50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer
19. Inflação
Dependendo da fonte, a inflação pode limpar seus dentes ou arrancá-los. Ronald Reagan, ex-presidente dos Estados Unidos, descreveu-a como “tão violenta quanto um assaltante, tão assustadora quanto um ladrão armado e tão mortal como um assassino”. Karl Otto Pöhl, ex-presidente do Bundesbank alemão, disse: “A inflação é como pasta de dentes: depois que sai [do tubo], é muito difícil colocá-la de volta”.
Na verdade, na m aioria das vezes, a inflação – o fenôm eno do aum ento de preços – não é nenhum a dessas coisas. Fazer com que os preços aum entem lenta e previsivelm ente tornou-se um dos papéis m ais im portantes – se não o m ais im portante – dos bancos centrais e dos governos na adm inistração de suas econom ias. Mas a inflação tem a desagradável tendência a sair do controle.
Níveis de inflação Geralm ente, a inflação se expressa em term os anuais. Logo, um a taxa de inflação de 3% significa que em um a econom ia os preços estão, em m édia, 3% m aiores do que 12 m eses antes.
Com o um a das estatísticas econôm icas m ais reveladoras, a inflação pode aj udar a ilustrar se um a econom ia goza de boa saúde, está superaquecida ou em lento declínio. Se for alta, a econom ia corre o risco de se ver presa a um a espiral inflacionária – quando os preços sobem exponencialm ente – ou m esm o a um a hiperinflação; a diferença entre um a e outra depende da m agnitude dos aum entos de preços. A hiperinflação, que afligiu a Alem anha na década de 1920 e o Zim bábue na prim eira década do novo m ilênio, envolve aum entos de preços de 50%, no m ínim o – e às vezes, até m aiores – em apenas um m ês. No pico da hiperinflação, em 1923, a Alem anha de Weim ar teve de em itir notas de 100 trilhões de m arcos.
Até um a inflação m ais baixa, de cerca de 20%, pode ser m uito prej udicial, especialm ente quando, tal com o ocorreu nos EUA e no Reino
Diferentes m edidas da inflação
IPC: o Índice de Preços ao
Consumidor é a m edida m ais com um da inflação na m aior parte do m undo
desenvolvido, usado nos Estados Unidos, na Europa e outros lugares. Os
estatísticos calculam -na visitando loj as e em presas do país todos os m eses,
conferindo a velocidade com que sobe o preço de um a cesta im aginária de
bens e serviços.
IPV: o Índice de Preços no Varejo costum a ser usado no Reino Unido para
m edir o custo de vida de form a m ais abrangente. Inclui custos associados à
m anutenção de um a residência, com o o custo e os j uros de um
financiam ento.
Deflator do Produto Interno Bruto
Essa m edida de preços – a m ais abrangente de todas – m ede o custo de
todos os bens de um a econom ia. No entanto, é calculado com m enos
regularidade do que o IPC e o IPV.
IPRI: o Índice de Preços Industriais m ede tanto o custo das m atérias-
prim as para os fabricantes quanto o preço que cobram dos varej istas pelos
produtos term inados. Aj uda a sinalizar o rum o que a inflação pode estar
tom ando.
Outros índices Há m uitos outros índices específicos, inclusive índice de
preços im obiliários e índices de preços de com m odities.
Unido na década de 1970, vem acom panhada de fraco crescim ento econôm ico ou de recessão. O resultado costum a ser conhecido com o estagflação (crescim ento estagnado e inflação alta), e nos EUA e no Reino Unido ela aum entou o desem prego e prom oveu bancarrotas durante m uitos anos. Em sum a, a inflação tem o poder de levar à ruína as econom ias que um dia foram altivas e saudáveis.
Causas e efeitos A inflação nos diz algo sobre condições sociais e econôm icas. Com parando a velocidade com que o custo de vida aum enta com a velocidade em que a renda fam iliar aum enta, é possível calcular o ritm o em que o nível de vida de um a sociedade está m elhorando. Se a inflação anda m ais depressa do que os salários das fam ílias, seu nível de vida está caindo: as pessoas não conseguem m ais com prar tantos bens quanto antes. Por outro lado, quando os salários sobem m ais depressa do que a inflação, as pessoas têm m ais dinheiro nos bolsos após fazerem as com pras do m ês: seu nível de vida m elhora.
Quando um a econom ia cresce rapidam ente, os em pregados recebem generosos aum entos de salário, o que significa que irão gastar m ais em bens e serviços. Em resposta à m aior dem anda, os preços tenderão a aum entar, sej a de im óveis, sej a de cortes de cabelo. Do m esm o m odo, se a econom ia desacelerar, a dem anda vai acom panhá-la e os preços vão baixar, ou, no m ínim o, aum entar a um ritm o m enor.
O preço dos bens é afetado não só pela dem anda com o pela quantidade de dinheiro que as pessoas têm à disposição. Se a oferta de dinheiro aum enta (sej a porque foi im presso m ais dinheiro, sej a porque os bancos estão em prestando m ais), haverá m ais dinheiro para adquirir o m esm o volum e de bens, o que vai aum entar os preços. A discussão sobre a form a exata de influir nesse processo foi um a das m aiores batalhas intelectuais do século XX, travada entre m onetaristas e
key nesianos (vej a os capítulos 9 e 10).
“A inflação é uma forma de tributação que pode ser imposta sem legislação.”
Milton Friedman
Sempre teremos inflação? Um a pergunta feita com frequência é se os preços têm de subir sem pre: não poderiam estabilizar-se? Na verdade, podem ser congelados, e em diversos m om entos da história isso aconteceu. Em bora em teoria a inflação não sej a necessária para o funcionam ento das econom ias, a tendência dos políticos, especialm ente no últim o século, é estim ular um pouco de inflação em suas econom ias, por diversos m otivos.
Prim eiro, e m ais im portante, a inflação estim ula m ais as pessoas a gastar do que a poupar, porque corrói lentam ente o valor do dinheiro nos bolsos. É essencial ter certo grau desse ím peto para a frente nas m odernas econom ias capitalistas, pois, a longo prazo, incentiva as em presas a investirem em novas tecnologias. No entanto, a inflação tam bém corrói a dívida, o que no passado levou governos endividados a deixá-la crescer ainda m ais, reduzindo com eficácia a quantidade de dinheiro que deviam .
De m odo sim ilar, geralm ente os níveis de inflação m ostram -se sim ilares às taxas
de j uros (vej a o capítulo 18), e as pessoas estão acostum adas a taxas de j uros positivas, e não negativas. Foram m uito poucos os bancos que cobraram seus clientes por poupar e lhes pagaram para tom ar em préstim os (com o aconteceria em um m undo de taxas negativas de j uros), e só em épocas de crises, quando era essencial estim ular as pessoas a gastar e não a poupar.
Por fim , as pessoas estão intrinsecam ente acostum adas a esperar aum entos de salário. É da natureza hum ana: as pessoas se esforçam para m elhorar e não gostam m uito de saber que sua rem uneração vai se m anter a m esm a, em bora os preços nas loj as continuem m ais ou m enos estáticos.
“A primeira panaceia para uma nação mal administrada é a inflação da moeda;
a segunda é a guerra. Ambas trazem uma prosperidade temporária; ambas
causam ruína permanente. Mas ambas são o refúgio dos oportunistas políticos e
econômicos.”
Ernest Hemingway
Espirais inflacionárias Às vezes, os preços podem aum entar de m odo exponencial, um processo com um ente cham ado de espiral inflacionária. Quanto m ais a inflação sobe, m aior o descontentam ento entre os trabalhadores, que observam a deterioração de seu nível de vida. Exigem salários m ais altos, e, se conseguem , gastam o que ganharam , o que, por sua vez, leva os loj istas a elevarem seus preços. Isso aum enta ainda m ais a inflação, o que m otiva novam ente os trabalhadores a pedir novos aum entos a seus patrões.
O pior problem a da inflação excessiva – e tam bém da deflação (vej a o capítulo
20) – é que ela pode desestabilizar seriam ente a econom ia. Quando as em presas e as fam ílias se sentem inseguras sobre a velocidade de aum ento ou de dim inuição dos preços, deixam de investir e de poupar e a vida cotidiana dá um a parada. É por isso que governos e bancos centrais se esforçam para m anter o aum ento de preços dentro de um ritm o previsível. Quando não conseguem , então – com o Ronald Reagan lem brou m uito bem – as pessoas enfrentam um a experiência trem endam ente desagradável.”
A ideia condensada:
os preços devem
aum entar lentam ente