50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer
17. Produto Interno Bruto
Se existe uma cifra econômica que vale a pena ser conhecida, certamente é a do Produto Interno Bruto (PIB). É, literalmente, a maior de todas as estatísticas econômicas, eclipsando todas as demais, desde a inflação e o desemprego até taxas de câmbio e preços de imóveis.
O PIB de um país é, pura e sim plesm ente, a m edida de sua renda total (produto = produção ou atividade econôm ica; interno = num a econom ia específica; bruto = total). É a m edida m ais reconhecida da força e do desem penho econôm icos de um país.
Muita gente sabe que a China tem experim entado um a ascensão notável rum o à proem inência econôm ica nas últim as décadas. As estatísticas do PIB (vej a a seguir) m ostram que ela superou rapidam ente a França, a Grã-Bretanha, a Alem anha e até o Japão em anos recentes. Porém , sua produção econôm ica é apenas um a fração da produção dos Estados Unidos.
O que o PIB inclui? O Produto Interno Bruto m ede duas coisas: a renda total do país e seu gasto total. Em um a econom ia, renda e gastos são iguais. Se você paga um dólar por um j ornal, esse dinheiro – seu gasto – torna-se instantaneam ente o ganho de outrem . O PIB m ede tanto bens (com o alim entos) e serviços (com o cortes de cabelo), e inclui itens invisíveis (com o m anutenção dom éstica – o valor que as pessoas pagam para m orar em suas casas, sej am próprias, sej am alugadas).
O que o PIB não inclui? A principal exclusão é aquilo que é produzido pela econom ia dita inform al. Inclui o com ércio de m ercadorias ilegais (com o drogas e tudo que circula no m ercado negro), que, segundo se calcula, equivale a cerca de quase um décim o da econom ia da m aioria dos países ricos. O PIB tam bém não inclui os com ponentes de um produto, bem com o os produtos em si. Por exem plo, o m otor de um carro não seria contado separadam ente do veículo pronto do qual faz parte. Se o m otor for vendido separadam ente, j á é outra questão.
E empresas estrangeiras? O PIB m ede o valor de tudo que é produzido em um determ inado país, sej a quem for seu proprietário. Logo, se um a em presa norte-am ericana possui um a fábrica no México, a produção dessa fábrica contribui para o PIB do México. Entretanto, existe outra estatística relacionada que m ede a produção econôm ica dos cidadãos de um país, estej am baseados em casa ou no exterior. O Produto Nacional Bruto (PNB) dos EUA, por exem plo, inclui a renda de cidadãos norte-am ericanos dentro e fora do país, m as exclui aquilo que cidadãos e em presas de outros países ganham nos EUA. Geralm ente, os valores de PIB e PNB são m uito sim ilares.
PIB por país
(US$
bilhões,
2008)
Estados
14.334
Unidos
Japão 4.844
China 4.222
Alemanha 3.818
França 2.987
Reino
2.878
Unido
Itália 2.399
União
19.195
Europeia
Mundo 60.109
Fonte: Fundo Monetário Internacional
Como se mede o PIB? Quando os governos publicam seus valores do PIB, geralm ente o fazem em intervalos trim estrais, e o núm ero m ais interessante não é o valor total, m as a taxa de crescim ento. Vale lem brar que a taxa de crescim ento do PIB que é citada nos j ornais ou pelos políticos refere-se ao crescim ento real do PIB – em outras palavras, descontados os efeitos da inflação. Quando se m antém as m udanças nos preços de m ercado devidas à inflação, o valor resultante é cham ado de PIB nominal.
O que o PIB abrange? Com o um a tangerina, o PIB é form ado por vários segm entos, cada um representando um a contribuição im portante para o crescim ento econôm ico de um país. Aquilo em que um país gasta seu dinheiro pode ser descrito da seguinte m aneira:
consumo + investimento + gasto público + valor líquido de exportações Consumo significa todo o dinheiro que os lares gastam em bens e serviços, e nas últim as décadas, nos países ricos, tem sido de longe o m aior segm ento entre eles. Em 2005, foi responsável por 70% de todos os gastos nos EUA, com um percentual sim ilar no Reino Unido.
Investimento é o valor aplicado em em presas a prazo relativam ente longo, por exem plo, para construir novas fábricas ou instalações. Inclui tam bém o valor gasto pelas fam ílias na aquisição de residências recém -construídas. Equivale a 16,9% do PIB dos EUA e 16,7% do PIB do Reino Unido.
Gasto público inclui tudo aquilo que os órgãos governam entais nacionais e locais gastam em bens e serviços. Corresponde a 18,9% do PIB dos EUA, m as é bem m aior na m aioria dos países europeus, que têm serviços de saúde financiados pelo governo. Na Grã-Bretanha, estabilizou-se em torno de 40% na m aior parte das décadas de 1990 e 2000. Mas lá, e em quase todos os países ricos, a proporção cresceu bruscam ente após a crise econôm ico-financeira de 2008, quando os governos buscaram soluções key nesianas para suas recessões (vej a o
capítulo 9), inj etando m ais dinheiro público na econom ia.
Você deve ter notado que, se som ar esses com ponentes, vai descobrir que os am ericanos estão gastando m ais que 100% de seu PIB – para ser exato, 5,8% a m ais. Com o isso é possível? Em síntese, isso se deve ao fato de os EUA terem com pensado recentem ente o déficit de bens produzidos no país im portando-os do exterior. Em 2005, as exportações foram responsáveis por 10,4% do PIB, enquanto as im portações chegaram a 16,2%, e a diferença entre am bas – em outras palavras, as exportações líquidas – corresponde a esse déficit de 5,8%. Esse déficit com ercial, com o é cham ado, é um aviso de que os EUA têm vivido
além de suas possibilidades (vej a o capítulo 24).
Medir o desempenho da economia usando o PIB Tendo em m ente que o PIB é a m edida m ais am pla do desem penho de um a econom ia, ele é absolutam ente central para as análises econôm icas. Geralm ente, os políticos são j ulgados por ele, e os econom istas se esforçam ao m áxim o para prever seu valor. Quando a econom ia se contrai, ele se vê acom panhado por um aum ento no desem prego e pela queda nos salários. Se a redução dura dois trim estres consecutivos, então tecnicam ente a econom ia está em recessão. Apesar de ser um a definição m uito aceita para recessão, nos EUA a palavra “R” não é usada oficialm ente enquanto a situação econôm ica não for analisada pelo Escritório Nacional de Pesquisa Econôm ica. Geralm ente, as piores recessões são cham adas de depressões. Não existe um a definição am plam ente aceita de depressão, m uito em bora os econom istas estipulem que um a econom ia precisa sofrer um a queda de 10% entre seu ponto m ais alto e seu ponto m ais baixo. Costum am concordar que um a depressão representa bem m ais do que um ano de queda na produção. Na Grande Depressão da década de 1930, o PIB dos Estados Unidos caiu aproxim adam ente um terço.
Entretanto, essa versátil estatística econôm ica tem algum as lim itações im portantes. E se, por exem plo, um país abrisse subitam ente suas portas para um núm ero m uito grande de im igrantes ou exigisse que seus cidadãos trabalhassem m ais? Isso poderia aum entar drasticam ente o PIB, em bora do ponto de vista individual os trabalhadores não tenham sido m ais produtivos. Logo, ao avaliar a saúde de um a econom ia, os estatísticos preferem estudar sua produtividade – calculada dividindo-se o PIB pelo núm ero de horas trabalhadas pelos cidadãos do país. Outra m aneira de interpretar o PIB consiste em dividi-lo pela população total, produzindo o PIB per capita, um a cifra que costum a ser usada pelos econom istas para ilustrar o nível de vida de um país.
Apesar de se considerar com frequência que o PIB reflete o bem -estar de um a nação, os econom istas m odernos estão conscientes de suas lim itações nesse sentido. Por exem plo, o PIB não leva em conta a desigualdade potencial entre diferentes m em bros da sociedade, nem pretende m edir a qualidade am biental ou social, ou a felicidade dos indivíduos. Esses valores precisam ser buscados em
outros indicadores (vej a o capítulo 49). Contudo, nenhum a estatística pode com petir com o PIB para m ostrar instantaneam ente se a econom ia de um país está prosperando ou estagnando.
“Pode-se dizer sem exagero que, a longo prazo, provavelmente nada seja tão
importante para o bem-estar econômico do que a taxa de crescimento da
produtividade.”
William J. Baumol, Sue Anne Blackman e Edward N. Wolff
A ideia condensada:
o principal indicador
do desem penho
econôm ico de um país