Rotinas de Diagnóstico e Tratamento do Diabetes Mellitus
14.3. Nefropatia diabética
Nefropatia diabética
Alvimar Gonçalves Delgado
Maurilo Leite Jr.
INTRODUÇÃO
O diabetes mellitus (DM) constitui-se em uma doença crônica de alta
prevalência mundial, sendo responsável por inúmeras e frequentes
complicações clínicas que acometem indivíduos em todo o mundo. Dentre
essas complicações, destacamos a aterosclerose, a doença cardiovascular e a
nefropatia diabética. Esta última se constitui na primeira causa de
insuficiência renal crônica nos EUA e em boa parte da Europa.1,2 No Brasil,
ocupa o segundo lugar como causa de doença renal, em que a hipertensão
arterial se mantém como a causa mais comum.3 No entanto, a prevalência
de diabetes em nosso país vem aumentando a cada ano, tornando a busca de
estratégias de tratamento e prevenção, que possam atenuar de forma eficaz
a progressão da doença renal diabética, uma das prioridades de ação para o
clínico e, principalmente, o nefrologista.
QUADRO CLÍNICO E EVOLUÇÃO DA NEFROPATIA DIABÉTICA
A nefropatia diabética é uma complicação crônica do diabetes mellitus
de longa duração, que pode adquirir caráter progressivo, com evolução para
insuficiência renal terminal. Nos últimos anos, vários estudos
demonstraram claramente que cerca de 20% a 40% dos pacientes com diabetes tipo 1 (DM1) ou tipo 2 (DM2) desenvolvem essa nefropatia em
estágios sucessivos, desde o momento do diagnóstico do diabetes:4-7
■ Hiperfiltração e hipertrofia renal, geralmente associadas a anormalidades hemodinâmicas e
metabólicas das fases iniciais, habitualmente melhor identificadas no DM1.
■ Um período de aparente normalidade da função renal, que dura vários anos, em que ocorrem
lesões estruturais renais, mas a excreção de albumina é normal.
■ Nefropatia diabética incipiente, identificada pelo aparecimento de excreção anormal de albumina
entre 30 e 300 mg/dia, denominada microalbuminúria, que surge entre 10 e 15 anos da evolução
do diabetes mellitus.
■ Nefropatia diabética clínica, ou patente, quando a albuminúria excede 300 mg/dia (ou a
proteinúria total for superior a 500 mg/dia) de forma persistente, ao mesmo tempo que a pressão
arterial começa a se elevar e a filtração glomerular a diminuir progressivamente. Essa etapa surge
geralmente 4 a 5 anos após o início da microalbuminúria. Sem tratamento específico, o paciente
evolui com perda da taxa de filtração glomerular (TFG) com mediana de 12 mL/min/ano.
■ Insuficiência renal terminal, quando a TFG é tão baixa que necessita de tratamento por diálise ou
transplante renal.
Uma abordagem simples para a identificação da presença de doença
renal em paciente com diabetes mellitus deve seguir uns poucos passos
baseados na premissa de que a nefropatia diabética incipiente e a nefropatia
diabética clínica, quando presentes, podem e devem ser tratadas com
medidas específicas, que previnam ou retardem a sua progressão para
estágios mais graves:
■ Todos os pacientes diabéticos devem fazer dosagem de proteinúria de 24 h na primeira consulta. ■ Caso a proteinúria seja > 500 mg/24 h, deve-se repetir o exame para a confirmação desses
valores. Se confirmados, o paciente apresenta nefropatia diabética clínica.
■ Caso a proteinúria seja < 500 mg/24 h ou negativa no EAS, deve-se proceder à dosagem de
albuminúria por radioimunoensaio ou nefelometria, técnicas capazes de detectar quantidades <
300 mg/24 h em amostra de urina.
■ Se a concentração de albumina for < 30 mg/dia não há, nesse momento, nefropatia diabética
incipiente e o paciente deve ser acompanhado com dosagens anuais de albuminúria.
■ Se a concentração de albumina estiver entre 30 e 300 mg/dia, o diagnóstico de nefropatia
diabética incipiente será confirmado em uma segunda dosagem da albuminúria.
A excreção de proteína total ou de albumina na urina pode ser expressa
de várias formas: como µg/min, como mg/24 h (ou mg/dia), ou como
miligrama de proteí na por grama de creatinina no adulto (subentende-se
que um adulto excrete cerca de 1 g de creatinina por dia). Essa última,
mg/g, tem sido usada amplamente pela possibilidade de ser realizada em uma amostra isolada de urina matinal, o que reduz os inconvenientes da
coleta de urina de 24 h, além de correlacionar-se muito bem aos valores
encontrados por aquela técnica em diferentes grupos.8,9
Esse tipo de abordagem permite identificar precocemente a presença de
pequenas disfunções renais a partir de poucos exames e acompanhar a sua
progressão ou regressão. Em uma revisão sistemática de 9 estudos, a
evolução de normo para microalbuminúria ocorreu em 20% a 30% dos
pacientes com DM1 em 5 a 15 anos após o início da doença.10 Em outro
estudo com pacientes com DM1, 29% deles evoluíram para
microalbuminúria em mediana de 18 anos. Desses indivíduos com
microalbuminúria, 34% evoluíram para macroalbuminúria persistente,
enquanto apenas 16% regrediram para normoalbuminúria. Após o
aparecimento da macroalbuminúria, a maioria evolui para insuficiência
renal.11 Em relação a pacientes com DM2, o United Kingdom Prospective
Diabetes Study (UKPDS) revelou que aproximadamente um quarto dos
pacientes apresentou microalbuminúria após cerca de 10 anos do
diagnóstico de diabetes. A presença de macroalbuminúria durante as fases
de nefropatia diabética clínica aumenta enormemente a prevalência de
doença cardiovascular (DCV) nesse grupo, assim como em outras
nefropatias proteinúricas não diabéticas. O risco de óbitos por essa causa é
muito maior do que a probabilidade de esses pacientes atingirem o estágio
terminal e iniciar a terapia renal substitutiva.12
Quadro histopatológico
A nefropatia diabética caracteriza-se pelo aspecto de lesão glomerular
constituída de espessamento da membrana basal glomerular, expansão
mesangial e esclerose glomerular. As alterações patológicas podem ser
observadas até mesmo antes do aparecimento da microalbuminúria, em
pacientes com diabetes de longa duração. Podemos distinguir 4 classes de
lesão: classe I, que se caracteriza por espessamento da membrana basal
glomerular; classe II, que apresenta expansão mesangial leve (IIa) ou
intensa (IIb); classe III, que representa o quadro histológico mais
característico, embora não exclusivo, da nefropatia diabética — a
glomerulosclerose de aspecto nodular ou glomerulosclerose intercapilar
nodular de Kimmestiel-Wilson; e classe IV, mais frequentemente observada, que se caracteriza por glomerulosclerose global, com
acometimento glomerular difuso. Ao lado desses aspectos característicos da
lesão glomerular, a presença de infiltrado inflamatório pode ser observada
em glomérulos e no interstício renal, com aparecimento de macrófagos e
linfócitos. Em casos mais avançados de doença renal diabética, atrofia
tubular, hialinose arteriolar e fibrose intersticial podem ser observadas
como indicativo de lesão renal avançada.
Patogênese e siopatologia
O conhecimento atual acerca da patogênese da nefropatia diabética
implica abordagem multifatorial, na qual fatores hemodinâmicos,
metabólicos e inflamatórios estão implicados. A visão clássica de alterações
na membrana basal glomerular associadas à proteinúria hoje compartilha
dados extraídos de estudos mais recentes sobre o papel dos podócitos e das
proteínas específicas que estruturalmente são fundamentais na filtração de
macromoléculas, além da ultraestrutura glomerular e tubulointersticial. A
evolução de técnicas laboratoriais que permitem estudos do tecido renal em
cultura tem proporcionado estender nossa visão principalmente sobre as
alterações que afetam os podócitos.
Papel dos fatores hemodinâmicos
Em 1982, foi demonstrado que, em um modelo animal de nefropatia
diabética, o aumento da pressão capilar glomerular desempenhava um papel
fundamental na iniciação e progressão das lesões renais.13 A presença de um
meio metabólico de hiperglicemia moderada e de longa duração estava,
nesse modelo, associada à vasodilatação pré-glomerular mais proeminente
do que o que ocorria nas arteríolas pós-glomerulares, levando a aumento do
fluxo sanguíneo renal e, principalmente, a elevação da pressão capilar
glomerular. Isto também parece ocorrer da mesma maneira em pacientes
com diabetes mellitus em condições metabólicas similares.14 Ao mesmo
tempo, foi demonstrado que o tratamento intensivo da hipertensão arterial
em pacientes com nefropatia diabética, que além de reduzir a PA sistêmica
diminui também a pressão capilar glomerular, produzia evidente
nefroproteção.15,16
Os mecanismos que levam à vasodilatação renal, ao aumento da pressão
capilar glomerular e à glomeruloesclerose não são ainda completamente
conhecidos, mas a evidência de que a inibição do sistema renina-
angiotensina-aldosterona (SRAA) reduz a pressão capilar glomerular por
meio da vasodilatação da arteríola eferente trouxe uma das mais
importantes contribuições ao estudo da nefropatia diabética.17,18 No início
dos anos 1990, 2 importantes estudos clínicos demonstraram a utilidade da
inibição do SRAA no tratamento da nefropatia diabética.19,20
No diabetes mellitus humano, a TFG é habitualmente muito elevada nas
fases iniciais do DM1 e moderadamente elevada em até 40% a 50% dos
pacientes com DM2. Além disso, ocorre hipertrofia renal e glomerular. Os
mecanismos que levam a essa hiperfiltração e à hipertrofia glomerular são
complexos, mas estão sempre associados à presença de meio metabólico
hiperglicêmico. No DM1, o início do tratamento com insulina leva à
redução da TFG a níveis normais em grande número de pacientes em
algumas semanas, enquanto a hipertrofia renal demora um pouco mais para
se normalizar. Entretanto, uma proporção de 20% a 40% desses pacientes,
embora com bom controle metabólico, permanece hiperfiltrante por anos, e
há evidências de que essa hiperfiltração está associada ao desenvolvimento
de microalbuminúria e nefropatia diabética.21,22 A hiperfiltração glomerular
é, em parte, devida à vasodilatação preferencial da arteríola aferente com
aumento do fluxo sanguíneo renal e elevada pressão intracapilar. É de
especial importância clínica a evidência de que a elevação da PA sistêmica
contribui para acelerar a lesão glomerular, por acrescentar parte dessa
pressão hidráulica a um capilar já submetido ao estresse hemodinâmico
precedente.23
Papel dos fatores metabólicos
Papel da hiperglicemia e glicação de macromoléculas
A hiperglicemia por si é um fator de estímulo para a produção de matriz
pelas células mesangiais. A expansão e a proliferação dessas células em
cultura, em meio rico em glicose, estão associadas ao aumento da sua
concentração intracelular, uma vez que, nessas circunstâncias, ocorre
aumento da expressão de transportadores de glicose como GLUT-1 e
GLUT-4.24 Em indivíduos normais, a glicação de proteínas e aminoácidos,
lipídios e ácidos nucleicos ocorre naturalmente e de forma reversível. Em
vigência de hiperglicemia, no entanto, essa ligação passa a ser irreversível,
formando os produtos avançados de glicação (AGE). No diabetes, esses
produtos podem formar ligações cruzadas covalentes com proteínas de
matriz extracelular, da membrana basal e com receptores celulares de AGE
(RAGE), levando à endocitose ou até mesmo à ativação celular de
mecanismos pró-oxidantes e pró-inflamatórios.25
Pró-renina
Estudos em camundongos tornados diabéticos pela estreptozotocina
sugerem um particular papel para a pró-renina na patogênese da nefropatia
diabética. A sua ligação aos seus receptores, localizados em células
mesangiais e podócitos, promove a ativação de p44/p42 da proteína quinase
ativada por mitose (MAPK). O bloqueio desses receptores aboliu a ativação
de MAPK e preveniu o desenvolvimento de nefropatia diabética nesse
modelo experimental.26
Papel da ativação de TGF-β
Diversos estudos têm apontado para um papel da ativação de citocinas e
fatores de crescimento como TGF-β na patogênese da nefropatia diabética.
Em modelos animais, a inibição da angiotensina II tem demonstrado
diminuição da expansão mesangial e preservação de podócitos, e um dos
mecanismos propostos é a inibição da síntese de TGF-β. Essa citocina é
capaz de induzir apoptose de podócitos, o que induz a adesão da membrana
basal à cápsula de Bowman e consequente glomerulosclerose.
Papel do fator de crescimento do endotélio vascular
Tem sido observado que a cultura de podócitos em meio rico em glicose
apresenta aumento da expressão de fator de crescimento do endotélio
vascular (VEGF), citocina angiogênica, capaz de elevar a concentração de
óxido nítrico, promovendo vasodilatação, aumentando a permeabilidade da
barreira de filtração glomerular e agravando a lesão arteriolar. Além disso, o
VEGF estimula a síntese de colágeno IV pelos podócitos, o qual contribui para o espessamento da membrana basal nas fases iniciais da nefropatia
diabética. Outros fatores, como a angiotensina II, via receptores AT1 e AT2,
e o TGF-β, podem aumentar a síntese de VEGF pelas células podocitárias.27
Expressão de nefrina
Essa proteína transmembrana, expressa em células epiteliais
podocitárias, forma o substrato molecular do diafragma em fenda. Essa
estrutura é responsável pela barreira final de filtração de macromoléculas,
cuja integridade é fator determinante da seletividade para a passagem de
proteínas. A mutação congênita dessa proteína é conhecida, a qual
determina um quadro de proteinúria nefrótica denominada síndrome
nefrótica do tipo finlandês. Estudos mostram diminuição da expressão de
nefrina em indivíduos com nefropatia diabética, que sugere que a
angiotensina II e a albumina glicada possam estar implicadas em alterações
da expressão desta proteína.28
Proteoglicanos e heparanase
A observação de que a diminuição do conteúdo de proteoglicanos de
heparan sulfato, carregados negativamente, induz à diminuição da
seletividade pela carga na barreira de filtração glomerular, está claramente
associada à proteinúria na nefropatia diabética. Nesse contexto, espécies
reativas de oxigênio (ERO ou ROS, do inglês reactive oxygen species) e
angiotensina II parecem inibir a síntese de proteoglicanos como agrina e
perlecan. Além disso, a ativação da heparanase em tecido renal diabético
tem sido demonstrada em modelos animais. Estes achados se associam a
menor expressão de proteoglicanos em membrana basal e podócitos.29
PREVENÇÃO E TRATAMENTO
Ao longo dos anos, várias medidas preventivas da nefropatia diabética
têm sido aplicadas na prática clínica, tanto em pacientes com DM1 quanto
com DM2. Os estudos iniciais em populações com DM1 mostraram
claramente uma forte associação entre controle glicêmico e incidência de
nefropatia diabética. Dentre estes, destacamos o estudo sueco com
indivíduos diagnosticados entre os anos de 1961 a 1985, acompanhados até 1991, que mostraram menor incidência de nefropatia diabética naqueles que
apresentaram menores níveis de HbA1c.30 Estudos populacionais, como o
Diabetes Control and Complications Trial (DCCT), mostraram a
importância do controle glicêmico intensivo sobre a evolução da doença
renal. Nesse estudo, pacientes com DM1 mantidos sob controle glicêmico
intensivo, ou seja, HbA1c ≤ 7,1%, e tratados com um mínimo de 3 infusões
diárias de insulina, apresentaram menor prevalência de micro e
macroalbuminúria, quando comparados com o tratamento convencional.5
Em outro estudo feito com uma população com DM2, os resultados foram
comparáveis, isto é, com menor evolução para nefropatia diabética
proteinúrica naqueles indivíduos com melhor controle glicêmico.
Outro aspecto de grande importância está na utilização de drogas
inibidoras da conversão da angiotensina (IECA) e antagonistas de
receptores da angiotensina (ARA), capazes de reduzir a PA sistêmica, a
pressão capilar glomerular e a proteinúria. A redução dos níveis de
proteinúria, a qual é considerada um dos mais importantes marcadores de
risco para a evolução da nefropatia diabética, é de fundamental importância
no manuseio clínico desses pacientes. O bloqueio do SRAA tem sido
considerado mandatório quando ocorre o aparecimento de
microalbuminúria. Desde os trabalhos iniciais com captopril,19,20 a inibição
do SRAA com IECA no DM1 e IECA ou ARA no DM2 é considerada
conduta estabelecida na maioria dos protocolos de acompanhamento clínico
de pacientes diabéticos. O duplo bloqueio, com IECA e ARA, produz uma
redução mais importante da proteinúria em pacientes com diabetes, embora
o seu uso precise ser melhor avaliado no futuro em virtude dos resultados
obtidos em um estudo multicêntrico chamado ONTARGET, que apontou
elevação da creatinina e progressão rápida da doença renal crônica, na
população estudada.31 Mais recentemente, o uso de vitamina D tem sido
preconizado como auxiliar na prevenção da evolução da nefropatia
diabética, pelo seu efeito redutor da proteinúria.32
A hipertensão arterial é outro dos alvos críticos no tratamento da doença
renal diabética. Geralmente, pacientes com DM1 costumam apresentar
hipertensão predominantemente diastólica, enquanto no DM2 a hipertensão
é habitualmente do tipo sistólico. O controle da hipertensão pode ser
alcançado com o uso de IECA ou ARA, diuréticos, redução da ingestão de sal, bloqueadores de canais de cálcio ou outros hipotensores, mesmo que
em associações. Preconiza-se que os níveis tensionais sejam mantidos <
130/80 mmHg, embora os níveis de PA não devam estar abaixo de 110/70
mmHg, principalmente nos pacientes cardiopatas. O tratamento de
dislipidemias com manutenção de níveis colesterol de lipoproteína de baixa
densidade (LDL) abaixo de 100 mg/dL, dieta com baixos níveis de proteína
animal e abolição do tabagismo devem estar inseridos na rotina de
acompanhamento do paciente.
PERSPECTIVAS FUTURAS
Estudos mais recentes têm sugerido a utilização de drogas que atuem
em diversos fatores implicados na patogênese da nefropatia diabética. O
papel do TGF-β na expansão mesangial e na produção de colágeno tem sido
alvo de manobras de antagonismo com anticorpos monoclonais específicos.
Trabalho de Benigni et al. demonstrou efeito benéfico do anticorpo
monoclonal anti-TGF-β,33 1D11, em fase inicial da doença, efeito
potencializado pelo antagonismo à angiotensina II. Outra possibilidade está
no antagonismo ao VEGF, o qual, como descrito anteriormente, está
implicado nas lesões glomerulares e alterações vasculares. Trabalhos em
modelos animais de nefropatia diabética mostraram que a utilização de
anticorpo anti-VEGF diminuiu hiperfiltração, proteinúria e hipertrofia
glomerular. No entanto, a utilização deste anticorpo em indivíduos com
câncer colorretal levou a complicações hemorrágicas, hipertensão e
proteinúria. Mais recentemente, a angiostatina, a tunstatina e a endostatina,
produtos de clivagem de matriz não extracelular com efeito
antiangiogênico, foram utilizadas com melhora histológica em modelo
animal de nefropatia diabética, resultados promissores como terapia em fase
inicial da doença.34
Outra droga alternativa é a pentoxifilina, utilizada em doenças
vasculares, a qual tem ação antiproliferativa e antifibrótica. Recente meta-
análise concluiu que a pentoxifilina levou a melhora significativa da
proteinúria, com pouco efeito sobre a microalbuminúria.35 Resultados
igualmente significativos foram obtidos com o sulodexide, um composto de
glicosaminoglicanos que contém heparina de baixo peso molecular e sulfato
de dermatana, cuja ação inibidora da heparanase parece estar associada a melhora histológica com diminuição da proteinúria, fato observado em
animais e em estudos clínicos. Embora de efeito ainda controverso, a ação
antiproteinúrica de glicosaminoglicanos tem se mostrado consistente; no
entanto, novos estudos clínicos são necessários para melhor elucidação do
uso destes polissacarídeos na prevenção e no tratamento da nefropatia
diabética.36
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