisa.

A m enina continuava parada e nunca se sentira tão nervosa.

— Hoj e você podia ter m orrido. Pior é que podia ter provocado a sua m orte e a de seu irm ão.

— Mas, Louisa, a culpa não foi nossa! Sabe com o...

— A culpa foi sua! — disse Louisa febrilm ente, e Lou sentiu as lágrim as encherem os olhos por causa do tom . — Não a recebi nesta serra para vê-la m orrer nas m ãos ordinárias de George Davis, m enina! Sair sozinha no m eio da noite j á seria m uito m au. Mas levar o irm ão caçula... que a seguiu no im pulso, nem sabendo m uito bem o que estava fazendo! Me sinto envergonhada de você! — Desculpe. — Lou baixou a cabeça. — Desculpe m esm o. Louisa continuou bastante em pinada.

— Nunca bati num a criança, por m ais que m inha paciência tenha dim inuído com o passar dos anos. Mas se fizer de novo um a coisa dessas, vai sentir o peso de m inha m ão, senhorita, e vai ser um a coisa que você nunca esquecerá. Está m e entendendo? — Lou abanou silenciosam ente a cabeça.

— Agora vá dorm ir — disse Louisa. — E não vam os m ais falar sobre isso.

Na m anhã seguinte, George Davis apareceu em sua carroça puxada por um a parelha de m ulas. Louisa, as m ãos atrás das costas, saiu para enfrentá-lo.

Davis cuspiu o tabaco de m ascar no chão, perto da roda da carroça.

— Os dem ônios desses garotos arrebentaram com m inha propriedade. Quero que m e pague! — Está dizendo que quebraram sua destilaria. Lou e Oz saíram e viram o hom em .

— Dem ônios! — rosnou ele. — Porra de garotos! Louisa desceu da varanda.

— Se pretende falar deste j eito, saia da m inha terra. Já! — Quero m eu dinheiro! E quero que levem um a boa surra pelo que fizeram ! — Vá buscar o xerife e m ostre o que fizeram com sua destilaria. Ele, então, vai m e dizer o que fazer.

— Sabe que não posso fazer isso, m ulher. — Davis a olhava com ar estúpido, um a das m ãos agarrando o chicote da m ula.

— Então j á sabe qual é o cam inho para fora de m inha propriedade, George.

— Que tal se eu tocar fogo no sítio? Eugene saiu da casa segurando um grande pedaço de pau. Davis ergueu o chicote.

— Fique com essa cara de crioulo bem longe de m im , Diabo-Não, ou vou lhe m ostrar com o seu avô fazia quando lhe dava um a coça! — Davis com eçou a descer da carroça. — Talvez eu resolva m esm o fazer isso, rapaz! E fazer com vocês todos! Louisa tirou o rifle de trás das costas e apontou-o para George Davis. O hom em não com pletou a descida da carroça ao ver o cano com prido do Winchester apontado para ele.

— Saia da m inha terra — disse ela em voz baixa, elevando ainda m ais a arm a, apoiando a culatra no om bro e encostando o dedo no gatilho. — Antes que eu perca a paciência e você algum sangue! — Eu lhe pago, George Davis — gritou Diam ante saindo do celeiro, Jeb atrás.

Davis, ainda furioso, estrem eceu visivelm ente.

— A porra da m inha cabeça ainda está soando desde que você m e acertou, rapaz.

— É m uito sortudo, porque eu podia ter batido com m uito m ais força.

— Seu safado! — vociferou Davis.

— Quer ou não quer que eu lhe dê o dinheiro? — perguntou Diam ante.

— Que dinheiro? Você não tem dinheiro.

— Tenho isto. — Diam ante pôs a m ão no bolso e puxou um a m oeda. — Um dólar de prata.

— Um dólar! Arruinou m eu alam bique, guri. Acha que a droga de um dólar vai dar j eito? Boboca! — A m oeda foi de m eu bisavô, que m orreu faz m uito tem po. Tem cem anos de idade. Um hom em lá em Trem ont disse que m e daria vinte dólares por ela.

— Me deixe ver. — Os olhos de Davis tinham se ilum inado.

— Nada disso. Aceite ou esqueça. Estou dizendo a verdade. Vinte dólares. O hom em se cham ava Monroe Darcy . É o dono da loj a em Trem ont. Você conhece ele.