Rotinas de Diagnóstico e Tratamento do Diabetes Mellitus
19. Alterações na homeostase de glicose em pacientes com HIV/AIDS
Alterações na homeostase de glicose em pacientes com HIV/AIDS
Leonardo Eksterman
Isabel Tavares
INTRODUÇÃO
Desde a década de 1980 sabe-se da existência do vírus da
imunodeficiência humana (HIV) como causa da síndrome de
imunodeficiência adquirida (AIDS). Ao longo desse período, muitas
mudanças ocorreram no que diz respeito ao acompanhamento da doença,
tratamento e sobrevida dos pacientes, principalmente após a era da terapia
antirretroviral combinada de alta potência (TARV).
A partir da evolução da TARV, com a redução drástica do número de
mortes relacionadas com a AIDS, a infecção pelo HIV passou a ser
considerada uma doença crônica. Nesse contexto, começaram a surgir
preocupações no que diz respeito aos efeitos adversos desses medicamentos
e seus impactos na qualidade de vida, morbidade e mortalidade. Dentre os
mais desafiadores efeitos, que estão associados diretamente ao tempo de
exposição à TARV, estão as complicações metabólicas, que incluem
alterações na distribuição da gordura corporal, dislipidemia, alterações no
metabolismo da glicose e, como consequência, aparecimento de doenças
cardiovasculares.1 Com a queda da mortalidade, o envelhecimento da
população infectada e a consequente exposição aos fatores de risco
tradicionais, além da exposição à TARV, o perfil de mortalidade dos pacientes foi gradativamente se modificando, com grande aumento de
mortes por causas não associadas diretamente à AIDS, particularmente
doenças cardiovasculares.2 Desde meados da década de 1990, começaram a
surgir relatos de aumento da prevalência de diabetes em pacientes
infectados pelo HIV em uso de TARV, o que, associado às outras
complicações metabólicas, teve grande impacto na incidência de doença
coronariana.3,4
O diabetes, de prevalência crescente nessa população, tem origem
multifatorial e, na maioria das vezes, os fatores de risco tradicionais são tão
ou mais importantes que a própria exposição à TARV. Sua fisiopatologia é
complexa e ainda com muitas lacunas a serem preenchidas. Seu tratamento
é desafiador, principalmente pelo alto grau de resistência à insulina
encontrada e deve ser agressivo com foco na redução das complicações
crônicas do diabetes e principalmente na redução da mortalidade
cardiovascular.5
EPIDEMIOLOGIA
Atualmente existem cerca de 33 milhões de pessoas que vivem com o
HIV no mundo.6 No Brasil, de 1980 a junho de 2011 foram notificados
608.230 casos de infecção por HIV e estima-se que, hoje, 630 mil pessoas
vivam com o vírus, sendo que destes, cerca 200 mil estão em uso de TARV.7
As principais drogas usadas em TARV estão indicadas na Tabela 19.1.
Em paralelo à epidemia HIV-AIDS, a epidemia de diabetes vem
crescendo rápida e perigosamente no mundo ocidental. Na apresentação das
estatísticas da Organização Mundial da Saúde de 2012, foi exposto que
quase 1 em cada 10 adultos no mundo tem glicose alterada,8 o que é uma
estatística alarmantemente pior do que as projeções feitas para os próximos
20 anos no início da década passada. No Brasil, baseando-se em estudos
prévios de prevalência e no censo de 2010, estimase que vivam mais de 12
milhões de pessoas com diabetes.9
Um aumento da incidência de diabetes em pacientes com HIV foi
observado em associação à redução da mortalidade por doenças
relacionadas com a AIDS, principalmente após a introdução dos inibidores
de protease (IP) em 1996. Como visto na coorte Data Collection on Adverse Events of Anti-HIV Drugs (D:A:D), a incidência de diabetes nessa
população foi estimada em torno de 5,7/1.000 pacientes-ano, o que é maior
que a incidência da população geral e está diretamente associada ao tempo
de exposição à TARV.10 Outro estudo mostrou ainda que a incidência de
diabetes é 4 vezes maior em homens infectados pelo HIV expostos a TARV
do que em homens soronegativos.11
A redução dramática da mortalidade por doenças relacionadas com a
AIDS e a exposição à TARV com aumento da incidência de distúrbios
metabólicos, mais notadamente dislipidemia e diabetes, trouxe mudança no
perfil de mortalidade desta população. Em 2010, foi publicado o resultado
de uma grande coorte que comprovou essa mudança, com prevalência de
cerca de 14% em doença hepática como causa de morte, principalmente
associada a coinfecção com hepatite B e C e de cerca de 11% de
mortalidade por doença cardiovascular. É interessante observar que o
diabetes mellitus foi um fator independente associado ao aumento de
mortalidade de todas as causas não relacionadas com a AIDS, exceto
malignidade (Figura 19.1).2
Figura 19.1 Mortalidade em pacientes com HIV. DCV = doença cardiovascular.
FISIOPATOLOGIA
Apesar do grande progresso na determinação da epidemiologia da
resistência à insulina em pacientes infectados pelo HIV, ainda restam muitas
lacunas a serem preenchidas para a compreensão de sua base molecular.
Para isto, é importante observar inicialmente que, apesar das diferenças, há
grandes semelhanças quando comparamos esse contexto clínico com a
população geral.12
Enquanto a subnutrição e a emaciação eram os grandes problemas da
era pré-TARV, o sucesso na contenção da replicação viral e a reconstituição
imune expuseram os pacientes infectados aos mesmos fatores ambientais
que levaram à epidemia de obesidade e diabetes no mundo ocidental. Dessa
forma, nem todo o aumento da gordura visceral observado estará
necessariamente relacionado com o tratamento do HIV.12,13 Além disso, a
eficácia da terapia no prolongamento da vida, adicionada ao aumento na
incidência de infecções por HIV em adultos mais velhos, levou a
envelhecimento maior da população infectada, trazendo a idade como fator
de risco adicional.14 A idade e a obesidade associadas à herança genética
são os principais fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2
na população geral15 e, nos pacientes soropositivos, isto não é diferente,
com estes exercendo um papel mais importante na patogênese do diabetes
que a própria infecção pelo HIV e sua terapia.3,16,17
A hiperglicemia é o ponto final de uma série de processos que resultam
da incapacidade da célula β pancreática em secretar quantidade de insulina
suficiente para manutenção da homeostase glicêmica. Essa demanda é
determinada diretamente pela sensibilidade periférica dos tecidos à ação
deste hormônio na captação da glicose.5 Apesar de a alteração predominante
observada durante a TARV ser na captação periférica de glicose, outros
efeitos têm sido observados na produção hepática de glicose, na função e
massa de células β e nas funções endócrinas dos adipócitos.12
Entre os processos que ocorrem com maior frequência em pacientes em
tratamento da infecção pelo HIV e que podem levar a deterioração da
homeostase glicêmica estão o aumento da circulação de ácidos graxos
livres, o acúmulo de gordura visceral, o aumento do conteúdo muscular de
gordura, as alterações hormonais, a inflamação crônica e as doenças
associadas.3
A infecção pelo HIV pode, de forma independente, contribuir para a
redução da sensibilidade à insulina por ação direta no aumento da
sensibilidade aos glicocorticoides pela proteína acessória Vpr do HIV-1.
Além disso, esta proteína parece agir também diretamente reduzindo a
atividade do receptor do peroxissomo ativador da proliferação gama
(PPAR-γ).18 Outra proteína acessória, chamada Tat, atua ativando o fator
nuclear κ-B, que aumenta a secreção de fator de necrose tumoral alfa (TNF-
α), bloqueia a captação de ácidos graxos livres pelos adipócitos e reduz a
sinalização da insulina. Ainda assim, estudos em pacientes virgens de
terapia não foram capazes de evidenciar alteração na sensibilidade
insulínica ou alteração no metabolismo glicêmico.3,17
INFLAMAÇÃO E HIV
Muitos estudos já demonstraram a manutenção de um estado
inflamatório crônico em pacientes com HIV, apesar de supressão virológica
adequada. Esse estado pode ser resultado de diversos fatores, que podem
incluir replicação viral residual e manutenção da expressão viral, associadas
à perda de células imunorregulatórias que bloqueariam a ativação. A
presença de inflamação crônica pelo citomegalovírus (CMV) e pelos vírus
das hepatites C (HCV) e B (HBV) também foi associada a inflamação
persistente e consequente envelhecimento imunológico (Figura 19.2).19
A inflamação é um fator independente na diabetogênese nos pacientes
com HIV. Os níveis de citocinas circulantes, particularmente fator de
necrose tumoral alfa (TNF-α) e interleucina-6 (IL-6), estão frequentemente
elevados, mais notadamente nos pacientes com coinfecção pelo HCV e em
pacientes com lipoatrofia periférica.12,13 Além disso, são também observadas
elevações nos níveis da proteína C reativa (PCR) e baixos níveis de
adiponectina. A resistência à insulina, medida por clamp hiperinsulinêmico,
tem relação direta com os níveis de TNF-α e indireta com os níveis de
adiponectina, independentemente da composição corporal na população
geral, o que provavelmente pode ser replicado nesta situação em particular.5
Figura 19.2 Causas de inflamação crônica. CMV = citomegalovírus; HBV = vírus da hepatite B; HCV = vírus da hepatite C.
Esse aumento de citocinas pode influenciar diretamente a supressão
normal da produção hepática de glicose e a captação periférica de glicose
dependente de insulina. O TNF-α ainda pode influenciar a sensibilidade
periférica à insulina de forma indireta, por meio do estímulo à produção de
triglicerídeos e ácidos graxos livres pelo fígado.12
Na era pré-TARV, acreditava-se que a infecção pelo HIV não alterasse a
resistência à insulina e, em pacientes emaciados, era observado, inclusive,
aumento na sensibilidade à insulina. No entanto, devido à capacidade dos
adipócitos em secretar citocinas inflamatórias, há conexão entre o aumento
do tecido adiposo visceral e a hipersecreção de TNF-α na síndrome
metabólica independente do HIV. Assim, com a introdução de TARV e as
mudanças na composição corporal, associadas a aumento da produção de
citocinas pela própria infecção, surgiu um cenário propício para o
aparecimento de resistência à insulina.
A abordagem da inflamação crônica na gênese do desequilíbrio da
homeostase glicêmica inclui, dessa forma, o início precoce da TARV, o que
pode prevenir alterações imunológicas irreversíveis pela exposição ao vírus,
além de maximizar a recuperação dos linfócitos CD4+.19 Outra estratégia
que pode maximizar essa recuperação pode incluir o uso de esquemas
contendo inibidores de protease associados a ritonavir, que estão associados
a redução na apoptose de células CD4+.20 O uso de interleucina-7 está em
estudo atualmente e mostra aumento rápido e duradouro de linfócitos
CD4+, predominantemente de células naïve e células de memória.21 Estudos
ainda sugerem efeito direto do hormônio de crescimento recombinante
(GH) na renovação de células T. No entanto, antes da aplicação desta
estratégia em larga escala são necessários estudos de longo prazo mostrando
benefício clínico e imunológico superior ao risco de efeitos adversos.22
Também, como a presença de coinfecções está associada à inflamação
crônica e ao envelhecimento imunológico acelerado, a importância do
tratamento destas não deve ser subestimada, mais, particularmente no caso
das hepatites B e C, visto que o risco dos tratamentos atuais para CMV é
maior do que o potencial benefício.19
IMPORTÂNCIA DA TARV NA DIABETOGÊNESE E NA MORTALIDADE
Considerando o reconhecido efeito da TARV no aparecimento da
resistência à insulina, poderia haver questionamento se deveríamos iniciar a
terapia mais tardiamente ou se deveríamos expor o paciente à terapia o
menor tempo possível. Esta última resposta foi dada pelo estudo SMART
em 2006. Neste, os pacientes foram divididos em dois grupos: o poupador
de droga, que fazia ou suspendia a TARV baseando-se na contagem de
CD4, e o de supressão viral, que mantinha o uso contínuo da TARV após o
início, quando apresentava CD4 < 350 cél./mm3. O grupo de supressão viral
obteve melhor resultado em todos os end-points, que incluíam doenças
oportunistas, renais, hepáticas, cardiovasculares e morte por todas as
causas. Esse resultado evidencia que a própria infecção pelo HIV é um fator
de risco adicional para doença cardiovascular, provavelmente pela reação
inflamatória crônica associada, e que a exposição prolongada à TARV
oferece menos risco de complicações não associadas à AIDS do que a
infecção não controlada.23 Apesar da importância da TARV já estabelecida
no controle e na redução da mortalidade, inclusive em condições não
associadas à AIDS, o tempo de exposição prolongado ao tratamento é um
fator de risco independente para aparecimento de resistência à insulina e
diabetes.17
LIPODISTROFIA E RESISTÊNCIA À INSULINA
Uma das principais alterações metabólicas associadas ao tratamento do
HIV é a redistribuição de gordura corporal, a lipodistrofia, que inclui
geralmente perda de gordura periférica (lipoatrofia), aumento da gordura
central (lipo-hipertrofia) ou ambos. Em alguns estudos, essas anormalidades
podem atingir entre 10% e 80% dos pacientes expostos cronicamente à
TARV, com o tempo de exposição associado diretamente a aumento na
incidência. Um dos principais problemas quando analisamos grandes
estudos sobre o assunto é a falta de padronização do diagnóstico, o que
dificulta a noção exata da magnitude do problema e de seus principais
fatores de risco, levando a essa grande variabilidade na incidência.24,25
Os esquemas de TARV mais utilizados e recomendados para pacientes
virgens de tratamento atualmente incluem em geral 2 inibidores de
transcriptase reversa análogos de nucleosídeos ou nucleotídeo (ITRN) e 1
inibidor de transcriptase reversa não análogo de nucleosídeo (ITRNN) ou IP
e, por conseguinte, também são os mais estudados quanto às suas
complicações metabólicas. Pode-se dizer que virtualmente todos os
esquemas iniciais para tratamento podem induzir, em maior ou menor
escala, alterações na composição corporal. Em estudos que avaliaram
lipoatrofia, os maiores fatores de risco associados foram o uso de ITRN,
idade, gravidade da doença por medida de CD4 e carga viral e duração da
terapia, enquanto em pacientes com lipo-hipertrofia, os fatores de risco com
maior associação estatística foram o uso de IP, a duração do tratamento e a
gravidade da doença.26 No entanto, parece ser necessária a presença de
ITRN para que os IP estejam associados à lipodistrofia.27 Ainda, o
efavirenz, da classe dos ITRNN, já demonstrou também que pode ser
responsável, em menor escala, por aumento da gordura visceral e quando
combinado com estavudina ou zidovudina há agravamento da
lipoatrofia.28,29 A intensidade e as características das anormalidades na
composição corporal estão não só associadas à classe da medicação.
Também podem ser observadas grandes variações dentro da mesma classe
de drogas, com os derivados timidínicos (estavudina, zidovudina e
didanosina, com maior intensidade do primeiro) induzindo a mais
lipoatrofia que os outros ITRN, como tenofovir, lamivudina e
entricitabina.26,29
Os efeitos dos ITRN na gordura periférica já foram parcialmente
explicados quando demonstrada a ação inibitória dos derivados timidínicos
(particularmente a estavudina) na DNA polimerase-γ, levando à toxicidade
mitocondrial,3,27 com consequente redução na captação de ácidos graxos
livres, aumento da apoptose de adipócitos periféricos e possível
lipotoxicidade (Figura 19.3).
Os mecanismos propostos para as alterações na distribuição de gordura
associados ao uso de inibidores de protease incluem acúmulo anormal da
proteína ligadora do elemento responsivo a esterol-1 (SREPB-1) no fígado,
devido à inibição da ativação, que leva à intensificação da lipogênese
hepática com aumento de triglicerídeos e ácidos graxos livres circulantes e
possivelmente lipotoxicidade.
Além dos efeitos citados, os IP parecem ter um efeito direto de down-
regulation do PPAR-γ, importante para a diferenciação dos adipócitos e
para o metabolismo dos ácidos graxos, com consequente disfunção de
adipocinas e aumento de ácidos graxos livres circulantes, que levam à
resistência à insulina (Figura 19.4).12,24,30
Figura 19.3 Efeitos dos inibidores de transcriptase reversa não análogo de nucleosídeo na gordura periférica inibindo a DNA-polimerase. AGL = ácidos graxos livres; TGL = triglicerídeos; NAD = dinucleotídeo de nicotinamina e adenina; NADH = NAD reduzida.
Figura 19.4 Efeito dos inibidores de protease (IP) no receptor do peroxissomo ativador de proliferação gama (PPAR-γ), induzindo down-regulation destes receptores. AGL = ácidos graxos livres.
Recentemente, estudos têm confirmado a associação de acúmulo de
gordura visceral à resistência à insulina, como já era esperado. No entanto,
também foi observada associação independente do aumento da gordura na
porção superior do tronco (“giba de búfalo”) com aparecimento de
resistência à insulina nos pacientes com HIV.31 Apesar de a lipoatrofia
isoladamente não ter apresentado correlação significativa a distúrbios da
homeostase glicêmica, quanto maior a relação entre a gordura visceral e a
gordura subcutânea em segmento inferior, maior o incremento na
resistência à insulina, o que sugere contribuição da lipoatrofia periférica na
gênese do diabetes em pacientes com aumento da gordura visceral.32
PAPEL DOS IP NA DIABETOGÊNESE
Desde o final da década de 1990, quando a FDA (Food and Drug
Administration) emitiu alerta sobre risco de diabetes associado ao uso de
inibidores de protease para tratamento do HIV, vêm sendo investigados os
mecanismos associados ao seu aparecimento. A grande dúvida era se a
alteração na homeostase glicêmica poderia ser explicada somente por efeito
indireto das mudanças na composição corporal. Em 2000, Mulligan et al.,33
em um estudo comparando efeito de adição de lamivudina ou IP (indinavir,
saquinavir ou ritonavir) a outro inibidor de transcriptase reversa,
observaram piora significativa da resistência à insulina pelo HOMA-IR no
grupo em uso de IP, independentemente de mudanças na composição corporal, o que evidenciava um provável efeito direto da droga no
metabolismo.33
No mesmo ano, Murata et al. 34 observaram pela primeira vez um efeito
direto do indinavir na inibição do transporte de glicose dependente de
insulina pelo GLUT-4,34 que mais tarde foi comprovado não ter relação com
a sinalização da insulina ou expressão do transportador na membrana e sim
por um efeito direto neste.12 Verificou-se que esse efeito sobre o GLUT-4
não é necessariamente um efeito de classe, com maior atividade inibitória
do transporte de glicose induzida pelo indinavir e ritonavir, com
seletividade do primeiro para o GLUT-4 e o segundo inibindo também o
transporte pelo GLUT-1. Ainda foi observada ação inibitória não seletiva
pelo atazanavir, mas não nas doses terapêuticas. O tipranavir mostrou-se
incapaz de inibir o transporte de glicose por ambas as proteínas, mesmo em
doses supraterapêuticas,35 ou seja, a afinidade e a seletividade pelos GLUT
varia dentro da classe.
Além do efeito direto na captação periférica da glicose, os inibidores de
protease também podem afetar direta e agudamente a liberação de insulina
glicose-dependente da célula β, efeito este que parece estar associado, pelo
menos em parte, à captação de glicose mediada pelo GLUT-2, levando à
anormalidade na primeira fase de secreção de insulina in vivo. 36
Enquanto os efeitos agudos dos IP parecem estar associados aos
transportadores de glicose, já há clara evidência de interferência também na
sinalização da insulina associada à exposição crônica a essas drogas,
provavelmente ao bloqueio na expressão e fosforilação do substrato do
receptor de insulina-1 (IRS-1),12,18 o que, entre outros efeitos, reduzirá a
expressão do GLUT-4 no músculo e no tecido adiposo, agravando a
resistência à insulina. Outro estudo recente demonstrou que a redução da
responsividade da célula β pode estar associada ao efeito de alguns IP na
fosforilação do IRS-2, com a ressalva de que as diferentes drogas dessa
classe exercem efeitos diferentes sobre os IRS.37 Extrapolando-se para os
efeitos da sinalização de insulina associados ao IRS-2, sabe-se que, no
pâncreas, a regulação da apoptose de células β é feita por essa via, o que
pode levar não só a redução na responsividade, mas também na massa de
células β (Figura 19.5).38 Ainda, o bloqueio da fosforilação do IRS-1
aumenta a produção hepática de glicose e a sinalização por ambos IRS no tecido adiposo está diretamente associada à diferenciação de adipócitos e à
expressão do PPAR-γ, o que contribui, assim, provavelmente para a
lipodistrofia associada aos IP e resistência à insulina.39,40
Figura 19.5 Efeitos da sinalização de insulina associados ao IRS. IR= receptor de insulina; IRS-1= substrato do receptor de insulina 1; GLUT-4: proteínas transportadoras de glicose tipo 4; IRS-2= substrato do receptor de insulina 2; IP = inibidor de protease; GLUT-2 = proteínas transportadoras de glicose tipo 2; ATP= trifosfato de adenosina.
PAPEL DAS ADIPOCINAS
Atualmente, cada vez mais adipocinas são descritas e estudadas, o que
traz uma nova luz sobre o papel do tecido adiposo na homeostasia e,
atualmente, além das bastante estudadas leptina, adiponectina e resistina,
integram a lista vifastina, apelina, proteína de estimuladora da acilação,
omentina e vaspina. Ainda, o TNF-α, as interleucinas e as proteínas de fase
aguda derivadas do tecido adiposo têm habitualmente sido consideradas
também como adipocinas.18
Neste capítulo, serão discutidas as principais adipocinas implicadas na
patogênese da resistência à insulina associada ao tratamento do HIV.
Leptina
A leptina tem um papel crucial na regulação da homeostase energética,
ação da insulina e metabolismo lipídico. Esse hormônio é secretado pelos
adipócitos e reflete a quantidade de energia armazenada no corpo, que age centralmente no controle do apetite e perifericamente na redução da
gliconeogênese e no aumento da captação periférica de glicose.
Nos pacientes com lipodistrofia associada à TARV, há correlação
significativa entre níveis baixos de leptina em pacientes com lipoatrofia
pura, hiperleptinemia em pacientes com lipo-hipertrofia e níveis
intermediários de leptina em pacientes com distúrbio misto e sem
lipodistrofia.41 Estudos em pacientes com lipoatrofia e níveis baixos de
leptina, tratados com doses fisiológicas do hormônio, demonstraram
melhoras significativas na glicemia e insulina de jejum, na resistência à
insulina e nos níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL). Associada a
estas, ainda houve redução de 14,6% na adiposidade central em 2 meses e
até 32% em 6 meses, mostrando a importância da deficiência deste
hormônio na patogênese das alterações da composição corporal e
resistência à insulina em um subgrupo de pacientes.42
A hiperleptinemia nesses pacientes e também em pacientes sem HIV
parece ter efeitos pró-inflamatórios e pró-aterogênicos, provavelmente
contribuindo para o aumento do risco cardiovascular.18
Adiponectina
A adiponectina está associada a uma ação contrarregulatória na
aterogênese por sua ação antioxidante, anti-inflamatória e antitrombótica e
sua expressão está reduzida em pacientes com obesidade e diabetes mellitus
tipo 2 (DM2). Nos pacientes infectados pelo HIV, mesmo antes da TARV,
há supressão em seus níveis, o que também ocorre em pacientes tratados
com lipodistrofia, provavelmente contribuindo para a resistência à insulina
e o aumento do risco cardiovascular. Estudos em ratos demonstraram efeito
benéfico da reposição desse hormônio com melhora da sensibilidade à
insulina, dislipidemia e perda de peso, trazendo uma perspectiva para
possível uso futuro em humanos com hipoadiponectinemia.42
A hipoadiponectinemia está correlacionada ainda ao uso de ITRN, com
o tempo de exposição associado significativamente à piora da alteração,
sugerindo que este possa ser um mecanismo possível para a piora da
resistência à insulina associada a essas drogas.43 RASTREAMENTO E DIAGNÓSTICO
A recomendação atual, devido ao alto risco de diabetes, é de que se
realize uma glicemia de jejum ao diagnóstico e antes do início de qualquer
TARV, com monitoramento posterior a cada 3 a 6 meses, em casos de
mudança de TARV ou em casos em que haja alto risco para
desenvolvimento de resistência à insulina,1 podendo ser realizado
acompanhamento mais espaçado em pacientes considerados de baixo
risco.13 Para os pacientes de alto risco (glicemia de jejum alterada ou
múltiplos fatores de risco), deve ser considerado ainda, para o diagnóstico,
um teste de tolerância de 2 h e dosagem de hemoglobina glicada (HbA1c);1
apesar de não haver recomendação específica para a população com HIV,3
seu uso pode estabelecer o diagnóstico de diabetes independentemente da
glicemia de jejum ou auxiliar na análise de risco e nas consequentes
estratégias de prevenção.9
TRATAMENTO
Recomendações para terapia antirretroviral de alta potência
Atualmente, segundo orientações do Ministério da Saúde, combinações
iniciais de TARV incluem o uso de 2 ITRN, associados a 1 ITRNN,
preferecialmente o efavirenz. Esquemas alternativos manterão a “espinha
dorsal” com 2 ITRN associados a 1 IP, preferencialmente com o uso do
ritonavir como potencializador (Figura 19.3).44 É importante notar que
virtualmente todos esses esquemas podem, em maior ou menor grau, afetar
a homeostase glicêmica.1
A identificação dos fatores de risco e o diagnóstico precoce do diabetes
mellitus e de outras complicações metabólicas possibilitam a escolha da
melhor estratégia terapêutica a ser adotada. Essa questão se torna muito
importante nos casos em que o paciente tem indicação de iniciar TARV e,
posteriormente, nos casos em que o paciente já está em tratamento e
necessita trocar seu esquema, seja por falha ou por intolerância,
minimizando os efeitos metabólicos relacionados com o esquema
terapêutico a ser escolhido.
Antes de iniciar a TARV, deverão ser analisados 3 fatores fundamentais:
comodidade posológica do paciente para maximizar a adesão, supressão da
replicação viral a longo prazo e riscos de complicações associados à
exposição prolongada ao tratamento, principalmente de doenças
metabólicas, hepáticas, renais e cardiovasculares.44 Em pacientes com
diabetes prévio, ao início da TARV deve ser fortemente considerado
esquema com menos associação à resistência à insulina.13
O desenvolvimento de novas drogas com menor efeito metabólico é um
desafio que tem sido alcançado com ITRN mais novos com menor efeito no
metabolismo lipídico, na sensibilidade à insulina e na composição corporal,
como tenofovir e entricitabina, além da lamivudina, e IP como atazanavir e
darunavir. Além disso, novas classes, como os inibidores da integrase —
como o raltegravir — e os inibidores da CCR5 — como o maraviroque —
têm apresentado pouco ou nenhum efeito metabólico.44
Em pacientes que desenvolvem resistência à insulina ou diabetes após o
início da TARV, deve-se recordar que os fatores de risco tradicionais para
desenvolvimento de diabetes têm um papel tão ou mais importante para
diabetogênese quanto a terapia.3,16,17 Dessa forma, apesar de alguns
resultados positivos no metabolismo lipídico, a troca de antirretroviral para
melhora do diabetes normalmente não estará recomendada por não
apresentar benefício.13
Em relação à troca de terapia dentro da classe dos IP, Stanley et al.,45 em
um estudo com 15 homens e mulheres, demostraram algum benefício na
captação periférica de glicose e glicemia de jejum quando trocado lopinavir
por atazanavir, ambos potencializados por ritonavir.45 No entanto, outros
estudos com mais pacientes não conseguiram replicar estes resultados, seja
no controle glicêmico ou na resistência à insulina. Não há dados suficientes
para apoiar também trocas dentro do grupo dos ITRN; dentre os estudos
que buscaram avaliar o benefício, não foi encontrada diferença no controle
glicêmico ou resistência à insulina quando trocado o derivado timidínico
por abacavir. Apesar de os ITRNN apresentarem estudos mostrando
menores efeitos metabólicos com a etravirina e nevirapina, ainda faltam
estudos comparando diretamente as drogas com efavirenz e não há estudos
mostrando benefício na troca.46
A troca entre classes também ainda é pouco estudada no que tange ao
metabolismo glicêmico. No entanto, estudos de troca de esquemas com
lopinavir potencializado por ritonavir para raltegravir não evidenciaram
melhora no controle glicêmico ou melhora na composição corporal.47
Esquemas que poupam o uso de ITRN ou ITRNN também não
demonstraram até o momento melhorar o controle glicêmico.46
Mudança de estilo de vida
Assim como na população geral, recomendações dietéticas para controle
do peso com uma alimentação saudável, já descritas anteriormente neste
livro, e início de atividade física são fundamentais não só para pacientes
com diabetes, mas também como estratégia de prevenção para futuro
desenvolvimento de resistência à insulina e prevenção de complicações.9,13
Apesar de alguns estudos mais antigos não terem demonstrado sucesso na
melhora do controle glicêmico com as mudanças alimentares e perda de
peso em pacientes com HIV,3 Fitch et al.48 demonstraram, mais
recentemente, os benefícios de alimentação saudável e atividade física
moderada com redução da circunferência da cintura, HDL-colesterol,
proteína C reativa, pressão arterial e melhora da hemoglobina A1c nestes
pacientes.48
Com relação à atividade física, Lindegaard et al.49 compararam
pacientes infectados pelo HIV, com lipodistrofia e resistência à insulina,
submetidos à atividade aeróbica ou de força e evidenciaram que a captação
periférica de glicose melhorou nos 2 grupos, com a atividade de força sendo
mais eficaz na melhora da composição corporal.49
Metformina
O manejo farmacológico do diabetes não deve ser diferente do manejo
na população geral. Porém, algumas considerações devem ser feitas devido
às peculiaridades de alguns pacientes. A metformina é a droga mais
estudada em pacientes com HIV e deve ser iniciada ao diagnóstico de
diabetes.9,13 Pacientes em uso de IRTN timidínicos raramente podem
desenvolver acidose láctica, particularmente com estavudina, que vem
deixando de ser usada para o tratamento do HIV em todo o mundo.44
Mesmo raramente, pacientes em uso de didanosina ou zidovudina devem ser acompanhados e monitorados nos primeiros meses quanto ao risco de
desenvolvimento de acidose láctica após início da metformina, sendo que
pacientes com insuficiência renal ou com níveis de lactato superiores a 2
vezes o limite da normalidade devem ser tratados de forma alternativa.3,44
O efeito da metformina na melhora da resistência à insulina e no
controle glicêmico foi confirmado ser igualmente importante em pacientes
com HIV. Estudos ainda demonstraram efeitos adicionais, como redução de
inibidor do ativador do plasminogênio (PAI-1) e do ativador do
plasminogênio tecidual (tPA). Pode-se, dessa forma, extrapolar para um
efeito benéfico sobre a disfunção endotelial e formação de trombo.3
Recentemente foi evidenciado também efeito importante da droga na
progressão da aterosclerose nessa população, quando comparada com
placebo, minimizando, provavelmente, o risco de doença cardiovascular.48
Pioglitazona
As tiazolidinedionas também já demonstraram efeitos na melhora da
insulinorresistência em pacientes com HIV. No momento, somente uma das
drogas da classe, a pioglitazona, mantém-se no mercado. A rosiglitazona, já
não mais comercializada por suspeita de aumentar o risco de doenças
cardiovasculares, foi estudada por diversos autores, que demonstraram
melhora da sensibilidade à insulina com aumento dos níveis de
adiponectina, redução de ácidos graxos livres, além de redução do PAI-1 e
do depósito hepático gorduroso. Porém, paradoxalmente, em alguns
pacientes parecia haver piora do perfil lipídico.3 A pioglitazona também já
demonstrou segurança e melhora da sensibilidade à insulina neste grupo de
pacientes. Slama et al.,50 em 2008, demonstraram também efeito benéfico
significativo da droga na melhora da lipoatrofia periférica, que era ainda
mais significativo quando não havia histórico de exposição à estavudina.50
A pioglitazona em pacientes com DM ou intolerância à glicose ainda
mostra melhora na esteatose, nos níveis de aminotransferases e inflamação,
e foi recomendada com nível de evidência B1 como droga de escolha para
esteato-hepatite não alcoólica comprovada por biopsia.51 Devido à
fisiopatologia da alteração em pacientes com HIV, é suposto que possa
haver melhora semelhante, exceto nos pacientes com coinfecção por HCV
nos quais o benefício não foi confirmado e em pacientes com doença hepática avançada ou com insuficiência cardíaca, em que a droga deve ser
evitada.13
Outras drogas
O restante da terapia para o diabetes deve seguir as diretrizes para
tratamento da população geral. Há poucos estudos específicos para os
pacientes com HIV em uso de sulfonilureias, glinidas, gliptinas, acarbose
ou incretinas. Por isso, deve ser considerada insulinização precoce.3,13 As
sulfonilureias são atualmente usadas extensamente devido à disponibilidade
por programas governamentais, ao seu baixo custo e melhor adesão que a
terapia injetável. No entanto, estudo recente evidenciou redução do efeito
da gliclazida, em modelo animal, quando associada ao efavirenz.52 Outra
consideração deve ser feita em relação à saxagliptina que, por interagir com
o CYP3A4, pode ter seus níveis aumentados em pacientes em uso de
ritonavir. Dessa forma, deve-se optar por outras gliptinas ou fazer ajuste de
dose, sempre considerando o custo-benefício.53 O uso de análogos do GLP-
1 está restrito ainda a relatos de casos em que se evidenciaram benefícios na
resistência à insulina, esteatose e peso corporal, necessitando de estudos
posteriores para confirmação.
Acompanhamento
O acompanhamento dos pacientes deve seguir as diretrizes atuais para
seguimento de pacientes com DM com manutenção da glicemia de jejum <
100 mg/dL e hemoglobina glicada (HbA1c) < 7,0%, ou ainda, a menor A1c
possível que não aumente desnecessariamente o risco de hipoglicemias.9
No entanto, em pacientes com HIV, o principal parâmetro de
acompanhamento pode não apresentar a confiabilidade adequada, com a
A1c subestimando a glicemia média. Em 2009, Kim et al.54 divulgaram
estudo prospectivo que evidenciou discrepância em torno de 29 mg/dL
entre a glicose estimada por A1c e a glicemia média, sendo os principais
fatores associados à possível discordância o uso de ITRN timidínicos, o uso
de abacavir e a macrocitose. Um problema, neste trabalho em particular, é
que a glicemia média foi calculada a partir da média entre glicemia de
jejum e de uma glicemia aleatória e não por métodos de maior acurácia,
como monitoramento contínuo. Mesmo assim, houve diferença significativa entre o grupo de pacientes com DM e HIV e o controle sem HIV, o que
sugere que realmente possa haver alguma interferência. Estudos futuros
deverão analisar estes fatores com mais profundidade e, no momento, a
recomendação é a mesma em relação ao uso da A1c, com a ressalva de que
talvez, em alguns pacientes, haja necessidade de maior atenção e rigor nas
metas ou uso de métodos adicionais, como a frutosamina na suspeita de
interferência.54
Complicações
O diabetes mellitus é reconhecidamente um fator de risco importante
para o desenvolvimento de doença aterosclerótica. Após o estudo de
Haffner et al., 55 em 1998, por meio do qual foi demonstrado que o risco de
eventos cardiovasculares era semelhante entre os indivíduos com doença
coronariana estabelecida e indivíduos com diabetes sem doença
coronariana,55 o diabetes passou a ser considerado pelo National Cholesterol
Education Program (NCEP) como um equivalente de doença coronariana.
Uma coorte publicada em 2007 demonstrou que o risco da incidência de
infarto do miocárdio em pacientes soropositivos era significativamente
maior do que em pacientes soronegativos com risco relativo de 1,75%,
assim como a prevalência dos fatores de risco tradicionais (dislipidemia,
diabetes e hipertensão) também era significativamente maior. Essa
diferença acontecia em todas as faixas etárias, com aumento maior do risco
em pacientes com idade superior a 64 anos e em mulheres infectadas.56
No entanto, ao verificar se nesta população o diabetes também poderia
ser considerado um equivalente de doença coronariana, o estudo D:A:D
(Data Collection on Adverse Events of Anti-HIV Drugs) constatou que,
apesar de evidenciar risco relativo de 2,41 em pacientes soropositivos com
DM, o risco relativo em pacientes sem DM sabidamente coronariopatas foi
de 7,52%. A grande conclusão é que, apesar da importância dos fatores de
risco tradicionais, existem outros mecanismos associados a inflamação
crônica, exposição à TARV e o próprio vírus na gênese da doença
aterosclerótica em pacientes HIV-reativos.4
Em 2012, Medapalli et al.57 estudaram a progressão de doença renal em
indivíduos com diabetes e HIV. Nesse estudo, o risco de desenvolver taxa
de filtração glomerular < 45 mL/min/1,73 m2 foi semelhante em pacientes com DM e em pacientes com HIV (2,48 e 2,80); no entanto, quando
associados os 2 fatores, o risco aumentou para 4,47, o que mostrou um
possível efeito aditivo das duas doenças no risco de doença renal crônica.57
Se a incidência de nefropatia diabética é maior em doentes com HIV, é algo
que ainda precisa ser estudado, assim como o risco de outras complicações
microvasculares.
CONCLUSÃO
O risco de diabetes na população soropositiva em uso de TARV é 4
vezes maior que a encontrada em soronegativos. Por isso, é importante a
busca constante de conhecimento, para a melhor compreensão da
fisiopatologia singular associada à gênese das complicações metabólicas
provocadas pela doença e seu tratamento.
O desenvolvimento e uso de novas drogas com menos efeitos
metabólicos, a detecção precoce de complicações da terapia e o tratamento
rigoroso dos fatores de risco, além da capacitação dos profissionais de
saúde e orientação aos pacientes, podem levar o tratamento e a sobrevida
dos indivíduos infectados pelo HIV a um novo patamar (Tabela 19.1).
Tabela 19.1 Principais drogas usadas em TARV por classe terapêutica
Inibidores da Antagonistas do
ITRN ITRNN IP Integrase receptor CCR 5
Zidovudina Efavirenz Lopinavir Raltegravir Maraviroque
(AZT) (EFV) (LPV) (RAL) (MVQ)
Didanosina Nevirapina Saquinavir
(DDi) (NVP) (SQV)
Estavudina Etravirina Ritonavir
(d4T) (RTV)
Lamivudina (3TC) Atazanavir
(ATV)
Abacavir Darunavir
(ABC) (DRV)
Entricitabina
(FTC)
Tenofovir
(TDF)
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