50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer
Introdução
“Uma [matéria] triste, árida e, na verdade, muito abjeta e dolorosa. É como poderíamos chamar, a título honorífico, a ciência triste.”
Essa descrição da econom ia feita por Thom as Carly le data de 1849, m as, por bem ou por m al, acabou perm anecendo. E não deveríam os nos surpreender. A econom ia é um assunto que, de m odo geral, as pessoas só percebem quando as coisas vão m al. Só quando a econom ia enfrenta um a crise e m ilhares perdem seus em pregos, os preços sobem m uito ou caem depressa dem ais, é que dam os atenção a essa disciplina. Sem dúvida, nesses m om entos ela parece bem triste, especialm ente quando acentua os desafios e as restrições com que nos defrontam os, destaca a realidade de que não podem os ter tudo aquilo que querem os e ilustra o fato de que os seres hum anos são intrinsecam ente im perfeitos.
À m aneira típica dos econom istas, devo acrescentar que a verdade é bem m enos sim ples. Se fosse m eram ente o estudo de núm eros, estatísticas e teorias, então talvez a analogia da ciência triste pudesse encontrar um a base m ais sólida. Contudo, a econom ia é, em essência, o estudo das pessoas. É um a investigação sobre a m aneira com o as pessoas têm sucesso, sobre o que as faz felizes ou contentes, sobre com o a hum anidade conseguiu, ao longo de gerações, tornar-se m ais saudável e próspera do que antes.
A econom ia exam ina aquilo que leva os seres hum anos a fazer o que fazem , e observa com o reagem quando enfrentam dificuldades ou o sucesso. Investiga as escolhas feitas pelas pessoas quando estão diante de um conj unto lim itado de opções e a m aneira com o negociam essas opções com outras pessoas. É um a ciência que abrange a história, a política, a psicologia e, claro, um a ou outra equação. Se cabe à história nos dizer os erros que com etem os no passado, cabe à econom ia descobrir com o fazer as coisas de m aneira diferente da próxim a vez.
Se ela terá êxito nisso, j á é outra questão. Quando este livro estava quase concluído, o m undo enfrentava um a das m aiores crises financeiras da história: décadas de dívidas sobrecarregaram os m ercados internacionais. Algum as das m aiores e m ais antigas instituições financeiras, loj as e fábricas entraram em colapso. A crise teve m uitos aspectos inéditos – instrum entos financeiros novos e com plexos, por exem plo, e novos relacionam entos econôm icos, pois, pela prim eira vez desde o térm ino da Guerra Fria, a posição dos Estados Unidos com o superpotência global foi questionada. Na verdade, porém , foi m uito sem elhante a diversas crises do passado. Se podem os com eter novam ente os m esm os erros – questionaram -se m uitos – qual é a finalidade da econom ia?
A resposta é bem sim ples. O conhecim ento que acum ulam os durante séculos sobre a m elhor m aneira de adm inistrar nossas econom ias tornou-nos m ais ricos, m ais saudáveis e longevos do que nossos antepassados poderiam im aginar. Mas isso não é, de form a algum a, um fato consum ado. Basta olhar para países da África subsaariana ou de partes da Ásia, nos quais as pessoas estão nas m esm as condições da Europa m edieval, para perceber que nossa prosperidade não está assegurada. Com efeito, ela é extrem am ente frágil, m as, com o é usual na econom ia, consideram os esse sucesso algo líquido e certo, e preferim os nos concentrar no lado triste das coisas.
A natureza hum ana é assim . Muitos livros de econom ia tentam desfazer tais ilusões. É m eio desesperador e, para ser sincero, não é do m eu feitio. A m eta deste livro é, sim plesm ente, explicar o funcionam ento da econom ia. O segredo bom da econom ia é que ela não é nem um pouco com plicada; e por que deveria sê-lo? É o estudo da hum anidade, e, com o tal, suas ideias são pouco m ais do que bom senso.
Este livro não deve ser lido com o um a narrativa contínua: cada um a dessas cinquenta ideias faz sentido sozinha, em bora eu tenha sublinhado pontos de outros capítulos que podem ser interessantes.
Minha esperança é que, depois de ter lido a m aioria das ideias, você possa pensar um pouco m ais com o um econom ista, fazendo perguntas sobre a razão para agirm os tal com o agim os, rej eitando a sabedoria convencional, com preendendo que até as coisas m ais sim ples da vida são m ais com plicadas do que parecem – e que são ainda m ais belas por causa disso.
Um exem plo disso é esta introdução. O norm al é o autor agradecer a todos que aj udaram a fazer com que o livro fosse produzido. Mas, por onde com eçar? Devo com eçar agradecendo aos donos da floresta em que a m adeira usada para fazer as páginas foi derrubada? Ou aos operários que fabricaram a tinta que ocupa as páginas? Ou aos operadores das m áquinas na encadernadora chinesa onde o livro foi com posto? Com o tantas coisas deste m undo interconectado, m ilhões de pessoas tiveram seu papel na criação deste livro – desde os editores e produtores do livro que você tem em m ãos às em presas de transporte que o levaram da China até sua livraria, entre m uitas outras. (Para descobrir por que o livro foi im presso na China, leia o capítulo sobre globalização.)
No caso deste livro, ele é fruto de m ilhares de conversas que tive com econom istas, professores, financistas, em presários e políticos nos últim os anos, e da excelente literatura sobre econom ia disponível nas prateleiras das livrarias e, o que é ainda m ais excitante, na internet.
Muitas das ideias fazem eco com aquelas apresentadas por econom istas proem inentes e não tão proem inentes, num erosos dem ais para poderem ser citados. Todavia, devo agradecer ainda a Judith Shipm an, da Quercus, por m e perm itir participar desta excelente série; a m eus revisores, Nick Fawcett e Ian Crofton; a Vicki e Mark Garthwaite por m e proporcionarem um lugar para escrevê-lo; a David Litterick, Harry Briggs e Olivia Hunt por suas sugestões; e à m inha m ãe e m eus dem ais fam iliares por seu apoio.
Edmund Conway, 2009