Uma Surpresa na Primavera
Capítulo 19
Só me apoio na minha honestidade e em meu
direito.
— Henrique VIII
Lucy mal conseguia manter a respiração sob controle. Toda vez que ele a tocava, podia sentir seu batimento cardíaco acelerar, sua pele vibrando com o toque dos dedos dele. Lachlan roçou os lábios na parte interna da sua coxa de forma suave e provocante, e ela arqueou as costas para demonstrar sua necessidade.
— Lembra da noite passada? — ele perguntou. — O jeito como você me provocou até eu implorar?
Ela assentiu, levantando a cabeça do travesseiro macio. Tentou arquear o corpo na direção dele, mas as mãos amarradas a impediram.
— Agora eu quero te ouvir implorar. — Ele beijou sua coxa novamente, e ela pôde senti-lo sorrir contra sua pele. — Quero que você implore como se nunca tivesse feito isso antes.
— Lachlan... — Ela suspirou, a respiração ofegante. — Por favor, não.
Ele lhe deu outro sorriso, tão malicioso quanto o último. Seus olhos estavam brilhando enquanto olhava para ela.
— Não tenho certeza de como eu gosto mais de você — ele falou baixinho. — Ajoelhada em cima de mim ou suplicando embaixo de mim. As duas formas são lindas.
Ela fechou as mãos, fazendo as tiras atoalhadas conterem seus pulsos. Podia sentir a expectativa, um gosto metálico cobria sua língua. Ela inspirou um pouco de ar fresco para tirar o sabor. Lentamente, abriu os dedos, relaxando as mãos enquanto permaneciam acima da cabeça.
Ele ainda estava olhando para ela, ainda esperando, e havia algo em sua reserva que a tocava. Naquele momento, ela soube que qualquer coisa que ela dissesse ele obedeceria. Não a pressionaria para ir além do que estava disposta.
— Quero você — disse a ele. — Preciso de você dentro de mim. — Ela puxou a mão com a intenção de acariciar seu cabelo macio. Não podia deixar de se sentir frustrada com as tiras que a seguravam. Ele pegou a carteira, retirou uma embalagem e a abriu. Ela observou em silêncio enquanto ele desenrolava o preservativo.
— Nunca mude — ele falou, colocando as mãos nas laterais do corpo dela, tomando o peso de seu corpo. Ela podia sentir sua pele roçando na dela. Peito contra peito, coxas contra coxas.
Caramba, isso era bom.
Ele hesitou por um momento, olhando para ela antes de beijá-la com doçura. Um beijo que a deixou querendo mais.
Em seguida ele estava entrando e saindo dela, uma corrente de ar escapando de sua boca. Parou por um momento, como se já estivesse chegando ao limite. Ela não estava muito atrás, o prazer se acumulando em seu âmago. Inclinou os quadris, o encorajando a se mover e precisando senti-lo contra si.
— Você continua me matando — ele sussurrou, os lábios colados aos dela. — Mas é uma ótima maneira de morrer.
— Você está bem? — Saindo de dentro dela, ele emoldurou seu rosto com as mãos, mantendo o corpo pesado sobre o dela enquanto tentavam recuperar o fôlego. Os braços de Lucy estavam ao lado do corpo. Ele soltou os cintos quase no mesmo instante em que a penetrou, implorando para que ela o tocasse, abraçasse, passasse os dedos por seu cabelo.
— Muito bem — ela sussurrou, a voz fraca por causa da falta de ar.
Ele sorriu, se apoiando no cotovelo e passando os dedos pelo seu braço.
— Você está tão linda.
Isso era outra característica de Lachlan: ele sabia como dizer as coisas certas. Mais do que isso, o jeito como a olhava enfatizava suas palavras, fazendo-a sentir como se fosse a pessoa mais importante da vida dele. Uma ilusão, claro, mas de qualquer forma, agradável.
— Você não é nada mal — ela falou.
— Quer alguma coisa? Água? Um banho?
— Talvez daqui a pouco — ela respondeu, seu corpo pesado como chumbo por todo o esforço. — Só quero ficar aqui por enquanto.
Lachlan colocou o braço ao seu redor, puxando-a para perto até que ela estivesse aninhada à lateral de seu corpo. Suas pernas estavam enroladas embaixo dela, a cabeça apoiada em seu ombro. Ele afastou o cabelo dela do rosto, beijando a pele exposta. Ela podia sentir os lábios traçarem a linha da testa até a orelha — a mesma linha que sua cicatriz cruzava.
— Ainda é a minha noite, não é? — ele sussurrou.
— Já quer de novo?
Ele riu.
— Não, mas você tem que fazer o que eu mandar, certo?
Ela piscou para ele.
— Sim... — Seu tom era suspeito. Ela não achava que ele fosse aparecer com um chicote de repente, mas, ainda assim, a maneira como ele perguntou a deixou no limite.
— Me conte sobre a cicatriz — ele pediu baixinho. — Me fale por que você ficou tão chateada na galeria.
Imediatamente, ela sentiu o estômago se contrair.
— Isso não é justo.
— Você não fez nenhuma ressalva quanto a isso. — Ainda estou no comando. E eu quero que você me conte.
Ela franziu a testa, tentando ler sua expressão.
— Por que você quer saber?
— Porque eu quero te conhecer.
As palavras foram suficientes para fazer o coração dela disparar.
— Talvez você não queira conhecer essa parte.
— Não funciona assim — ele disse suavemente. Passou os dedos pelo cabelo, o polegar deslizando ao longo de seu pescoço.
Ela fechou os olhos e a cena apareceu em sua mente. A chuva caindo, o barulho de pneus derrapando em uma estrada, já escorregadia. A pancada nauseante quando a realidade despareceu e a escuridão a devorou. Ela começou a tremer com a lembrança, e ele a puxou para mais perto, murmurando suavemente contra seu cabelo.
— Quantos anos você tinha quando aconteceu? — ele perguntou, roçando os lábios na testa dela.
— Quinze.
— Bem jovem.
— Na época eu não pensava assim. Achava que o mundo girava ao meu redor. Era tudo tão preto no branco. — Ela sempre segmentara sua vida em duas partes, antes e depois do acidente. — Tudo mudou, tudo mesmo, e a culpa foi minha.
— Como a culpa pode ter sido sua? — Lachlan franziu a testa. — Você não estava dirigindo, estava?
Ela balançou a cabeça, sentindo a dor familiar se formando em seu peito.
— Não, mas ainda assim a culpa foi minha.
— Claro que não. Como poderia ser? A sua mãe estava dirigindo, certo?
— Sim. — Sua voz era baixa.
— Então como a culpa pode ter sido sua?
— Nós discutimos, e eu estava gritando com ela. Estava dizendo que ela era a pior mãe do mundo. Ela se virou para me olhar e avançou o semáforo. No momento seguinte, ela estava tentando desviar de uma van que apareceu na nossa frente. Subiu o meio-fio e nós voltamos para a estrada, batendo em uma outra van que estava estacionada. — Lucy estendeu a mão para enxugar os olhos. — Não lembro de muita coisa, acordei na ambulância. Disseram que ela não estava usando o cinto de segurança. Isso não era incomum. Ela estava sempre com a cabeça nas nuvens, não pensava em coisas desse tipo. Achava que era invencível.
— Não foi sua culpa ela estar sem o cinto de segurança — ele falou, com a voz baixa. — E você não a obrigou a se virar. Ela deveria saber que não podia tirar os olhos da estrada.
— Você está errado — ela sussurrou. — A culpa foi toda minha. Fui eu que comecei a discussão. Eu que não calei a boca mesmo quando ela mandou. Ameacei contar tudo ao meu pai... — Ela parou de falar, balançando a cabeça. — Não importa mais.
— Ameaçou contar o que ao seu pai?
Nervosa, ela torceu o lençol entre os dedos, esfregando o polegar no tecido macio.
— Não importa. É uma história antiga.
— Você está tremendo — ele disse, suas mãos a tocando de forma gentil enquanto a abraçava. — Está tudo bem, baby. Tudo bem.
Ela sabia que estava. Fez o máximo que podia para isso — por pura força de vontade. Ainda estava fazendo tudo certo, tanto quanto podia.
E, no entanto, a necessidade de dizer a alguém — confidenciar o segredo que ninguém mais sabia — era quase irresistível. Mais do que isso, a necessidade de contar a ele, ao homem que achava que imperfeição significava beleza, o homem que achava que as cicatrizes eram como rachaduras repletas de ouro, incomodava seu âmago.
— Descobri que ela estava envolvida com outro homem — ela disse. Sua voz não vacilou nem um pouco. — Eu estava gritando com ela no carro, dizendo que ela era uma péssima mãe e uma esposa terrível. Gritei coisas horríveis para ela.
Lachlan piscou, levantando a cabeça para olhá-la.
— O quê?
— Não sei por quanto tempo isso aconteceu, acho que nunca vou saber. Nunca contei a ninguém.
— Deve ter sido um choque.
— Eu estava com muita raiva dela. E então ela morreu, e eu senti como se toda a minha vida estivesse desmoronando. Só tive ferimentos leves: um corte no rosto e o pulso quebrado, por causa de uma pancada no painel. Me liberaram no dia seguinte, e, quando cheguei em casa, foi como se tudo tivesse se desintegrando. — Ela fechou os olhos, lembrando daquela casa em Hampstead que era mais um mausoléu do que a casa de uma família. — Meu pai simplesmente não conseguiu lidar com a dor e se afastou de todas nós. E minhas irmãs estavam inconsoláveis. Vendo todos tão arrasados e sabendo que causei aquilo... — Ela balançou a cabeça. — Tive que consertar as coisas.
— Mas agora as suas irmãs sabem, não é? — Lachlan perguntou. — Você contou para elas?
— Eu não... não consegui. — Ela franziu o cenho. — Elas a idolatravam, especialmente depois que ela morreu. E, quando tentei falar com o meu pai sobre esse assunto, contar a ele sobre o caso e a nossa discussão, ele olhou para longe e se recusou a falar sobre isso. Quando nós estávamos mais velhas e mais conformadas, não achei certo abalar o mundo delas novamente.
— Elas entenderiam. — Ele franziu a testa. — Não é sua responsabilidade esconder os fatos delas. Nem carregar tudo nas costas. — Ele tirou uma mecha de cabelo da testa dela. — Você devia dizer a verdade.
— Não importa mais — ela falou baixinho, as palavras abafadas pela pele dele. Quente e suave contra seus lábios. — Foi há anos. O que importa é o agora. Nós quatro estamos bem.
Lachlan olhou para ela por um momento, beijando sua bochecha. Ela podia sentir os lábios dele contra a umidade da sua pele.
— Você é incrível, sabia?
Um lado seu queria cantar com as palavras dele. O outro — o da garota que gritou com a mãe, que viu a família se desintegrar bem na sua frente — sabia que não merecia isso.
Ele se remexeu na cama com um sorriso nos lábios.
— Quer parar de falar sobre isso?
— Sim, por favor. — Ela lhe deu um sorriso triste.
— Quer me fazer cócegas?
Sua oferta estava tão fora de lugar, mas perfeitamente certa para o momento.
— Esse seria um grande sacrifício — ela respondeu. — Mas, sim, eu adoraria te matar de cócegas agora.
Suspirando com resignação simulada, Lachlan se deitou de costas, levantando os braços acima da cabeça.
— Não faço isso para todas as mulheres, sabia?
— Fico feliz por ouvir isso.
— Só para as que são tão ferradas quanto eu.
— Isso foi rude. — Ela caiu em cima dele, o sorriso ainda brincando em seus lábios. — Verdadeiro, mas, ainda assim, rude.
— Posso ser ainda mais rude. — Ele movimentou os quadris debaixo dela. — E ainda é a minha noite, lembra?
Ela poderia se acostumar a acordar com os membros doloridos. Os lençóis brancos e macios a rodeavam, acariciando sua pele. O sol da manhã brilhava através das cortinas transparentes, a luz se difundia quando batia no tapete do quarto de hotel.
Lucy olhou em volta enquanto seus olhos piscavam em protesto contra o súbito despertar. O outro lado da cama estava vazio, os lençóis cuidadosamente arrumados para não a perturbar. A única evidência de que Lachlan dormira ao seu lado era o travesseiro branco amassado.
Havia um aroma açucarado e doce. O que era aquilo? Ela fungou, os olhos atraídos para a mesa do outro lado do cômodo. Havia uma bandeja repleta de frutas e doces, além de um grande bule do que só poderia ser café. Uma jarra de suco de laranja estava ao lado — ver tudo aquilo fez sua boca salivar.
Saindo da cama, ela pegou o roupão e o vestiu. Sem o cinto.
Ah. Ela corou, se lembrando exatamente do porquê.
Ao lado da bandeja de café da manhã havia um bilhete curto.
Bom dia, bela adormecida.
Não queria te incomodar com
minha voz americana impetuosa,
por isso estou fazendo algumas
ligações no salão de negócios.
Me avise quando estiver
acordada. Lachlan.
Sua caligrafia era tão masculina quanto ele. Inclinada e forte. Ela já a havia visto antes, é claro, mas apenas nos negócios. Dobrou o papel com cuidado e o colocou no bolso.
Depois de se servir de suco, levou o copo aos lábios e provou o doce néctar, deixando o líquido permanecer em sua língua. Aquele fim de semana estava cheio de novidades, e ter o café da manhã servido na cama — ou, pelo menos, no quarto — por um homem era outra.
Sim, definitivamente ela poderia se acostumar com isso.
Mas não deveria.
Seu voo partia aquela tarde, e à noite ela estaria de volta a Edimburgo. De volta ao seu antigo apartamento, à sua antiga vida. Para a previsibilidade e o conforto. E era isso o que queria, não é? Estar no controle. Não viver ao sabor de algum americano rico, não importando quanto o ambiente fosse luxuoso.
Ela se viu na janela, com o cabelo bagunçado e as bochechas coradas. Não reconheceu a garota refletida ali. E talvez isso fosse uma coisa boa; talvez ela conseguisse deixar aquela garota em Paris, com qualquer sentimento que pudesse ter por Lachlan, porque os dois concordaram que aquele fim de semana era único.
Mesmo que esse pensamento fizesse o seu coração doer.
Seu estômago roncou enquanto olhava para os bolos. Croissants e pain au chocolate, com brioches de uva-passa. Doces e folhados, suas migalhas já cobrindo a bandeja, pareciam quase bons demais para comer. Incerta de que poderia aguentar muito mais tempo, ligou o telefone e enviou uma rápida mensagem de texto a Lachlan, para avisar que estava acordada.
Em um minuto ele respondeu.
Volte para a cama e não coma nada. Chego em dez minutos.
Uma parte dela se arrepiou com as ordens dele. Uma parte ainda maior se sentiu excitada com suas palavras. Ela sorriu, respondendo.
Você não está mais no comando, lembra?
A resposta dele veio quase no momento em que ela apertou enviar.
Por favor?
Sorrindo, ela colocou o telefone na mesa, tirando o roupão e o deixando cair no chão. Seu estômago revirou novamente, demonstrando a necessidade de comida. Estendendo a mão, ela pegou uma migalha com a ponta do dedo, a levou aos lábios e lambeu.
Deus, estava delicioso, muito amanteigado e doce. Desobedecer às regras nunca tinha sido tão bom.
O táxi parou ao lado da calçada no setor de embarque do aeroporto Charles De Gaulle. Lucy pegou a bolsa, se virando para Lachlan.
— Acho que é isso. — Ela olhou para o relógio. — É melhor eu ir antes que eu perca o voo.
O voo de Lachlan só sairia dali a quatro horas. Ela chegaria a Edimburgo antes mesmo de ele decolar.
Ele pegou a bagagem, abriu a porta, saiu e ofereceu uma mão a ela. Lucy colocou a palma da mão na dele, que fechou os dedos ao redor dos dela enquanto ela o seguia para a calçada.
O motorista deu a volta no táxi e abriu o porta-malas, tirando a bagagem de Lachlan e colocando-a no concreto. Lucy tentou não sorrir para o fato de que ele tinha muito mais bagagem que ela.
— Vou esperar com você — Lachlan falou. — Só preciso fazer o check-in daqui a algumas horas.
— Não, tudo bem. — Ela balançou a cabeça, colocando um sorriso nos lábios. — Tenho certeza de que você tem muito o que fazer. — Ela tentou engolir o gosto de arrependimento que sentiu na língua.
Ele continuou como se ela não tivesse dito nada.
— É o mínimo que eu posso fazer.
— Por favor, não. Isso seria estranho. — Ela precisava ficar sozinha para pensar em tudo o que acontecera. Toda vez que ele estava ao seu lado, ela não conseguia entender direito.
— Trinta euros, por favor — o taxista falou.
Lucy foi pegar a carteira, mas sua mão congelou no ar. Ela sentiu o rosto corar quando Lachlan pagou pela corrida.
Quando o motorista partiu, Lachlan colocou suas malas em um carrinho, depois pegou a dela, que rapidamente a pegou de volta.
— Pode deixar. — Eles caminharam em direção ao terminal, passando pelas pessoas do lado de fora, e Lucy pôde sentir o pescoço coçar. Quando entraram, uma olhada para os telões indicou que ela precisava fazer o check-in no guichê 50 — longe dos voos transatlânticos.
— Tem certeza de que não quer que eu espere com você? — Lachlan perguntou. Sua voz soou estranha. Como se estivesse forçada.
— Tenho, sim. — Ela respirou fundo, depois abriu um sorriso. — Obrigada pelo fim de semana adorável.
— O prazer foi meu.
— Meu também.
Isso poderia parecer mais estranho? Ela fez o melhor para ignorar a vozinha na sua cabeça, a que dizia que era por isso que não deveria misturar negócios com prazer. Mesmo que essa voz falasse a verdade.
Lucy olhou em volta do salão de embarque. Estava repleto de pessoas.
— Acho que nos falamos em breve. Sobre o caso.
Lachlan estava balançando o carrinho de um lado para o outro, como uma mãe balançando um bebê para dormir.
— Sim, claro.
— Boa viagem. — Ela deveria beijá-lo? Talvez na bochecha. Qualquer outra coisa seria estranha.
O que era realmente confuso depois das coisas que eles fizeram naquele fim de semana.
Droga, ela se inclinou e pressionou os lábios em sua bochecha.
— Adeus, Lachlan — ela murmurou.
Ele envolveu a palma quente ao redor do pescoço dela e moveu a cabeça até que seus lábios roçaram os dela.
— Adeus, Lucy.
Ela deu um passo para trás, balançando a bolsa em uma das mãos e levantando a outra em uma saudação de despedida. Em seguida se virou e caminhou em direção à área de check-in, se recusando a olhar para trás para ver se ele ainda estava lá. Os dois fizeram um acordo, e ela estava determinada a mantê-lo, mesmo que já estivesse sentindo sua falta como louca.
Sem lágrimas, recriminações nem promessas. Apenas dois adultos passando um fim de semana sem amarras na cidade do amor.
Talvez ela não fosse ficar tão mal quanto pensou.
— Aceita outra bebida, senhor?
Lachlan levantou os olhos da tela do laptop — e de sua conversa por mensagens instantâneas com Grant — para ver o garçom parado ao lado da mesa. O salão de negócios estava meio vazio — a maioria dos que viajavam para as reuniões de segunda já havia partido —, e ele achou o silêncio útil para colocar em dia os e-mails que se acumularam.
— Não, obrigado. Estou bem. — Ele acenou para o garçom. — Sabe se o meu voo ainda está no horário?
— Sim, senhor — o garçom respondeu. — O embarque vai começar em meia hora. Vou avisá-lo quando anunciarem.
Quando o garçom se afastou, Lachlan olhou para a tela. Grant estivera ocupado durante a sua ausência.
Você vai ter cinco reuniões amanhã, além de uma teleconferência com alguns investidores. Além disso, o seu médico quer saber por que você continua reagendando os seus exames. Sabia que nós já cancelamos quatro vezes? Você pode estar morrendo de alguma coisa e não saberíamos.
Lachlan balançou a cabeça, reprimindo um sorriso.
Tente não se preocupar tanto. Você é
meu assistente, não minha mulher.
Ei, se eu fosse sua mulher, nós já estaríamos a caminho dos tribunais para o divórcio.
A porta se abriu e um casal entrou: o homem usando um terno sob medida e a mulher, de vestido e jaqueta combinando. O cabelo loiro lembrava o de Lucy, e, pela décima vez naquela hora, ele viu seus pensamentos vagarem de volta para ela.
Seu voo já havia partido e, por algum motivo, ele não conseguia parar de pensar nela. Pegou o copo e se lembrou de que estava vazio, a mão pairando no ar por um momento. Estranho como ele esperava que ela enviasse uma mensagem de texto antes que o avião partisse, só para dizer que estava bem. Eles não tinham esse tipo de relacionamento, não é?
Ainda mais estranho era ele se sentir desapontado por ela não ter enviado.
Abrindo os e-mails, ele clicou no marcador vermelho, os olhos percorrendo os urgentes enquanto tentava afastá-la da cabeça. Mas, não importava quantas vezes ele lesse as mensagens, a única coisa que podia ver era ela.
Meu Deus, ele precisava se segurar. Só um fim de semana, não havia mais nada. Dois dias roubados com uma mulher bonita — e deveria ser o fim. Eles eram adultos, compartilhavam uma atração e lidaram com ela. Qualquer relacionamento pessoal entre eles só iria até ali.
Não importava que, toda vez que fechasse os olhos, ele pudesse vê-la em pé no último andar da Torre Eiffel, tendo Paris como pano de fundo. Que ele pudesse sentir o cheiro floral do seu xampu enquanto a brisa levantava seu cabelo, revelando o pescoço esguio. Eles passaram um fim de semana repleto de prazer mútuo e agora os dois tinham trabalho a fazer.
Era hora de voltar para Nova York e aos negócios.
E, nesse meio-tempo, poderia ter que beber um pouco mais.