50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer
28. Bancos
26 Bancos
As empresas, diferentemente das pessoas, não são todas iguais. Há empresas das quais sentiríamos falta se deixassem de existir, mas a vida seguiria em frente. Há outras cujo colapso causaria a implosão de grandes segmentos da economia e da sociedade. Os bancos entram nesta segunda categoria.
As em presas que com põem o setor bancário e financeiro não só guardam nossas econom ias e nos em prestam dinheiro quando necessitam os, com o tam bém atuam com o o sistem a arterial que transporta o dinheiro pela econom ia, m otivo pelo qual costum am ser cham adas de intermediários financeiros. Sua principal função é transferir dinheiro em m assa, levando daqueles que querem em prestar até aqueles que desej am pedir em préstim os.
Há séculos, os bancos têm feito parte do tecido social – com efeito, a palavra “banco” vem do latim banca, nom e das grandes m esas que os cam bistas da antiga Rom a m ontavam nos pátios para com prar e vender m oedas estrangeiras.
Para que um a econom ia – rica ou pobre – funcione adequadam ente, precisa contar com um setor financeiro desenvolvido e saudável. Por quê? Porque tanto em presas quanto indivíduos precisam invariavelm ente tom ar em préstim os para fundar e depois desenvolver negócios decentes, em polgantes, inovadores. Sem os bancos, praticam ente ninguém conseguiria com prar um im óvel, pois, para isso, a m aioria das pessoas depende de um financiam ento hipotecário.
Do m esm o m odo, os bancos exercem o im portante papel de m eio de troca. Tente im aginar um dia de sua vida sem um banco. Usam os cartões de débito e de crédito ou cheques na m aioria de nossas com pras, e, assim , os bancos estão envolvidos indiretam ente em quase todas as transações que fazem os.
Às vezes, os bancos se transform am em gigantes, e recentem ente têm feito de tudo, desde gerenciar os investim entos das pessoas até possuir conglom erados industriais e adm inistrar hotéis. Frequentem ente, esse nível de poder gera ressentim entos, e algum as pessoas veem os bancos com o parasitas – nutrindo-se da riqueza alheia a fim de m ultiplicar a sua. Em certos casos, esses críticos têm razão. Quando bancos e m ais bancos quebraram no final da década de 2000, ficou claro que boa parte de sua expansão não se baseava em algo sólido. Mas a verdade clara é que, sem os bancos, as pessoas não conseguiriam investir ou tom ar dinheiro em prestado – ações essenciais para viverem de m aneira produtiva e gratificante.
Como os bancos ganham dinheiro? A estrutura e o m odelo básico de negócios de um banco são fundam entalm ente os m esm os em qualquer lugar do m undo.
Prim eiro, os bancos lucram cobrando j uros m ais altos do dinheiro que em prestam do que pagam pelo dinheiro depositado. A diferença ou spread entre essas duas taxas perm item -lhes ter lucro pelo serviço proporcionado; quanto m aior o risco do tom ador (ou sej a, quanto pior for sua ficha de crédito), m aior a diferença. É por isso que quem financia a aquisição de um im óvel tom ando m ais de 80% do valor deste paga um a taxa de j uros m ais alta que outros tom adores. É m aior a probabilidade de não conseguirem pagar o em préstim o, acarretando um a perda significativa ao banco.
“O que é roubar um banco em comparação com fundar um banco?”
Bertolt Brecht
Além disso, os bancos oferecem aos clientes assessoria financeira e outros serviços, geralm ente, m ediante um a taxa; às vezes, apenas para estim ulá-los a depositar seu dinheiro. Para a pessoa física, isso pode incluir seguros ou assessoria em investim entos. Para as em presas, pode significar aj uda na em issão de ações e títulos (noutras palavras, para obter capital, ligando novam ente quem em presta o dinheiro a quem o tom a) e aconselhando-as sobre a aquisição de outras em presas. Esse é o principal papel dos bancos de investimentos. Adem ais, usam parte de seu superávit para fazer investim entos próprios, com a expectativa de ganharem um pouco m ais.
Reservas bancárias
A chave das finanças m odernas é um sistem a de reservas fracionárias.
Digam os que em um dado m om ento você tem £ 1.000 em sua conta-
corrente. É pouco provável que vá precisar sacar todo o dinheiro. Em bora
possa necessitar dessas econom ias em algum m om ento, na verdade você
saca apenas frações dela no caixa do banco, em um caixa autom ático ou
pagando com seu cartão de débito.
Por isso, em vez de deixarem o dinheiro parado em seus cofres, geralm ente
os bancos m antêm apenas um a fração em suas reservas, variando essa
quantidade em função da dem anda que esperam ter pelo dinheiro.
Norm alm ente, os bancos centrais controlam a quantidade de reservas que os
bancos são obrigados a m anter: nos EUA, por exem plo, a exigência de
reservas fica em torno de 10%, o que significa que um banco com um
depósito de US$ 100 pode em prestar US$ 90.
Econom icam ente, isso faz sentido. É bem m ais eficiente para os bancos usar
o dinheiro depositado neles, m axim izando seu custo de oportunidade, em vez
de deixá-lo parado e ocioso. Entretanto, isso traz im portantes efeitos
colaterais para a econom ia com o um todo. Quando em prestam esse
dinheiro extra, os bancos aum entam a oferta m onetária, o que eleva a
inflação.
Corrida aos bancos O sistem a bancário m oderno, no qual os bancos têm nos cofres m enos do que devem oficialm ente a seus clientes, funciona bem quando a econom ia está bem e os depositantes confiam na segurança de seu dinheiro. Em épocas de crise, o sistem a pode falhar calam itosam ente se, por algum m otivo – rum ores de que um banco está prestes a quebrar, por exem plo, ou após um grande assalto ou desastre natural que afeta o banco –, um núm ero m uito grande de depositantes tentar sacar seu dinheiro. Dá-se a isso o nom e de corrida aos bancos, ilustrada de form a espetacular na corrida de 2007 ao banco Northern Rock, do Reino Unido. Quando os depositantes souberam que o banco precisou do apoio de em ergência do Banco da Inglaterra – em seu papel com o prestam ista em últim a instância –, m ilhares de pessoas rapidam ente form aram filas para sacar seu dinheiro.
Em virtude do sistem a de reservas fracionárias, os bancos m odernos não dispõem na m esm a hora de dinheiro para pagar todos os seus depositantes ao m esm o tem po. Com o em presas, dependem de dinheiro tom ado em curto prazo (depósitos) para financiar em préstim os feitos no longo prazo (financiam ento hipotecário e créditos de longo prazo). Estes são m uito pouco líquidos; por isso, se todos os clientes exigirem seu dinheiro, os bancos ficam à beira de um colapso. É o que teria acontecido com o Northern Rock caso o Tesouro do Reino Unido não tivesse intervido, nacionalizando-o.
“Banqueiro é o sujeito que lhe empresta o guarda-chuva quando o sol está
brilhando e pede-o de volta no minuto em que começa a chover.”
Mark Twain
Nos prim eiros tem pos dos bancos, se este quebrasse os poupadores perderiam todo o seu dinheiro. Foi o que aconteceu com m uitas pessoas durante a Grande Depressão. Entretanto, percebendo que isso causava inquietude pública e um a corrida aos depósitos ao prim eiro sinal de dificuldades de um banco, desde então os governos têm estabelecido esquem as para garantir os depósitos. Nos EUA, o esquem a recebe o nom e de Corporação Federal de Seguro de Depósito, e no Reino Unido cham a-se Esquem a de Com pensação de Serviços Financeiros; am bos protegem depósitos bancários até certo valor (em 2008, respectivam ente US$ 250.000 e £ 50.000).
A experiência da crise financeira que com eçou em 2008 m ostrou que os governos farão o que for preciso para garantir que os bancos não quebrem . Quando isso acontece, as consequências para a econom ia em geral são desastrosas, não só porque prej udica a confiança e os bens dos consum idores, m as tam bém porque causa quedas bruscas na oferta de dinheiro: os bancos inj etam m oeda em suas reservas e param de em prestar, o que, por sua vez, pode levar à deflação.
Com poder para fazer o dinheiro circular, cuidar das econom ias de toda um a vida das pessoas, facilitar investim entos e proporcionar as principais artérias para os gastos, não é à toa que os bancos são m ais regulados do que qualquer outro negócio. Sua saúde e a da econom ia estão indissociavelm ente ligadas.
A ideia condensada:
bancos unem quem
em presta dinheiro
a quem o tom a
em prestado