Rotinas de Diagnóstico e Tratamento do Diabetes Mellitus
14.2. Resistência à insulina e disfunção endotelial
Resistência à insulina e disfunção endotelial
Maria Lucia Elias Pires
Júlia Barros Vargas
INTRODUÇÃO
A manutenção da glicemia normal depende predominantemente da
capacidade funcional das células pancreáticas em secretar insulina e da
sensibilidade tecidual à ação desse hormônio. A resistência à insulina (RI)
ocorre quando há diminuição na sensibilidade e na responsividade das
células-alvo aos níveis normais de insulina circulante, que resulta em
hiperinsulinemia compensatória na tentativa de se obter uma resposta
fisiológica adequada.1,2
O endotélio vascular é formado por um conjunto de células
homogêneas, com elevada atividade metabólica, que reveste a parede
luminal de todo o leito vascular. Ele exerce papel fundamental na
homeostase vascular, tendo importante participação não somente na
modulação do tônus vascular, ao produzir diferentes substâncias vasoativas,
mas também em outras funções homeostáticas e celulares, como ativação
plaquetária, trombogênese e nos processos imunes e inflamatórios. Dentre
as substâncias vasoativas por ele produzidas, destaca-se o óxido nítrico
(NO), importante vasodilatador e mediador de várias funções protetoras
exercidas pelo endotélio saudável.3-5
Quando eventos fisiopatológicos exercem efeito deletério sobre a
integridade e a funcionalidade do endotélio, instala-se a disfunção
endotelial, ou seja, o endotélio torna-se incapaz de exercer sua função
regulatória normal e de manter a homeostase vascular. Esse quadro
disfuncional caracteriza-se pelo desequilíbrio na produção endotelial de
mediadores que regulam o tônus vascular (fatores vasoconstritores e
relaxantes), a agregação plaquetária, a coagulação e a fibrinólise (pró-
coagulantes e anticoagulantes), assim como pela produção de inibidores e
promotores do crescimento e da proliferação celular. A disfunção endotelial
leva a um desequilíbrio no tônus vascular com predomínio vasoconstritor e
à indução da inflamação, ambos estímulos para instalação e progressão da
aterosclerose.2,5
A insulina exerce ações glicorregulatórias e hemodinâmicas que se
relacionam com o endotélio vascular. Atua nas células vasculares,
regulando o crescimento celular, a expressão de genes, a síntese proteica e a
redução do influxo de cálcio, além disso, estimula a produção de óxido
nítrico no endotélio. Sua ação vasodilatadora é bem reconhecida e esse
efeito está relacionado com liberação de NO, um gás solúvel sintetizado
pelas células endoteliais, macrófagos e certo grupo de neurônios do cérebro.
É um importante sinalizador intracelular e extracelular, que tem, entre
outros efeitos, o de relaxamento do músculo liso, o que provoca a
vasodilatação.2,6
A insulina em concentrações fisiológicas tem efeito antiaterogênico
mediado pelo NO, mas pode perdê-lo nos estados de RI. Há evidências,
clínicas e epidemiológicas, de que a hiperinsulinemia associada à
resistência à insulina seja um fator independente de risco cardiovascular.4
Em condições de hiperinsulinemia e RI, a insulina torna-se um peptídeo
com atividade intensamente aterogênica, que estimula a produção de
lipídios, a proliferação da célula muscular lisa, a síntese de colágeno e a
produção de vários fatores de crescimento, ao mesmo tempo que a liberação
mediada pela insulina de NO está comprometida e sua ação vasodilatadora,
reduzida.2,7
A RI é a condição de base em várias situações clínicas, tais como
doenças cardiovasculares e metabólicas, como hipertensão, doença arterial
coronariana, diabetes mellitus, obesidade e dislipidemia. Ela contribui para a disfunção endotelial nesses estados por promover o desenvolvimento da
aterosclerose característica dessas doenças, gerando inflamação, trombose,
rigidez das paredes arteriais e redução da regulação do tônus e fluxo
arteriais. A RI habitualmente precede, em muitos anos, o diagnóstico dessas
doenças e pode ser detectada mesmo antes de qualquer grau de intolerância
à glicose ser evidente. Nos casos de diabetes mellitus tipo 2 (DM2), ao
diagnóstico, grandes prejuízos ao endotélio vascular já foram estabelecidos
na maioria dos pacientes. O estresse oxidativo é um dos principais
mecanismos envolvidos na disfunção endotelial induzida pela
hiperinsulinemia.6,7
FISIOLOGIA DO ENDOTÉLIO
O endotélio íntegro representa uma interface biológica entre os
componentes do sangue, e os tecidos, formando uma rede de proteção que
permite melhor fluidez e evita a coagulação do sangue. Por ser alvo e
também origem de várias substâncias, o endotélio pode ser considerado um
órgão endócrino ativo que, em resposta a diversos estímulos, sintetiza e
libera substâncias vasoativas de ação sinérgica, antagônica ou
complementar, desempenhando papel fundamental na regulação da
circulação.3
Importantes funções têm sido atribuídas ao endotélio, destacando-se sua
participação na regulação do tônus vascular, da trombogênese e fibrinólise,
da ativação e inibição plaquetárias, da adesão de leucócitos ao endotélio, na
interação com o metabolismo das lipoproteínas, na regulação do
crescimento vascular e na resposta imune e inflamatória.3
O controle do tônus vascular depende de influências intrínsecas, como
substâncias humorais e vasoativas derivadas do próprio endotélio vascular,
que interagem com o músculo liso para, em conjunto com as influências
extrínsecas, definir o lúmen vascular destinado à passagem do sangue.8
O endotélio libera diversos fatores de relaxamento e vasoconstrição.
Entre os fatores de relaxamento derivados do endotélio (EDRF), destacam-
se o NO, a prostaciclina (PGI2) e o fator hiperpolarizante do endotélio
(EDHF). Os fatores endoteliais que promovem vasodilatação, de modo
geral, exercem também efeito de diminuição da agregação plaquetária e da adesão dos leucócitos, além de estimular os fatores de transcrição que
regulam a atividade gênica, promovendo menor crescimento celular. O
endotélio vascular é igualmente capaz de produzir substâncias de ação
vasoconstritora (EDCF), tais como a endotelina-1, o vasoconstritor mais
potente conhecido produzido no endotélio; o tromboxano A2; a angiotensina
II e o ânion superóxido (O –), que, apesar de desempenharem importante 2
papel fisiológico na manutenção da homeostasia vascular, podem
apresentar-se desproporcionalmente elevados em algumas condições
fisiopatológicas e induzir disfunção endotelial. Os fatores endoteliais que
promovem vasoconstrição, ao contrário, facilitam ou induzem a adesão
plaquetária e leucocitária, além de estimular crescimento e proliferação
celulares por meio da ativação de outros fatores de transcrição e de
modulação gênica. A função vasomotora anormal do endotélio, além de ser
um marco indiscutível dos estágios iniciais da aterosclerose, pode ocorrer
antes das alterações estruturais dos vasos.5,9-11
Dentre os fatores vasodilatadores, os mais bem caracterizados são o
óxido nítrico (NO), gás formado a partir da ativação da enzima sintetase do
óxido nítrico endotelial (eNOS), que catalisa a conversão da L-arginina em
NO e L-citrulina, e a prostaciclina (PGI2), prostanoide vasoativo liberado a
partir da ação da ciclo-oxigenase sobre o ácido araquidônico da membrana
celular. Ambos podem ser liberados por meio de estímulos físicos, como a
força de arraste e tensão de cisalhamento (shear stress) exercidas pelo fluxo
sanguíneo e, também, pelo estímulo hormonal (insulina).5,12
Dos fatores de relaxamento, o NO é considerado o vasodilatador
endógeno mais potente e protetor vascular contra a aterosclerose. Em
condições normais, inibe a vasoconstrição, a inflamação, a oxidação, a
proliferação das células musculares lisas vasculares (CMLV) e a agregação
plaquetária (trombose). Porém, em estados de RI, como em hipertensão
arterial, dislipidemia, diabetes mellitus, tabagismo e outras situações
patológicas, esses mecanismos inibitórios protetores desaparecem pela
menor produção de óxido nítrico, propiciando a progressão da lesão
vascular.5,10,11,13
A reatividade vascular também pode ser modulada pelo fator
hiperpolarizante do endotélio (EDHF), possivelmente um mediador
químico autônomo, independente do NO e da PGI . É provável que vários 2 fatores distintos possam desempenhar o papel do EDHF. Entre os
candidatos mais prováveis para esse papel estão os epoximetabólitos do
ácido araquidônico, que têm propriedades anti-inflamatórias, e o peróxido
de hidrogênio (H 2O2), que pode potencialmente aumentar a inflamação e
promover hipertrofia vascular. Assim, 2 fatores liberados do endotélio, com
semelhantes efeitos agudos na musculatura lisa vascular, podem ter
diferentes consequências a longo prazo no que se refere a proteção ou
promoção da doença vascular.5,9
Em concentrações fisiológicas, o óxido nítrico (NO) e o ânion
superóxido (O –) exercem efeitos antagônicos no tônus vascular, sendo os 2
ânions superóxido mediadores do controle do tônus e da motricidade
vascular normal. Todavia, em concentrações elevadas, esses ânions
interferem na biodisponibilidade do NO ou na sua formação, o que resulta
em disfunção da parede vascular. A reação entre essas 2 substâncias pode,
ainda, produzir substâncias potencialmente deletérias e causar disfunção
endotelial.9
As células endoteliais são capazes de produzir, ainda, um grande
número de fatores relacionados com a coagulação sanguínea, como o agente
trombolítico ativador do plasminogênio tecidual (t-PA) e a
trombomodulina, que agem evitando a coagulação descontrolada. Da
mesma forma, a PGI 2 e o NO suprimem a ativação e a adesão plaquetária à
parede vascular. Em contraste a estas ações antiaterogênicas, o endotélio
vascular também secreta substâncias com propriedades trombogênicas,
como o inibidor do fator ativador do plasminogênio (PAI-1) e o fator de von
Willebrand. Contudo, normalmente existe equilíbrio dinâmico entre esses 2
estados, o que permite que a célula endotelial retorne ao seu estado basal,
uma vez que o estímulo trombogênico tenha cessado.5
O endotélio, como interface entre os elementos circulantes do sangue e
os tecidos do organismo, representa uma barreira primordial de proteção
quanto a qualquer tipo de agressão. A célula endotelial, em vigência de
lesão ou doença, libera moléculas de adesão que têm o NO como principal
modulador. Elas evitam a ruptura da integridade vascular durante o
processo inflamatório e facilitam o rolamento e a adesão dos leucócitos à
parede vascular. Entre elas estão selectinas (E, P e L), integrina LFA-1 (fator associado à função dos linfócitos), CAM-1 (molécula de adesão
intercelular) e VCAM-1 (molécula de adesão celular vascular).9,14
AÇÃO DA INSULINA NO ENDOTÉLIO VASCULAR
A insulina é um peptídeo que atua no endotélio vascular estimulando a
produção de óxido nítrico (NO), um potente vasodilatador endógeno e
considerado o principal protetor contra a doença aterosclerótica por inibir as
diversas vias envolvidas na aterogênese. Em condições normais, o óxido
nítrico endotelial (NO e) inibe a vasoconstrição, a proliferação celular e a
agregação plaquetária. A liberação insulinomediada de NO , além de e
induzir vasodilatação, aumenta a captação celular de glicose e o seu
metabolismo.6,9
Em condições de hiperinsulinemia, a insulina torna-se um peptídeo com
atividade intensamente aterogênica. Nessas condições, há menor produção
de óxido nítrico, além da estimulação à síntese de endotelina-1, potente
vasoconstritor; à produção de lipídios e de vários fatores de crescimento,
como também à proliferação de células musculares lisas e à síntese de
colágeno. Estas 2 últimas ações parecem estar associadas a altas
concentrações de insulina.4,6
No que se refere à ação da insulina em nível celular, ela se liga aos seus
receptores de superfície na célula endotelial, dando início a uma cascata de
eventos que culmina em diversos efeitos biológicos. Esses receptores são
membros da família IRS (insulin receptor substrate) e Shc. A partir dessa
ligação, a cascata pode seguir 2 caminhos. O primeiro é a ativação de
fosfatidilinostosol-3-quinase (PI3K). Essa via é a principal responsável
pelos efeitos metabólicos da insulina na captação de glicose e na inibição da
gliconeogênese no fígado. Essa ação é mediada pela translocação do
transportador GLUT-4 até a superfície celular no músculo esquelético.9
A segunda via é ativada por um defeito na autofosforilação da tirosina e
pela fosforilação da serina e da treonina. Esse erro, ao estimular a Ras-
mitogen activated kinase (MAPK), promove os efeitos de diferenciação,
proliferação, crescimento celular e aterogênese da insulina.10,11,15,16 A Figura
14.2.1 ilustra as vias de sinalização da insulina.
Figura 14.2.1 Características gerais das vias de transdução de sinal da insulina. Adaptada
de Kim 15 et al ., 2006. ET-1 = endotelina-1; eNOS = sintetase do óxido nítrico; GLUT-4 = transportador de glicose; NO = óxido nítrico; IRS-1 = substrato do receptor de insulina-1.
Efeitos da nalização celular da insulina sobre o endotélio vascular
Os principais efeitos da insulina sobre o endotélio vascular são descritos
a seguir:
■ Produção de óxido nítrico: envolve o receptor de insulina IRS-1, que se liga e ativa a via da
PI3K, a qual, por meio de uma cascata de reações que envolve o NADPH e a L-arginina,
promove a fosforilação da eNOS, resultando no aumento da atividade desta enzima e,
consequentemente, na produção de NO 10,11 .
e
■ Expressão de moléculas de adesão: é regulada pela insulina, que estimula a expressão de
moléculas ao endotélio vascular, como a E-selectina, ICAM (molécula de adesão intercelular) e
VCAM (molécula de adesão celular vascular). Este efeito é dependente do caminho da MAPK,
mas não da PI3K.15
■ Efeitos hemodinâmicos: o aumento do fluxo sanguíneo é a principal consequência da
vasodilatação decorrente da produção de NO estimulada pela insulina no endotélio. Essa e
vasodilatação ocorre em 2 fases. Primeiro, ocorre dilatação das arteríolas terminais, o que
aumenta o número de capilares perfundidos (recrutamento capilar) em poucos minutos, sem,
entretanto, aumentar o fluxo sanguíneo total. Depois, há relaxamento das grandes veias de
resistência, o que aumenta o fluxo total de sangue dentro de 30 minutos após a estimulação pela
insulina (o fluxo máximo é atingido dentro de 2 h).15
Dessa forma, o NO é o determinante fisiológico da ação da insulina sobre o metabolismo da
glicose, já que a ativação de vias específicas da insulina no músculo esquelético resulta no
aumento da captação de glicose e no aumento do fluxo sanguíneo para este tecido. O fluxo
sanguíneo aumentado pela vasodilatação permite a chegada de insulina ao músculo esquelético,
garantindo, portanto, a captação da glicose e mantendo os níveis plasmáticos de insulina e glicose
dentro dos limites fisiológicos. Assim, a ação conjunta da insulina no metabolismo e no leito
vascular resulta na regulação da glicemia e da homeostase.15,17,18
Como o metabolismo da glicose está associado ao fluxo sanguíneo, alterações metabólicas
irão induzir alterações no fluxo sanguíneo. Sendo assim, inibidores do NO que bloqueiam o
recrutamento capilar mediado pela insulina causam redução concomitante na utilização de
glicose.15
■ Efeito hemodinâmico opositor: além da ação vasodilatadora, a insulina desempenha outro efeito
biológico que causa impacto na hemodinâmica. Ela estimula a secreção do vasoconstritor
endotelina-1 (ET-1) pela via MAPK. O bloqueio da ET-1 ou da via MAPK potencializa o efeito
vasodilatador da insulina. A Figura 14.2.2 ilustra as ações hemodinâmicas da insulina.
Figura 14.2.2 A resistência à insulina gera um desequilíbrio entre os efeitos pró-hipertensivos e anti-hipertensivos da insulina, exacerbado pela hiperinsulinemia compensatória. SNS = sistema nervoso simpático; ET-1 = endotelina-1; NO = óxido nítrico.
Adaptada de Kim 15 et al .), 2006.
Em pessoas saudáveis, a insulina também causa uma estimulação
simpática do endotélio pelo aumento da concentração de norepinefrina no
plasma. Esse efeito acaba por se opor ao efeito vasodilatador da insulina.
Finalmente, a insulina estimula o sistema renina-angiotensina, aumentando
a reabsorção renal de sódio e favorecendo, assim, a expansão do fluido
intravascular, o que predispõe a hipertensão. O desequilíbrio entre as ações
vasodilatadoras e vasoconstritoras da insulina é um importante fator na
patogênese da disfunção endotelial, em geral, presente nos estados de
RI.11,15
Ações do oxigênio e da glicose no endotélio
O oxigênio e a glicose, apesar de serem moléculas indispensáveis à
sobrevivência dos organismos aeróbicos, apresentam elevado grau de
toxicidade celular e são capazes de provocar danos significativos aos
processos fisiológicos do organismo. Quando presentes em altas
concentrações, essas moléculas são associadas à formação de substâncias
reativas que danificam a estrutura e a função celular.5
O oxigênio é essencial para a oxidação de compostos orgânicos e
produção de energia para o metabolismo celular. Fisiologicamente, uma
pequena quantidade do oxigênio consumido (2% a 5%) é reduzida,
produzindo uma variedade de substâncias químicas altamente reativas,
denominadas espécies reativas do oxigênio (ERO ou ROS, do inglês
reactive oxygen species). As ROS, em altas concentrações, podem provocar
injúria tecidual e danificar organelas celulares, ácidos nucleicos, lipídios e
proteínas.5,12
A principal via de metabolismo do oxigênio no organismo envolve a sua
completa redução em água, incorporando 4 elétrons ao final da cadeia de
transporte de elétrons no interior da mitocôndria. Se houver, ao longo da
cadeia respiratória, redução do oxigênio com número menor de elétrons,
haverá produção de ROS, como o superóxido (O –• 2 + e – → O 2), o peróxido
de hidrogênio (O + e– + 2H+ → H O ) e a hidroxila (H O + e– → OH• + 2 2 2 2 2
OH•).12
Sob condições normais, o balanço entre as ROS e as moléculas
antioxidantes (sintetizadas pela própria célula em oposição à ação oxidante), é suficiente para a manutenção de um estado redox ideal
necessário ao bom funcionamento do metabolismo e, consequentemente,
dos diversos órgãos do corpo. Entretanto, acréscimo nos agentes oxidantes
ou decréscimo no sistema antioxidante pode destruir esse equilíbrio. Esse
estado de desequilíbrio é conhecido como estresse oxidativo, condição que
pode provocar injúria tecidual, danificar organelas celulares e moléculas
biológicas, inclusive carboidratos, ácidos nucleicos, lipídios e proteínas,
modificando suas estruturas e funções, sendo associado a vários estados
patológicos.12
É bem conhecido o fato de que a hiperglicemia é capaz de provocar
intenso desequilíbrio na produção de substâncias vasoativas derivadas do
endotélio, promovendo tanto a elevação de fatores constritores quanto
redução significativa da biodisponibilidade de fatores relaxantes, alterando
a integridade do endotélio e predispondo-o a doenças. Esse desequilíbrio
cria um ambiente pró-inflamatório e pró-trombótico diretamente
relacionado com a patogênese da aterosclerose, da hipertensão arterial, da
doença coronariana e da angiopatia diabética.
Uma via comum para lesão celular induzida por hiperglicemia é a
formação e o acúmulo intracelular de ROS. Níveis elevados de glicose
geram alto gradiente de próton na cadeia respiratória mitocondrial, o que
eleva a produção mitocondrial de ROS que, por sua vez, ocasiona o
acúmulo de produtos intermediários do transporte de elétrons geradores de
superóxidos, aumentando o acúmulo de ROS.
Esse estresse oxidativo está associado à estimulação da ligação de
serinas/treoninas quinases aos IRS-1, o que impede a ativação da via da
PI3K, que resulta na diminuição da translocação do GLUT-4 e do transporte
de glicose. Além disso, as ROS ativam a sinalização pró-inflamatória,
inclusive as interleucinas IL-6, IL-1 e o fator de necrose tumoral (TNF-α).15
Outro importante efeito da hiperglicemia é induzir o desacoplamento da
sintetase do NO e, levando à transferência incompleta dos elétrons do NOe,
que são captados pelo O molecular, gerando o radical superóxido. Este é 2
um dos principais mecanismos que ligam as alterações metabólicas à
disfunção endotelial.
O NO e o O – 2 exercem efeitos antagônicos no tônus vascular e podem
reagir um com o outro para formar peroxinitrito, substância altamente
reativa e potencialmente deletéria. Em concentrações fisiológicas, os ânions
superóxido são mediadores do controle do tônus e da motricidade vascular
normal. Todavia, em concentrações elevadas interferem na função
endotelial vascular e na formação e biodisponibilidade do NO, o que resulta
em disfunção da parede vascular.
São mecanismos causais da disfunção endotelial nos estados de RI e
DM: alteração de vias de sinalização que levam à inativação do NO , e
ativação do endotélio por moléculas pró-inflamatórias, disfunção
mitocondrial e aumento do estresse oxidativo na vasculatura, os quais
podem ser particularmente importantes de acordo com fatores genéticos
predisponentes.2,15
O excesso de glicose exerce ação deletéria no endotélio e pode causar
ou agravar a RI, sendo o aumento do estresse oxidativo um dos
responsáveis pela lesão endotelial. Os principais mecanismos pelos quais a
hiperglicemia causa alterações vasculares são:
■ Glicação não enzimática de proteínas intra e extracelulares, formando produtos finais de glicação
avançada (AGES).
■ Metabolismo da glicose via aldose-redutase, com alterações da concentração de sorbitol-
mioinositol.
■ Aumento da via de biossíntese da hexosamina. ■ Aumento da síntese de novo do diacilglicerol proveniente de intermediários glicolíticos e
subsequente ativação da via da proteína quinase C.
■ Aumento da oxidação de proteínas e lipídios.
■ Produtos finais de glicação avançada (AGES): a hiperglicemia e o estresse oxidativo levam ao
aumento da produção de AGES. Esses produtos inibem a fosforilação de IRS-1 e IRS-2 pela
ligação da insulina, o que impede a ativação da via PI3K, resultando na diminuição da glicogênio
sintetase no músculo. Além disso, os AGES produzem ROS e aumentam o estresse oxidativo
pela ativação da NAPH oxidase.15,18
■ Via de biossíntese da hexosamina (HSP): sob condições metabólicas comuns, 2% a 5% da
glicose que entram nas células são direcionadas para a via de hexosamina. Durante a
hiperglicemia, no entanto, o aumento da disponibilidade de nutrientes desvia o excesso de glicose
para esta via. O produto final da via da hexosamina, UDP-N-acetilglicosamina, é o substrato para
a glicosilação de fatores de transcrição intracelular, que afeta a expressão de muitos genes. Essa
via tem sido associada a disfunção endotelial e microvascular. Dessa forma, o aumento do fluxo
por esta via é outro possível mecanismo pelo qual a hiperglicemia causa RI. A HSP funciona
como um sensor que causa modificações nos sítios de fosforilação de proteínas envolvidas na
sinalização da insulina, como IRS-1, reduzindo, com isso, a translocação de GLUT-4 e a captação
de glicose.15
Ação dos lipídios no endotélio
Níveis elevados de ácidos graxos livres (AGL), observados em doenças
como diabetes, obesidade e dislipidemias, representa outro fator importante
para o desenvolvimento de RI. A aterosclerose altera o fluxo laminar,
interferindo, assim, no shear stress e nas características basais da produção
de NO. Como na hiperglicemia, os ácidos graxos livres induzem estresse
oxidativo; causam disfunção nas mitocôndrias, reduzindo a oxidação
mitocondrial. Além disso, e inibem as proteínas de ligação IRS-1, PAI-1,
IL-6 e as proteínas quimioatraentes de monócitos, pelo aumento da
expressão da NADPH oxidase.2,15
A elevação da produção de ROS em resposta aos AGL leva ao aumento
de outras citocinas inflamatórias, tais como TNF-α, IL-1, IL-4, IL-6 e IL-8.
TNF-α e ROS interferem na via de sinalização da insulina por fosforilar a
proteína inibitória IKKb, que estimula a fosforilação do IRS-1 pelas serinas
quinases, aumentando a resistência dos tecidos à insulina.16
A obesidade tem papel importante no desenvolvimento da RI. Algumas
substâncias produzidas pelos adipócitos, as adipocinas, têm efeitos notáveis
na disfunção endotelial. São elas: leptina, resistina e adiponectina.16 A
leptina regula o apetite, a massa corporal e a termogênese. Os receptores de
leptina estão presentes no endotélio, onde esse peptídeo ativa o sistema
nervoso simpático, estimula a angiogênese, aumenta a agregação
plaquetária e a produção de superóxido. A resistina antagoniza as ações da
insulina e pode causar diminuição da tolerância à glicose. A adiponectina
tem efeitos anti-inflamatórios, antiaterogênicos e sensibilizadores, pois
estimula a produção de óxido nítrico pelas células endoteliais, via aumento
da fosforilação da AMPK.2,17,19
Resistência à insulina e disfunção endotelial
A disfunção endotelial é considerada o evento inicial de uma série de
doenças de natureza inflamatória ou imune, que representa lesão inicial da
aterosclerose. A RI é considerada um fator de risco independente para
aterosclerose por causar disfunção endotelial, que está presente em estados patológicos, tais como DM, síndrome metabólica, hipertensão arterial e
dislipidemia. Ela contribui para o desenvolvimento da aterosclerose
característica dessas doenças por promover inflamação, trombose, rigidez
arterial e redução da regulação do tônus e fluxo arteriais. A disfunção
endotelial é preditora de eventos cardiovasculares e surge nas fases iniciais
da doença aterosclerótica.2,14
A disfunção endotelial causada pela RI pode ser detectada mesmo antes
de qualquer grau de intolerância à glicose ser evidente. A progressão da RI
para o diabetes mellitus do tipo 2 está intimamente ligada à progressão da
disfunção endotelial para a ateroesclerose.10 A Figura 14.2.3 mostra a
interação de RI e disfunção endotelial.
A disfunção endotelial tem sido demonstrada em jovens com
hipercolesterolemia; em hipertensos; em diabéticos e em tabagistas ativos e
passivos, constituindo a via final comum de diversas doenças
cardiovasculares.13
A insulina exerce um papel importante na produção de NO pela via
PI3K. Na presença de RI, um defeito sistêmico na via PI3K determina um
defeito no transporte de glicose pela diminuição da translocação do receptor
GLUT-4 e pela vasodilatação endotélio-dependente mediada pela insulina.19
Figura 14.2.3 A interação entre os mecanismos de glicotoxicidade, lipotoxicidade e inflamação desenha a relação de reciprocidade entre a resistência à insulina e a disfunção endotelial, o que contribui para correspondência entre o metabolismo e as doenças
cardiovasculares. Adaptada de Kim 15 et al ., 2006. DAC = doença arterial coronariana.
A hiperinsulinemia compensatória à RI estimula, ainda, a produção de
endotelina-1 (ET-1) pelas células endoteliais. A ET-1 inibe a sinalização de
insulina via PI3K e induz a atividade da NADPH oxidase, o que promove a
disfunção endotelial por se contrapor aos efeitos vasodilatadores do NO e
por aumentar a produção de superóxido (O – 2) e o estresse oxidativo. Por
vezes, não há diminuição dos níveis de NO e sim aumento da sua
degradação, reduzindo, assim, a biodisponibilidade desta substância.3 A
presença de superóxido na árvore vascular determina uma reação rápida
com o NO local e forma uma espécie reativa de nitrogênio, denominada
peroxinitrito. As moléculas de peroxinitrito causam dano direto ao DNA
celular, além de induzir o desacoplamento da eNOS. Esta última ação
determina produção adicional de superóxido e perpetuação do dano
endotelial. Dessa forma, a sintetase do NO e é uma importante proteína na
ligação entre as doenças metabólicas e vasculares.10,17
A ativação da outra via de sinalização da insulina, a MAPK, atua como
fator estimulador do crescimento celular. Na vasculatura, essa via é
responsável não somente pelo crescimento celular vascular, mas também
pela habilidade das células endoteliais, das células musculares lisas e dos
monócitos em migrarem. Além disso, parece mediar a expressão de fatores
pró-trombóticos e pró-fibróticos. Na RI, há prejuízo específico da via PI3K,
porém a via MAPK mantém-se íntegra, o que resulta nos efeitos pró-
aterogênicos desse estado.10,19
O estresse metabólico é outro fator essencial na gênese da disfunção
endotelial. As principais fontes formadoras de ROS na vasculatura são os
complexos enzimáticos NADPH-oxidases, aumentados na hiperglicemia e
dislipidemia e na exposição à angiotensina II, ao TNF-α, e ao NOe
desacoplado, outro fator frequente na RI.10,15
A atividade do sistema renina-angiotensina (SRA) está aumentada nos
estados de RI, hipertensão arterial e no curso da aterosclerose. A
angiotensina II causa dano à sinalização de insulina por interferir com a
interação entre IRS-1 e PI3K. No endotélio, a enzima de conversão de angiotensina (ECA) quebra angiotensina I, produz angiotensina II e catalisa
a degradação de bradicinina, um vasodilatador gerador de NO. Além disso,
a angiotensina II também estimula a produção de ET-1 e superóxido, pela
estimulação da NADPH-oxidase vascular.10,15
Outro evento importante é a migração de monócitos e células T para a
parede do vaso, o que só é possível pela expressão de moléculas de adesão
leucocitárias pelas células endoteliais. Essa expressão está muito aumentada
na presença de citocinas inflamatórias, como a molécula de adesão
denominada VCAM-1, induzida, por exemplo, pela presença de
macromoléculas inflamatórias, como fosfolipídios oxidados, que são
gerados durante a oxidação de lipoproteínas. Essa atividade explica o
aumento da adesividade das células endoteliais expostas à LDL oxidada.10
O tecido adiposo secreta citocinas pró-inflamatórias, tais como TNF-α e
interleucina-6, e esses níveis circulantes aumentados podem contribuir para
a RI e disfunção endotelial. O TNF-α inibe a atividade do receptor de
insulina, a captação de glicose e reduz a biodisponibilidade do NO por
inibir a atividade do NO e e estimular a produção de ROS pela NADPH
oxidase, impedindo a vasodilatação endotélio-dependente. O TNF-α pode,
ainda, contribuir para a apoptose da célula endotelial.10
Por fim, as adiponectinas, agonistas da insulina, estão diminuídas em
indivíduos com diabetes mellitus, RI e doença coronariana.19
Avaliação da função endotelial
A investigação do endotélio vascular modificou-se substancialmente a
partir da década de 1980, quando foi descrita a vasodilatação dependente do
endotélio. Dessa época em diante, o conceito de endotélio passou de
simples tecido epitelial que revestia os vasos com funções passivas para o
conceito de órgão sistêmico com funções endócrinas, parácrinas e
autócrinas nos diversos leitos vasculares. A maior parte do endotélio
encontra-se na microcirculação e uma pequena parte em grandes artérias de
condutância.
A vasodilatação dependente do endotélio reflete a integridade da função
endotelial in vivo, sendo responsável pela autorregulação do fluxo nos tecidos e pela homeostase do estresse de cisalhamento nos vasos de
condutância.20
Vários marcadores bioquímicos e técnicas funcionais na circulação
coronariana e periférica vêm sendo descritos para avaliar a função
endotelial.
Quanto aos marcadores bioquímicos, pode-se realizar a quantificação
direta de NO e/ou seus metabólitos (nitratos e nitritos) no plasma e na urina,
assim como a dosagem sanguínea de fatores endoteliais circulantes
(endotelina, fator de von Willebrand, angiotensina II, marcadores de
estresse oxidativo).21
A avaliação da funcionalidade do endotélio pode ser feita por métodos
invasivos e não invasivos. A análise da vasodilatação dependente do
endotélio é feita pela resposta vasodilatadora de uma artéria (coronária,
braquial ou femoral) ou de uma região (antebraço) que se segue a um
estímulo reconhecidamente capaz de induzir as células endoteliais a
produzirem substâncias vasodilatadoras.
Na circulação coronária, essa medida pode ser realizada por meio da
angiografia e utilização de um probe de ultrassom Doppler intracoronário,
em que se observam as alterações no diâmetro vascular (vasodilatação) em
resposta à injeção intra-arterial de vasodilatadores dependentes do endotélio
(bradicina e acetilcolina) ou pela prova da hiperemia reativa (aumento do
fluxo após um período de isquemia). Indivíduos normais respondem com
aumento do diâmetro do vaso (vasodilatação), enquanto aqueles com
doença aterosclerótica coronária mostrarão redução da vasodilatação ou até
mesmo vasoconstrição. Esses testes são capazes de demonstrar disfunção
endotelial, quando se evidencia redução da vasodilatação. Mesmo nos
pacientes sem lesões obstrutivas, nos indivíduos com diabetes mellitus,
hipercolesterolemia, hipertensão arterial ou tabagismo, habitualmente são
encontradas alterações na vasodilatação.12
O teste da hiperemia reativa é uma das técnicas mais utilizadas para
avaliar a função endotelial na circulação periférica. Este pode ser feito
provocando-se isquemia, condição fisiológica em que há intensa produção
de substâncias vasodilatadoras pelo endotélio no nível da microcirculação, e
consequente hiperemia reativa em resposta ao aumento da força de
cisalhamento no vaso. Para se quantificar o efeito que o aumento da força de cisalhamento tem sobre o endotélio, mede-se o diâmetro da artéria
braquial pelo ultrassom, antes e depois de aproximadamente 1 minuto da
liberação do garroteamento. Nesse momento, o aumento do diâmetro da
artéria é chamado de dilatação arterial dependente do endotélio, por ser uma
resposta dependente da produção de óxido nítrico pelas células
endoteliais.9,22
Quanto aos métodos de avaliação do fluxo sanguíneo total na circulação
periférica (artéria braquial ou femoral), os mais utilizados são a
pletismografia, a dilatação da veia dorsal da mão e a avaliação da dilatação
mediada por fluxo da artéria braquial pela ultrassonografia vascular de alta
resolução. A videocapilaroscopia dinâmica é um método de estudo da
microcirculação que avalia o fluxo nutricional dos capilares da pele.9
A função de vasodilatação dependente do endotélio pode, também, ser
avaliada na circulação periférica por métodos invasivos, como a
pletismografia de oclusão venosa, que mede as alterações no fluxo
sanguíneo e na resistência vascular do membro em resposta às manobras
fisiológicas ou à injeção intra-arterial de agentes vasoativos dependentes ou
independentes do endotélio.20
Métodos não invasivos para avaliação do endotélio na circulação
periférica podem ser utilizados para medir a rigidez arterial, por meio da
velocidade da onda de pulso e da distensibilidade arterial. A rigidez arterial,
medida pela avaliação da velocidade de ondas de pulso, pode ser um
marcador de risco independente para doença cardiovascular.20
Existem diversos fatores que influenciam os resultados desses testes por
alterarem a vasodilatação arterial. Alguns deles são: temperatura ambiente,
jejum ou estado pós-prandial, uso de medicamentos, estímulo simpático,
exercícios físicos, período menstrual, cafeína e tabagismo.10,17,19
Outra técnica que pode ser utilizada é a tonometria de aplanação, um
método não invasivo, portátil e de fácil manuseio que avalia a função
endotelial por meio do estudo da rigidez arterial (perda da elasticidade
arterial). Além de avaliar a função endotelial, esse método oferece estudo
indireto de vários parâmetros cardiovasculares centrais. O grande número
de informações que este método obtém de maneira não invasiva faz deste
um instrumento valoroso em pesquisa.23
Embora de fácil execução e com boa reprodutibilidade quando
realizados por operador bem treinado, esses procedimentos ainda não são
utilizados na prática clínica. O potencial para seu uso existe, mas se faz
necessário padronizar as técnicas, buscar dados de sensibilidade e
especificidade com ponto de corte de interesse em relação a desfechos
clínicos relevantes e avaliar seu custo-benefício, antes que possam ser
aplicados para diagnosticar e monitorar alterações da função endotelial no
diabetes mellitus e em outros estados patológicos caracterizados por
disfunção endotelial.
CONCLUSÃO
As ações da insulina no território vascular podem ser antiaterogênicas e
aterogênicas, na dependência da presença ou não de resistência à insulina.
Em condições fisiológicas, a insulina exerce atividades antiaterogênicas,
principalmente mediadas pela liberação do óxido nítrico endotelial, que tem
papel protetor para o desenvolvimento da aterosclerose, cuja lesão inicial é
a disfunção endotelial. Nos estados de resistência à insulina, caracterizados
por hiperinsulinemia compensatória, a insulina torna-se extremamente
aterogênica, reduzindo a produção dos fatores relaxantes derivados do
endotélio, principalmente de óxido nítrico, com estímulo à liberação de
substâncias vasoconstritoras, principalmente ET-1, que propicia o aumento
do estresse oxidativo. Isto resulta em um ambiente pró-inflamatório, pró-
coagulante e vasoconstritor, que culmina com danos à estrutura e à função
das células, causando disfunção endotelial.
Dessa forma, a RI tem papel fundamental na gênese da aterosclerose e
da inflamação observada em estados clínicos frequentes na clínica médica,
como diabetes mellitus, hipertensão arterial, obesidade, dislipemias e
doença coronariana. O conhecimento dos processos fisiopatológicos do
desenvolvimento da disfunção endotelial, em especial nas condições
clínicas que a causam, é de extrema importância para a sua prevenção e
para o tratamento de suas complicações.
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