Uma Surpresa na Primavera
Capítulo 10
A Escócia tem recursos para saciar-vos só com o
que for vosso.
— Macbeth
— Sr. MacLeish? — O dr. Farnish saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. — Recebi o resultado do raio X. O peito da sua mãe está mais limpo do que ontem. Os antibióticos parecem estar fazendo efeito.
Lachlan assentiu rapidamente. O alívio fez seus músculos relaxarem.
— Ela está mais lúcida do que ontem também. Conseguimos trocar algumas palavras — informou.
— Sim, isso é um bom sinal. Se a recuperação continuar, nós vamos liberá-la antes do fim de semana. O fato de ela ter atendimento vinte e quatro horas em casa deve facilitar as coisas.
— Será que ela vai ficar com alguma sequela? — Lachlan perguntou. — Precisamos rever o tratamento?
O dr. Farnish balançou a cabeça em negativa.
— Como você sabe, cada episódio de agravamento causa algum dano para os pulmões dela, o que torna a respiração mais difícil. Mas sua mãe já está usando um ventilador no hospital, e isso deve ser suficiente por enquanto. Eu quero revê-la daqui a uma semana e depois uma vez por mês. Quando tiver alta, vai poder se cuidar em casa. — Ele baixou a voz o suficiente para Lachlan ter que se inclinar para mais perto. — Em algum momento você vai precisar conversar com a sua mãe sobre os desejos dela. Talvez pensar em dividir a herança em vida. A doença vai ter um efeito na qualidade de vida dela e, mais tarde, a dor vai superar quaisquer aspectos positivos.
Lachlan se recostou na parede pintada. Uma enfermeira passou por eles empurrando um carrinho de equipamentos, as rodas de borracha rangendo contra o piso. O médico estava certo — ele sabia disso. Havia consultado especialistas o suficiente para saber que sua mãe não iria se curar.
— Vou conversar a respeito quando ela estiver em casa — ele concordou, embora já estivesse pensando quando teria a chance de fazê-lo. Agora que ela estava se recuperando, ele tinha que voltar ao trabalho. Já havia cancelado quatro dias de reuniões e não podia cancelar muito mais.
— Eu sei que não é fácil, mas seria a melhor coisa a fazer.
Era difícil olhar para ela assim, mesmo sabendo que estava melhorando. Ela parecia tão diferente da mãe que ele teve enquanto crescia. A mulher jovem e vibrante — provavelmente jovem demais — que o beijava como louca e depois desaparecia por horas, deixando-o para se defender sozinho. Desde muito novo, ele aprendera a ser independente — cuidar da própria comida, entretenimento e conforto. Ele aprendeu rapidamente que, se não cuidasse de si mesmo, ninguém mais o faria.
Olhando para trás, ele poderia ter tomado o caminho errado. Por alguns anos, quando criança, ele burlara a lei, saindo com a turma errada e procurando briga — qualquer uma — só para provar que existia.
Estranhamente, foi seu pai — o homem que não parecia se importar muito com ele — que fez a diferença. Ou melhor, foram os tempos que Lachlan ficou com ele e sua família. Eles lhe mostraram uma alternativa ao estilo de vida que havia ao seu redor. Até mesmo Glencarraig havia desempenhado um papel. Era difícil ficar com raiva quando se estava cercado pela beleza da natureza e quase impossível não querer mais deste mundo do que uma vida inteira de vingança.
Lachlan assentiu novamente, depois voltou para o quarto, onde a mãe ainda estava dormindo, sua respiração audível contra o pano de fundo dos monitores. Havia travesseiros apoiados ao seu redor e os tubos ainda estavam presos ao pulso, mas a máscara havia sido removida, substituída por uma cânula nasal que lhe permitia falar pelos poucos minutos em que tinha energia suficiente para ficar acordada. Ele se sentou ao lado dela na cadeira — que já havia se moldado ao seu corpo — e o assento afundou embaixo dele como se estivesse cansado de ficar fofo.
Ele tinha se esforçado muito, mais do que imaginou que podia, primeiro nos estudos e depois nos negócios, se afastando da antiga vida e do seu bairro, trazendo Grant consigo. Não parou de lutar — provavelmente, nunca pararia —, mas as coisas pelas quais estava lutando tinham mudado.
Os olhos azul-claros da mãe se abriram por um momento e encontraram os dele antes que se fechassem de novo, e ela respirou profundamente.
À sua maneira, ela também era uma lutadora. Fez o melhor que pôde como mãe — com os escassos recursos que tinha disponível —, e ele não se virou contra ela por isso.
Deixou a cabeça cair para trás na cadeira até encontrar o encosto almofadado e inspirou profundamente. Tudo o que ele teve foi muito disputado — e sempre venceu —, e Glencarraig não seria diferente. Poderia ficar sentado aqui em Miami ou em Nova York e esperar que as coisas acontecessem ou poderia levar a luta para o lugar que mais importava.
Talvez fosse hora de ir para a Escócia.
— O Marcus assumiu as reuniões — Grant disse a ele. — E enviei alguns documentos para você assinar. Precisam ser devolvidos aos nossos advogados nesta semana. Como está a sua mãe?
— Muito melhor. Vai ser liberada amanhã.
— Isso é maravilhoso — Grant pareceu genuinamente satisfeito. — Então o tratamento continua?
— Sim. Estão mudando a medicação para antibióticos orais. E a casa de repouso está pronta para ela.
— Isso deve ter tirado um peso dos seus ombros.
— Podemos dizer que sim. — Lachlan sorriu.
— Quando você acha que vai estar de volta a Nova York? — Grant perguntou. — Quer que eu reserve o voo?
Lachlan tomou um gole de café. Desde que chegara a Miami, tinha arranjado um canto no café do hospital. Achou surpreendentemente fácil administrar seus negócios de lá — com a ajuda de Grant.
— Não vou voltar para Nova York — ele disse, colocando a xícara na mesa. — Quero me encontrar com o advogado do meu irmão — continuou. — E quero fazer isso na Escócia.
— Tem certeza? — Grant perguntou, parecendo confuso. — Você já está longe do escritório faz um tempo.
Lachlan sorriu. Grant não estava acostumado a ele ser tão impulsivo. Mas, realmente, viajar para a Escócia fazia sentido. Não era só para avançar com a luta contra o irmão, mas também para checar a propriedade nas Terras Altas. Para se lembrar exatamente pelo que lutava.
E se tivesse que ver Lucy Shakespeare de novo... bem, ele podia lidar com isso, não é? Ela era sua advogada e tinha namorado. Isso era tudo que ele precisava saber.
— Sim, tenho certeza. Reserve um voo para Edimburgo — ele respondeu com o sorriso ainda ondulando em seus lábios. — E avise a assistente da srta. Shakespeare de que vou para lá na próxima semana.
Lá estava. O jogo estava acontecendo, de mais de uma maneira.