Uma Surpresa na Primavera

Carrie Elks · Capítulo 2 de 38

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Uma Surpresa na Primavera

Capítulo 2

Dai-lhes bons bifes de ferro e aço, que eles comerão

como lobos e combaterão como demônios.

— Henrique V

 

— Boa noite, sr. MacLeish — o manobrista do hotel cumprimentou, abrindo a porta do carro, quando Lachlan soltou o cinto de segurança. Deixou o motor ligado — não havia sentido em desligá-lo — e saiu do Porsche Panamera cinza-chumbo, pegando o telefone no console quando começou a tocar.

De novo.

Olhou para a fachada branca de estilo art déco do Hotel Greyson que se elevava sobre os dois e depois de volta para o manobrista, colocando o aparelho no bolso e ignorando a chamada.

— Como vai a família, Paul? — perguntou, apertando a mão do homem e colocando uma nota em sua palma.

— Estão todos ótimos. — Paul olhou para o carro de Lachlan e assoviou em apreciação. — Este é uma beleza. Vou cuidar bem dele para o senhor.

Quando Paul entrou no carro, Lachlan mexeu os ombros, tentando aliviar a tensão dos músculos dali. O cheiro do mar, o aroma salgado preso ao ar quente da noite, o rodeava. Ao contrário de Nova York, o clima estava ameno o suficiente para usar apenas calça e paletó — a gravata havia sido retirada e enfiada no bolso horas antes.

O telefone tocou de novo, aquela vibração familiar no osso do quadril. Ele passara a maior parte do dia em reuniões, tentando evitar uma crise em Nova York. As três horas de videoconferência, seguidas por mais duas de negociações tensas com seus investidores, não melhoraram seu humor.

— Como vai, sr. MacLeish? — a concierge perguntou enquanto ele entrava no hotel. — Sua convidada está no restaurante. Avisamos a ela que o senhor chegaria alguns minutos atrasado.

— Obrigado, Maria. — Lachlan acenou com a cabeça para a jovem. Pareceu uma boa ideia antes ter marcado um jantar com sua possível advogada escocesa para ver se ela seria adequada para assumir seu caso. Mas agora ele preferiria cair na cama.

— E a recepção tem algumas mensagens para o senhor. Eu pedi para enviarem para o seu quarto.

Um grupo de turistas — com muito dinheiro e roupas caras — entrou no saguão do hotel, as rodinhas das malas rangendo pelo chão de mármore. Quase imediatamente o espaço de três andares estava cheio de vozes altas que ecoavam pelo lago interno.

— Vou te deixar atender esse pessoal — Lachlan falou, inclinando a cabeça para o grupo. — Tenha uma boa noite.

— Obrigada, senhor. Igualmente.

Enquanto atravessava o saguão, passando pelas gigantes esculturas abstratas de prata e pelas árvores enormes em vasos, Lachlan sentiu uma onda de orgulho explodir em suas veias. Quando investiu no hotel, teve prejuízo e perdeu muito dinheiro, apesar da ótima localização. Foram necessários alguns anos para formar a melhor equipe, custear as instalações e atrair o tipo de hóspede que estaria disposto a pagar os preços que cobravam. Mas, finalmente, o lugar estava dando lucro.

Assim como tudo o que ele tocava, fizera dali um sucesso.

Quando virou em direção ao restaurante, o maître sorriu calorosamente, estendendo a mão para apertar a de Lachlan com firmeza.

— Sua convidada está sentada à sua mesa de sempre, sr. MacLeish.

Lachlan olhou para o relógio. Vinte minutos atrasado. Se sentiu um pouco culpado por fazê-la esperar depois de ter voado toda aquela distância.

O Palm Room era um restaurante metade coberto, metade aberto, com uma parede de portas de vidro que dava para um terraço repleto de palmeiras. Embora o interior fosse pintado de branco, todo o restante do salão era colorido, das cadeiras de veludo roxo às pinturas de Jackson Pollock escolhidas a dedo.

Como o restante do hotel, desde que fora reformado, o Palm Room se tornara um refúgio da moda para os ricos e famosos. No canto, ele podia ver um antigo magnata dos transportes marítimos, amigo de seu pai, jantando com uma garota que era jovem o suficiente para ser sua filha. Do outro lado estava uma subcelebridade, olhando pelo salão para ver se alguém a reconhecia e ignorando totalmente seu companheiro de jantar — um ex-criminoso conhecido que tinha dinheiro suficiente para comprar a companhia que quisesse para o jantar. Lachlan acenou para eles, depois continuou até as portas de vidro e saiu.

O terraço era seu lugar favorito para fazer as refeições, mesmo no começo da primavera. Embora a temperatura estivesse um pouco abaixo dos vinte graus, o exterior parecia tão quente quanto o interior.

Sua mesa habitual ficava do outro lado, afastada das demais para proporcionar certa privacidade, e tinha vista para o Oceano Atlântico. Quando o sol encontrava o mar e o céu escurecia, as palmeiras que separavam o hotel da praia se transformavam em silhuetas negras na água azul-acinzentada.

Mas não foi a vista que chamou sua atenção. Foi a mulher sentada à mesa com o rosto virado enquanto olhava para a baía.

Ele quase parou de repente. Havia algo nela que o fez querer parar e olhar por um momento. Não era apenas sua aparência — embora isso fosse o suficiente —, mas o jeito como ela se continha o intrigou. Enquanto ela olhava para o mar com o cabelo loiro preso em um coque perfeito e a expressão distintamente serena, ele imaginou que ela fosse uma equivalente feminina ao rei Canuto. Mas, no caso dela, se o Atlântico ousasse se mover pela areia, ela só teria que levantar a mão para que ele se afastasse novamente.

Deus, havia sido mesmo um longo dia. Estava vendo coisas que não existiam.

Balançando a cabeça, ele caminhou até a mesa e relaxou o rosto em uma expressão amigável. Negócios eram negócios, não importava o quanto ele estivesse cansado.

— Srta. Shakespeare?

Quase imediatamente ela se virou para olhar para ele, seus lábios se curvando em um sorriso. Isso fez suas bochechas se erguerem e o canto dos olhos franzir.

— Sr. MacLeish? — ela perguntou. Quando ele assentiu, a moça se levantou, oferecendo a mão.

— Me desculpe, estou atrasado. Fiquei preso em reuniões — ele explicou, apertando a mão dela. Sua palma era quente e macia contra a dele. Olhou para seus dedos. E sua manicure perfeita. Quando voltou a olhar para o rosto da moça, seus olhos encontraram os dela, profundos e azuis. Havia uma suavidade em seu olhar que contrastava com seu exterior de aço. Ele podia se ver refletido na escuridão de suas pupilas.

— Sem problemas — ela disse, soltando sua mão. — Fiquei admirando a paisagem. — Sua voz era suave, mas rápida — o tipo de sotaque que ele ouvia sempre que visitava Londres. Estranho que ela fosse da Escócia, onde o sotaque era mais lírico e profundo.

Como o de seu pai.

— Como foi a viagem? — ele perguntou, apontando para a cadeira e gesticulando para ela se sentar.

— Foi longa, mas consegui trabalhar bastante. — Ela alisou a saia enquanto se sentava, e ele seguiu o exemplo, se recostando na cadeira e cruzando as pernas por baixo da mesa. — Isso me deu a chance de reler suas informações. Eu queria estar por dentro de tudo.

— Peço desculpas pela pressa — ele falou, pegou a garrafa de água e se serviu. — Gostaria de mais? — perguntou. Ela assentiu, e ele encheu seu copo, fechando-a em seguida. — Essa herança é muito importante para mim, e eu quero ter certeza de que tenho a ajuda certa. Você foi altamente recomendada.

Ela sorriu de novo. Era impossível afastar os olhos dele. Foi quase um alívio quando o garçom chegou, perguntando se já iam fazer os pedidos.

— Uma taça do Bryant Cabernet, por favor — Lachlan falou ao garçom. Ele não tinha a intenção de beber, mas uma taça poderia afastar a tensão. — E você, srta. Shakespeare?

— É Lucy. — Ela balançou a cabeça, recusando, quando o garçom lhe ofereceu a carta de vinhos. — Estou bem com a água, obrigada.

O garçom saiu e os dois ficaram em silêncio por um momento, exceto pelo som do mar atrás dela e a conversa baixa no restaurante.

— É um belo restaurante — Lucy elogiou, olhando por cima do ombro para os arredores. — O que eu vi no salão principal eram Pollock?

— Sim, eram. — Ele ficou aliviado por não estarem entrando direto nos negócios, não importando o quanto estivesse cansado. — Nós trabalhamos duro para conseguir o melhor para o restaurante. E a comida é ainda mais surpreendente que a decoração. O chef e a equipe são excelentes.

O garçom trouxe o vinho e depois se afastou. Lachlan ergueu a taça, deixando o aroma preencher seus sentidos por um momento antes de tomar um gole. O gosto era tão bom quanto se lembrava.

— Fui a uma exposição de Pollock na Galeria Nacional de Edimburgo há alguns anos — ela disse. — Foi fascinante. Há algo hipnótico em suas pinturas que nos faz querer ficar olhando para elas por horas.

— Sempre morou em Edimburgo? — ele perguntou, ainda intrigado com seu sotaque.

— Não, eu nasci em Londres. Me mudei para lá quando tinha 18 anos para estudar direito. Acho que me apaixonei pela cidade e nunca mais fui embora.

— Isso explica o sotaque — ele falou. — Eu não estava conseguindo identificá-lo.

— Eu moro lá há dez anos — ela disse, com aquele sorriso brincando em seus lábios novamente. — Mas ainda não consegui me livrar do sotaque inglês. Felizmente os meus clientes não parecem se importar, mesmo que a maioria deles seja nascida e criada na Escócia.

Palmas soaram da mesa a poucos metros deles quando um garçom trouxe um enorme bolo de chocolate coberto de velas. Lachlan olhou por cima do ombro para ver do que se tratava, depois se virou para ela.

— O que te fez decidir se tornar advogada? — ele perguntou. Parecia estranho questionar isso, mesmo que esse fosse o motivo do jantar. Ele deveria estar entrevistando a jovem, se certificando de que ela era a pessoa certa para o trabalho. Afinal, essa era a razão pela qual ela voara mais de três mil quilômetros para se encontrar com ele.

Ele ainda preferia saber o que ela pensava sobre o hotel.

— Eu sempre me interessei por direito — ela respondeu, olhando para cima e chamando sua atenção. Ele ergueu a taça de vinho e tomou um gole, segurando o olhar dela.

— O que te interessou nisso?

Ela inclinou a cabeça para o lado, ponderando sua pergunta.

— Sem as leis, a sociedade como nós conhecemos não poderia existir. Elas nos dão estrutura para vivermos. Na maioria das vezes, as leis impedem as pessoas de se comportarem mal, e, mesmo que se comportem mal, elas garantem que os infratores sejam punidos.

— Dá a entender que você deveria ter escolhido a área criminal — Lachlan murmurou.

— Eu sempre achei que seria advogada criminalista, mas, depois que fiz estágio, descobri logo que não gostava dessa área.

— Por que não? — Ele parecia genuinamente interessado, se inclinando para ouvir sua resposta.

— Porque muitos dos meus clientes eram criminosos.

Ele riu e ela também. Sua risada era mais rouca do que ele esperava, e isso o fez estremecer momentaneamente.

— Você só gosta de estar do lado bom e do correto?

— Mais ou menos isso.

— Acho que eu deveria tomar isso como um elogio.

— Bem, pelas informações do seu caso, eu diria que você está do lado certo — ela disse, com um tom leve. — Mas não posso dizer mais nada.

Uma onda quebrou na praia atrás dela, as palmeiras balançando na brisa. Antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, o garçom se aproximou para anotar os pedidos e ele teve que afastar o olhar de Lucy.

 

Lucy cortou a costeleta de cordeiro no prato à sua frente. Olhando para Lachlan, roubou um olhar enquanto ele espetava um pedaço de bife com o garfo. Ela o notara no minuto em que ele entrou no restaurante. Seu coração batera forte no peito enquanto o observava conversando com o maître. Irritada consigo mesma — e com suas reações —, ela tinha se virado, olhando para o mar até que sua pulsação se equilibrasse, embora tivesse acelerado de novo assim que ele disse seu nome.

E por um momento, enquanto os dois estavam de pé, e a mão dele envolvia a sua, ela sentira como se estivesse sendo sugada para o mar, empurrada e puxada pelas ondas. Mas então tinha respirado fundo e se recomposto.

Sim, ele era lindo e tinha olhos que pareciam ver através dela, mas também era seu cliente. E Lucy Shakespeare sempre era profissional.

— Você passa muito tempo em Miami? — ela perguntou, decidida a voltar aos trilhos e ignorar a aparência do homem no paletó de corte perfeito. Esse tipo de corte não se encontrava em araras de lojas; era feito por encomenda. — Pelas informações que eu li do seu caso, entendi que a sua base é Nova York, certo?

— Sim. — Lachlan assentiu, colocando os talheres de volta no prato. Quando ele a encarou, houve um magnetismo que atraiu seus olhos de volta para os dele. Ele era intensamente másculo, mas não de maneira óbvia. Tinha a ver com sua confiança e o modo como se portava. — A maioria dos meus interesses comerciais está em Nova York, mas eu tenho este hotel e alguns outros investimentos aqui em Miami. Além disso, claro, a minha família está aqui.

Claro. Pelas informações dele, ela sabia que seu pai tinha morado em Miami. O testamento dele havia sido registrado ali.

— Sinto muito pelo seu pai — ela disse, com a voz suave. — Sinto muito mesmo.

Ele piscou algumas vezes, como se algo tivesse entrado em seu olho. Então assentiu, aceitando sua oferta.

— Obrigado. Embora, como você vai descobrir, o nosso relacionamento nem sempre tenha sido dos mais fáceis.

Ela sabia tudo sobre famílias difíceis. Quem não as tinha?

— Sou especialista em direito imobiliário — disse, querendo tranquilizá-lo. — Acredite, eu lido com isso diariamente. — Ela só conseguiu comer metade do jantar. Colocou a faca e o garfo no prato e o cobriu com o guardanapo. Odiava ver restos de comida quando estava satisfeita. — Na verdade eu tenho algumas perguntas sobre o seu caso. Tudo bem se nós conversarmos sobre isso? — Falar sobre o caso a fez sentir como se recuperasse o equilíbrio. O direito era sua sustentação, a fazia se sentir segura. Ela sabia onde estava quando se tratava de ser profissional.

— Claro.

— Se importa se eu anotar? — perguntou, olhando para sua pasta. — Normalmente eu não faço isso durante o jantar, mas, como nós temos pouco tempo, eu quero aproveitar ao máximo.

— Me desculpe por isso — Lachlan disse, oferecendo a ela um sorriso de pesar. — É que a morte e o funeral do meu pai me mantiveram afastado do trabalho por muito tempo. Tem cem pessoas tentando marcar uma hora comigo. Esta noite foi tudo o que restou.

— Não precisa se desculpar comigo — Lucy o tranquilizou. — Você é o cliente — ou, pelo menos, possível cliente. — É você quem faz as regras.

Ele piscou com suas palavras.

— Nesse caso, pergunte.

— Talvez eu possa começar dizendo o que eu sei. — Ela sempre achava que essa era a melhor maneira de começar uma reunião de um caso. Reafirmar os fatos e verificar se estavam certos. Era incrível a frequência com que não estavam. — Eu li o testamento do seu pai e parece bem claro. Ele te deixou como herança um chalé nas Terras Altas, na Escócia. Se bem que, como tantas outras coisas por lá, chamar de chalé não faz justiça ao lugar. — Ela ergueu as sobrancelhas perfeitamente tratadas. — É mais um castelo do que um chalé. A propriedade Glencarraig consiste em mais de mil e duzentos hectares de terra, um lago, além de uma fazenda de salmões e uma manada de cervos. A propriedade inclui ainda algumas casas de funcionários, localizadas na aldeia vizinha, e hoje emprega mais ou menos trinta pessoas, algumas delas contratados por temporada.

— Sim, está certo — Lachlan concordou, assentindo. — Um castelo no meio do nada, com um título que não significa nada. Obrigado, pai.

Ela engoliu uma risada diante do sarcasmo.

— O seu pai alguma vez usou o título? — ela perguntou.

— Só quando queria impressionar as pessoas. Não me lembro de vê-lo andando por aí se identificando como laird. — Lachlan deu de ombros. — Embora eu não o visse com tanta frequência.

— E você? — ela perguntou. — Vai se identificar como laird de Glencarraig? — Parecia uma pergunta impertinente, mas ela estava tentando sondá-lo. Ver que parte da herança era importante para ele.

Lachlan riu, uma risada profunda e baixa.

— Não, acho que não.

— Mas você entende que isso vem com outro papel, não é? Que, herdando o chalé e o título, você também vai se tornar líder do clã MacLeish?

— Suponho que isso signifique tanto quanto o título — Lachlan falou, tomando outro gole de água. — Pouco relevante.

— Você ficaria surpreso — Lucy respondeu, examinando as anotações que fez durante o voo. — Por mais que o sistema feudal na Escócia tenha terminado há séculos, os clãs ainda são importantes para algumas pessoas. E não só para os MacLeish escoceses. Existem membros do clã em todo o mundo, e eles veem você como o líder. Às vezes os líderes de clãs são solicitados para mediar disputas.

— Você não pode estar falando sério.

— Com certeza o seu pai deve ter tido alguma experiência com isso. Você se lembra de ele ter se envolvido em questões de clãs?

— Não. Mas isso não significa nada. Como eu te disse, nós tínhamos um relacionamento muito complicado. Eu estive poucas vezes com ele quando era criança. — Ele balançou a cabeça, ainda parecendo incrédulo. — Isso é sério mesmo? Parece coisa de filme.

— É, sim. A internet mudou tudo. Alguns clãs têm grupos no Facebook ou contas no Twitter. Pode parecer arcaico, mas muitos escoceses, especialmente os expatriados, gostam disso.

Ela fez uma anotação mental para descobrir mais sobre o clã MacLeish. Qualquer coisa que pudesse dar credibilidade à reivindicação de Lachlan na propriedade seria de ajuda.

— Então, o que eu preciso fazer para resolver isso?

Lucy largou a caneta e olhou para ele.

— O principal problema é que outra parte contestou o seu direito à terra e ao título. Duncan MacLeish Jr. Seu irmão, certo?

— Meio-irmão.

— E ele é cinco meses mais novo que você? — A voz dela era objetiva.

— Correto.

Ela levantou a carta que estava por cima no arquivo dele, relendo-a rapidamente.

— O seu meio-irmão... Duncan... afirma que é o herdeiro legítimo. O advogado dele entrou em contato com você, pedindo que você liquide a herança. Caso contrário, vai entrar com uma ação. — Ela tirou os olhos do papel. — Você esperava por isso?

— Não me surpreende.

— Vocês dois não se dão bem? — ela perguntou. Seus olhos suavizaram, mas o tom ainda era profissional.

— O Duncan não é meu maior fã — Lachlan disse. — Ele contestaria qualquer coisa que nosso pai me deixasse, mesmo que fosse inútil.

— É mesmo? Por quê? — Ela inclinou a cabeça para o lado.

— Porque eu sou o meio-irmão ilegítimo dele. Isso faz alguma diferença?

— Não, não deveria. — Ela manteve seu olhar firme no dele. — A história escocesa está cheia de filhos ilegítimos que se tornam herdeiros. Depende dos termos do testamento e de existir alguma advertência sobre as terras. E até agora eu não encontrei nada. No que me diz respeito, os termos do testamento são claros e a lei escocesa apoia você.

— Então a contestação do Duncan vai se sustentar no tribunal?

Lucy balançou a cabeça lentamente.

— Não, eu acredito que não. Mas eu devo avisá-lo de que as engrenagens do nosso sistema judicial são lentas. O processo pode ficar preso no tribunal por um tempo, e isso pode acabar custando muito caro para você.

— Não me importo com o custo — ele falou, se inclinando para a frente com a expressão séria. — Eu pago o que for preciso. Eu quero vencer.