Uma Surpresa na Primavera

Carrie Elks · Capítulo 14 de 38

Páginas do PDF

Uma Surpresa na Primavera

Capítulo 14

Eu, que nunca chorei, agora me derreto em dor.

Aquele inverno cortou a nossa primavera.

— Henrique VI, parte 3

 

— Me explique mais uma vez: você está em um castelo no meio do nada, com o sr. McLaird Gostosão no quarto ao lado, e decidiu que queria falar comigo? Mas no que é que você está pensando? — Kitty parecia se divertir. Elas estavam conversando por Skype, muito melhor do que tentar usar o sinal inexistente do celular. Lucy fez uma nota mental para agradecer a Alistair pelo poderoso wi-fi.

— Ele não é um gostosão — disse à irmã. — É meu cliente. — Ela não parecia muito convincente.

— Luce, eu pesquisei no Google. Se ele não é gostoso, então o Adam não é o melhor roteirista de documentários do mundo. O que, a propósito, ele é.

— Como ele está? Já começou aquele projeto novo? — Lucy perguntou.

— Ah, não, você não vai tentar mudar de assunto. Eu te conheço muito bem. — Kitty riu, parecendo satisfeita por, finalmente, virar a mesa e interrogar a irmã mais velha. — Vamos lá, desembucha. Ele é tão lindo na vida real quanto parece na tela do computador?

Lucy estremeceu, puxando as cobertas até o queixo. Glencarraig podia ser o lugar mais bonito que ela já tinha visto, mas o chalé estava absolutamente gelado. Havia um velho aquecedor de ferro no canto do quarto, mas havia muito tempo tinha desistido de sua batalha contra o frio. Toda vez que expirava, a respiração permanecia na sua frente em uma cortina esfumaçada. Até mesmo seus arrepios se arrepiaram.

— Tem falado com a Cesca? — Lucy perguntou. — Está igualzinha a ela.

— Talvez.

Lucy suspirou.

— Ele é bonito — ela disse —, para quem gosta do tipo.

— E é rico — Kitty completou. — Sem mencionar que fica incrível de smoking. Viu a foto dele no baile de gala do Met do ano passado?

— Kitty, por favor, pare de cobiçar o meu cliente — Lucy falou, apoiando a cabeça no encosto. — Não é profissional.

— E daí? — Kitty retrucou, o riso ainda na voz. — Profissionalismo não significa nada quando se trata de atração. Olhe para mim e o Adam. Eu deveria estar trabalhando para o irmão dele, mas acabei me apaixonando por ele.

— Isso é diferente.

— Como? — Ela parecia genuinamente interessada.

— Porque você estava trabalhando como babá só por algumas semanas. Se algo acontecesse entre mim e um cliente, poderia colocar toda a minha carreira em risco. Eu dei muito duro para chegar onde estou e não vou arriscar isso dando em cima de um cara que acabei de conhecer.

— Mas você está atraída por ele, certo?

Lucy franziu os lábios, soprando um pouco de ar. Ela o viu se transformar em vapor novamente.

— Não sei — admitiu. — Acho que um pouco. Mas não faz diferença.

— Ah, Luce.

— Não me venha com ah, Luce.

— Vou fazer isso sempre que eu quiser. Se alguém precisa ser repreendida, é você.

Lucy riu.

— Do que é que você está falando?

— Olha, esse cara, Lachlan. Bonito, sexy e, pelo que você me disse, está terrivelmente atraída por ele.

— Eu não disse nada de terrivelmente.

— E ele também gosta de você. Certo? — Kitty perguntou.

— Não sei...

— Ele voou para Edimburgo e exigiu que você largasse tudo para passar as próximas vinte e quatro horas com ele, e nós duas sabemos que um cara desse não precisa ter você como babá. Ele é praticamente perfeito. Então, por que você está sentada sozinha no quarto e falando comigo, quando poderia estar devorando o velho e mal-humorado laird?

— Ele não é mal-humorado.

— Eu sei.

— Nem velho.

— Arrã.

— E não é laird. Ainda não.

— Mas você ainda quer devorá-lo, certo?

— Isso não é engraçado. — Lucy fechou os olhos por um momento, querendo bloquear tudo. — Estou fazendo tudo o que posso para ser profissional. Você não pode me dar um pouco de apoio?

— Pode resistir a tudo o que quiser — Kitty disse —, mas não pode lutar contra a natureza. Quando a atração aparece, é impossível ignorar. Acredite em mim, eu sei.

Engraçado como Kitty tinha saído da concha desde que conhecera Adam, no inverno anterior. E agora ela parecia pensar que era a fonte de todo o conhecimento quando se tratava de relacionamentos.

— Não tem nada de feroz entre nós — Lucy apontou. — Sou uma mulher adulta, tenho certeza que posso me controlar.

— Continue acreditando nisso — Kitty provocou, com um sorriso na voz. — E na semana que vem você pode me dizer que o Papai Noel realmente existe e que a Fada do Dente está construindo um palácio com todos os nossos molares.

— Tchau, Kitty. — Lucy puxou o telefone do ouvido e mostrou a língua para a tela.

Kitty estava muito ocupada rindo para responder.

 

O quarto estava silencioso, exceto pelo barulho ocasional do aquecedor quase imprestável no canto. Lá fora, no pátio de entrada, ela podia ouvir cada rangido e gemido que uma construção antiga podia proporcionar, além de alguns gritos e sons de coisas se arrastando. Ela estremeceu na cama — mais pelo frio do que de medo. O pijama macio de botão e as meias de dormir não combinavam com a brisa fria das Terras Altas.

O profundo som de sinos do relógio de pêndulo no hall de entrada ecoou pelos corredores, dizendo a ela, com doze badaladas, que a meia-noite finalmente havia chegado. Ela se virou de lado, enrolando o corpo em uma bola e desejando dormir.

Outro barulho. Dessa vez, do seu telefone, que estava carregando ao lado, na mesa. Ela pegou, visualizando a mensagem.

Está dormindo?

 

Lachlan estava enviando mensagens para ela no meio da noite. De alguma forma, isso parecia mais perigoso do que estar perto dele.

Decidiu cortá-lo rapidamente, respondendo.

Sim.

 

A resposta foi quase imediata.

Mentirosa.

 

Apesar da temperatura gelada, ela podia sentir um fogo começar a queimar dentro de si. O canto do lábio arqueou.

Posso te ajudar com algo, sr. MacLeish, ou você

costuma enviar mensagens para todos os seus

advogados no meio da noite?

 

Você digita muito bem para uma pessoa que está dormindo.

O sorriso finalmente explodiu em seu rosto. Kitty estava certa: ele era difícil de ignorar.

Se eu conseguisse dormir, dormiria. É quase impossível pegar no sono em temperaturas abaixo de zero. Alguém

precisa avisar a Glencarraig que a primavera chegou.

 

Está frio aí? Aqui está parecendo um forno.

 

O quê?

 

No minuto seguinte, seu telefone estava tocando. Ela não precisava olhar para a tela para saber quem era.

— Lachlan.

— Está com frio? — ele perguntou, sua voz profunda e baixa.

— Congelando — respondeu. — Até o aquecedor está de casaco.

Ele riu.

— E o seu fogo? Não está te aquecendo?

— Que fogo?

Sua risada ficou mais alta.

— Não, estou falando sério, que porcaria de fogo? — Ela ficou indignada. — Não tenho fogo. Você tem uma lareira?

— Sim, tenho. E das grandes. Aqui está tão quente quanto o inferno.

— Isso não é justo. — Ela queria fazer beicinho. — Onde está o meu fogo?

— Eu posso te ajudar com isso — ele ofereceu. — Tem madeira no seu quarto?

— Não tem nem lareira. — Ela balançou a cabeça, embora ele não pudesse vê-la. — Como conseguiu o quarto com lareira?

— Sou praticamente o laird. Recebo todas as coisas boas. — Seu tom foi o suficiente para dizer a ela que estava brincando. Mas não a impediu de querer bater nele. E beijá-lo.

Pare com isso agora mesmo.

Ela bufou.

— Vou fazer uma reclamação amanhã. Direto com o chefe.

— Ele vai tremer, aposto — Lachlan falou. — Muito parecido com você agora.

— Cale-se.

— Ah, você está cheia de respostas esta noite.

— É difícil pensar em frases de efeito quando todo o seu corpo está sucumbindo ao congelamento. Sério, que tipo de lugar é este? Por que me colocaram neste quarto quando você tem lareira?

— Quer trocar? — Sua oferta parecia genuína. Por um momento ela se imaginou deitando em sua cama. Ainda sentiria seu cheiro? Seria capaz de sentir onde ele estava deitado? Ainda manteria seu calor?

— Não — murmurou. — Estou bem.

— Não está nada bem. Você deveria vir para cá.

— Mas aí você vai congelar — ela apontou. — Tudo bem, eu posso aguentar por uma noite. E depois disso eu vou embora.

— Lucy, venha agora para cá. Sou seu cliente e isso é uma ordem.

Ela hesitou, sem ter certeza se estava excitada ou chocada com a oferta. No fim, o bom senso venceu.

— Boa noite, Lachlan. Durma bem. — Sem esperar resposta, ela encerrou a ligação e, por precaução, colocou o aparelho no silencioso. Se sentiu muito tentada. A única maneira de evitar isso era fingir que não existia.

Batendo o telefone na mesa de cabeceira com um baque satisfatório, se deitou na cama, cruzando os braços sobre o peito. Fechou os olhos, apertando-os com força, mas não adiantou. Estava muito nervosa para dormir. Sua cabeça estava cheia demais dele, os pensamentos a atingindo como um lutador peso médio determinado a ganhar o título.

Ela bufou, se virando de lado, curvando as pernas para tentar conservar o calor. Mas estava ficando cada vez mais frio, o ar da noite invadindo seu quarto pelas frestas da janela e dançando ao redor do quarto.

Ali era como o Ártico.

Então se sentou, puxando o pijama para um pouco mais perto. Sem se permitir pensar, colocou os pés descalços sobre as tábuas de madeira e atravessou o cômodo, os passos quase inaudíveis. Em poucos instantes, estava em pé na frente de uma grande porta de carvalho, consciente de que do outro lado estava o homem que ela não conseguia tirar da cabeça, não importava quanto tentasse.

Levantou a mão, fechando os dedos contra a palma. Mas, assim que avançou, prestes a bater, o bom senso a atingiu.

O que ela estava fazendo?

Ela era sua advogada, não amante. Não tinha nada que ficar do lado de fora do seu quarto, não importava quanto estivesse com frio. A camada de profissionalismo que ela trabalhara tão duro para cultivar estava quase se quebrando.

Ela andou para trás, afastando a mão com força, em seguida se virou e correu de volta para o quarto, sem se importar se ele havia ouvido os passos. Seu coração batia forte quando voltou para a cama, embora não tivesse feito nada para aquecer seu corpo. O único lugar que tinha algum calor era a vermelhidão em suas bochechas.

Sua porta rangeu, e ela olhou para cima para vê-la se abrir. Lachlan entrou, usando apenas a calça de um pijama. Ela podia ver cada ondulação de músculo em seu torso, exposto no brilho claro do abajur em sua cabeceira. Bom Deus, se o achava atraente antes, não era nada comparado a esse desejo irresistível que ela estava sentindo agora.

Ele não disse uma palavra. Em vez disso, caminhou em direção a ela e levantou os cobertores, pegando-a como se ela não pesasse quase nada. Embalou-a contra seu peito nu e ela, por reflexo, segurou seus braços, com medo de que pudesse cair.

Ele era todo músculo e pele macia. Nem um grama de gordura aninhada entre os cumes dos seus músculos deltoides. E estava quente, muito quente. Ela não pôde evitar pressionar o rosto contra o peito dele, fechando os olhos para respirar seu cheiro. Ele se virou, levando-a para fora do quarto, seus passos ficando mais altos quando chegou ao chão de madeira no corredor. Depois a levou para o quarto, atravessou o tapete e foi em direção à cama de dossel do outro lado.

Ele a deitou no colchão, puxando as cobertas sobre ela antes de subir ao seu lado na cama, que era pequena para um casal. Não havia como escapar, mesmo que ela tentasse.

Seu corpo inteiro estava tremendo, como se finalmente tivesse percebido o que estava perdendo. O fogo na lareira estalou e se ergueu, a luz alaranjada brilhando nas paredes pintadas de branco. Ele estendeu a mão para ela, puxando seu corpo contra o dele. Os braços envolveram sua cintura, segurando-a com força.

A fina camada de profissionalismo que ela trabalhara tanto para conservar se fundiu no ar quente. Ela se enrolou nele, fechando os olhos.

— Meu Deus, estou com tanto frio — ela sussurrou, pressionando o rosto contra o peito de Lachlan, a pele gelada encontrando seu calor.

— Estou tentando te aquecer — ele disse. — O jeito mais rápido é o calor corporal. Como naqueles shows de sobrevivência na TV. — Ele deslizou as mãos por baixo de seu pijama e uma série de arrepios percorreu sua coluna.

Nenhum dos dois falou enquanto ele a abraçava com força, sua pele lentamente descongelando enquanto o corpo quente de Lachlan se pressionava contra ela. Toda vez que ela inspirava, podia sentir o cheiro dele — amadeirado, terroso, insuportavelmente sexy.

Então ele começou a esfregar suas costas em círculos lentos e sensuais, as palmas quentes e lisas. Ela não podia deixar de se arquear com o toque, o corpo inteiro se tornando vivo a cada movimento, como uma paisagem congelada se derretendo na primavera.

Era errado que seus quadris começassem a se mover, pressionando contra ele a cada giro? Era errado que todo o seu corpo estivesse formigando, os mamilos intumescidos contra a pele dele? Se fosse errado, então o calor que se formava entre suas coxas era tão pecaminoso que ela não suportava pensar.

Levantou a cabeça para olhá-lo. Lachlan a observava com uma intensidade que atingiu seu corpo inteiro. Seus lábios se separaram o suficiente para forçar o ar que queria ficar preso em sua garganta. Tudo nele a consumia.

Ele moveu as mãos por suas costas, os dedos deixando um rastro de fogo e gelo ao longo da coluna. As palmas das suas mãos pressionaram no recuo logo acima das nádegas, deixando as terminações nervosas em um frenesi de atividade. A perna coberta pelo tecido estava entre as dela, provocando uma fricção deliciosa que fez todo o seu corpo formigar. Ela não conseguia se concentrar em mais nada.

— Lucy. — Sua voz era suave, mas urgente.

— Hum? — Palavras reais eram impossíveis naquele momento.

— Se você continuar se mexendo assim, não me responsabilizo pelo que pode acontecer. Você está me deixando louco.

Ela não pôde evitar o sorriso que surgiu em seu rosto. Não era possível evitar o fato de seus quadris se moverem de novo, só para testar sua força de vontade. Ele fechou os olhos, a tortura escrita em todo o rosto. Estavam brincando com fogo agora.

— Quer me ver perder o controle? — Sua voz estava rouca. — Continue o que está fazendo.

Lachlan capturou seu olhar como se estivesse procurando permissão. Ela manteve os olhos nos dele, sua expressão lhe dizendo que queria a mesma coisa. Lachlan segurou os botões do pijama, abrindo um por um com habilidade. Seus olhos baixaram, absorvendo a visão dos seios semiexpostos, as pálpebras ficando pesadas quando ele desabotoou o último.

Ela ficou em silêncio enquanto ele deslizou as mãos quentes até os ombros, empurrando o material felpudo por seus braços. Em seguida, ele o empurrou até que deslizasse de suas costas, caindo no colchão. Envolvendo os braços ao redor dela, ele a abraçou até que seus seios estivessem pressionados contra o peito duro. Ela pôde sentir sua respiração falhar quando tentou inspirar, a proximidade a deixando louca.

As mãos dele se moveram para baixo, e, apesar do pijama de lã, ela podia sentir cada dedo apertando sua pele.

Ela inclinou a cabeça até que seus lábios estivessem na orelha dele, o hálito suave contra sua bochecha. Ele soltou um gemido estrangulado, que havia ficado preso em sua garganta, o som ecoando contra ela.

— Lucy...

— Lachlan...

— Nossa... caramba, o que nós estamos fazendo?

— Você está me aquecendo.

— Sim, isso. — Ele passou as mãos por baixo do elástico do pijama, as palmas das mãos aquecidas deslizando por suas nádegas. A sensação de pele contra pele provocou em Lucy outro choque de prazer. Quem estava controlando quem ali?

Havia apenas um centímetro entre seus lábios e a bochecha dele. Ela praticamente podia sentir a barba por fazer roçando em sua boca. Expirando, ela acabou com a distância, pressionando os lábios no queixo dele.

— Eu devia ter deixado você congelar — ele murmurou. — Você é terrível.

Uma risada alta escapou da boca de Lucy. Ela não conseguia se lembrar da última vez que se sentira tão bem. A última vez que estivera tão envolvida com o momento.

— Eu devia ter deixado você se queimar.

— É você que está me queimando. — Ele virou a cabeça até que os lábios dela roçaram o canto da sua boca. — Caramba, mulher, o que você quer que eu faça?

— Nada — ela sussurrou no canto dos seus lábios. — Nada mesmo.

Era estranho como ela havia hesitado pouco antes de beijá-lo. Como se fosse mais íntimo do que o modo como seus corpos estavam entrelaçados, mais significativo do que as mãos que pressionavam sua pele nua. Um beijo era capaz de despir uma pessoa, deixá-la vulnerável. Era um salto de um penhasco com os olhos fechados.

Lachlan afastou a mão das costas dela, alcançando sua bochecha. O polegar dele acariciou a linha da orelha até os lábios. Seu peito parecia estranho, como se o ar estivesse saindo lentamente dela.

Fechando os olhos, ela se aproximou da beira do penhasco, hesitante enquanto dava um passo para o ar. Mas, antes que ela pudesse dar o último salto, Lachlan moveu sua boca para a dela. Seus lábios eram quentes e exigentes, beijando-a como se ela segurasse seu último suspiro. E ela estava retribuindo, a mão ainda segurando a linha da mandíbula, a outra envolvendo o pescoço até alcançar a nuca. Suas pernas ainda estavam entrelaçadas e se apertavam uma contra a outra em um ritmo subconsciente, dançando uma melodia silenciosa que só os dois conheciam.

Não era o céu, não era o inferno, era um lugar muito, muito longe dali.

Um lugar onde só os dois existiam. E de onde ela não queria mais sair.

 

Aquela era a noite mais sensual de sua vida. A mais dolorosa também. Ele a abraçou, seu corpo suave e macio contra o dele, movendo os lábios unidos com uma urgência que ele não entendia muito bem.

Quanto tempo se passara desde que esteve com uma mulher? Um mês, dois? Não era de admirar que seu corpo estivesse tão responsivo.

Lucy também estava. Sua boca estava quente, os lábios deram boas-vindas aos dele quando deslizou sua língua contra a dela. Quando terminaram o beijo, a respiração dela estava ofegante e quente contra sua pele, o peito de Lucy subindo e descendo em um esforço para pegar um pouco de ar.

Ele acariciou o peito dela com a ponta do dedo até sentir a pele firme da aréola, o toque suave e provocante. Ela arqueou as costas em sua direção, encorajando seus movimentos até que a mão estava roçando no mamilo dela. Ela ofegou, e ele a beijou novamente para provar sua excitação.

E agora a tentação era dolorosa. Seu corpo inteiro pulsava com a necessidade de tê-la, de estar dentro dela. Sua coluna estava tensa, os músculos contraídos, e o pulsar em seu membro era impossível de ignorar.

Acariciando o mamilo entre o polegar e o indicador, ele a beijou novamente, as línguas se entrelaçando enquanto provavam e lambiam. O gemido dela provocou uma onda de prazer no corpo dele, fazendo-o vibrar em resposta. Mas era demais. Ele não tinha certeza se poderia resistir por muito mais tempo.

— Lucy... — ele murmurou contra os seus lábios macios. — Está tudo bem?

— Sim — ela sussurrou.

— Quer mais?

Suas pernas se separaram debaixo dele em resposta a sua pergunta. Ele deslizou a mão por baixo do cós da calça, sentindo a suavidade do seu ventre na palma da mão. Ele se moveu ainda mais, os dedos fazendo círculos lentos e sensuais até que pudesse sentir sua umidade e seu calor, o que a fez soltar um pequeno gemido de prazer.

— Você quer isso, Lucy?

— Sim. — Sua voz estava mais firme dessa vez, embora os lábios ainda estivessem colados aos dele. — Mas não tenho preservativo.

— Eu tenho. — Ele olhou profundamente em seus olhos, percebendo como ela o olhava, como se ele tivesse todas as respostas. E isso o excitou mais do que nunca. Ele puxou a calça do pijama dela, e Lucy se arqueou no colchão enquanto ele a tirava, fazendo o mesmo com a dele e jogando-a no chão. Pegando a carteira na mesinha de cabeceira, tirou a embalagem, abriu-a com habilidade e colocou o preservativo. Em seguida, estava sobre ela, com os braços ao lado do seu corpo, os dois a centímetros um do outro.

Ele acariciou o queixo dela com a mão, o polegar passando pelo lábio. Seu corpo latejava com insistência, fazendo-o se lembrar do quanto estava sofrendo por ela, de como precisava estar dentro dela. Abaixando-se, sentiu-se roçar contra sua umidade, seu corpo o acolher, e então o choque de prazer que atingiu a coluna enquanto se movia lentamente dentro dela. Lucy ofegou, as pernas dela envolvendo seus quadris e o corpo exigindo um ritmo que ele estava muito disposto a dar.

Ele se moveu, entrando e saindo de dentro dela, provocando outro gemido. Beijando-a, ele capturou o som, sentindo as vibrações na sua coluna. Ela sentia prazer. Até demais. O suficiente para fazer o corpo dele tensionar com o desejo que atingia cada nervo. Ele deslizou as mãos por baixo dela, inclinando-a até que ela estivesse ofegando a cada estocada.

Se ele ia para o inferno, ela iria junto.

 

— Como foi que isso aconteceu? — ele murmurou. Estavam deitados em uma névoa pós-transa, o ar ao redor estava grosso e pesado com o cheiro de sexo. Os olhos dela ainda estavam vidrados. Do jeito que ele imaginava que ficariam com um ou dois goles de vinho. Ela piscou, olhando para ele de maneira questionadora, seu peito ainda ofegante dos esforços.

O peito estava nu.

Lide com isso, MacLeish.

— Esta cicatriz — ele sussurrou, passando o dedo pela linha branca. — O que foi isso? — Sua respiração estava quase sob controle novamente.

Lucy levou a mão à testa, seguindo o dedo dele enquanto a traçava.

— Sofri um acidente quando era mais nova. — Ela franziu o cenho ainda mais.

— Doeu? — ele perguntou.

— Eu... ah... precisei levar pontos — ela disse, ainda sem fôlego. Parecia tão confusa quanto ele se sentia. — Mas não consigo lembrar da dor. Tudo estava confuso demais.

— Confuso? — Ele ergueu o lençol para cobrir o seio dela. Assim era melhor.

— Minha mãe estava dirigindo. Ela não conseguiu controlar o carro.

Ele não gostou do jeito como sua voz vacilou.

— Ela morreu no acidente?

Lucy assentiu.

— Sinto muito por ouvir isso.

— Faz muito tempo.

Lachlan procurou algo para dizer, mas não conseguiu. Em seu cérebro, havia apenas um espaço em branco onde seu bom senso costumava estar. Ele a puxou para mais perto, até que sua cabeça estava aninhada contra o braço dele, os corpos enrolados um no outro. Ele não esperava que ela fosse tão leve quando a levantara da cama. Sua personalidade forte, de alguma forma, a fazia parecer maior e mais pesada. Ela era delicada, de estrutura pequena, com curvas suaves, e o contraste entre o corpo e a alma era atraente.

Ela colocou a mão no centro do peito dele, onde ele imaginou que seu coração deveria estar. Seus dedos se estenderam, como se ela estivesse se apoiando em algo. Parecia diferente do toque anterior, mais gentil, mais reconfortante. Ele engoliu em seco, tentando ignorar o misto de emoções que o atingiram. Não tinha certeza do que qualquer uma delas significava.

Eles ficaram em silêncio. Com Lachlan deitado de costas, Lucy se enrolou nele, sua respiração acalmando enquanto a excitação anterior diminuía. No lugar dela, surgiram perguntas e um enorme senso de apreensão.