50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 31 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

30. O risco nos negócios

 

“Neste prédio, é matar ou morrer”, diz o personagem de Dan Ackroyd a Eddie Murphy no filme Trocando as bolas, de 1983. Estão indo à bolsa de mercadorias e futuros de Nova York, prestes a dar o golpe do século. Vendendo e depois comprando suco de laranja concentrado e congelado no mercado futuro, a dupla fatura milhões e leva à bancarrota seus antigos e vingativos empregadores.

Para o Barings, o m ais antigo banco com ercial de Londres, foi “m orrer”. Ele sofreu um colapso em 1995 quando um de seus corretores, Nick Leeson, perdeu sozinho m ilhões de libras no m ercado de futuros de Singapura.

Redistribuição do risco Os m ercados de futuros e opções – tam bém conhecidos com o m ercados de derivativos – são, provavelm ente, os m ais arriscados e lucrativos de todos os m ercados. E por um bom m otivo, pois é j ustam ente com o risco que os m ercados de derivativos financeiros e m ercadorias negociam . É neles que com panhias e operadores especulam com o que esperam que vá acontecer com os preços de tudo, desde ações, valores, títulos e m oedas, até m etais, m ercadorias, clim a e preços de im óveis.

Com panhias e indivíduos especulam não só por apostar, m as com um propósito econôm ico essencial: redistribuir o risco. Precisam planej ar com antecedência em um m undo altam ente im previsível. Se você fabrica sorvetes de frutas, não pode saber no com eço do ano com o será a colheita, e por isso não sabe com quantas laranj as poderá contar. Se a colheita for fraca, o preço das laranj as vai subir bastante, m as se a colheita for abundante, os preços vão cair por causa do aum ento na oferta de laranj as. Você pode decidir que não quer correr riscos e fechar um contrato para com prar suco de laranj a em determ inada data do verão por um preço fixo. Você abre m ão da oportunidade de econom izar caso a colheita sej a boa (ou de perder dinheiro caso sej a ruim ) em troca da segurança de pagar um valor determ inado. Na outra ponta da transação, o agricultor tam bém tem o risco m itigado, garantindo algum a receita para o ano.

Os m ercados de futuros e opções são, hoj e, alguns dos m ais im portantes e agitados do m undo, pois as com panhias precisam tom ar decisões sim ilares com frequência, sej a um produtor de m ilho fixando um preço ou um grande exportador com o a Ford ou a Microsoft tom ando posição em certas m oedas para garantir que não vão perder caso o valor do dólar baixe subitam ente.

Especulação e investimento Para que o m ercado funcione, é preciso que haj a pessoas dispostas a correr riscos. É aqui que os especuladores entram na equação. Enquanto cerca de m etade dos participantes dos m ercados de futuros busca proteção, os dem ais estão tentando ganhar dinheiro apostando nos m ovim entos dos preços. Esses especuladores puros, que têm suas próprias suspeitas sobre a direção dos preços, form am um a parcela essencial da econom ia. Ora são indivíduos, ora fundos de cobertura, ora fundos de pensão procurando lucrar um pouco m ais.

De qualquer m aneira, são diferentes dos investidores, que adotam um a postura de longo prazo. Com o disse Benj am in Graham , autor do livro essencial para todos os investidores, The Intelligent Investor:

A diferença m ais realista entre investidor e especulador está na postura diante dos m ovim entos do m ercado de valores. O interesse principal do especulador consiste em antecipar-se às flutuações do m ercado, lucrando com elas. O interesse principal do investidor é adquirir e m anter valores adequados a preços adequados.

É possível enriquecer seguindo qualquer cam inho. O m ais fam oso investidor do m undo é Warren Buffett, que habitualm ente adota posições de longo prazo nas em presas para controlá-las durante anos por m eio de sua com panhia, a Berkshire Hathaway. Em 2008, a revista Forbes considerou-o o hom em m ais rico do m undo, com um a fortuna de US$ 62 bilhões, em bora depois seu patrim ônio tenha se reduzido significativam ente por causa dos efeitos da crise financeira. O m ais fam oso bilionário dos fundos de cobertura é George Soros, que ganhou US$ 9 bilhões especulando com o preço de ações, com m odities, m ercadorias, m oedas e outros.

Mercadorias, opções e futuros

Mercadorias são m ateriais sólidos que podem ser com prados e vendidos no

atacado, desde m etais preciosos e petróleo até cacau e café em grão. Se

quiser com prar algum a m ercadoria para entrega im ediata, você o faz ao

preço spot – o preço atual – com o faria com um a ação ou título.

Opção, por outro lado, é um acordo que dá a seu portador o direito, em vez

da obrigação, de com prar ou vender um investim ento a um preço específico

em um dia determ inado.

Um futuro é um contrato para com prar certa m ercadoria ou investim ento a

um preço específico em algum m om ento futuro (data da entrega).

 

Uma breve história dos futuros De certa form a, os negócios com futuros existem há séculos, pois geralm ente há um a lacuna entre a encom enda de um produto e sua entrega efetiva. Nos séculos XIII e XIV, era com um os agricultores venderem lã com um ou dois anos de antecedência. No Japão do século XVIII, os com erciantes com pravam e vendiam arroz para entrega futura, e os prim eiros contratos de derivativos foram vendidos aos sam urais, que geralm ente eram pagos em arroz; após algum as colheitas fracas, quiseram garantir determ inada receita nos anos vindouros.

Mas foi só no século XIX que o m ercado realm ente decolou – e seu lar espiritual foi e é Chicago, onde o m ercado de futuros é cham ado de Bolsa Mercantil. Em 1880, por exem plo, a com panhia de produtos alim entícios Heinz assinou contratos com agricultores para com prar pepinos nos anos seguintes a preços previam ente acordados. Geralm ente, porém , um contrato de futuros não é tratado de form a direta entre com prador e vendedor, m as na bolsa de futuros, que atua com o interm ediário. Quando se espera algum a variação nos preços de um a m ercadoria, de bacon a m etais, o preço dos futuros associados a essas m ercadorias tam bém varia.

Jogo de soma zero Essa flutuação constante é que faz o m ercado de derivativos ser um lugar tão arriscado para se investir. Basta olhar para o m ercado futuro de um a das m aiores m ercadorias, o petróleo, para entender o porquê. Os preços do petróleo sobem e descem dependendo de diversos fatores, que vão desde o econôm ico (com base, por exem plo, na velocidade com que as econom ias devem se expandir, e com isso sua provável dem anda por com bustível) ao geopolítico (com base na possibilidade de ataques terroristas a plataform as de petróleo ou nas relações entre o Oriente Médio e o resto do m undo).

 

“Tenha medo quando os outros forem cobiçosos e só seja cobiçoso quando os

outros estiverem com medo.”

Warren Buffett

 

Em 1999, a revista The Economist predisse que, tendo caído a US$ 10 por barril, os preços do petróleo iriam baixar ainda m ais, atingindo US$ 5. No final desse ano, o preço chegou a US$ 25. Entre 2000 e 2005, m anteve-se entre US$ 20 e US$ 40 por barril. Então, um a com binação de fatores, incluindo a invasão do Iraque, um crescim ento econôm ico extraordinário em boa parte do m undo e o receio sobre a quantidade de petróleo que ainda restaria no solo, fez com que os preços disparassem , chegando prim eiro a US$ 60, depois US$ 80 e, em 2008, atingindo US$ 140 por barril. Assim que chegou a esse patam ar, porém , com eçou a baixar até voltar a um ponto próxim o ao anterior, em virtude da recessão que afetou a econom ia global.

Apostando inteligentem ente na direção que os preços iriam seguir, m uitos investidores ganharam centenas de m ilhões de dólares, m as outros tantos perderam m uito. Diferentem ente do m ercado de valores, no qual as ações das com panhias podem valorizar-se com o crescim ento e a prosperidade das em presas, os contratos de futuros têm som a zero: para cada ganhador há alguém que perde em um a m agnitude sim ilar. É por isso que os m ercados de derivativos são com parados a cassinos. Mas, em bora haj a certa dose de j ogo envolvida, não são um passatem po ocioso. Esses m ercados são um a engrenagem essencial na m oderna m áquina econôm ica.

 

A ideia condensada:

transfira o risco

para quem está m ais

disposto a assum i-lo