50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 44 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

43. Revoluções tecnológicas

 

Por mais que queiramos romantizá-la, a vida na Inglaterra do século XVIII não era lá muito arcadista. A maioria das famílias vivia presa a uma existência de subsistência, mal ganhando o suficiente para sobreviver. Espantoso, mas 75% das crianças nascidas em Londres morriam antes dos cinco anos. Contudo, entre 1750 e o início do século XIX, tudo mudou radicalmente. A expectativa de vida aumentou, assim como a população e sua riqueza. Poucos períodos econômicos foram mais marcantes que o da Revolução Industrial.

Por trás dessa transform ação havia um a nova tecnologia. A invenção da m áquina a vapor e o aproveitam ento de com bustíveis fósseis com o o carvão m udaram subitam ente a m aneira com o as pessoas viviam , rem odelando horizontes sociais e artísticos. Foi a era de Wordsworth e de Turner, um a época em que a arte expressava tanto encanto quanto horror diante das m udanças profundas que estavam acontecendo; e um período de insegurança política que coincidiu com a Revolução Francesa e a independência norte-am ericana.

Entretanto, essa fam osa m udança de cenário não foi a única revolução econôm ica da história. Através dos séculos, a hum anidade avançou aos trancos e barrancos à m edida que se inventavam novas tecnologias. Geralm ente, os trancos foram totalm ente inesperados, m as provocaram m udanças radicais na prosperidade e na interação hum anas.

Os historiadores da econom ia consideram que desde o século XVIII tivem os não apenas um a, m as três revoluções industriais – que eles veem com o m udanças estruturais e não cíclicas; noutras palavras, m udanças nas próprias fundações da econom ia, em vez dos rotineiros altos e baixos.

A primeira revolução industrial A primeira revolução industrial foi desde m eados do século XVIII – com a invenção da m áquina a vapor – até o início do século XIX. Antes disso, os hum anos dependiam da natureza – a força do vento, da água ou de anim ais com o cavalos e bois – para sobreviver. Depois, conseguiram usar o carvão para im pelir as m áquinas, o que aum entou a produtividade. Então, os hum anos dom inaram a criação de m áquinas de m etal, o que deu origem às prim eiras fábricas de verdade – a grandiosa encarnação da

divisão do trabalho proposta por Adam Sm ith (vej a o capítulo 6). No início, a revolução ocorreu na Inglaterra, m as não tardou a se espalhar pela Europa e, depois, pelos Estados Unidos.

Os efeitos da revolução foram profundos. Até então, o Produto Interno Bruto per

capita do Reino Unido – um a m edida de geração de riqueza (vej a o capítulo 17) – vinha se m antendo estático desde a Idade Média. De repente, passou para um patam ar drasticam ente m ais elevado. Aos olhos de alguns econom istas, isso se deu quando as econom ias ocidentais escaparam da arm adilha m althusiana (vej a

o capítulo 3), que as condenava a um crescim ento estagnado por conta dos lim ites da população. Com o aum ento da riqueza e da expectativa de vida, aum entou o tam anho da fam ília m édia, e a população da Inglaterra e Gales passou de cerca de 6 m ilhões no século XVIII para m ais de 30 m ilhões no final do século XIX.

 

“O impulso fundamental que põe em marcha o motor capitalista provém dos

novos bens de consumo, dos novos métodos de produção ou transporte, de novos

mercados e de novas formas de organização industrial criadas pela iniciativa

capitalista.”

Joseph Schumpeter

 

Salto de rã tecnológico

Entre os indubitáveis m arcos do progresso, em bora não conte propriam ente

com o um a revolução, acham -se as tecnologias conhecidas com o saltos de

rã. Originalm ente, m uitas partes do m undo devem sua prosperidade a

infraestruturas dispendiosas – os trilhos da estrada de ferro ou as redes de

transm issão de energia elétrica. As partes do m undo sem esse legado de

infraestrutura sim plesm ente não poderiam se desenvolver com rapidez. No

entanto, o celular levou a telefonia a vastas extensões da África nas quais

teria sido pouco econôm ico construir um a rede. Pequenas usinas de energia

solar prom etem fazer algo sim ilar, proporcionando eletricidade para

com unidades que nunca haviam se beneficiado da eletricidade. Está para se

ver se isso significa, com o alguns suspeitam , um a m udança gradual ao redor

do m undo, passando para cidades e com unidades m enos centralizadas,

em bora os am bientalistas acreditem que pode ser um a resposta à poluição e

às m udanças clim áticas (vej a o capítulo 45).

 

A segunda revolução industrial A segunda revolução industrial, às vezes cham ada de revolução elétrica ou técnica, viu a hum anidade desenvolver a m etalurgia (criando o aço e outros m etais), dom inar a eletricidade e explorar o petróleo cru para criar petróleo refinado e gasolina. Foi essa era – um a extensão da prim eira revolução – que deu ao m undo o autom óvel e o aeroplano, bem com o as corporações internacionais e o telefone. Ela tam bém viu a Grã-Bretanha com eçar a perder sua influência global, com os EUA e a Alem anha assum indo rapidam ente suas posições com o florescentes superpotências econôm icas globais.

A terceira revolução industrial – a era dos computadores Foram tantos os avanços recentes na tecnologia que m uitos econom istas identificam um a terceira revolução industrial , estendendo-se desde o final da década de 1980 – um a revolução provocada pelo desenvolvim ento do com putador e da internet, que revolucionou a com unicação e o com ércio globais. No século XXI, tornou-se possível transferir grandes quantidades de capital (riqueza e ativos) de um canto do m undo para outro apertando um sim ples botão. As com panhias podem terceirizar divisões inteiras de seus negócios na Índia, China e outros países graças a avanços na com unicação de banda larga, proporcionando bilhões em econom ia e aum entando seus lucros.

Tal com o ocorreu nas revoluções anteriores, esse salto tecnológico coincidiu com a ascensão de novas possíveis superpotências, ávidas por se aproveitar da m udança – neste caso, a China e a Índia. Na década encerrada em 2006, a ascensão desses países, som ada à revolução tecnológica, contribuiu para o m ais longo período de crescim ento econôm ico m undial de que se tem registro. Em bora depois a econom ia global tenha entrado em recessão profunda, a m aioria dos econom istas acredita que a terceira revolução industrial vai continuar a render frutos nas próxim as décadas.

Em bora sej a certo que houve um salto tecnológico, alguns duvidam que a nova econom ia da internet represente um a m udança tão significativa quanto as vistas nas revoluções anteriores. Por m ais profundas que tenham sido as m udanças recentes, elas não causaram – segundo o econom ista Robert Gordon da Universidade Northwestern – um im pacto tão profundo sobre as vidas das pessoas quanto inovações anteriores, com o a eletricidade, o transporte de m assas, cinem a, rádio e encanam entos dom ésticos.

Revoluções futuras A era da inform ática pode ser apenas um arauto de um a revolução que irá transform ar os próprios seres hum anos. Há m uitas evidências a sugerir que a recente decodificação do genom a hum ano pode levar a grandes avanços na capacidade hum ana. Num a possível biorrevolução, em breve os hum anos podem ser capazes de obter o controle sobre sua estrutura genética, e, em bora atividades com o a clonagem hum ana ainda sej am m uito controvertidas, alguns suspeitam que pode haver nela a oportunidade de avanços econôm icos para a hum anidade no futuro.

Poucas pessoas anteviram a capacidade revolucionária do com putador ou a extensão com que a internet m udaria a econom ia m undial. É provável que novos avanços tecnológicos tornem o m undo do futuro um lugar quase totalm ente irreconhecível.

 

A ideia condensada:

a tecnologia é o

com bustível econôm ico