50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 35 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

34. Estourando bolhas

 

 

Exuberância irracional: duas palavras pouco marcantes, mas, quando ficam juntas, têm força suficiente para fazer com que os mercados do mundo todo despenquem. Em 1996, quando Alan G reenspan, então presidente da Reserva Federal, disse que era isso que podia estar acontecendo com os mercados, causou uma grande queda nos preços, pois os investidores se perguntaram se tinham ficado presos dentro de uma bolha.

Greenspan percebera que os preços das ações de em presas de tecnologia estavam subindo bem m ais rápido do que seria de se esperar. As pessoas estavam se deixando levar, perm itindo que seu entusiasm o pelo auge da internet as levasse a adquirir ações por um valor m aior do que o razoável. Com o resultado, nos prim eiros dias da bolha das ações “ponto com ”, os preços subiram m uito. A advertência de Greenspan fez com que o índice de ações Dow Jones na Wall Street caísse 145 pontos no dia seguinte, m as os investidores recuperaram a confiança até depois da virada do m ilênio.

O caso da “exuberância irracional” ilustra dois pontos im portantes sobre m ercados financeiros e bolhas: prim eiro, é extrem am ente difícil identificar um a bolha, e m ais difícil ainda descobrir se está próxim a de estourar; segundo, nem sem pre é fácil m anter um a bolha sob controle.

Identificando bolhas As bolhas econôm icas ocorrem quando o entusiasm o de especuladores e investidores sobre determ inado ativo faz com que seu preço vá m ais alto do que deveria. Claro que a determ inação do preço “correto” é subj etiva, e aí está o problem a. Mesm o quando os preços das ações de em presas relacionadas com a internet atingiram valores estonteantes, em 2000, m uitos analistas e especialistas afirm aram que seu preço era razoável. O m esm o aconteceu com preços de im óveis nos EUA e no Reino Unido em 2006, antes de com eçarem a cair durante a crise econôm ica que se seguiu.

 

“Elas [nossas decisões de investimento] só podem ser consideradas o fruto de

espíritos de animais – um ímpeto espontâneo de agir no lugar da inação.”

John Maynard Keynes

 

As bolhas não são um fenôm eno novo. Têm ocorrido desde os prim eiros dias dos m ercados: da Holanda do século XVII, onde investidores correram para com prar tulipas, às bolhas da South Sea e da Mississippi Com pany do século XVIII (associadas a lucros que seriam obtidos com as colônias europeias), até as diversas febres im obiliárias do século XX.

Em bora fique óbvio, em retrospectiva, que se tratava de bolhas, foi difícil identificá-las antecipadam ente. Os preços podem aum entar por m otivos que os econom istas cham am de “fundam entais”. Os preços de im óveis, por exem plo, podem aum entar porque m ais pessoas querem m orar em determ inado país ou região – noutras palavras, há um aum ento na dem anda – ou porque dim inui o núm ero de im óveis sendo construídos – ou sej a, há um a lim itação na oferta.

Nadando contra a corrente Muitos especialistas em econom ia, entre os quais Alan Greenspan, têm dito que os legisladores não devem tentar conter as bolhas – “nadar contra a corrente”, obviam ente elevando as taxas de j uros ou baixando novas regras – e sim concentrar-se em lim par a suj eira depois que explodem . Sua lógica é dupla. Prim eiro, é difícil identificar se os preços em alta são o sintom a de um a bolha ou um a m anifestação benigna de crescim ento econôm ico. Segundo, tendo em vista que ferram entas econôm icas com o taxas de j uros e regulações são obtusas, é provável que seu uso leve a danos colaterais noutras partes da econom ia.

Elos de retroalim entação

Quando um a bolha está se form ando ou explodindo, afeta a econom ia

m ediante um círculo virtuoso ou vicioso, que os econom istas cham am de elo

de retroalim entação positivo ou negativo. Com o aum ento dos preços, as

pessoas se sentem m ais ricas; isso faz com que gastem m ais, o que leva a

econom ia para a frente. Quando os preços caem , as pessoas gastam m enos,

o que, por sua vez, faz com que os preços caiam ainda m ais e os bancos

em prestem m enos. Durante a crise financeira de 2008, form ou-se um elo

de retroalim entação negativo, no qual os bancos pararam de em prestar

livrem ente ao público; isso levou as pessoas a reduzirem seus dispêndios, o

que só serviu para reforçar a relutância dos bancos em em prestar. Esses elos

são os m ais perigosos fenôm enos econôm icos: depois que com eçam , fica

m uito difícil para qualquer um – de bancos centrais a políticos – detê-los.

 

Alguns chegaram a sugerir que as bolhas são parte integral de um a econom ia que funciona bem , estim ulando investim entos em grande escala que não seriam feitos noutra situação. Por exem plo, a alta das em presas “ponto com ” do final da década de 1990 deu início a um a corrida para se instalar redes de fibra óptica no m undo todo. O resultado foi um a rede internacional de capacidade bem m aior do que a que seria necessária na época. Muitas das em presas envolvidas faliram , m as o aum ento na largura de banda foi parcialm ente responsável pelo crescim ento econôm ico após a era das “ponto com ”, pois reduziu o preço das com unicações internacionais. De m odo análogo, alguns dizem que estourar um a bolha livra a econom ia das em presas m enos prósperas pelo processo de

destruição criativa (vej a o capítulo 36).

O mal feito No entanto, tais argum entos parecem questionáveis quando um a econom ia acabou de sofrer o estouro de um a bolha. A recessão que se segue pode ser m uito daninha. Quando os bancos com eçam a racionar o crédito, por exem plo, até as m ais sim ples transações financeiras podem se tornar

significativam ente m ais caras (vej a o capítulo 35). Basta estudar a Grande Depressão, após a Queda de Wall Street de 1929, para com preender a gravidade das im plicações econôm icas de longo prazo do estouro de um a bolha.

Alguns afirm am que as bolhas econôm icas cham am a atenção das pessoas com o cham ariz do lucro fácil, desviando-as de investim entos que deveriam estar fazendo. Em term os econôm icos, causam um a m á alocação de recursos que poderiam ser m ais bem utilizados em outro lugar. Os investidores podem , por exem plo, com prar casas acreditando que o preço vai aum entar, em vez de aplicar o dinheiro em ações ou em um a conta de poupança.

Atenuando o ciclo Os encarregados de um a econom ia dispõem de diversos recursos para im pedir a form ação de bolhas. A prim eira ferram enta é sim plesm ente assinalar – com um discurso ou algum a outra form a de anúncio público – que os legisladores estão preocupados com o desenvolvim ento de um a bolha (talvez indicando as m edidas que serão tom adas para im pedi-la). No entanto, com o m ostrou a queda das “ponto com ”, isso não garante que a bolha vá retrair. A segunda opção é elevar as taxas de j uros, que podem am ortecer o crescim ento da bolha, m as ao custo de desacelerar o crescim ento de outras partes da econom ia. Um a terceira ideia é regular os bancos com m aior rigor para que não em prestem tão liberalm ente quando tudo está bem e, após o estouro de um a bolha, sim plesm ente fechem os caixas. Políticas com o essas são conhecidas com o anticíclicas, pois visam im pedir que a econom ia oscile de um a alta para um a quebra – em oposição a políticas pró-cíclicas, que estim ulam as bolhas e as dolorosas recessões.

Após a crise de 2008, os bancos centrais se com prom eteram a se esforçar m ais por “nadar contra a corrente” para im pedir que se form em novas bolhas im obiliárias – tal com o aconteceu tão desastrosam ente naquela década. Mas os econom istas têm se convencido, cada vez m ais, de que as bolhas são um a parte inevitável do crescim ento econôm ico. Enquanto os seres hum anos forem irracionais e im previsíveis, é provável que as bolhas sej am um elem ento perm anente da vida.

 

A ideia condensada:

os seres hum anos são

viciados em bolhas