50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 30 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

29. Ações e valores

 

Desde quando o dinheiro surgiu no mundo, tem havido aqueles que desejam investi-lo. Nos primeiros dias dos investimentos financeiros, desde a Renascença italiana até o século XVII, o principal destino para esse dinheiro foram os títulos governamentais, mas tudo mudou com o surgimento das primeiras corporações. Elas introduziram um mundo de ações, de especulação, de milhões ganhos e milhões perdidos, e, naturalmente, as primeiras quedas no mercado de valores.

Todos os dias, investidores com pram e vendem bilhões de dólares em ações nas bolsas de valores de Londres e Paris a Nova York e Tóquio. O preço da ação de um a em presa pode determ inar se ela sobreviverá com o entidade independente, se será absorvida por outra ou se, no outro extrem o, vai quebrar. Os preços das ações podem render fortunas e, com a m esm a facilidade, destruí-las.

Entretanto, o m ercado de ações não é um cassino. O dinheiro investido diretam ente pelas pessoas contribui para o crescim ento de um a em presa e, por extensão, da econom ia com o um todo. Um m ercado de valores próspero é, com frequência, prova de um a econom ia de crescim ento rápido. Isso tem sido verdade desde que as prim eiras em presas – ou, para dar-lhes o título com pleto, sociedades anônim as – foram criadas para aproveitar a rápida expansão dos im périos coloniais europeus.

As primeiras corporações Em bora a prim eira com panhia propriam ente dita tenha sido a Virginia Com pany, criada para financiar o com ércio com os colonos norte-am ericanos, a prim eira grande corporação foi a Com panhia Britânica das Índias Orientais, que detinha o m onopólio – concedido pelo governo – sobre o com ércio com os territórios britânicos na Ásia. Logo em seguida, surgiu em Am sterdã a Com panhia Holandesa das Índias Orientais.

Essas prim eiras com panhias se distinguiram de suas antecessoras – guildas, sociedades e em presas estatais – de várias m aneiras:

1. A forma de obter capital. As novas com panhias em itiam ações, ou, com o

são m ais conhecidas hoj e, participações. Diferentem ente dos títulos, dão ao

acionista a propriedade form al de um a parcela da com panhia e, com isso,

um a influência m uito m aior sobre seu destino. Os acionistas podem

determ inar se a com panhia deve com prar um concorrente ou ser vendida a

ele por m eio de um a fusão ou aquisição, e podem votar sobre questões

im portantes, inclusive a rem uneração dos diretores.

2. Dar aos acionistas o direito de vender sua participação para outros

investidores. Isso criou o cham ado m ercado secundário, no qual o governo e

as com panhias vendem seus títulos ou ações diretam ente aos investidores.

3. Invocar a denominada responsabilidade limitada. Isso significa que se um a

com panhia quebra, seus acionistas respondem apenas por aquilo que

investiram diretam ente no negócio – e não suas casas, carros e outros bens.

As com panhias tam bém se tornaram pessoas j urídicas – o que dava às

corporações o direito de assinar contratos, possuir bens e pagar im postos,

independentem ente de seus acionistas.

Com o proprietários da em presa, os acionistas têm direito a um a parte de seus lucros. Se a em presa tiver lucro após reservar verbas para pagam ento de custos e de planos de investim ento, os acionistas recebem um dividendo ou pagam ento anual. Eles tam bém podem lucrar quando o valor da ação sobe, em bora corram o risco de perder seu investim ento se o seu valor cair. Caso a em presa quebre, os acionistas ficam em um lugar m ais distante da fila que os proprietários de títulos, e por isso as ações costum am ser consideradas investim entos m ais arriscados do que a dívida.

Em term os am plos, as com panhias podem se dividir em dois tipos. Há as privadas ou não cotadas, cuj as ações não estão no m ercado aberto. Geralm ente, são em presas m enores, cuj as ações pertencem norm alm ente aos diretores ou m esm o à fam ília do fundador ou dos fundadores, aos bancos e aos investidores originais. E há as que são cotadas publicamente – noutras palavras, em m ercados de valores.

 

“Na maior parte do tempo, as ações ordinárias ficam sujeitas a flutuações de

preços irracionais e excessivas em ambas as direções, em consequência da

tendência a especular ou apostar, arraigada na maioria das pessoas...”

Benjamin G raham, economista norte-americano

 

Quem m ovim enta o m ercado

A criação dos m ercados de valores, nos quais os investidores podem

com prar e vender suas participações, foi um dos m om entos m ais

im portantes da história do capitalism o. Desde então, a im portância das ações

aum entou exponencialm ente, e no final de 2008 o valor total das ações nos

m ercados de valores do m undo era algo da ordem de US$ 37 trilhões (US$

37.000.000.000.000). Todas as principais econom ias do m undo têm um

m ercado de valores local – geralm ente na capital – no qual se negociam as

ações do país.

O desem penho desses m ercados costum a ser m edido por um índice das

ações de suas m aiores com panhias. São o Dow Jones Industrial Average e o

S& P 500 (este m ais am plo que aquele) em Nova York; o FTSE 100 em

Londres; o Nikkei em Tóquio; o DAX em Frankfurt; o CAC 40 da Euronext,

Paris; e o índice SSE Com posite de Xangai.

 

O mercado de valores A im agem tradicional de um m ercado de valores é a de um saguão agitado, caótico, com corretores agressivos berrando “com pro” e “vendo” a plenos pulm ões. Na verdade, restam m uito poucos dos cham ados “pregões a viva voz” no m undo – os principais incluem a Bolsa de Metais de Londres e a Bolsa Mercantil de Chicago. Esses saguões de negociação foram substituídos por sistem as com putadorizados, perm itindo aos investidores negociar diretam ente desde qualquer parte do m undo.

Aqueles que acreditam que o m ercado vai subir são conhecidos com o bulls, ou touros, e os que esperam que caia são cham ados de bears, ursos. Quando os investidores se entusiasm am com a perspectiva de determ inada em presa, saem em bando para com prar suas ações, o que aum enta seus preços. Por outro lado, se a com panhia tem passado por dificuldades, os investidores tendem a vender suas ações e seu preço cai.

Coletivam ente, os investidores são m ovidos por um a com binação de m edo e cobiça: às vezes a cobiça supera o m edo, provocando um a bolha no m ercado de valores – situação na qual os preços ficam sobrevalorizados – e às vezes o m edo dom ina a cobiça, levando a um a queda inevitável das ações, que desm oronam com estardalhaço. Os m ercados de valores de Nova York, Londres e outros lugares j á sofreram bolhas significativas nos últim os cem anos. Apesar de a m ais notória ter sido a da Quebra de Wall Street em 1929, os preços das ações despencaram ainda m ais na Segunda-Feira Negra de 1987, quando o índice Dow Jones caiu 22,6% em um único dia. Os m ercados do m undo todo sofreram quedas im portantes após a bolha das em presas “ponto com ” entre 2000 e 2002 e a crise financeira de 2008.

Os grandes investidores Os participantes do m ercado de valores dividem -se entre investidores individuais, com o fam ílias que detêm carteiras de ações, e investidores institucionais, que incluem fundos de pensão, seguradoras, gestoras de fundos, bancos e outras instituições. Com o os fundos de pensão e de seguros detêm um a participação significativa no m ercado de valores, m udanças nos preços das ações afetam quase todos os cidadãos.

Entre os investidores institucionais que não gozam de boa fam a acham -se os fundos de cobertura, tam bém cham ados de fundos de hedge ou m ultim ercados, que não apenas com pram ações com o as vendem “a descoberto”, o que significa que apostam em sua desvalorização. (Nesse processo, tom am em prestadas ações de outro investidor a determ inado preço – digam os, a US$ 100 – e vendem essas ações no m ercado a esse preço, esperando que caia a US$ 80, por exem plo, quando então são com pradas e devolvidas ao investidor que as em prestou, em bolsando-se a diferença de US$ 20.) Outro tipo de investidor é a empresa de participações, que procura adquirir e reerguer negócios com balidos ou subvalorizados.

Muitos têm visto esses novos investidores, com o fundos de cobertura e em presas de participações, com o um a am eaça ao m ercado, um a vez que são m uito reservados; além disso, há quem acredite que chantageiam as com panhias. Todavia, eles alegam que exercem um a valiosa função no m ercado, com prando em presas subvalorizadas ou m al geridas e colocando-as em ordem . Afinal, os m ercados de valores, onde o público pode adquirir qualquer com panhia, são instituições intrinsecam ente dem ocráticas.

A ideia condensada:

os m ercados de valores

estão no coração

do capitalism o