Rotinas de Diagnóstico e Tratamento do Diabetes Mellitus
3. Diagnóstico do diabetes mellitus
Diagnóstico do diabetes mellitus
Marcus Miranda dos Santos Oliveira
Fernanda Costa Chuva
INTRODUÇÃO
Hoje em dia, o diabetes mellitus (DM) é considerado uma das principais
doenças de evolução crônica que acometem o homem moderno em
qualquer idade, condição social e localização geográfica, podendo levar a
problemas de saúde mais sérios, como incapacitações, mortalidade
prematura e custos envolvidos no controle e no tratamento das suas
complicações. A prevalência mundial da doença tem crescido em
proporções epidêmicas e, segundo dados da Federação Internacional de
Diabetes em 2011 existiam 366 milhões de diabéticos no planeta (8,3% da
população adulta) e esse número se elevará para aproximadamente 552
milhões até 2030.1
Um estudo multicêntrico brasileiro do final da década de 1980 mostrou
que a prevalência de diabetes em indivíduos entre 30 e 69 anos foi de 7,5%,
aumentando para 17,4% no grupo entre 60 e 69 anos.2 Foi verificado ainda
que a prevalência da doença aumentava 2 a 3 vezes entre aqueles com
parentes de 1o grau com diabetes mellitus tipo 2 (DM2). Cerca da metade
dos pacientes com diagnóstico confirmado de diabetes desconhecia
previamente a doença e 20% daqueles com diagnóstico prévio não faziam
nenhum tipo de tratamento. Com base nessas informações, pode-se presumir que cerca de metade dos pacientes com diabetes convive com a
hiperglicemia, que sabidamente aumenta o risco de complicações
cardiovasculares, renais, neurológicas, oftalmológicas e infecciosas.
Como grande parte dos indivíduos com DM2 é assintomática, o
diagnóstico é feito tardiamente, o que leva, não raramente, à presença de
complicações já na detecção inicial. Como consequência dessas
complicações, os pacientes com diabetes apresentam elevada morbidade,
redução na expectativa de vida e mortalidade 2 a 3 vezes maior do que
aqueles não afetados.
Nos países desenvolvidos, como os Estados Unidos, o DM é a primeira
causa de amaurose em pessoas com mais de 24 anos de idade.1-4 Também é
a principal causa de doença renal crônica, e cerca de 30% dos pacientes em
diálise peritoneal, hemodiálise e programa de transplante são diabéticos.5
Além disso, o diabetes é a principal causa de neuropatia no mundo
ocidental, e cerca de 50% das amputações não traumáticas nos Estados
Unidos ocorrem em diabéticos.6,7 São essas complicações que aumentam o
número de consultas, solicitações de exames, internações e cirurgias com
incapacitação laborativa provisória ou permanente de muitos pacientes, com
enorme custo social e econômico. Nos Estados Unidos, um estudo
comparativo entre diabéticos e não diabéticos mostra que o custo anual é
cerca de 3,6 vezes maior entre os diabéticos.8 No nosso meio, a situação é
semelhante, e dados do Ministério da Saúde mostram que o diabetes é a 5a
causa de internação e representa 26% dos pacientes em diálise.
No Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), o paciente
com DM apresenta o custo mais elevado entre as internações não cirúrgicas
(Figura 3.1). As complicações crônicas e infecciosas justificam esse
achado, além dos diversos procedimentos diagnósticos e terapêuticos, com
a participação de vários especialistas e, principalmente, com maior tempo
de permanência hospitalar.9
Figura 3.1 Paciente com DM no HUCFF apresenta o maior custo entre as internações não cirúrgicas.
Portanto, o DM, não só por sua elevada e crescente prevalência, mas
também pelo fato de ser acompanhado de múltiplas complicações,
certamente causa grande impacto nas áreas de saúde, social e econômica.
Isto reforça a importância das medidas de prevenção primária e secundária
e do diagnóstico precoce associado ao tratamento adequado dessa
enfermidade.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
Alguns pacientes podem apresentar sintomas clássicos, como polidipsia,
poliúria, polifagia e perda ponderal, que estão frequentemente presentes no
momento do diagnóstico do DM tipo 1 (DM1).
No DM tipo 2 (DM2), cerca de 50% dos pacientes são assintomáticos e
desconhecem ter a doença, já podendo apresentar complicações crônicas ou
sintomas inespecíficos, como tonturas, dificuldade visual, astenia ou
cãibras. Outros sintomas também podem alertar para um possível
diagnóstico, como as vulvovaginites de repetição, a disfunção erétil e a
turvação visual.
Além das complicações crônicas que já podem estar presentes no
momento do diagnóstico (particularmente no DM2), alguns pacientes
podem abrir o quadro com descompensação metabólica aguda, como
cetoacidose diabética ou estado hiperglicêmico hiperosmolar. Este último é
mais comum no DM2, predominantemente nos idosos, levando a um quadro de hiperglicemia importante, desidratação e hiperosmolaridade. Já a
primeira é mais comum no DM1, também levando a um quadro de
hiperglicemia, mas acompanhado da produção de corpos cetônicos e
acidose.10
A presença dos sintomas clássicos ou descompensação metabólica,
associados a glicemia ao acaso superior ou igual a 200 mg/dL, é um dos
critérios diagnósticos para DM, não sendo necessária a confirmação com
outro exame laboratorial.10,11
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Glicemia de jejum
A glicemia para estabelecer o diagnóstico de DM deve ser a plasmática
e realizada em jejum (de pelo menos 8 h). Dois valores iguais ou superiores
a 126 mg/dL em ocasiões diferentes fecham o diagnóstico. Nos casos em
que os níveis se encontram entre 100 e 125, o paciente pode ser submetido
ao teste oral de tolerância à glicose (TOTG).10
Teste oral de tolerância à glicose
É realizado por meio da medida da glicemia de jejum (GJ) e após 2 h da
administração de 75 g de glicose anidra dissolvida em água. Para o teste, é
necessário que seja realizada coleta pela manhã, jejum de 8 h a 14 h e dieta
sem restrição de carboidratos por pelo menos 3 dias. O valor igual ou
superior a 200 mg/dL após 2 h do teste sela o diagnóstico, mas deve ser
confirmado repetindo-se o teste, na ausência de sistomas clássicos de
hiperglicemia.10
Hemoglobina glicada
A hemoglobina glicada (HbA1c) é produto de uma reação não
enzimática entre glicose e o grupo aminoterminal de um resíduo valina na
cadeia β da hemoglobina. Reflete os níveis glicêmicos de 2 a 3 meses
anteriores. Entretanto, dentro desses 90 dias, a glicemia recente é a que
mais influencia o valor da HbA1c. Alguns estudos sugerem que um
paciente com controle estável apresentará 50% de sua HbA1c formada no mês precedente ao exame, 25% no mês anterior a este e os 25%
remanescentes no 3o ou 4o meses antes do exame.12,13
A porcentagem de HbA1c depende da concentração de glicose no
sangue, da duração da exposição da Hb à glicose e do tempo de meia-vida
dos eritrócitos. Ou seja, quanto maior o período de contato e a concentração
de glicose, maior ela será (Tabela 3.1).
Tabela 3.1 18 Correspondência entre níveis médios de glicemia e HbA1c
HbA1c (%) Glicose plasmática (mg/dL) Glicose plasmática (mmol/L)
6 126 7
7 154 8,6
8 183 10,2
9 212 11,8
10 240 13,4
11 269 14,9
12 298 16,5
Alguns fatores podem falsear o valor da HbA1c. Alterações da
sobrevida do eritrócito, diminuindo (p. ex., anemias hemolíticas) ou
aumentando (p. ex., anemia por carência de ferro ou vitamina B12);
interferência na glicação da hemoglobina, inibindo-a e falsamente
diminuindo o valor, como nos casos de uso de altas doses de vitamina C ou
E; ou interferência no método, falsamente aumentando o valor, como em hipertrigliceridemia, uremia, alcoolismo crônico, uso crônico de opioide e
salicilatos (Tabela 3.2).14,15
Tabela 3.2 10,14 Fatores que influenciam a medida da HbA1c
Falso aumento da HbA1c Falsa diminuição da HbA1c
De ciência de ferro ou vitamina B12 Administração de eritropoietina (EPO), ferro ou vitamina B12
Alcoolismo Reticulocitose
Doença renal crônica Doença hepática crônica
Doses altas de aspirina Aspirina, vitaminas C e E
pH intraeritrocitário baixo pH intraeritrocitário aumentado
Hiperbilirrubinemia Hemoglobinopatias (não com HPLC/CLAE)
Esplenectomia Esplenomegalia
Uso crônico de opioides Artrite reumatoide
Hipertrigliceridemia Antirretrovirais, ribavirina, dapsona
Toxicidade por chumbo Hemoglobina F
Qualquer condição que diminua a meiavida
do eritrócito (anemia hemolítica,
esferocitose, lise por de ciência de G6PD)
Transfusão de sangue recente
Gravidez ou parto recente
HPLC/CLAE = cromatografia líquida de alta eficiência
Outro fator que poderia influenciar o valor da HbA1c é a etnia. Alguns
observaram que os indivíduos afrodescendentes têm níveis mais elevados
de HbA1c do que os caucasianos para valores iguais de glicemia em todas
as categorias: tolerância normal à glicose, pré-diabetes e DM. As razões
para essa discrepância ainda não estão elucidadas e o assunto ainda é
controverso.16,17
As vantagens da utilização desse método para o diagnóstico seriam: a
não necessidade de dieta especial nem de jejum e a diminuição da
influência da variabilidade diária dos valores de glicemia.19 Porém, outros
fatores, além dos citados anteriormente, podem falsear o valor final da
HbA1c, tornando esse um método não confiável nestas situações, nem para
diagnóstico nem para acompanhamento.
A HbA1c sempre foi um valioso exame para avaliação do controle
glicêmico. Em 2009, o International Expert Committee (IEC), que incluía
representantes da American Diabetes Association (ADA), da International
Diabetes Federation (IDF) e da European Association for the Study of
Diabetes (EASD), recomendou o uso da HbA1c também para o diagnóstico
de DM e a ADA o adotou como critério em 2010.10,20 A Sociedade
Brasileira de Diabetes (SBD) considera que existem alguns problemas para
a aplicação desse parâmetro como critério diagnóstico e que são necessários
mais estudos.21
O método utilizado no teste diagnóstico deve ser certificado pelo
National Glycohemoglobin Standardization Program (NGSP) que foi
validado no estudo Diabetes Control and Complications Trial (DCCT).2,10
Após definição do GHB Standardization Subcommittee, o método
adotado como referência foi o usado no DCCT: high performance/pressure
liquide chromatograph (HPLC), representado em português pela sigla
CLAE (cromatografia líquida de alta eficiência). Outros métodos (não
HPLC) foram certificados pelo NGSP e apresentam resultados de A1C
equivalentes aos obtidos com o método aplicado no estudo DCCT.23
Conhecer o método utilizado é importante para poder analisar se o resultado
final pode ter sofrido influência de alguma patologia, como as
hemoglobinopatias (Tabela 3.3).
Tabela 3.3 19 Vantagens e desvantagens de alguns métodos de análise da HBA1c
Método Vantagens Desvantagens
Cromatogra a de troca iônica Pode avaliar hemoglobinas variantes Interferência variável de
hemoglobinopatias, HbF e Hb
Boa precisão carbamilada
Alguns ensaios mais atuais não sofrem
interferência desses dois últimos
Cromatogra a de a nidade Interferência mínima das Não mede só a reação da glicose com o
utilizando derivados do ácido hemoglobinopatias, HbF e Hb aminoterminal da valina, mede também
borônico carbamilada em outros sítios e outras cadeias
Imunoensaios Não afetados por HbE, HbD ou Hb Pode ser alterada por
carbamilada hemoglobinopatias com alterações de
aminoácidos nos sítios de ligação
Fácil implementação em diversos
formatos Alguma interferência da HbF
Foi visto que assim como existia relação entre glicemia e prevalência de
retinopatia, o mesmo também ocorria com a HbA1c (Figura 3.2). Com base
no valor de HbA1c, no qual a prevalência da retinopatia passava a aumentar
rapidamente (Figura 3.3), o ponto de corte estabelecido para diagnóstico foi
igual ou superior a 6,5%, devendo ser confirmado. O valor menor que 6,5%
não exclui o diagnóstico.10
Figura 3.2 Prevalência de retinopatia diabética não proliferativa (RDNP) em relação a glicemia de jejum (GJ), teste oral de tolerância à glicose após 2h (TOTG 2h) e HbA1c,
observadas no DETECT-2.11
Figura 3.3 Relação entre os níveis de HbA1c e o risco relativo de complicações microvasculares observada no DCCT.
Portanto, os critérios diagnósticos do DM são:10
■ HbA1c ≥ 6,5%,* ou
■ GJ ≥ 126 mg/dL,* ou
■ TOTG 75 g após 2h ≥ 200 mg/dL,* ou
■ pacientes com sintomas clássicos de hiperglicemia ou descompensação, com glicemia plasmática
aleatória ≥ 200.
O ideal é que a confirmação do diagnóstico laboratorial seja realizada
com a repetição do mesmo teste. Porém, em casos nos quais foram
utilizados 2 métodos diferentes para o diagnóstico e os resultados foram
divergentes (p. ex., HbA1c maior que 6,5% e GJ menor que 126), o teste
com o valor diagnóstico é o que deve ser repetido. Caso este se mantenha
no segundo teste, o diagnóstico de DM está confirmado.10
ALTO RISCO PARA DIABETES MELLITUS (PRÉ-DIABETES)
Está incluído, nessa classificação, o grupo de indivíduos que não
preenche critérios para DM, mas cujos valores dos testes diagnósticos
possam estar relacionados com risco de complicações.10
Esse grupo apresenta maior risco de desenvolver DM e doenças
cardiovasculares. Além disso, está associado a obesidade (principalmente
abdominal ou visceral), dislipidemia (triglicerídeo (TGL) alto e lipoproteína
de alta densidade (HDL) baixa) e hipertensão arterial sistêmica. Portanto, a
partir do momento em que os pacientes são classificados como tal, devem
ser informados quanto a esses riscos e orientados a iniciar medidas de
prevenção que devem incluir mudança no hábito alimentar e implementação
de um programa de atividade física.10
Fazem parte deste grupo os indivíduos que apresentam GJ entre 100 e
125 (alterada) e TOTG 2 h entre 140 e 199 (intolerância à glicose).10
Diversos estudos prospectivos demonstraram forte associação entre
HbA1c e DM futuro. Em uma revisão realizada com 44.203 pacientes de
estudos de coorte que foram acompanhados por cerca de 5 a 6 anos,
observou-se que o risco de desenvolver DM naqueles com HbA1c entre
5,5% e 6% e 6% e 6,4% em 5 anos era de 9% a 25% e de 25% a 50%,
respectivamente.23
Portanto, níveis de HbA1c entre 5,7% e 6,4% também são considerados
de risco para desenvolver DM no futuro (pré-diabetes). Aqueles com HbA1c > 6% têm maior risco e devem ser seguidos mais de perto com
medidas preventivas mais intensivas, podendo-se, inclusive, considerar o
uso da metformina como estratégia de prevenção.10
Os níveis de alto risco para DM (pré-diabetes) são:10
■ GJ de 100 a 125 mg/dL, ou
■ Medida de 2 horas no TOTG 75 g de 140 a 199 mg/dL, ou ■ HbA1c de 5,7% a 6,4%.
DIABETES GESTACIONAL
O diabetes mellitus gestacional (DMG) é definido como intolerância à
glicose diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez,
independentemente do nível glicêmico pós-parto. Existem várias formas
propostas de rastreamento e diagnóstico, ainda sem um consenso sobre qual
o melhor teste a ser utilizado.24
Em março de 2010, a partir dos resultados do estudo Hyperglycemia
and Adverse Pregnancy Outcomes (HAPO) e considerando-se que os
critérios diagnósticos até então utilizados se relacionavam com risco
materno de evolução para DM tipo 2 após a gestação em vez de desfechos
gestacionais desfavoráveis, realizou-se, em um encontro de experts, a
International Workshop Conference on Diagnosis of Diabetes Mellitus
(IADPSG). Com isso, um novo consenso foi publicado, em 2010, com o
objetivo de uniformizar os critérios para diagnóstico de DMG.
A recomendação resultante desse encontro é que todas as gestantes
devem realizar GJ na primeira consulta pré-natal. Se o resultado for < 92
mg/dL, um TOTG com 75 g deverá ser realizado entre a 24a e a 28a semana
de gestação. Caso a glicemia esteja ≥ 126 mg/dL o diagnóstico será de
diabetes pré-gestacional e se estiver ≥ 92 e < 126 mg/dL, o diagnóstico de
DMG está estabelecido. Os resultados devem ser confirmados com uma
segunda medida da glicemia. Caso seja necessária realização do TOTG, a
dosagem da glicemia deverá ser feita em jejum, 1 h e 2 h após a sobrecarga
de glicose. Apenas um valor acima do limite estabelecido é suficiente para
o diagnóstico de DMG (Tabela 3.4). A utilização desses novos critérios
diagnósticos quase triplicou a incidência de DMG, fato que tem gerado
muita discussão se a utilização desses critérios é custo-efetiva. Uma análise recente mostrou que o uso do critério sugerido por IADPSG é custo-efetivo
desde que sejam implementadas intervenções pós-parto visando à
prevenção de futuro DM.17 Apesar dessa tentativa de uniformização do
critério diagnóstico, a controvérsia permanece e nem todos os países,
sociedades e instituições aderiram a esse novo critério proposto até o
momento.
Tabela 3.4 Critérios diagnósticos de DMG por International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups 2010
Tempo Valor máximo da normalidade
Basal 92 mg/dL
1 hora 180 mg/dL
2 horas 153 mg/dL
Diagnóstico quando 1 ou mais valores são ≥ aos listados.
PESQUISA DE DIABETES MELLITUS EM INDIVÍDUOS ASSINTOMÁTICOS
Deve-se pesquisar DM nos indivíduos assintomáticos em qualquer
idade com índice de massa corporal (IMC) ≥ 25 e 1 ou mais fatores de risco
e naqueles que tenham 45 anos ou mais, mesmo na ausência de algum fator
de risco.10
Os métodos utilizados para o rastreamento são os mesmos que no
diagnóstico: HbA1c, GJ e TOTG 75 g.10
Caso os resultados dos testes sejam normais, a recomendação é repeti-
los pelo menos a cada 3 anos. Quando os valores são equivalentes a pré-
diabetes, recomenda-se a pesquisa anual.10
Os critérios de pesquisa de DM em adultos assintomáticos são:10
■ O teste deve ser considerado em todos os adultos com IMC ≥ 25 kg/m²* e na presença de um ou
mais dos fatores de risco adicionais a seguir:
□ Sedentarismo.
□ o Parente de 1 grau com DM.
□ Mulheres com história de filho com peso > 4 kg ao nascimento ou diagnóstico de diabetes
gestacional.
□ Hipertensão arterial sistêmica.
□ Colesterol HDL < 35 e/ou TGL > 250.
□ Mulheres com síndrome do ovário policístico** (SOP).
□ HbA1c ≥ 5,7%, GJ alterada ou intolerância à glicose prévias.
□ Outras condições clínicas associadas à resistência insulínica (p. ex., obesidade grave, acantose
nigricans etc.).
□ História de doença cardiovascular ateroesclerótica.
■ Idade ≥ 45 anos (na ausência dos critérios anteriores).
O rastreamento em crianças também deve ser realizado nos casos em
que o IMC para idade e sexo esteja acima do percentil 85 ou peso para
altura esteja acima do mesmo percentil ou peso 120% acima do ideal para a
altura e mais 2 fatores de riscos.10
Os critérios para pesquisa de DM tipo 2 em crianças assintomáticas
são:10
■ Pesquisar em crianças:
□ Acima do peso (IMC para idade e sexo acima do percentil 85; peso para altura também acima
do percentil 85; peso >120% da altura ideal).
■ Mais 2 dos seguintes fatores de risco:
□ o o História familiar de DM tipo 2 em parentes de 1 ou 2 graus.
□ Sinais de resistência insulínica ou condições associadas (acantose nigricans, hipertensão
arterial sistêmica, dislipidemia, SOP, baixo peso para a idade gestacional ao nascer).
□ História de DM materno ou diabetes gestacional durante a gestação da criança.
■ Observações:
□ Idade de início: 10 anos ou na puberdade, caso esta ocorra antes.
□ Repetir o teste a cada 3 anos.
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_________
* Os resultados devem ser confirmados, repetindo-se o teste.
* Se os resultados forem normais, repetir a cada 3 anos. Caso venham com valor de pré-diabetes, repetir anualmente.
** O IMC de risco a ser considerado pode ser menor em pacientes de determinados grupos étnicos e com SOP.
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