Uma Surpresa na Primavera

Carrie Elks · Capítulo 34 de 38

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Uma Surpresa na Primavera

Capítulo 34

Não pode amar quem não revela amor.

— Os dois cavalheiros de Verona

 

Lucy deslizou o cartão na fechadura, muito consciente de Lachlan parado atrás dela, seu corpo lançando uma longa sombra na porta. Ela podia senti-lo também, sentir o calor que irradiava dele, e podia ouvir sua respiração suave enquanto esperava que ela abrisse a porta. As desculpas mútuas fizeram ela se sentir tão leve quanto o ar. Como se pudesse conquistar o mundo se quisesse.

Assim que entraram no quarto, ela pôde sentir o rosto começar a ficar vermelho. Tê-lo ali parecia íntimo, mesmo que ela tivesse protestado que não havia outro motivo.

— Quer beber alguma coisa? — ela perguntou.

— Estou bem — ele respondeu, olhando pelo quarto. — Se tivesse me dito que viria, eu poderia ter conseguido um upgrade. Conheço o dono. — Ele abriu aquele sorriso com covinhas e lábios sensuais.

— Fiquei com medo de avisar que estava vindo e você dizer que não era para eu me incomodar.

Ele inclinou a cabeça para o lado, ainda olhando para ela.

— Por que você achou isso?

— Porque eu agi errado. Nunca devia ter te deixado daquele jeito. Nunca devia ter ido embora. Se eu tivesse deixado as coisas fluírem e visto o que aconteceria, podia ter ido para casa depois do baile.

Ele estremeceu, o sorriso desaparecendo temporariamente do seu rosto.

— Eu queria mesmo que você tivesse ido.

— Eu sei que queria. — Sua voz era suave. — E devia ter ido. Por você. — Ela deu um passo à frente, tentando ignorar o modo como todo o seu corpo se sentia no limite. — Sinto muito por ter deixado você ir sozinho.

Ela não era a única que precisava se desculpar.

— Me desculpe por arruinar o seu vestido.

— Do que você está falando? — Ela olhou para ele, confusa.

— Eu estava com tanta raiva que rasguei o seu vestido. — Ele teve a decência de parecer envergonhado. — Achei que isso me faria sentir melhor.

— E fez?

— Não.

Foi a sua vez de estremecer. Ela podia imaginá-lo em pé na frente do vestido, descontando toda a raiva contra o tecido.

— Era um vestido lindo — ela disse, melancólica. — Sinto muito por ter te provocado a esse ponto.

— Nós dois fizemos muitas coisas estúpidas naquele dia. Eu nunca devia ter gritado com você ou dado um ultimato. Me matou não te ligar e dizer o quanto sentia a sua falta. — Sua expressão se suavizou. — Não poder falar com você tem sido um tipo especial de tortura.

— Eu esperava que você ligasse ou me mandasse um e-mail — ela disse. — Quando isso não aconteceu, achei que talvez você não se importasse mais.

— Eu me importo — ele disse, dando mais um passo para fechar o espaço entre eles. — Me importo muito. Demais. Só não queria me fazer de bobo.

Ela o encarou, absorvendo aquele rosto familiar. Os ângulos duros e a pele macia. Tudo nele a fazia se sentir quente por dentro e com mais medo que nunca.

— Você não faria papel de bobo. Você sempre ganha, lembra?

— Não me sinto muito como um vencedor. Não senti muito de nada. — Ele estendeu a mão para ela, passando a ponta dos dedos pela bochecha. — Tive que me controlar ao máximo para não pegar um avião e exigir que você se explicasse.

— Por que não fez isso?

— Porque eu precisava que você viesse até mim. Ou que me ligasse, pelo menos. — Ele riu, mas o humor não alcançou seus olhos. — Acho que queria que você me dissesse que estava errada.

— Eu estava errada — ela sussurrou. Seu dedo percorreu a bochecha dela até o canto do lábio. Sua pele parecia estar em chamas. — Não devia ter ido embora daquele jeito. — Ela olhou para baixo, incapaz de encontrar o olhar dele. — Achei que todo mundo precisasse de mim, que, se eu deixasse o controle, tudo desmoronaria. Mas acontece que as minhas irmãs não precisam mais de mim desse jeito. Elas são adultas e são responsáveis pela própria vida.

— Então, onde isso te deixa? — ele perguntou, passando a ponta do dedo pelo lábio inferior dela.

— Aqui com você. Se me quiser.

Ele olhou para ela sem piscar.

— Claro que eu te quero. — Ele se inclinou para a frente. Seu rosto estava a apenas alguns centímetros do dela. Ela se perguntou se ele iria beijá-la. — Eu sei que disse que estava tentando esperar, mas eu tinha acabado de pedir para Grant organizar os meus voos para Londres antes de você chegar. Acontece que não sou tão paciente quanto eu pensava que era.

Ela sorriu para ele.

— Essa é uma das coisas que eu amo em você — ela disse.

Ele parecia satisfeito com suas palavras e cobriu o espaço entre os lábios, beijando-a profundamente. Segurou a parte de trás do pescoço dela, inclinando a cabeça para que pudesse beijá-la com mais força, aprofundando o beijo com um deslizar da língua contra a sua.

Ela colocou os braços em volta do pescoço de Lachlan, arqueando o corpo em direção ao dele, todos os pensamentos de desculpas e vestidos rasgados desaparecendo de sua cabeça. A outra mão pressionou a parte inferior das costas dele, seus dedos se enterrando sob a blusa até que estavam pressionados de encontro à pele dele, e ela se sentiu tremer sob seu toque.

— O que você queria me mostrar? — ele murmurou, roçando os lábios no queixo dela e beijando-a no pescoço.

— Humm?

Ele moveu os dedos por sua coluna, fazendo-a tremer, os lábios ainda trilhando o pescoço dela.

— Você queria me mostrar uma coisa — ele falou, as palavras abafadas pela pele dela. — Ou foi só uma desculpa?

Rapidamente os pensamentos dela se voltaram para a caixa, colocada cuidadosamente sobre a mesa na outra extremidade do quarto, mas então ele moveu as mãos para os botões de sua blusa, abrindo-os com habilidade, e beijou seu peito e seio.

— Não importa — ela ofegou enquanto ele movia o rosto para baixo até que seus lábios estavam puxando a renda do sutiã, sugando o mamilo através do tecido delicado. Ela sentiu a pele enrijecer, o corpo reagindo à sua boca quente e úmida.

Ela podia senti-lo endurecer da mesma maneira.

— Não? — ele confirmou, movendo os lábios para o outro seio. Ela amava o jeito como ele sempre jogava de forma justa.

— Ah, não.

Passando os braços pelas costas dela, ele soltou o sutiã, deslizando-o pelos braços junto com a blusa até que os dois estavam caídos no chão.

— Bem, eu tenho uma coisa para te mostrar — ele disse, desabotoando a própria camisa e tirando-a dos ombros.

— Tem?

— Sim. — Ele se abaixou, abrindo a saia e empurrando-a pelos quadris com as mãos quentes. — Agora deite naquela cama e feche os olhos.

— Você está mandão como sempre.

— Sempre.

— E se eu quiser ficar no controle? — ela perguntou.

Ele olhou por um momento, um sorriso curioso brincando em seus lábios.

— Você quer? — ele perguntou.

Ela olhou de volta para ele.

— Não, não mesmo. Desta vez não.

— Então, faça o que eu pedi e vá para a cama.

— Sim, senhor.

— Quer que eu pegue um roupão? — ele perguntou, sua voz provocativa. — Serviria como uma boa mordaça, no mínimo.

— Você esqueceu que nós estamos em quartos standard — ressaltou. — Não tem roupões de banho de cortesia aqui.

— Então eu vou ter que encontrar outra maneira de manter você quieta — ele disse, cobrindo os lábios dela mais uma vez.

— Você poderia tentar — ela murmurou, fechando os olhos ao senti-lo levantá-la e levá-la até a cama.

— Sim, eu poderia — ele respondeu, deitando-a no colchão, o cabelo se espalhando no travesseiro. — Mas tenho a sensação de que posso falhar e nós não queremos isso.

— Você disse que não se importava mais em ganhar — ela apontou, soltando um pequeno suspiro enquanto ele passava os dedos de leve por seu estômago, seguindo por seus quadris, enganchando-os no cós da calcinha.

— Lucy?

— Sim?

— Cala boca e me deixa fazer amor com você? — ele perguntou, puxando sua calcinha para baixo, fazendo-a levantar os quadris para ajudar no movimento.

Ela não tinha certeza do que mais amava: o jeito como ele a olhava como se ela fosse a garota mais linda que já tinha visto ou a maneira como ele passava os dedos por suas coxas, deixando um rastro de fogo em sua pele. De qualquer forma, agora parecia um bom momento para ficar quieta.

Por alguns minutos, pelo menos.

 

Ele foi o primeiro a acordar pela manhã, os olhos piscando rapidamente enquanto a realidade penetrava em seus sonhos borrados. Ela ainda estava deitada a seu lado, o cabelo loiro espalhado pela fronha branca, o rosto corado e amassado.

A mala ainda estava na porta, aberta do jeito que deixara quando pegou sua nécessaire rapidamente em algum momento da noite. Ao lado, havia uma caixa grande, parecida com a que ela levara de seu apartamento com tanta pressa.

Não, não era parecida. Era exatamente a mesma. Ele não podia deixar de imaginar o que havia dentro.

Mais vinte minutos se passaram antes que ela abrisse os olhos. Viu quando ela se concentrou nele e mordiscou o lábio, enquanto as lembranças da noite passada fizeram os dois se aquecerem.

— Bom dia. — Ele estendeu a mão para traçar a cicatriz na testa dela, visível pela maneira como seu cabelo estava. — Dormiu bem?

— Quando você finalmente sossegou... — ela disse, sorrindo.

— Eu queria saber o que tem naquela caixa — ele perguntou, inclinando a cabeça para o lugar onde a bagagem estava. — Parece interessante.

Foi como se uma luz se acendesse nos olhos dela.

— Ah, meu Deus, eu esqueci disso. — Ela cobriu a boca por um momento, como se estivesse envergonhada. — Era isso que eu queria te mostrar. — Os dedos dela abafaram o som.

— Quando?

Ela se sentou, colocando as pernas debaixo do corpo.

— Quando te pedi para vir aqui ontem à noite, lembra? Eu disse que queria te mostrar uma coisa.

— Lembro. — Ele tentou manter as coisas divertidas. — E acho que você me mostrou a noite toda.

Ela balançou a cabeça.

— Você tem a mente poluída, sabia disso? — Ela saiu da cama. Estava nua enquanto atravessava o tapete bege, e ele não pôde deixar de admirar o jeito como seus quadris balançavam, sua bunda empinada e firme enquanto andava.

Deus, ela o estava seduzindo.

Lucy pegou uma camiseta, uma calcinha e um short da mala, vestindo antes de levantar a caixa. De volta à cama, colocou-a no colchão, tirando a fita que a prendia.

— Tem uma boa história por trás disso — ela falou, levantando as abas de papelão para revelar a espuma da embalagem. — Comprei no caminho de volta da Bergdorf, naquele dia. Vi e pensei em você. — Com delicadeza, tirou a espuma, revelando um prato preto enorme dentro da caixa. Era antigo, as marcas pelo aro eram suficientes para dizer isso, mas não era o que o tornava bonito. Era o cruzamento de verniz dourado, as linhas metálicas e recortadas que colavam as peças que o fazia sobressair.

— Que incrível — ele disse. Estendendo a mão, tocou a superfície do prato, sentindo a porcelana lisa dar lugar à cola grossa. Cada linha contava uma história de algo quebrado, mas não de forma irreparável. De beleza surgindo da dor.

— Levei para casa comigo — ela disse. — Não quis te dar depois da nossa discussão. E então, assim que o abri no meu apartamento, ele se quebrou.

— É mesmo?

Ela assentiu.

— A gata do meu vizinho praticamente pulou em cima dele. Se espatifou no chão da cozinha. Parecia que nunca poderia ser consertado. — Ela tocou a lasca na borda, onde o dedo dele havia acabado de estar. — Não consegui encontrar essa peça.

— Devia ser minúscula — ele falou, observando o dedo dela se mover de um lado para o outro sobre a área irregular. — Mas não importa. Ainda é lindo.

Ela desviou os olhos do prato e olhou para ele.

— Isso me fez lembrar de nós. Acho que foi por isso que fiquei tão chateada quando o quebrei. Foi como se eu tivesse estragado tudo e fosse irreparável. Mas então eu liguei para uma mulher em Londres que é especialista em Kintsugi. Ela se ofereceu para dar uma olhada e ver o que poderia fazer.

— Ela fez um trabalho incrível. É difícil dizer o que é novo e o que é antigo. — Ele sentiu um nó crescendo em sua garganta. A maneira como ela estava tocando o prato o fez lembrar o modo como ela o tocava. Com carinho, de forma reverente, como se ele fosse algo de que valesse a pena cuidar.

— É besteira — ela falou —, mas sempre imaginei isso no hall de entrada do chalé em Glencarraig. Ficaria lindo na mesa embaixo do espelho. — Ela baixou os olhos, como se estivesse envergonhada. — Acho que isso não vai acontecer agora que seu irmão ficou com o lugar.

Ele estendeu a mão para o queixo dela, levantando o rosto de Lucy até que os olhares se encontraram.

— O meu irmão não ficou com o lugar. Não dei o chalé a ele.

— O quê? — Ela piscou, sem entender. — Achei que você tivesse concordado em desistir.

— O Grant não explicou o que aconteceu? — Lachlan perguntou. Ele inclinou a cabeça para o lado.

— Não, não explicou. Nós meio que discutimos um pouco sobre você e só.

— Devo querer saber o que vocês estavam discutindo? — Não, provavelmente não. Era melhor não ir por esse caminho.

— Pare de mudar de assunto. Eu quero saber que acordo foi esse. Que, por sinal, não foi analisado pela sua ex-representante legal. — Ela franziu o nariz.

Ele sorriu.

— Você fica muito sexy quando está com raiva.

— Sempre se resume a sexo, não é?

— Não consigo pensar em mais nada quando você está seminua na minha cama.

— Acho que você devia dizer na minha cama — ela apontou. — Este quarto é meu. Estou pagando por ele.

— E eu sou o dono do hotel.

— No papel, o que significa que, provavelmente, você tem uma dívida enorme sobre ele. E, de qualquer forma, o que te faz pensar que estou impressionada com suas propriedades?

— Você ficou impressionada com o meu chalé. — Ele balançou as sobrancelhas e ela não pôde deixar de rir.

— Então me diga por que ele ainda é seu.

Lachlan se sentou, puxando-a com ele, até que os dois estivessem apoiados na cabeceira da cama.

— Não é bem meu, mas também não é do Duncan.

Ela soltou um gemido estrangulado.

— Pare de enrolar. Estou no limite aqui.

Ele engoliu uma risada.

— Tudo bem, encontrei com meu irmão no baile de caridade e nós conversamos.

Ela pareceu culpada ao ouvir a menção ao baile.

— Sinto muito por não ter ido. Como foi a conversa?

— Surpreendentemente boa. Não houve tiros, nem derramamento de sangue, então eu contei isso como uma vitória. — Ele estendeu a mão e acariciou seu ombro, o peito e o seio. — E nós nos encontramos de novo na semana seguinte para discutir o caso, só nós dois. Nenhum conselheiro, nem advogado, só dois irmãos.

Ela ficou em silêncio. Como se soubesse que aquela era a história dele e que ele precisava contar.

— E eu contei a ele sobre o chalé, Alistair e o site do clã. Parecia loucura que ali estávamos nós, dois empresários americanos, brigando por um título e um castelo em um país que não é o nosso.

— Então, o que você concordou em fazer?

Ele continuou como se não a tivesse ouvido.

— Eu sempre quis saber por que o meu pai me deixou aquilo. Ele não demonstrou nenhum interesse em mim quando estava vivo. Perguntei ao Duncan sobre isso, mas ele também não sabia, exceto que meu pai sempre gostou de ferrar as pessoas. Estou supondo que ele está rindo no túmulo por causa disso. Foi, literalmente, uma situação sem vitória.

Lucy suspirou.

— Ele parece um cretino.

— Ele era. Puro e simples. Foi um babaca com a mãe do Duncan e um idiota com a minha. Não tratou nenhum de nós muito melhor. E, pelo que posso dizer, ele não tinha interesse em Glencarraig ou no título. Ele nunca foi para as reuniões do clã, dificilmente ia para a cidade. Ele era um laird ausente, e o lugar sofreu por causa disso. Precisa de investimento e de alguém com visão.

Lucy piscou.

— Espere um minuto. Você não está pensando em se mudar para lá, né?

— Não.

— Então o quê? Como você vai evitar os erros do seu pai se você for o laird?

— Porque eu não sou o laird. Ou melhor, não vou ser.

Ela olhou para ele.

— O que isso significa? O Duncan vai se mudar para lá?

— Ele não vai ser o laird também.

— Então, quem?

— Tudo vai ficar claro, prometo. Mas agora eu não posso mais contar nada. O meu advogado insiste nisso. — Ele piscou para ela.

— Não acredito que você não vai me falar — ela protestou, com a boca aberta.

Um sorriso surgiu nos lábios dele.

— Você não pode ficar feliz que Glencarraig vai florescer?

— É importante para você, né? — ela perguntou.

— Sim. Isso impressionou a garota que eu conheci. Eu a vi se apaixonar pelo lugar, e quando o vi através dos olhos dela, também me apaixonei.

— Ela parece uma boba — ela sussurrou, com a voz firme.

— O tipo mais lindo de boba — ele disse, segurando o pescoço dela. — O tipo de boba pela qual se move montanhas. Que me mantém acordado à noite, ansioso para falar com ela, para tocá-la e vê-la sorrir. O tipo no qual eu não consigo parar de pensar.

Ela engoliu em seco.

— Ela parece fascinante. Eu gostaria de conhecê-la.

— Gosto de mantê-la só para mim. — Ele se inclinou para a frente, mal roçando os lábios nos dela. — Ela é especial. — Ele respirou contra a pele dela, fazendo-a tremer. — É inteligente, engraçada e me deixa louco, mas já estou tendo dificuldade para imaginar a vida sem ela.

— É uma pena que ela more tão longe.

Ele balançou a cabeça lentamente.

— Vou nos dar um ano e então vamos resolver isso também. Eu gosto de aviões, mas gosto mais de acordar com a minha garota. E ela é a minha garota.

— Parece que você já organizou tudo.

— Eu quase a perdi uma vez. Não pretendo fazer isso de novo.

— Ela quase te perdeu também.

O pensamento fez seu estômago revirar. Estar ali com ela parecia tão natural. Não podia acreditar que quase jogaram aquilo fora. Nas poucas horas em que estavam juntos, ele se acostumou com sua voz, suas palavras e seu toque. Ficar sem isso seria doloroso.

— Então ela me encontrou. — Ele beijou a ponta do nariz dela. — E tudo ficou certo no mundo.

Ela expirou devagar.

— Se você continuar falando assim, eu posso me apaixonar.

— Isso é bom. Já estou apaixonado, então vou esperar por você. — O momento estava certo, muito certo, e mesmo assim ele hesitou. As palavras estavam na ponta da língua, exigindo que fossem soltas.

Ele olhou para ela, que estava com os olhos fechados, o rosto relaxado. Ela já era dele. Ele só precisava dizer.

— Eu te amo. — Sua voz estava rouca e a garganta parecia uma lixa.

Ela abriu os olhos, encontrando seu olhar azul profundo.

— Sabe o que você faz comigo quando fala coisas assim?

O nó em seu peito se soltou.

— A mesma coisa que você faz comigo. — Ele sorriu. — Não vamos parar de fazer isso nunca.

— Para mim, está ótimo. — Ela umedeceu os lábios. — E, caso você não saiba, eu também te amo.

— Ah, eu sei. — Ele piscou.

— Você ainda é um cretino convencido às vezes, né?

Ele deu de ombros, o alívio ainda o fazendo sorrir.

— Só às vezes?

Ela assentiu lentamente.

— Sim. E não conte para ninguém — ela baixou a voz para um sussurro —, mas eu meio que gosto disso.

— Isso te faz querer tirar a roupa e se jogar em cima de mim? — ele perguntou.

— Bastante.

Ele pressionou seus lábios nos dela, com mais firmeza dessa vez. Passando os dedos pelo cabelo dela, ele a beijou até que seu corpo começou a vibrar contra ele.

— Então fique à vontade — ele murmurou.