50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 50 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

49. Economia da felicidade

 

Na década de 1970, no pequeno reino do Butão, no Himalaia, a economia do país passou por um minucioso exame. Segundo a maioria dos indicadores, como Produto Interno Bruto, renda nacional, nível de emprego e outros, seu crescimento era muito lento. O rei do Butão fez algo incomum: decretou que, dali em diante, o progresso do país não seria medido por esses parâmetros econômicos tradicionais, mas por sua felicidade interna bruta.

Na época, pode ter parecido um a resposta pouco convencional às críticas externas, m as o rei teve um a ideia que se tornaria um estudo im portante e cada vez m ais respeitável – o da econom ia da felicidade. É um assunto que a m aioria consegue entender. Com o nações e indivíduos, quase todos nós estam os m ais ricos e m ais saudáveis do que antes. Porém , essa riqueza veio de m ãos dadas com m al-estar e descontentam ento. Nos últim os 50 anos, os cidadãos de nações ricas vêm se m ostrando cada vez m enos felizes.

A busca da felicidade A econom ia tradicional não tem um a explicação satisfatória para isso. Desde a época de Adam Sm ith, presum e-se que a riqueza é a principal m edida do progresso de um país. É por esse m otivo – e pelo fato de ser fácil m edir o dinheiro – que os econom istas tendem a se concentrar em m edidores com o Produto Interno Bruto, desem prego e um punhado de indicadores sociais com o expectativa de vida e desigualdade. Mas até pouco tem po, a felicidade não era um desses m edidores, o que, se lem brarm os da im portância atribuída pelos filósofos ao contentam ento desde os prim eiros dias da hum anidade, é de se surpreender.

A ideia de que o progresso de um país deve ser m edido por sua felicidade não com eçou há alguns anos no Butão. Em 1776, Thom as Jefferson determ inou que os am ericanos deveriam ter o direito não apenas à vida e à liberdade, com o tam bém à “busca da felicidade”. Jerem y Bentham , que criou a filosofia do utilitarism o no século XIX, disse que os hum anos deveriam alm ej ar a “m aior felicidade para o m aior núm ero”.

No Butão, a busca da felicidade parece ter produzido resultados concretos. Desde que adotou o índice da felicidade interna bruta, o país cresceu em um ritm o adm irável, m esm o segundo parâm etros econôm icos convencionais. Em 2007, foi a segunda econom ia de m ais rápido crescim ento no m undo, sem deixar de aum entar sua felicidade interna bruta. Num esforço para m anter o nível de satisfação da população, foram baixados decretos que determ inam que 60% do país deve se m anter coberto por florestas e que o turism o – que aparentem ente dim inui a felicidade – é lim itado. O dinheiro é redistribuído dos ricos para os pobres a fim de elim inar a pobreza m aciça.

A medição da felicidade Os esforços para tornar m ais feliz o Butão parecem ter dado m uitos frutos. Segundo um a pesquisa realizada em 2005, apenas 3% da população não se considerava feliz, e quase m etade disse que estava m uito feliz. Mas essas pesquisas podem ser vagas, pouco convincentes e de difícil com paração em pírica. É bem m ais difícil m edir a felicidade do que o nível de riqueza ou de expectativa de vida, digam os, e é por isso que ela ficou negligenciada na econom ia. Todavia, avanços recentes no m apeam ento cerebral aj udaram os neurocientistas a identificar a região do sistem a nervoso central m ais estim ulada pela felicidade, e as descobertas aj udaram a acrescentar um a cam ada de credibilidade científica à m edição da felicidade.

A hierarquia das necessidades

Existem algum as necessidades hum anas básicas, que devem ser satisfeitas

se querem os ser felizes. Vão desde aquelas ligadas à fisiologia (o

funcionam ento apropriado das funções corporais) e à segurança (abrigo,

em prego, saúde), ao am or, estim a e m oralidade. Essa hierarquia,

apresentada pelo psicólogo Abraham Maslow em um trabalho de 1943,

resum e aquilo que contribui para a satisfação hum ana. Os econom istas que

lidam com a felicidade perceberam que quando se satisfaz a m aioria das

necessidades m ais sim ples – a fisiologia e a segurança – a felicidade chega

até a dim inuir.

 

“A ideologia da felicidade interna bruta conecta as metas de desenvolvimento

do Butão com a busca da felicidade. Isso significa que a ideologia reflete a visão

do Butão sobre o propósito da vida humana, uma visão que coloca o

desenvolvimento pessoal do indivíduo no centro.”

Dasho Meghraj G urung, ministro do Butão

 

Nas últim as décadas, econom istas e psicólogos conseguiram com eçar a m edir pela prim eira vez, a sério, a felicidade das pessoas em estudos de longo prazo. A conclusão a que chegaram é que apesar da felicidade individual aum entar quando a pessoa passa da pobreza para a riqueza, o nível de satisfação com eça a cair à m edida que se afasta da linha de pobreza. Segundo Richard Lay ard, econom ista britânico especializado na econom ia da felicidade, quando o salário m édio de um a nação supera US$ 20.000, um aum ento de renda deixa de fazer as pessoas m ais felizes e elas vão ficando m enos satisfeitas. Em linguagem econôm ica, além desse ponto a felicidade tem retorno decrescente.

É isso que Richard Easterlin, um dos pioneiros nesses estudos, cham a de “ciclo hedonista” (expressão derivada da palavra grega que significa prazer): quando você fica rico, acostum a-se m uito rapidam ente com isso, e não dem ora para considerar natural esse novo padrão de vida. Além disso, pesquisas feitas no

cam po da econom ia com portam ental (vej a o capítulo 46) m ostraram que se nossas necessidades básicas estão satisfeitas, param os de m edir nosso contentam ento com base em nossas realizações ou riqueza absoluta e com eçam os a nos com parar com os outros. Diz o ditado que a pessoa fica feliz com seu próprio salário caso ele sej a m aior que o salário de seu concunhado, e a psicologia com prova isso. As descobertas indicam que nossa cultura de noticiários 24 horas por dia e de celebridades instantâneas, com acesso perm anente ao estilo de vida dos ricos, belos e fam osos, acaba reduzindo ainda m ais a satisfação das pessoas.

Dinheiro não é tudo Ministros de países que vão do Reino Unido e Austrália à China e Tailândia estão determ inados a encontrar um a m edida internacional de bem -estar interno bruto. Em bora alguns econom istas tradicionais ironizem esse obj etivo, seria errado presum ir que a atual coleção de parâm etros para avaliar o progresso de um país sej a definitiva. Um a m edida independente, idealizada pela New Econom ics Foundation, é o índice planeta feliz, que com bina m edidas com o a satisfação nacional com a vida, a expectativa de vida e a pegada ecológica per capita. Segundo ele, o país com m elhor pontuação em 2006 foi a ilha de Vanuatu, no Pacífico, seguida pela Colôm bia e Costa Rica, enquanto Burundi, Suazilândia e Zim bábue foram os piores. A m aioria dos países m ais ricos do m undo, inclusive os EUA e o Reino Unido, aparece abaixo da m etade da lista.

A econom ia da felicidade tem influenciado cada vez m ais a m aneira com o os políticos dos países desenvolvidos criam leis. Já foi sugerido, por exem plo, que im postos m aiores sobre quem ganha m ais torna feliz a sociedade com o um todo, pois isso reduz o nível nacional de invej a. Outra ideia é que as em presas deveriam lim itar a parcela salarial devida ao m érito. Lorde Lay ard sugeriu que se financiem program as m aciços de terapia cognitiva com portam ental para todos os m em bros da população. Em bora tais ideias sej am controvertidas, estão ganhando força no Reino Unido e nos EUA, onde os políticos procuram um a form a de inspirar eleitores apáticos.

O desenvolvim ento da econom ia da felicidade inspirou certa reação negativa. Alguns psicólogos afirm am que o descontentam ento e a invej a podem ter um papel im portante na m otivação para o aprim oram ento individual. Além disso, há a questão de se saber se alm ej ar a felicidade de um a nação é m oralm ente j ustificável. Em 1990, o Butão expulsou de seu território 100.000 forasteiros de outra etnia. Aparentem ente, a m edida aum entou a felicidade nacional, m as ao custo de prej udicar o histórico de direitos hum anos do país. É claro que a riqueza não é tudo, m as tam pouco o é a felicidade.

 

A ideia condensada:

a econom ia não se

resum e ao dinheiro