Uma Surpresa na Primavera

Carrie Elks · Capítulo 4 de 38

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Uma Surpresa na Primavera

Capítulo 4

Quando a velhice entra, o juízo sai.

— Muito barulho por nada

 

— Você recebeu algumas ligações. A lista está na sua mesa — Grant, o assistente de Lachlan, declarou, seguindo-o até seu escritório. Ele se inclinou, abriu o frigobar ao lado da estante e pegou uma garrafa de água. Tirou a tampa, encheu um copo e colocou na mesa do chefe. — Como foi a corrida?

Lachlan pegou uma toalha limpa do armário escondido na parede oposta da sala. Seu escritório tinha um pequeno banheiro anexo, perfeito para um banho após a corrida na hora do almoço.

— Pesada. É o que acontece quando a gente para por algumas semanas.

Grant Tanaka era um ano mais novo do que Lachlan, mas estava a seu lado desde o dia em que começara os negócios, da mesma forma que estiveram juntos na maior parte da vida. Cresceram em apartamentos vizinhos: Grant era filho de pais nipo-americanos que praticamente adotaram Lachlan. Como sua mãe trabalhava o tempo todo, os Tanaka se certificavam de que ele comesse, fizesse o dever de casa e não se metesse em confusão.

Bem, não muita, de qualquer maneira.

— Esqueci de perguntar. Como foi em Miami? — Grant indagou.

— Mais quente do que aqui, com certeza. — Através da janela de vidro do escritório, Lachlan podia ver o horizonte de Nova York. Cinza, nublado, mal reconhecendo o fato de que a primavera deveria ter chegado. — Valeu a pena só por ter encontrado a advogada escocesa. Espero que ela consiga criar uma estratégia para o caso de Glencarraig.

Grant arqueou uma sobrancelha.

— Você ainda está preso nessa coisa do Connor MacLeod, do clã MacLeod?

— Ei, não desdenhe. A advogada disse que eu posso intervir em disputas de clãs.

— Só pode haver um.

— Você vai citar Highlander para mim o dia todo ou eu posso tomar um banho antes da minha próxima reunião?

— Ah, sim, você realmente deveria fazer isso. — Grant franziu o nariz. — Está fedendo. Vá.

— Obrigado, cara.

— Ah, e a Jenn quer saber se você pode participar do jantar na sexta. Ela vai fazer sushi.

Lachlan olhou para o assistente por cima do ombro.

— Nesse caso, é um encontro. Uma mulher linda e um jantar maravilhoso são coisas boas demais para recusar.

Grant levantou as mãos.

— Ei, é da minha mulher que você está falando. Eu vou estar lá também.

Lachlan piscou.

— Eu sei, eu sei. Mas quando ela faz sushi eu não tenho olhos para mais ninguém.

— Sim, bem, guarde os seus olhos pra você — Grant advertiu, ainda sorrindo. — Essa garota é minha. — Ele olhou para o relógio e depois para Lachlan. — Melhor se apressar. A próxima reunião é daqui a dez minutos. — De repente, eles voltaram a ser chefe e assistente.

— Pode deixar.

— Quer que eu te traga um café? — Grant perguntou, se virando para sair da sala.

— Com certeza.

Lachlan observou Grant sair do escritório, fechando a porta suavemente atrás de si. Não era a primeira vez que sentia uma estranha combinação de inveja e confusão quando se tratava do amigo. Há anos, desde que começaram a trabalhar juntos, tentou promovê-lo inúmeras vezes por saber que Grant seria um excelente diretor. Mas o rapaz recusou, dizendo que preferia ter um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal que lhe permitisse passar mais tempo com a esposa.

Ele era um ótimo assistente e o amigo mais antigo de Lachlan. Alguns diriam que era seu único amigo. De qualquer forma, estava feliz em mantê-lo por perto, mesmo que isso significasse estar constantemente incomodado.

 

As luzes externas do escritório estavam apagadas desde que Grant fora para casa, muito tempo antes. O restante do andar também estava em silêncio, exceto pelo toque ocasional de um telefone que não era atendido e os passos furtivos da equipe de limpeza enquanto passava pelas escrivaninhas para esvaziar latas de lixo e encher os bebedouros antes de levar os carrinhos embora.

Atrás dele, através do vidro que ia do chão ao teto, a escuridão descia sobre Manhattan. O zumbido do tráfego havia se acalmado, e Lachlan não precisava olhar para ver que cada carro era um táxi. Cheio de gente saindo do trabalho e indo jantar, além de turistas explorando a cidade enquanto os taxistas os perseguiam.

Mas ele, não. Essa era uma das raras noites em que não tinha uma reunião ou um jantar de negócios.

Pegou o telefone com a intenção de procurar alguém em seus contatos, mas o deixou de lado de novo. O pensamento de uma noite na cidade não o entusiasmou — na verdade, sentiu o oposto. Devia ser o jet lag, as emoções intensas do funeral do pai e a surpresa do testamento. Talvez terminar a noite mais cedo fosse o melhor para ele.

Estendeu a mão para dar uma última checada nos e-mails antes de desligar o laptop. Com o mouse, percorreu as atualizações, as circulares, os convites — cada um pessoalmente examinado por Grant antes de passar para ele.

No meio do caminho, viu uma mensagem de Lucy Shakespeare. Levantando uma sobrancelha, clicou sobre ela, examinando o conteúdo.

Caro Lachlan,

Muito obrigada pelo jantar de segunda e por se

encontrar comigo. Anexada a este e-mail está uma carta de atendimento ao cliente, descrevendo os termos do nosso contrato e os custos praticados. Por favor, leia atentamente e me devolva uma cópia assinada. Pode ser uma versão digitalizada.

Conforme combinado, enviarei um documento com as

estratégias até o fim da semana e talvez possamos marcar uma videoconferência para discutir os próximos passos.

Atenciosamente,

Lucy Shakespeare

Era uma mensagem comercial simples, breve e concisa, mas ele podia ouvir cada palavra no elegante sotaque inglês da jovem.

Olhou para o relógio, mexendo o braço até que ele aparecesse além da linha dos punhos da camisa. Eram sete e meia em Nova York, o que significava que passava da meia-noite em Edimburgo. Deixou a mente vagar por um momento, se lembrando de como ela estava quando ele entrara no restaurante. O jeito como ela se portava, seu queixo apontado para cima revelando as linhas perfeitas do perfil contra o pano de fundo do céu escuro. Ela era intrigante demais e tão linda quanto.

Sim, e também era sua advogada.

Balançando a cabeça, ele estendeu a mão para desligar o laptop, depois empurrou a cadeira para trás e se levantou para pegar o paletó. Estava abalado após a morte do pai, era só isso. Nada além disso. Pegou o telefone do bolso, selecionou a agenda de contatos e fez uma ligação. Quando a mulher do outro lado atendeu, ele estava saindo do escritório e indo para o hall de elevadores do outro lado.

— Oi, Julia — cumprimentou, sua voz ecoando pela linha. — É o Lachlan. Estava indo para o clube e pensei em você. Quer tomar um drinque comigo?