50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 49 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

48. Economia da vida diária

 

O que acontece quando a economia sai da sala de reuniões e vai para o dormitório ou quando é usada para examinar criminosos e não empresas? O que acontece quando suas ferramentas são empregadas para analisar tudo, desde o mercado paralelo até a vida familiar? As ferramentas da teoria econômica são tão poderosas e universais – desde oferta e demanda até teoria dos jogos – que podem ser usadas para lançar luzes sobre questões aparentemente desconexas.

Pense na parábola do vendedor de bagels, um dos m uitos exem plos dados por Steven Levitt e Stephen Dubner em seu livro de 2005, Freakonomics (baseado na pesquisa de Levitt, professor de econom ia). É m ais ou m enos assim : um em preendedor que entrega bagels nas em presas resolve que, em vez de ficar esperando cada cliente lhe pagar, ele sim plesm ente deixa na com panhia um a caixa e um bilhete pedindo que paguem o que lhe devem . Para sua tranquilidade, esse sistem a baseado em confiança se sai m uito bem . E o m ais interessante é que seus relatos revelam algum as tendências fascinantes: as pessoas são m ais honestas quando trabalham em escritórios m enores, quando o clim a vai bem e quando há um feriado por perto.

O livro tira algum as conclusões pouco convencionais sobre algum as das questões m ais controvertidas da sociedade m oderna, com o aborto e raça. Entre outras coisas, revela vínculos surpreendentes entre a Ku Klux Klan e corretores de im óveis, além de revelar com o os professores das escolas de Chicago e os lutadores de sum ô conseguem enganar os outros.

A questão, no entanto, é que m esm o nos am bientes m ais exóticos e sem relação com o m ercado encontram os aplicação para as regras fundam entais da econom ia – quer isso signifique oferta e dem anda, a m ão invisível, incentivos hum anos ou quaisquer outras do panteão de regras econôm icas. Afinal, a econom ia é o estudo das decisões hum anas, que não necessitam de um cenário m onetário para funcionar.

Paternidade: altruísm o ou investim ento?

Geralm ente, os pais tratam os filhos com aparente altruísm o. Cobrem -nos

de atenção e de presentes sem receber m uitas recom pensas diretas e apesar

dos bebês serem inerentem ente egoístas durante boa parte da infância.

Apesar de m uitos suporem que isso é apenas um a m anifestação do am or

fam iliar, Becker tem argum entos diferentes. Ele afirm a que a indulgência

dos pais é, na verdade, um m odo de investir indiretam ente em sua própria

velhice. Argum enta que a taxa de retorno do investim ento nos filhos é m aior

que a de fundos de aposentadoria, pois é provável que um filho bem -

sucedido e rico cuide de seus pais se for preciso.

 

Entretanto, o livro de Levitt e Dubner, que teve m uito sucesso e gerou diversos im itadores nos anos seguintes, não representou a prim eira vez que um econom ista form ado aplicou as regras de sua profissão à vida cotidiana habitual. Gary Becker, econom ista da Universidade de Chicago, foi o verdadeiro pioneiro nisso. Becker, que recebeu o Nobel em 1992, m ostrou que todos – desde crim inosos e racistas até fam ílias e viciados em drogas – são influenciados, de algum m odo, por forças econôm icas com o incentivos e tom ada racional de decisões.

Saindo-se bem No cerne das teorias e argum entos de Becker, encontra-se a ideia de que tudo tem , quase sem pre, um custo associado – m esm o que sej a um custo social ou em ocional, e não um valor explicitam ente m onetário. Por exem plo, um a de suas ideias é que aqueles que discrim inam m inorias costum am aum entar m entalm ente o custo de um a transação caso envolva um a interação com elas.

 

“Como a ciência da economia é basicamente um conjunto de ferramentas e não

uma matéria em si, nenhum tema, por mais extravagante que pareça, deve

ficar fora de seu alcance.”

Steven Levitt

 

O m om ento eureka! de Gary Becker deu-se quando ele precisou decidir entre estacionar em um local proibido ou ir até um estacionam ento a alguns quarteirões de distância, ao custo de tem po e esforço adicionais. Ele preferiu estacionar no local proibido, considerando que o risco de ser flagrado e punido não era m aior do que o esforço adicional de ter de dirigir até o estacionam ento e ir a pé até onde queria. Decisões sim ilares, concluiu, eram tom adas por crim inosos para decidir se iriam infringir a lei.

 

“A quantidade de crimes é determinada não apenas pela racionalidade e preferências dos possíveis criminosos, como também pelo ambiente econômico e

social criado por políticas públicas, inclusive os gastos com policiamento, punição para os crimes e oportunidades de emprego, de estudos e programas de

treinamento.”

G ary Becker

 

A conclusão tem im plicações im portantes para a m aneira com o os políticos adm inistram o sistem a j udiciário, pois corrobora a ideia de que as m ultas e as penalidades deveriam ser m ais severas. Quanto m ais dura a punição, m aior o custo de ser flagrado e m aior seu poder de dissuasão. Foi essa percepção que aj udou Becker a receber seu Prêm io Nobel.

A teoria foi com provada alguns anos depois por Levitt, que com parou o índice de delinquência j uvenil em diversos estados norte-am ericanos com os índices de crim inalidade de adultos. Descobriu que assim que os adolescentes atingiam a idade em que enfrentariam as penas aplicadas a crim inosos adultos, bem m ais severas, a atividade delinquente dim inuía.

De fato, Tim Harford, autor de O economista disfarçado, viu isso pessoalm ente quando estava indo com Becker a um restaurante. O ganhador do Prêm io Nobel parou em um local onde podia perm anecer por 30 m inutos, tem po que excedeu em m uito. Com o os parquím etros não eram conferidos com frequência, calculou o risco de ser flagrado e considerou-o tolerável, tendo em vista a conveniência da localização. Disse que faz isso sem pre, e em bora tenha sido m ultado algum as vezes, a frequência das m ultas não o im pede de estacionar lá. Estava sim plesm ente se com portando de form a racional.

Aplicações sociais Naturalm ente, a econom ia não se aplica apenas a situações crim inosas. Harford, por exem plo, m ostrou que os participantes de sessões de speed dating, ou “encontros-relâm pago”, tendem a aum entar ou a dim inuir suas expectativas quanto à qualidade do parceiro procurado não só com base em suas exigências absolutas, com o na qualidade do conj unto de candidatos. O núm ero de pessoas que escolhem um parceiro com sucesso tende a perm anecer constante, independentem ente se o conj unto é m uito atraente ou não. Basicam ente, essa é um a lição de ancoragem , um dos preceitos da econom ia com portam ental (vej a

o capítulo 46).

Levitt usa as teorias econôm icas para provar que as crianças se definem m enos pela m aneira com o foram criadas do que pelo histórico econôm ico e às vezes étnico de seus pais. Ficou fam oso por dizer que a causa da redução dos índices de crim inalidade nos EUA na década de 1990 foi a legalização do aborto na década de 1970, pois com isso as fam ílias em áreas m ais pobres não precisavam ter filhos descontroladam ente.

“Na verdade, a m acroeconom ia não se ocupa com o com portam ento hum ano”, diz Levitt:

A econom ia faz parte de um conj unto de ferram entas am plas para se entender o m undo. Mas diz para colocarm os em prática políticas absurdas, pois não se preocupa com coisas com o equidade, m oralidade ou fatores psicológicos.

Pela econom ia, a punição adequada para quem estaciona em um a vaga para deficientes seria a execução com sons de baixa frequência ou a tortura pelo m esm o processo – e creio que seria perfeitam ente com preensível.

Em bora a aplicabilidade das teorias econôm icas à vida cotidiana tenha lim ites, os legisladores aprendem um a lição clara com elas: a econom ia não é um a estrutura perfeita para observarm os o m undo. No entanto, é o m elhor m étodo disponível para se determ inar com o influenciar as pessoas e com o prever seu com portam ento. E isso se aplica tanto a nossos pecadilhos sociais quanto a nossas atribulações financeiras. É um a conclusão que Adam Sm ith teria aprovado plenam ente.

A ideia condensada:

a econom ia pode ser

aplicada a tudo