50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 37 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Os Problemas

36 Destruição criativa

 

Muitos sabem que a teoria da evolução de Charles Darwin teve uma importância científica revolucionária, pondo-a ao lado de Isaac Newton e sua descoberta das leis da gravidade e do movimento, e de Copérnico e a percepção de que a Terra gira ao redor do sol. No entanto, poucos sabem que talvez Darwin nunca tivesse chegado à sua teoria se não fosse pela economia.

Em 1838, Darwin foi inspirado pelos trabalhos de Thom as Malthus (vej a o

capítulo 3), im aginando um m undo no qual o m ais apto sobrevive e pode evoluir, tornando-se um a espécie m ais nova, sofisticada e m elhor. “Finalm ente”, disse, “encontrei um a teoria sobre a qual posso trabalhar”. E quando você as observa bem , percebe que as forças que dão form a ao m undo natural e à econom ia de livre m ercado são espantosam ente sem elhantes.

Lei da selva econômica Com o a natureza, os m ercados livres podem ser cruéis. Às vezes, causam o fracasso de indivíduos talentosos e dignos. Não perdoam : se sua ideia não der certo, pode levar à bancarrota; se fizer um m au investim ento, pode chegar a perder tudo. Contudo, segundo a lei da destruição criativa, esses fracassos podem , em últim a análise, produzir com panhias e econom ias m ais fortes e sociedades m ais ricas, porque elas precisam elim inar o que é velho, ineficiente e pouco com petitivo para abrir lugar para o novo, o vibrante e o forte. É um a extensão das regras de oferta e dem anda expostas por Adam Sm ith, m as a lei da destruição criativa, proposta por um grupo de econom istas austríacos no século XX, leva-a um pouco além . Afirm a que um a recessão ou um a contração econôm ica, em que o desem prego aum enta e o lucro das em presas dim inui, podem , ao contrário do que poderíam os intuir, ser positiva no longo prazo para um a econom ia.

Essa afirm ação foi feita entusiasticam ente por Joseph Schum peter, austríaco que em igrou para os Estados Unidos para escapar da perseguição nazista. Sua afirm ação de que as recessões não devem ser evitadas foi tão controvertida na época quanto o é hoj e. A doutrina sustentada pela m aioria dos econom istas da época (e por m uitos políticos de hoj e) é a de que os legisladores deviam fazer o que fosse possível para evitar as recessões e as depressões em particular. John May nard Key nes, em especial, disse que elas causam tantos danos colaterais, em term os de desem prego e de queda da confiança, que devem ser com batidas por quaisquer m eios à disposição do governo, com o cortes nas taxas de j uros e uso de fundos públicos para fom entar a econom ia.

De m odo geral, a m aioria dos econom istas confia em com plexos m odelos com putadorizados que presum em que a concorrência é perfeita e que a dem anda se m antém m ais ou m enos estática ao longo do tem po. Schum peter afirm ou que tais m odelos têm pouca sem elhança com as condições voláteis nas quais as sociedades são forj adas.

O argum ento de Schum peter, longe de ter sido invalidado, preservou sua força. Na verdade, segundo os proem inentes econom istas Brad DeLong e Larry Sum m ers, assim com o Key nes foi o m ais im portante econom ista do século XX, Schum peter talvez se revele com o o m ais im portante do século XXI.

Renascimento pela recessão Em vez de seguir um ritm o constante, as econom ias estão suj eitas aos cham ados ciclos econôm icos de altos e baixos (vej a

o capítulo 31). Durante um a alta, quando os consum idores gastam m ais do que o norm al e tam bém tom am m ais em préstim os, as em presas têm relativa facilidade para ganhar dinheiro.

 

“O processo de mutação industrial… revoluciona incessantemente a estrutura

econômica a partir de dentro, destruindo incessantemente a velha, criando

incessantemente uma nova... Este processo de Destruição Criativa é o fato

essencial do capitalismo.”

Joseph Schumpeter Sobrevivência do mais apto A teoria foi posta em prática durante a Grande Depressão da década de 1930, quando os legisladores norte-am ericanos perm itiram que m ilhares de bancos quebrassem na esperança de um a recuperação catártica. O secretário do Tesouro dos EUA na época, Andrew Mellon, sugeriu que os investidores deveriam “liquidar o trabalho, liquidar as ações, liquidar o setor agrícola e o im obiliário... Isso vai purgar a podridão do sistem a”. Nos anos seguintes, a econom ia perdeu um terço de seu valor, levando décadas até se recuperar plenam ente. Difícil ver nisso um tipo criativo de destruição, e a ideia acabou sendo deixada de lado, o que é fácil de entender. Estudos recentes m ostrando que as em presas tendem a se reestruturar e a se enxugar durante épocas de alta e não nas de baixa reforçaram o ceticism o.

JOSEPH SCHUMPETER (1883-1950)

Schum peter nasceu onde hoj e é a República Tcheca, m as m udouse para

Viena, Áustria, quando sua m ãe tornou a se casar. Lá, seu padrasto

aristocrático aj udou-o a estudar em colégios da elite, e logo se m ostrou um

aluno brilhante. Com efeito, não dem orou a dar início a um a carreira

bastante ilustre: prim eiro, com o professor de econom ia e governo em

diversas universidades e, após a Prim eira Guerra Mundial, com o m inistro

das Finanças da Áustria. Finalm ente, tornou-se presidente do Biederm an

Bank em 1920.

Contudo, o banco quebrou em 1924, deixando Schum peter falido e forçado a

retornar ao ensino. Com a ascensão do nazism o na década de 1930, m udou-

se para os Estados Unidos, onde não dem orou para ser reconhecido com o

intelectual de prim eiro nível. Passou o resto de sua carreira em Harvard,

convertendo-se em figura de culto entre estudantes e professores. Na

década de 1940, era um dos m ais renom ados econom istas dos Estados

Unidos, tornando-se presidente da Associação Am ericana de Econom ia em

1948.

 

Schum peter disse que isso leva a em presas ineficientes que, em épocas m enos favoráveis, sequer teriam sido criadas.

Por outro lado, quando a econom ia se contrai e as pessoas gastam m enos, as com panhias ineficientes vão à falência. Em bora isso cause dor no curto prazo, tam bém força os investidores a investirem seu dinheiro em áreas m ais atraentes da econom ia. Isso, por sua vez, estim ula a taxa de crescim ento potencial da econom ia para os anos seguintes. Schum peter e seu colega austríaco Friedrich

Hay ek (vej a o capítulo 12) argum entaram que os governos não devem cortar m aciçam ente as taxas de j uros para prevenir recessões. Em vez disso, argum entam que quem fez investim entos im produtivos no período de alta deve sofrer as consequências, pois do contrário os m esm os erros voltarão a ser com etidos no futuro.

Essa lógica se aplica tanto a indústrias inteiras quanto a em presas específicas. Em anos recentes, por exem plo, a situação difícil causada pela concorrência estrangeira fez com que a indústria m anufatureira dos Estados Unidos e da Europa se contraísse e se m odernizasse, com a elim inação das em presas m enos eficientes.

Schum peter e Hay ek, no entanto, argum entaram que existe um a diferença im portante entre um a recessão superficial e um a depressão plena, daquelas que duram anos e causam danos irreparáveis. Além disso, para que a regra da destruição construtiva possa se aplicar, as econom ias precisam ser flexíveis o suficiente para enfrentar os altos e baixos causados pelas recessões. Em m uitas econom ias europeias onde os m ercados de trabalho são m uito regulados e as em presas têm dificuldade para contratar e despedir, pode ser bem m ais com plicado tornar a conseguir trabalho para aqueles que perdem o em prego em um a recessão. Nesses casos, as recessões podem ter um custo perm anente que supera os benefícios no longo prazo prom etidos pela destruição criativa.

A m ensagem que fica é que das cinzas de um a crise econôm ica pode nascer um a econom ia m ais forte e m ais saudável. Das 100 m aiores com panhias do m undo em 1912, apenas 19 continuavam na lista em 1995, e quase m etade desapareceu, faliu ou foi com prada. Todavia, é j ustam ente por causa da destruição criativa que a econom ia cresceu de m aneira tão próspera nesse período. As pesquisas m ostram que a m aioria das recessões da história norte-am ericana acabou aum entando a produtividade em vez de atenuá-la. Logo, assim com o ao longo do tem po a evolução deixa as espécies m ais bem aparelhadas para se adaptarem a seu am biente, a destruição criativa tem criado econom ias que funcionam m elhor.

 

“Na sociedade capitalista, progresso econômico significa agitação.”

Joseph Schumpeter

A ideia condensada:

as com panhias devem

se adaptar ou m orrer