Uma Surpresa na Primavera
Capítulo 25
Boa companhia, bom vinho, bom acolhimento, de
regra, a toda gente boa ensejam.
— Henrique VIII
— Você nunca me disse que tinha amigos — Lucy brincou enquanto o segurança levantava a corda e os deixava furar a fila no clube. Atrás deles havia, pelo menos, cem pessoas vestidas com esmero e prontas para a festa. — E eu estava pensando que você era reservado e indiferente.
— Estraguei minha imagem? — Lachlan perguntou, com a voz leve. — Devemos voltar para casa e fingir que sou um bilionário solitário?
— Você não é bilionário.
Ele segurou a porta para ela, deixando-a ir na frente para entrar no lugar. Com a mão livre, passou o dedo pelo seu quadril, sentindo o tecido da saia que cobria sua pele.
— No papel, sou. Ou, pelo menos, tenho ativos que valem isso.
— Você também tem débitos — ela apontou, sorrindo. — Mas não se preocupe. Mesmo que o seu império desmorone, eu ainda vou gostar de você.
Apoiando o braço nos ombros dela, ele a levou até a mesa. O homem de pé atrás dele sorriu amplamente quando se aproximaram.
— Boa noite, sr. MacLeish. Sua mesa habitual está reservada. A Elise está trabalhando na área VIP esta noite. Ela vai mostrar seus lugares.
Lachlan deslizou a mão pelas costas de Lucy, descansando na curva entre seus quadris.
— Por aqui — ele murmurou.
— Você vem a este restaurante com frequência? — Lucy perguntou, arregalando os olhos ao se aproximarem da escada que levava à área VIP.
— De vez em quando.
Ela se virou para olhá-lo.
— O suficiente para esse cara saber o seu nome.
— Ele é pago para saber o meu nome — Lachlan apontou. — Ele é bom no que faz.
Uma percepção repentina tomou conta do seu rosto.
— Você é o dono deste lugar, né?
— O que te faz pensar isso? — Ele estava protegendo sua resposta, tentando descobrir o que ela estava pensando. Mas ela não dava nada de graça.
— Nós furamos a fila. O jeito como esse cara te cumprimentou. Vamos lá, admita. Você é o dono.
Ele inclinou a cabeça para o lado e franziu os olhos.
— No papel.
— Eu sabia.
Assim que a recepcionista os viu entrar na área VIP, caminhou até eles com um enorme sorriso no rosto.
— Sr. MacLeish, é um prazer recebê-lo.
Ele se inclinou para dar um beijo na bochecha dela. Lucy ficou tensa ao seu lado, então Lachlan envolveu seu braço ao redor da cintura dela.
— Boa noite, Elise. Meus convidados chegaram?
— Acabaram de chegar — Elise respondeu, ainda sorrindo. — Eu os acomodei em sua mesa habitual. Posso trazer algumas bebidas enquanto vocês se sentem?
— O que quer beber, baby? — Ele olhou para Lucy.
— Não sei. Vinho, talvez? — Ela deu de ombros. — Prosecco?
— Traga uma garrafa e quatro taças. E uma garrafa de água, por favor.
Ele podia sentir Lucy se virando em seus braços.
— Água? — ela perguntou. — Não vai beber?
Ele riu.
— A Jenn está grávida.
— Jenn?
— A esposa do meu amigo. Ela é casada com o Grant, meu assistente.
Quase imediatamente, sua sobrancelha se arqueou.
— O Grant é seu amigo?
— Sim. — Ele não sabia ao certo aonde ela queria chegar.
— Você tem que pagar as pessoas para serem seus amigos? — O sorriso dela se alargou. — Melhora cada vez mais.
— Vai me castrar a noite toda? — perguntou. — Ou vamos nos divertir?
— Não poderia castrá-lo nem se eu tentasse — ela respondeu. — Você é alfa demais para isso.
— Obrigado. Acho.
— Disponha.
Ele a levou até o espaço reservado no canto, de onde a mesa permitia ver a área VIP e o andar de baixo. Assim que se aproximaram, viu Grant e Jenn virarem a cabeça para olhar para Lucy. Eles se levantaram para cumprimentá-los, Grant apertando sua mão enquanto Jenn o beijava na bochecha.
— Olhe para você — ele falou, observando a barriga pequena, porém óbvia. — Está maior desde a última vez que te vi.
— Cale a boca. — Jenn deu um tapa no seu braço. — Nos apresente a sua amiga. — Ela sorriu para Lucy, que sorriu de volta.
— Lucy — ele falou, segurando a mão dela —, estes são Grant e Jenn. Meus amigos mais antigos. — Ele ainda estava contrariado com o comentário dela. — O Grant e eu crescemos juntos em Miami.
— É um prazer conhecer vocês. — Lucy apertou primeiro a mão de Jenn e depois a de Grant, antes de os quatro se acomodarem. Em instantes, Elise trouxe as bebidas, estourou a rolha e serviu o vinho espumante em taças altas e finas.
— O Grant me disse que você é advogada — Jenn comentou, tomando um gole de água. — Deve ser um trabalho puxado.
— Diz a pesquisadora que trabalha todas as horas que Deus lhe dá — Grant falou. — E eu não disse que ela era advogada. Falei que ela era a advogada de Lachlan.
Lucy olhou para Lachlan, parecendo desconfortável com a resposta de Grant. Droga, deveria ter dito a ele sobre ela ter saído do caso. Isso simplesmente não passou pela sua cabeça.
Lucy não ficou impressionada com o esquecimento dele:
— Ele é só um dos meus clientes — ela disse a Jenn. — E um cliente como outro qualquer. — Ela levantou uma sobrancelha para ele, como se o estivesse desafiando. Ele não pôde deixar de sorrir.
Ponto para a linda advogada.
Jenn riu.
— Ah, eu já gostei de você. — Ela inclinou a cabeça para o lado. — De onde é esse sotaque? Você parece britânica.
— Eu sou de Londres.
— Mas está morando em Nova York agora?
— Ela mora em Edimburgo — Grant revirou os olhos. — Sério, eu te falei isso pelo menos duas vezes.
Jenn deu de ombros.
— Estou grávida. Me processe. — Ela olhou para Lucy. — Não faça isso. Não posso pagar.
— Não tenho certeza se você pode ser processada por estar grávida — Lucy comentou. Ela tomou um gole do prosecco. — Bem, nunca ouvi falar disso.
— Mas você pode ser processado por herdar uma propriedade, certo? — Jenn se aproximou dela. — Não é isso o que está acontecendo com o Lachlan?
Lucy olhou para ele de forma questionadora. Sim, ele realmente era péssimo em se comunicar com seus amigos. Ele sorriu para ela.
— Tudo bem. Eles sabem de todos os detalhes.
— Não é bem isso o que está acontecendo. Ele não está exatamente sendo processado. Estão contestando o fato de ele ter herdado o título e as terras.
— Então, se ele perder, o irmão recebe tudo? — Jenn perguntou.
Lachlan se recostou na cadeira, observando as garotas conversarem, as cabeças próximas para que pudessem se ouvir acima do ruído ambiente. Tomou um gole de vinho, um sorriso aparecendo no canto de sua boca. Ele não percebeu que se importava tanto com a opinião de Jenn até que ela aceitou Lucy de braços abertos.
Mas ele se importava de verdade.
Lucy estava rindo de alguma coisa que Jenn havia dito. Seus olhos estavam franzidos, sua linda boca aberta. Algo em sua expressão o fez querer puxá-la e fazê-la se sentar em seu colo.
Estava prestes a se levantar e fazer isso quando Jenn se inclinou e sussurrou algo no ouvido de Lucy. Ela assentiu em resposta, então as duas se levantaram.
— Vamos ao banheiro — Jenn avisou.
— Juntas? — Grant perguntou. — Quantos anos vocês têm? Quinze?
— É um clube — Jenn apontou. — É mais seguro ir em dupla. Nunca se sabe o que pode acontecer quando há muita testosterona e álcool.
— O clube é meu — Lachlan falou. — Não deixo isso acontecer aqui.
— Tá bom, você nos pegou. Nós queremos falar de vocês. Satisfeitos? — Jenn revirou os olhos. — Vocês realmente precisam aprender a traduzir o que as mulheres dizem.
Quando Lucy passou por ele, Lachlan estendeu a mão, passando o polegar em um círculo na parte interna de seu pulso.
— Não demore.
Ela piscou como se estivesse olhando para o sol, mesmo que a luz do clube fosse atmosférica, na melhor das hipóteses.
Quando elas se afastaram, Grant pegou o vinho e encheu as taças.
— A Lucy parece legal.
— Sim, ela é. — Lachlan tomou um gole de prosecco. — Jesus, esta coisa é muito doce. Vamos pedir outra bebida?
— Tipo cerveja?
— Estava pensando em uísque.
Grant sorriu.
— Agora você está falando a minha língua. — Lachlan fez um sinal para Elise, que anotou o pedido com um sorriso. Ela trouxe as bebidas depois de alguns minutos.
— Vamos lá, conta tudo. O que está acontecendo entre vocês? É um lance sério? — A voz de Grant se elevou com a última pergunta, como se não acreditasse que estava perguntando isso.
Lachlan olhou para as portas do banheiro — nenhum sinal das garotas.
— Sim, é sério. — E talvez a sua voz tivesse ficado um pouco rouca quando respondeu. Não porque estava nervoso. Mas porque era importante para ele.
Ele queria que seu melhor amigo visse Lucy como ele.
— Uau. — Grant balançou a cabeça com os olhos arregalados. — Nunca pensei que veria esse dia.
— Que dia?
— O dia em que você encontra sua parceira. — Finalmente, Grant sorriu. — Ou talvez eu esteja sendo gentil com você, porque, meu amigo, ela é muita areia para o seu caminhão. O que é que ela viu em você?
— A mesma coisa que a Jenn vê em você, espero. — Lachlan movimentou o gelo no copo, ouvindo o som que provocou quando atingiu as laterais.
Grant riu.
— Você a está comparando com a Jenn? Ah, cara, isso é ainda melhor do que eu pensava. — Ele inclinou a cabeça para o lado, ouvindo Lachlan girar o gelo de novo. — Isso que estou ouvindo são os sinos de casamento?
Lachlan esvaziou o copo, apontando para Elise trazer outro.
— Deixe a garrafa — pediu a moça quando ela terminou de encher os copos. Assim que ela saiu, ele se virou para Grant.
— Quando você virou fofoqueiro? Não devíamos estar falando sobre o jogo da noite passada?
Havia um sorriso no rosto de Grant que parecia que nunca mais ia desparecer.
— Ah, não, você não vai se livrar tão facilmente. Seis anos. É esse o tempo que você vem me chamando de babaca e domesticado. Que você dá uma risadinha cada vez que eu te falo que a Jenn e eu vamos fazer compras ou ver os pais dela. Você não pode fugir quando falamos sobre isso por menos de seis minutos.
— Eu te chamei de babaca? — Lachlan perguntou, chocado.
— Entre outras coisas.
— Bem, essa foi uma atitude idiota. Me desculpe, cara. — Lachlan franziu o nariz.
— Está perdoado. Como sempre. — Grant ainda estava sorrindo. — Então me diga, quando ela volta para casa?
— A Lucy? No domingo.
— Então ela vai estar aqui para o baile?
O estômago, já tenso, de Lachlan se apertou.
— De caridade?
— Você sabe que é no sábado, certo? Está na sua agenda.
— Merda. Esqueci completamente. — Lachlan esfregou o rosto, piscando. — É neste sábado? — Era a última coisa que ele queria fazer: participar de um baile de gala para levantar fundos para a instituição de caridade favorita do pai. A única vez no ano que ele tinha que ver toda a família do pai no mesmo lugar, inclusive Duncan.
Há quantos anos ele ia e se sentia excluído? Ignorado por todos como se não fosse um verdadeiro MacLeish. O pensamento de ter Lucy ao seu lado fez seu peito aquecer. Ele seria alguém. Poderia enfrentar qualquer coisa com ela ao seu lado.
— Exatamente. E, para sua sorte, presumi que você teria uma acompanhante, então há espaço na mesa da companhia MacLeish — Grant sorriu. — Tenho que admitir que não estava ansioso para ir, mas, agora que sei que a Lucy estará lá, talvez não seja tão ruim assim.
— Talvez, não — Lachlan concordou, e era estranho o quanto havia de verdade nessas palavras. Era ainda mais estranho como o fato de tê-la ao seu lado fazia tudo parecer muito menos importante, incluindo a disputa com o irmão. Ele olhou para o copo vazio, um sorriso se curvando em seus lábios.
Quando olhou para cima, o sorriso de Grant havia dobrado de tamanho.
— Você está com um problema enorme, meu amigo.
Lucy passou as mãos por baixo da torneira, sentindo a água fria. A iluminação fraca dentro do banheiro fez sua pele parecer quente e suave. Era como olhar para uma versão retocada de si mesma no espelho. Enquanto esfregava o sabonete perfumado nas palmas, a porta atrás de si foi aberta e Jenn saiu, seguindo para a pia ao seu lado.
— Juro que tenho a bexiga de uma senhora idosa — Jenn falou, ensaboando as mãos. — Dizem que fica muito pior no terceiro trimestre, mas não consigo ver como é possível. Já passei a maior parte da minha vida no banheiro.
Lucy sorriu, sacudindo a água da palma das mãos.
— Minha irmã teve o mesmo problema. Ela podia avaliar os banheiros de todos os restaurantes e shoppings num raio de oito quilômetros de casa.
— Você tem irmã? É mais velha que você?
— Tenho três. Sou a mais velha. — Ela pegou a toalha (de verdade, não de papel, obrigada, Lachlan). Depois de enxugar as mãos, ela a deixou cair no cesto embaixo da bancada das pias.
— Três? Uau. Sua mãe devia gostar muito de sofrer. — Jenn esfregou a barriga. — Não posso imaginar passar por isso mais três vezes. — Ela remexeu a bolsa e pegou um gloss. Aplicou-o nos lábios. — Bem — ela falou, olhando para Lucy pelo canto dos olhos —, você e o Lachlan, hein?
— Eu e o Lachlan. — Lucy gostou do jeito como aquilo soou. Só em falar isso, sentiu um choque de prazer atravessar seu corpo.
— O que está rolando entre vocês dois?
Lucy passou os dedos pelo cabelo, afastando-o dos olhos. Passara a vida toda se desviando das perguntas das irmãs, mas pareceu mais difícil fazer o mesmo com Jenn. Sentia como se a mulher pudesse ver através dela.
— Hum... não sei.
— Sério? — Jenn perguntou. — Porque eu só vi vocês dois juntos por dez minutos, e até eu posso dizer que a química entre vocês é enorme. O jeito como se olham... — ela abanou o rosto. — É sexy.
Lucy olhou para Jenn no espelho. Ela era pequena e bonita. O cabelo escuro e brilhante caía sobre os ombros, as pontas ondulando quando ela se mexia. Parecia uma mulher que não aceitava um não como resposta.
— Se você diz.
— Você gosta dele?
— Sim. — Pareceu que aquela palavra era fraca demais para responder. — Não estaria aqui se não gostasse. — Mais do que isso, não teria colocado sua carreira em risco se não sentisse essa necessidade desesperada de estar com ele. As apostas não poderiam ser maiores, mas não havia como dizer isso a Jenn.
— Bem, ele gosta de você. — A voz de Jenn tinha um ar de certeza.
— Gosta? — Lucy apreciou essa mudança de direção. Ficaria feliz em ouvir mais sobre o jeito como Lachlan se sentia, e Jenn, claramente, o conhecia bem.
— Claro que gosta. Você não ouviu quando nós viemos ao banheiro? O homem não suporta ficar longe de você por mais que alguns minutos. Os olhos dele te seguiram o tempo todo até aqui. É como se você fosse o ímã dele. — Jenn se aproximou. — Mas acho que você está certa em ser um pouco cuidadosa.
— Estou? — Lucy franziu a testa, observando as linhas se formarem entre seus olhos no espelho. — Por quê?
— Não é que eu não ame o Lachlan, porque eu amo. Ele é como um irmão para mim e o Grant. Mas ele não é o melhor quando se trata de mulheres.
Lucy engoliu em seco. Ela realmente precisava daquele prosecco agora.
— O que você quer dizer?
Jenn suspirou, se virando do espelho para olhar para ela.
— Eu gostei mesmo de você, Lucy. E é por isso que eu odiaria te ver magoada. Ele só é... não sei — Ela balançou a cabeça. — É o pior inimigo dele mesmo. Já vi isso antes. Ele se aproxima das pessoas, das mulheres, mas, quando elas querem algo mais, ele as afasta. Acredito que a culpa por ele ter problemas de confiança é dos pais. — Ela inclinou a cabeça para o lado. — Então, tenha um pouco de cuidado, tá? Proteja seu coração.
Lucy se olhou no espelho, vendo a jovem de cabelo loiro e pele macia olhando para ela. Embora sua expressão fosse neutra, suas emoções estavam em um turbilhão. Ela não sabia por que as palavras de Jenn a afetaram tanto. Talvez porque Lucy também tivesse problemas de confiança. Mas ela havia jogado a cautela ao vento no que dizia respeito a Lachlan.
— Sinto muito, eu não devia ter dito nada — Jenn murmurou, fazendo uma careta. — Deve ser por causa da gravidez, mas eu nunca tive trava na língua. Sou uma idiota.
— Tudo bem. — Lucy lhe deu um sorriso. — Não precisa se desculpar.
— É melhor você me ignorar — Jenn falou, ainda parecendo arrependida. — Sou uma vaca cheia de hormônios, pode perguntar ao Grant. Como eu disse, está claro que o Lachlan gosta de você, o que é mais do que vi com as outras garotas.
— Outras garotas — Lucy repetiu. Duas palavras que a fizeram querer vomitar.
— Certo, vou calar a boca agora. Preciso ligar para um médico para ele resolver meu problema de língua solta. — Jenn parecia querer chorar.
— Está tudo bem, de verdade — Lucy garantiu, esperando que seu tom fosse reconfortante. Esperando ainda mais que Jenn estivesse errada.
Ela tinha que estar, não é? O futuro de Lucy dependia disso.
Assim que chegaram ao prédio de Lachlan e ele mandou o motorista para casa, a atração entre eles parecia um incêndio. Ele praticamente transou com ela no elevador a caminho do apartamento e quase a arrastou para o quarto na pressa de tirarem as roupas. Quando terminaram, duas horas depois, ela estava esgotada e exausta, adormecendo quase tão logo sua cabeça bateu no travesseiro.
Lachlan estava a seu lado, observando-a enquanto ela dormia. Seu corpo estava curvado, o rosto relaxado, os lábios ligeiramente entreabertos enquanto ela inspirava regularmente. Ela parecia em paz no sono, como se qualquer preocupação do dia tivesse desaparecido com sua consciência, fazendo-a parecer mais jovem, mais perto dos vinte do que dos trinta anos.
Acomodada em sua cama, o corpo macio e quente, ela o fazia se lembrar de um gato. Difícil de ganhar seu afeto, mas, quando se conseguia, era ferozmente leal. Ele sorriu, se lembrando da primeira vez que se encontraram. Naquela época, ela mostrou a ele seu lado forte. Parecia dura e impassível. Mas só ele sabia que por dentro ela era como um doce — suave e deliciosa. Ele não queria mais parar de prová-la.
Era assim que se sentia quando se vencia? Ele não conseguia se lembrar da última vez que se sentira assim — talvez nunca tivesse sentido. Tê-la em sua cama o fez sentir medo e alegria ao mesmo tempo, como uma pessoa que se aproxima da saída de um avião. Ele estava pronto para sair, pronto para pular, sem saber se iria sobreviver à jornada. Nem mesmo se importando com isso, porque a sensação era boa demais para perder.
Ela gemeu baixinho em seu sono, se virando e se aninhando junto a ele. Instintivamente, ele a puxou para seus braços. Ela descansou a cabeça em seu peito nu, a respiração quente contra a pele dele.
Lachlan fechou os olhos, respirando devagar, tentando guardar esse sentimento na memória.
Estava se tornando viciado nela, e não tinha certeza se poderia abrir mão daquilo.