50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 24 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

23. Moedas e taxas de câmbio

 

Há alguns anos, especialistas da Reserva Federal em Washington DC criaram um modelo destinado a predizer as tendências futuras das principais moedas do mundo. Tinham acesso a mais informações sobre mercados de câmbio do que os economistas dos outros países e estavam confiantes em seu sucesso. Durante meses, trabalharam no projeto até que, finalmente, chegou a hora de ligar a máquina...

Passados alguns dias, ficou claro que o experim ento fora um com pleto fracasso. Segundo Alan Greenspan, então presidente do Fed, “A taxa de retorno sobre esse investim ento em tem po, esforço e pessoal foi zero”. Esse resultado não foi tão surpreendente assim . Os m ercados de câm bio atraem trilhões de dólares de investim entos especulativos todos os anos, e os investidores tentam adivinhar quais serão os m ovim entos das m oedas estrangeiras. Provavelm ente, porém , trata-se do m ais volátil e im previsível de todos os m ercados.

Quando viaj am os para o exterior, todos nós especulam os com o câm bio. Assim que trocam os dólares ou libras por pesos ou euros estam os investindo em um a m oeda estrangeira, cuj o valor terá aum entado ou dim inuído quando voltarm os para casa.

Mercados de câmbio Os m ercados de câm bio, m uitas vezes cham ados de Forex (acrônim o de foreign exchange, “câm bio”, em inglês), são os lugares onde investidores com pram e vendem m oedas. São das m ais antigas instituições financeiras do m undo, datando da época dos rom anos, ou m esm o de antes, e funcionam desde que surgiu o dinheiro e o com ércio internacional. Mas os rom anos se espantariam ao ver o tam anho, a sofisticação e a dim ensão internacional desses m ercados hoj e em dia.

O euro e as uniões m onetárias

A m ais fam osa união m onetária, situação na qual diferentes países

com partilham a m esm a m oeda, é o euro – a união m onetária europeia, com

20 m em bros (em 2014 – N. do T.). Precedido pelo Mecanism o Europeu de

Taxas de Câm bio (com sigla ERM, em inglês), que possibilitou aos possíveis

m em bros m anterem suas econom ias atreladas, o euro foi introduzido

plenam ente em 2002, substituindo as m oedas de cada Estado-m em bro.

No passado, outras tentativas de se adotar outros sistem as m onetários

fracassaram sem pre que os governos quiseram ser independentes em

política econôm ica, m as os fundadores do euro resolveram isso criando um

banco central para estabelecer as taxas de j uros para toda a zona do euro, e

um acordo sobre os lim ites dentro dos quais os governos podem tom ar

em préstim os e gastar.

Mais recentem ente, tem havido conversações entre países do Golfo Pérsico

e da Am érica Latina sobre possíveis uniões m onetárias.

 

Todos os anos, trilhões de dólares (ou de euros, ou de libras) em m oeda são com prados e vendidos pelos investidores. Às vezes esses investidores são em presas, desej osas de garantir que seus lucros não irão evaporar caso o dólar se fortaleça, por exem plo, encarecendo m uito m ais suas im portações dos Estados Unidos. O que buscam é um a cobertura cam bial para se protegerem de riscos. Às vezes são governos que intervêm no m ercado cam bial para garantir a m anutenção de sua própria m oeda em determ inado nível. Em outras vezes, são investidores e gerentes de fundos de cobertura (hedge) ou m ultim ercados com um palpite que determ inada m oeda está prestes a cair. E às vezes são apenas turistas estrangeiros, tal com o você e eu.

Ascensões e quedas São m uitos os m otivos para o valor de um a m oeda aum entar ou dim inuir, m as dois afetam particularm ente seu com portam ento. O prim eiro, e m ais im portante, é que a m oeda tende a se valorizar ou desvalorizar j untam ente com a percepção da saúde econôm ica do país a que está associada (ou da j urisdição que a em ite).

 

“O dólar pode ser nossa moeda, mas é seu problema.”

John Connally, secretário do Tesouro de Nixon, para os diretores dos bancos

centrais europeus

 

Segundo, quem investe em m oedas costum a buscar a m oeda com o m aior rendim ento. Se um país tem taxas de j uros altas, isso significa que os títulos do governo e outras oportunidades de investim ento que em ite vão oferecer um retorno m aior que os de um país com taxas de j uros m uito baixas. Investidores do m undo todo as com pram , e por conta da dem anda extra pelos investim entos desse país, o valor de sua m oeda aum enta. Em contraste, a m oeda se deprecia quando as taxas são baixas e as pessoas abandonam os investim entos denom inados nessa m oeda.

Flutuante ou fixo? Desde a década de 1970, quase todos os países do m undo ocidental têm perm itido que suas m oedas flutuem , com o valor relativo a outras m oedas aum entando e dim inuindo segundo determ inam os m ercados. Contudo, há exceções notáveis, e alguns países fixam o valor de suas m oedas a outra ou a um grupo de m oedas. O exem plo m ais notável é o da China, cuj o governo controla cuidadosam ente o valor do renm inbi com relação ao dólar com prando ativos denom inados em dólar sem pre que necessário.

Outras nações intervêm ocasionalm ente fazendo a m esm a coisa, caso acreditem que sua m oeda está super ou subvalorizada. O Japão e a zona do euro têm feito isso desde a virada do m ilênio. Há fortes evidências m ostrando que é m uito benéfico para nações vulneráveis e em ergentes fixar a m oeda dessa m aneira, pois isso m elhora a estabilidade, estim ula as pessoas a investir e aj uda as relações com erciais.

Até pouco tem po atrás, o câm bio flutuante não era a regra no m undo. Durante boa parte dos séculos XIX e XX, os governos m antiveram fixas as taxas de câm bio de suas m oedas. Na época do padrão-ouro, fixavam o valor de suas divisas com base na quantidade de ouro que tinham em seus cofres. A ideia era que o ouro é um a m oeda universal, com o m esm o valor em qualquer parte do m undo.

O sistem a m elhorou o com ércio global, pois as em presas não precisavam m ais se preocupar com a possibilidade de a valorização ou desvalorização das m oedas dos países para os quais exportavam afetarem seus lucros. O problem a é que o ouro extraído não conseguiu acom panhar o ritm o do com ércio e dos investim entos. Finalm ente, o padrão-ouro acabou se tornando um a lim itação séria para as econom ias que cresciam rapidam ente, sendo abandonado por m uitos países na época da Grande Depressão.

Bretton Woods Depois da Segunda Guerra Mundial, um grupo de econom istas e políticos reuniu-se no elegante Hotel Mount Washington, na cidade de Bretton Woods, New Ham pshire, para idealizar um novo sistem a de regulação das taxas de câm bio internacionais. Criaram um sistem a de taxa fixa, na época alinhada com o dólar dos EUA – que na época era claram ente a superpotência econôm ica m undial – pois o dólar era estável, com o valor fixado com relação ao ouro. Todos os países se com prom eteram a vincular sua m oeda ao dólar, ou sej a, garantir que ela equivaleria a certo núm ero de dólares.

O problem a de fixar um a m oeda com base em outra, porém , é que o país perde um pouco de sua capacidade de controlar a econom ia. Quando um país de um a união m onetária aum enta suas taxas de j uros, os dem ais têm de fazer o m esm o para evitar o risco de desencadear um a séria espiral inflacionária. O acordo traçado em Bretton Woods com eçou a ruir em 1966, m as, com o verem os, não foi o últim o dos principais sistem as m onetários.

Especulação com moedas Alguns dizem que os sistem as de taxas de câm bio fixas podem m ascarar o verdadeiro valor de um a m oeda, e recentem ente viram -se m uitos casos em que especuladores lançaram ataques à m oeda de um país, vendendo-a na crença de que a relação cam bial era insustentável. Isso aconteceu em diversos países asiáticos durante a crise financeira do final da década de 1990 e, m ais notoriam ente ainda, com a libra. Na “Quarta-feira Negra” de setem bro de 1992, o Reino Unido foi forçado a abandonar sua breve participação no Mecanism o Europeu de Taxas de Câm bio após o ataque de especuladores, liderados pelo bilionário dos fundos de cobertura George Soros. Mesm o elevando as taxas de j uros a níveis de dois algarism os, o Tesouro britânico foi incapaz de im pedir a fuga de investidores da libra, acabando por se render, perm itindo que a m oeda fosse depreciada (desvalorizada) em relação a outras m oedas do m undo. Foi um dia traum ático para a econom ia do Reino Unido, e resum e com precisão a m aneira direta com que o nível de um a m oeda reflete a percepção das políticas econôm icas de um país.

A ideia condensada:

o barôm etro do

prestígio de um país