50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

02. Oferta e demanda

 

No coração da economia e no centro das relações humanas encontra-se a lei da oferta e da demanda. A maneira como essas duas forças interagem determina os preços dos produtos nas lojas, os lucros das empresas e a razão pela qual uma família fica rica e outra se mantém pobre.

A lei da oferta e da dem anda explica por que os superm ercados cobram bem m ais por salsichas premium do que pelas norm ais, e tam bém qual a razão de um a em presa de inform ática cobrar m ais dos consum idores por um notebook só porque m udou sua cor. Assim com o algum as regras elem entares determ inam a m atem ática e a física, a interação sim ples entre oferta e dem anda pode ser encontrada em todos os lugares.

Ela está nas ruas m ovim entadas de Otavalo, no Equador, e nas largas avenidas próxim as a Wall Street, em Nova York. Apesar das diferenças superficiais – as ruas em poeiradas da Am érica do Sul cheias de agricultores e Manhattan repleta de banqueiros em ternos risca de giz –, aos olhos do econom ista fundam entalista os dois lugares são praticam ente idênticos. Olhe um pouco m ais de perto e entenderá a razão: as duas cidades são m ercados im portantes. Otavalo tem um dos m aiores e m ais fam osos m ercados a céu aberto da Am érica Latina; Wall Street, por sua vez, é o lar da Bolsa de Valores de Nova York. São lugares onde as pessoas vão com prar ou vender coisas.

O m ercado reúne com pradores e vendedores, sej a num conj unto físico de bancas sobre as quais os produtos são expostos, sej a em um m ercado virtual com o o da Wall Street, no qual a m aioria das negociações é feita por m eio de redes de com putadores. E o nexo entre dem anda e oferta é o preço. Essas três inform ações, aparentem ente inócuas, podem nos dizer m uito sobre a sociedade. São a base da econom ia de m ercado.

A dem anda representa a quantidade de bens ou serviços que as pessoas estão dispostas a com prar de um vendedor a um preço específico. Quanto m aior o preço, m enos pessoas vão querer com prar, chegando a um ponto em que sim plesm ente se recusarão a com prar. De m odo análogo, a oferta indica a quantidade de bens ou de serviços fornecidos por um vendedor a determ inado preço. Quanto m enor o preço, m enos bens o vendedor desej ará vender, pois, para produzi-los, despende dinheiro e tem po.

O preço é justo? Os preços são o sinal que nos diz se a oferta ou a dem anda de determ inado produto está aum entando ou dim inuindo. Vej am os o caso dos preços de im óveis, por exem plo. No com eço do século XXI, nos EUA, os preços foram aum entando cada vez m ais depressa à m edida que m ais e m ais fam ílias se davam ao luxo de adquirir sua casa própria, incentivadas por ofertas de financiam ento hipotecário a j uros baixos. Essa dem anda levou os construtores a erguer m ais casas, especialm ente em Miam i e em áreas da Califórnia. Quando as casas ficaram prontas, o surto repentino de oferta fez com que o preço dos im óveis caísse – e bem depressa.

O segredo de polichinelo da econom ia é que, na verdade, os preços raram ente estão em equilíbrio. O preço das rosas aum enta e dim inui ao longo do ano: quando o verão se transform a em inverno e os superm ercados e as floriculturas precisam buscá-las m ais longe, a oferta de rosas dim inui e seus preços aum entam . Do m esm o m odo, após 12 de j unho, os preços caem por causa da dem anda por flores no Dia dos Nam orados.

Os econom istas cham am isso de “sazonalidade” ou “ruído”. Alguns, entretanto, procuram enxergar além disso para descobrir o preço de equilíbrio. Analisem os novam ente o preço dos im óveis: nenhum econom ista descobriu quanto deve valer um a casa m édia. A história nos diz que deveriam valer algum as vezes o salário anual da pessoa – em m édia, de três a quatro vezes –, m as não há com o saber ao certo.

Podem os aprender algum as lições elem entares sobre as pessoas com base no preço de certos produtos. Há alguns anos, a Apple, fabricante de com putadores, apresentou seu novo laptop Macbook em duas cores: branco e preto – esta, um a versão especial, m ais cara. Apesar de ser idêntica à versão branca – velocidade, espaço disponível em disco e assim por diante –, a versão preta foi vendida por US$ 200 a m ais. Mesm o assim , venderam m uito bem . Isso não teria acontecido se a dem anda não fosse suficiente, e assim ficou claro que as pessoas se dispuseram a pagar um pouco m ais só para se diferenciarem de seus vizinhos e seus laptops banais, brancos.

 

“É tão razoável perguntar se é a lâmina superior ou inferior da tesoura que

corta o papel quanto determinar se o valor é regido pela demanda ou pela

oferta.”

Alfred Marshall, economista vitoriano

 

Oferta e dem anda em ação

No Equador, Maria vende belos cobertores artesanais de estilo andino em

sua banca no m ercado. Ela sabe que não adianta vender cada cobertor por

US$ 10 ou m enos, pois por esse preço ela não conseguiria fazer o cobertor

nem alugar a banca. Portanto, prim eiro ela fixa o preço em US$ 50, o que

lhe perm ite fazer 80 cobertores, m as esse preço é elevado dem ais para os

possíveis com pradores e ela não venderá nenhum . Assim , com eça a baixar

o preço para se livrar do estoque. Lenta m as firm em ente, aum enta a

dem anda pelos cobertores. Cada vez que ela baixa o preço, aparecem m ais

com pradores. A US$ 40 vende 20 peças, e a US$ 30 vende 40 cobertores.

Quando o preço chega a US$ 20, ela percebe que está baixo dem ais. Com o

esgotam ento do estoque, vê que não está produzindo novos cobertores a

tem po de acom panhar a dem anda. Observa que se o preço for US$ 30, o

núm ero de cobertores que confeccionava antes consegue acom panhar o

núm ero buscado pelas pessoas. Ela acaba de traçar o m ais im portante entre

os gráficos da econom ia: a curva oferta-dem anda. Acaba de descobrir o

preço de equilíbrio dos cobertores.

A linha negra sólida indica quantas pessoas procuram os cobertores de

Maria; a linha tracej ada, a oferta. Quando os cobertores custam zero, há

dem anda por cem deles, m as não há oferta (pois custam m ais do que isso

para serem feitos).

Quando seu preço é US$ 20, há um a dem anda potencial para 60 unidades,

m as Maria só consegue produzir 20. O preço de equilíbrio dos cobertores,

segundo o gráfico, é de US$ 30. É quando a oferta se iguala à dem anda,

com o m ostra o gráfico.

Elasticidade fantástica Ocasionalm ente, oferta e dem anda dem oram um pouco para reagir às m udanças nos preços. Se um a com panhia telefônica aum enta o custo das ligações, os consum idores tendem a reduzir rapidam ente o núm ero de ligações que fazem , ou então m udam de provedora de serviços telefônicos. Em term os econôm icos, sua dem anda é elástica – altera-se com as m udanças nos preços.

Em outros casos, os consum idores reagem lentam ente a m udanças de preços – são inelásticos a preços. Quando, por exem plo, os preços do petróleo aum entaram bruscam ente no início deste m ilênio, os consum idores viram -se diante de preços elevados de com bustíveis, m as não podiam encontrar um a alternativa nem com prar um carro novo e caro, elétrico ou híbrido, para reduzir suas despesas. Do m esm o m odo, em presas que consom em m uito com bustível não puderam fazer m uito m ais do que absorver os custos adicionais. Lentam ente, alguns consum idores com eçaram a usar transportes públicos. Algum as m udanças são conhecidas com o substituições, que se afastam de itens dispendiosos e buscam alternativas. Muitas fam ílias, porém , não tiveram escolha senão absorver o custo m ais elevado de com bustível durante o m aior tem po possível.

Naturalm ente, aquilo que se aplica à dem anda aplica-se igualm ente à oferta, que tam bém pode ser elástica ou rígida. Muitas em presas tornaram -se extrem am ente adaptáveis – ou com preços elásticos: quando cai a dem anda por seus produtos, despedem funcionários ou reduzem seus investim entos com o resposta. Outras, no entanto, são m ais rígidas e têm m ais dificuldade nesses assuntos. Um produtor de bananas do Caribe, por exem plo, pode ter m uita dificuldade para reduzir os custos de seu negócio caso sej a suplantado por produtores latino-am ericanos m ais corpulentos ou descubra que os consum idores não estão lá m uito ávidos por suas bananas.

Sej a a dona da banca no Equador, sej a o banqueiro de Wall Street ou qualquer outra pessoa, a principal força por trás das decisões econôm icas é sem pre o j ogo entre preços e os com pradores e vendedores que os determ inam ; em outras palavras, oferta e dem anda.

 

“Ensine a um papagaio a expressão ‘oferta e demanda’ e você terá um

economista.”

Thomas Carlyle

A ideia condensada:

um a coisa tem o preço

perfeitam ente adequado quando

a oferta é igual a dem anda