50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 21 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

20. Dívida e deflação

 

Diferentemente do que acontece hoje, a deflação – processo no qual os preços caem a cada ano em vez de aumentar – nem sempre foi vista como uma ameaça. Durante um par de séculos, até o começo do século XX, economias bem-sucedidas passavam com frequência por surtos prolongados desse fenômeno. Na verdade, Milton Friedman afirmava que, em teoria, os governos deveriam ter como meta uma quantidade moderada de deflação.

 

Definições

Deflação im plica que os preços de bens e serviços estão caindo, geralm ente

de ano para ano.

Desinflação ocorre quando a taxa de inflação se reduz, em bora se m antenha

positiva.

 

Quando os preços das m ercadorias nas ruas de com ércio fino caem suavem ente, isso significa que cada libra ou dólar que você tem no bolso vale m ais. Mesm o que sua renda não aum ente a cada ano, seu poder de com pra aum enta. Portanto, você não precisa se preocupar com a possibilidade de seu dinheiro perder o valor dentro de alguns anos, com o poderia acontecer em um a econom ia com inflação elevada.

Deflação e depressão A deflação benigna, porém , foi eclipsada no século XX por experiências m ais dolorosas de queda de preços, nenhum a tão grave quanto a Grande Depressão da década de 1930. A Depressão veio após um grande aum ento nos preços das ações durante a década de 1920, quando boa parte das ações foram com pradas com dinheiro em prestado, e não com econom ias pessoais. Quando, em 1929, os investidores perceberam que os ganhos espetaculares (o Índice Dow Jones Industrial Average aum entou cinco vezes nos seis anos anteriores) não se basearam na realidade, m as em esperança e especulação, o m ercado despencou.

O período que se seguiu foi o m ais som brio da econom ia norte-am ericana – e de m uitos outros países do m undo – com bancos quebrando sob o peso de suas dívidas, queda nos preços de im óveis, em presas sendo fechadas e m ilhões de pessoas perdendo o em prego. Um dos problem as centrais dessa crise foi a deflação.

Os preços com eçaram a cair quando as pessoas perceberam que tinham sido inflados artificialm ente pela cobiça e pela m ania que dom inaram a econom ia nos “Anos Loucos” da década de 1920. Mas, apesar de as ações e dos preços dos im óveis terem caído, o valor das dívidas assum idas pelas pessoas para adquiri-los perm aneceu inalterado. Por isso, com os preços caindo à razão de 10% ao ano, o custo dos US$ 100 de dívida – em term os daquilo que tal im portância podia adquirir de fato – subiu para US$ 110. Entre as fam ílias que não sucum biram de im ediato à queda da econom ia, m ilhões foram vítim as da deflação quando o valor de suas dívidas aum entou arbitrariam ente.

Uma espiral mais dura A deflação não afeta apenas quem tem dívidas, m as a econom ia com o um todo. Quando os preços com eçam a despencar, as pessoas tendem a guardar dinheiro, sabendo que as coisas vão ficar m ais baratas dentro de alguns m eses. A relutância em gastar faz com que os preços caiam ainda m ais. Além disso, com o os salários costum am ser determ inados por contratos que obrigam legalm ente as partes, de repente as em presas se veem com folhas de pagam ento m ais caras, pois salários que antes custavam US$ 1.000 agora custam o equivalente a US$ 1.100. É um desastre para o em pregador, que vende bens e serviços por preços m ais baixos m as ainda precisa m anter a m esm a folha de pagam entos. E se no com eço isso parece bom para o em pregado, na prática significa que as em presas terão de despedir m ais funcionários para se m anterem em atividade. De m odo sim ilar, em bora os bancos recebam prestações m ais elevadas de alguns devedores – em relação a outros preços da econom ia, que estão caindo –, outros devedores não conseguirão pagar seus em préstim os.

Muitos desses sintom as são bastante sim ilares aos experim entados em um período de inflação elevada. Am bos envolvem o aum ento de preços de certos produtos, em term os reais, em um ritm o incontrolável. Todavia, enquanto o efeito da inflação é encarecer os bens nas loj as, a deflação infla o custo de dívidas e de outras obrigações.

 

“Enfatizo um corolário importante da teoria da dívida-deflação: as grandes

depressões podem ser curadas e prevenidas pela reflação e estabilização.”

Irving Fisher, economista estadounidense

 

O m aior risco da deflação é a queda cada vez m ais rápida de preços, pois as em presas reduzem despesas e veem as perdas se acum ulando, o que, por sua vez, faz com que os preços baixem ainda m ais. Provavelm ente, é m ais difícil escapar disso do que de um a espiral inflacionária – principalm ente porque as econom ias m odernas desenvolveram m ecanism os para lidar de form a m ais

eficaz com esta últim a (vej a o capítulo 18).

Diagnóstico e soluções A explicação econôm ica para a deflação é que a quantidade de dinheiro no sistem a dim inui ou a oferta de bens e serviços aum enta. Assim , enquanto a inflação envolve um excesso de dinheiro em busca de bens em abundância, o oposto se aplica à deflação. No caso da Grande Depressão e da experiência do Japão nas décadas de 1990 e 2000, a causa foi um a contração m onetária (associada à bolha das dívidas – quando as pessoas pouparam m ais e gastaram m enos após anos de excessos e de um estilo de vida além de seus recursos); a deflação benigna do século XIX, em contraste, foi em função do aum ento na oferta de bens por causa da m aior produtividade.

Norm alm ente, a principal ferram enta em pregada pelos bancos centrais para controlar a inflação é a taxa de j uros. Entretanto, esta não pode ficar abaixo de zero; por isso, quando os preços caem , não há m uito m ais a fazer, exceto recorrer a ferram entas pouco convencionais, das quais a m aioria se reduz, nas palavras de Ben Bernanke, então presidente da Reserva Federal, a ligar a “m áquina de im prim ir dinheiro”. Em outras palavras, ao contrário de episódios de inflação, quando procuram m anter constante a quantidade de efetivo no m ercado, os bancos centrais com eçam a inj etar m ais dinheiro na econom ia. Isso pode ser feito de várias m aneiras: com prando diretam ente ativos com o títulos ou ações ou aum entando a quantidade de dinheiro que os bancos com erciais m antêm em seus cofres – m edidas que são conhecidas coletivam ente com o expansão monetária quantitativa.

Deflação e a década perdida

Apesar de a Grande Depressão ser considerada a pior espiral deflacionária

dos tem pos m odernos – nos EUA, por exem plo, o desem prego chegou a um

quarto da população ativa e o PIB reduziu um terço –, há exem plos m ais

recentes do fenôm eno. O m ais notável foi no Japão da década de 1990,

quando os preços atingiram valores negativos, forçando o Banco do Japão a

fixar as taxas de j uros em zero. A espiral contribuiu para a cham ada

“década perdida”, um período de crescim ento anêm ico e preços em queda

do qual o país não conseguia escapar.

 

Essas m edidas foram tom adas pelos j aponeses na virada do m ilênio, e pela Reserva Federal e pelo Banco da Inglaterra após a crise financeira de 2008, quando tentaram reverter as crises alim entadas pela falta de crédito. Resta ver se os esforços terão o efeito alm ej ado.

 

A ideia condensada:

preços em queda

podem paralisar

um a econom ia