50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 41 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

40. Globalização

40 G lobalização

 

Do mesmo modo como capitalismo já foi uma expressão pejorativa em vez de elogio ou mera descrição, globalização tem sido mais usada para criticar do que para elogiar a economia do século XXI. Evoca imagens de oficinas de trabalho escravo na Malásia, centrais de atendimento em Bangalore, minas no Brasil e filiais do Starbucks e do McDonald’s no mundo todo.

Tudo isso é consequência da globalização, m as descrever o fenôm eno apenas nesses term os seria m uito enganoso. Em econom ia, globalização refere-se aos vínculos com erciais e econôm icos que ligam o m undo e que têm sido tão im portantes para a história da hum anidade.

Tão antiga quanto as montanhas? A globalização tem ficado cada vez m ais im portante desde 1492, ano em que Colom bo desem barcou na Am érica, em bora j á houvesse um vibrante com ércio internacional entre a Europa e o Oriente m uito antes disso. Apesar do uso da expressão ter ficado m ais com um a partir da década de 1980, e de as décadas após a queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria serem consideradas com o o divisor de águas da globalização, estam os longe de ser a prim eira era de am plo com ércio, intercâm bio e m igração internacional. Esse título deve ir para a era vitoriana. No final do século XIX, quando o im pério britânico chegou ao seu apogeu, John May nard Key nes descreve que, antes de 1914:

O m orador de Londres podia encom endar pelo telefone, enquanto saboreava seu chá m atinal, diversos produtos do m undo todo, aguardando sua entrega rápida em sua casa; ao m esm o tem po, e pelo m esm o m eio, podia aventurar-se nos recursos naturais e em novos em preendim entos feitos em qualquer parte do planeta, colhendo... seus frutos e vantagens posteriores...

Não foi só a Prim eira Guerra Mundial, m as tam bém o período de protecionism o após a Grande Depressão que pôs fim a essa era. Muitos tem em que esta era m oderna de globalização poderia encontrar um fim igualm ente triste.

Fatores vitais para a globalização A globalização m ais recente baseia-se em cinco fatores cruciais:

1. Livre comércio. Governos do m undo todo derrubaram diversas barreiras

e tarifas sobre im portações e exportações. A China, por exem plo, depois de

adotar reform as sobre livre com ércio no final da década de 1980 e início da

seguinte, rem oveu m uitas restrições sobre seus m ercados de exportação.

Em função de sua im ensa população, e portanto de salários baixos, isso

significou que as nações ricas receberam um fluxo de m ercadorias baratas

provenientes da China e de seus vizinhos.

 

“A globalização é um fato da vida. Mas acredito que tenhamos subestimado sua

fragilidade.”

Kofi Annan

 

2. Terceirização. As com panhias têm conseguido econom izar transferindo a

produção de seus bens e serviços para lugares m ais econôm icos no exterior.

Muitas fábricas fecharam suas unidades nos Estados Unidos e no Reino

Unido, m udando-as para a China, México e outros lugares onde os

trabalhadores aceitam salários m ais baixos e – o que suscita controvérsias –

as condições de trabalho costum am ser piores. Muitas em presas de serviços

transferiram suas centrais de atendim ento, e até partes de seu principal

negócio, para a Índia e outros lugares onde são abundantes os graduados que

falam inglês fluente.

3. A revolução nas comunicações. Duas revoluções im portantes azeitaram

as rodas do com ércio internacional. A prim eira foi a “conteinerização” – a

revolução nos transportes, pela qual bens são transportados para o m undo

todo em contêineres de tam anho padronizado, a custo reduzido e m enor

período de trânsito. A segunda foi a revolução na banda larga. Quando a

m ania da internet atingiu seu apogeu no final da década de 1990, os

engenheiros gastaram bilhões em um a nova rede internacional de cabos de

fibra óptica. Apesar de a bolha das “ponto com ” ter estourado pouco depois,

essa rede global de autoestradas da inform ação proporcionou um a conexão

rápida e barata à internet para m ilhões de pessoas.

4. Liberalização. Muitos países que m antiveram suas fronteiras fechadas a

contatos com o exterior durante a Guerra Fria foram estim ulados a abri-las.

Isso perm itiu que com panhias ocidentais ganhassem novos m ercados. A

elim inação dos cham ados controles à circulação de capital fez com que o

dinheiro pudesse circular livrem ente para dentro e para fora dessas novas

econom ias de um m odo que nunca fora feito antes. Enquanto isso, governos

do m undo desenvolvido facilitaram a contratação e dispensa de

trabalhadores para as em presas, afrouxando as leis trabalhistas.

5. Harmonização jurídica. Países do m undo todo se esforçaram para alinhar

suas leis sobre direitos de propriedade e de propriedade intelectual, de tal

m aneira que um a patente requerida nos EUA, por exem plo, é reconhecida

na China e vice-versa. Entre os planos para o futuro, inclui-se a criação de

padrões internacionais para a qualidade das m ercadorias a fim de evitar a

repetição de incidentes com o aqueles em que produtos chineses e de outros

lugares tinham defeitos potencialm ente perigosos.

G anhos da globalização Sem dúvida, a globalização fez com que bilhões de pessoas pelo m undo ficassem significativam ente m ais ricas. As econom ias de países com o Brasil, Índia e China receberam um forte im pulso graças a aum entos significativos em suas exportações. Além disso, a entrada desse novo grupo de exportadores reduziu a inflação m undial durante quase um a década a partir de 1997, pois as em presas aproveitaram a oportunidade para reduzir custos e repassar as econom ias resultantes a seus clientes.

De fato, há m uitas evidências a sugerir que a globalização foi, em grande parte, responsável pelo período que ficou conhecido com o a “Grande Estabilidade” desses quinze anos até 2007. Nesse período, a econom ia m undial cresceu m ais rapidam ente e por m ais tem po do que antes, e a inflação se m anteve baixa e estável. É fato que a ele se seguiu um a grave crise financeira, m as esta deveu-se

principalm ente a outros fatores (vej a o capítulo 35).

Críticas à globalização Quanto m ais rápida a difusão pelo m undo dos fundam entos da globalização, m ais estridentes as críticas feitas a ela. Norm alm ente, as reuniões das principais instituições m ultilaterais atraem m ilhares de m anifestantes. A reunião da Organização Mundial de Com ércio em Cancun em 2003, por exem plo, foi m anchada pelo suicídio de um agricultor sul-coreano em protesto pela retirada do apoio à agricultura.

Críticos da globalização, entre os quais Naom i Klein, Joseph Stiglitz e Noam Chom sky, costum am rotular seus defensores m ais ardorosos de neoliberais. O ataque ao fenôm eno dá-se sob três ângulos:

1. Econômico. Alegam que a globalização elevou a riqueza total gerada no

m undo, m as que essa riqueza não foi distribuída equitativam ente. Com

efeito, os níveis de desigualdade no m undo todo atingiram seus valores m ais

altos desde a década de 1930 (vej a o capítulo 39), e em bora alguns tenham

se tornado bilionários graças ao com ércio global, m uitos nos países m ais

carentes continuam a ser extrem am ente pobres.

2. Direitos humanos. Alguns dos m aiores fabricantes de roupas e calçados

foram alvo de críticas por usarem oficinas de trabalho escravo, nas quais os

em pregados recebem salários extrem am ente baixos e são forçados a

trabalhar em condições pavorosas durante longas j ornadas.

3. Cultural. Os críticos dizem que a crescente influência de corporações

m ultinacionais e o dom ínio cada vez m aior de m arcas ocidentais têm

dificultado a m anutenção da identidade de culturas indígenas, fazendo com

que pequenas loj as e produtores independentes fiquem de lado no m ercado.

Uma era de paz e democracia? Malgrado as inúm eras críticas à globalização, as evidências m ostram que, de m odo geral, ela m elhorou sensivelm ente o nível de vida nos países que a acolheram – em bora, com o sem pre ocorre no capitalism o, os ganhos não sej am distribuídos igualm ente. Adem ais, com o fom enta as fortunas das classes m édia e profissional, alguns sugerem que a globalização tam bém aj uda a dissem inar a dem ocracia. Estrategistas políticos suspeitam que o Partido Com unista pode ter dificuldades para se m anter no poder na China, um a vez que vem aum entando a dem anda popular por um regim e dem ocrático, alim entada pela influência crescente da classe m édia.

Outro argum ento a favor da globalização é que vínculos econôm icos m ais fortes entre nações tendem a dissuadi-las de entrar em guerra um a contra a outra. Thom as Friedm an, j ornalista norte-am ericano e autor de The World is Flat, verdadeira apologia à globalização, postulou que nunca dois países que têm loj as do McDonald’s entraram em guerra m útua. No entanto, essa afirm ativa foi invalidada quando a Rússia declarou guerra à Geórgia em 2008. E a lição aprendida com a prim eira era da globalização, encerrada com o terror da Prim eira Guerra Mundial, é que nunca podem os presum ir que a difusão do com ércio e da riqueza tenha m udado o m undo para sem pre.

 

A ideia condensada:

a globalização

é a adrenalina

do capitalism o