50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer
50. Economia do século XXI
Os economistas têm sido ridicularizados por não conseguirem prever importantes mudanças no cenário financeiro e por não terem percebido sinais que apontavam para uma súbita catástrofe no mercado de valores. Agora, nos primeiros anos do terceiro milênio, foram levantadas questões mais fundamentais sobre as bases da disciplina – e é difícil demais ignorá-las.
A prim eira é o fato de que suas principais doutrinas, estabelecidas inicialm ente por John May nard Key nes e depois por Milton Friedm an, foram testadas até a destruição no século XX, em geral com resultados desagradáveis.
A segunda é um a falha m ais profunda. Desde seus prim eiros dias, a econom ia tem se norteado pela ideia de que os seres hum anos agem de m aneira racional: agem sem pre em seu interesse pessoal, e tais ações, em um m ercado que
funciona plenam ente, tornará m ais próspera a sociedade (vej a o capítulo 1).
Contudo, isso não explica porque com frequência as pessoas tom am decisões que evidentem ente não visam seu próprio interesse. Não é do interesse de ninguém m orrer cedo, m as apesar de tantas advertências sobre perigos com o câncer de pulm ão e obesidade, as pessoas ainda fum am e com em alim entos gordurosos. Argum entos sim ilares foram lançados contra as m udanças clim áticas e a poluição produzida pelo hom em .
Novas disciplinas, com o a econom ia com portam ental (vej a o capítulo 46), revelam que, na m aior parte do tem po, as pessoas tom am decisões não com base no que seria m elhor para elas, m as com base na cham ada heurística – regras práticas derivadas da experiência pessoal – ou copiando os outros.
O m al-estar hipotecário
A econom ia convencional presum e que as pessoas podem escolher
habilm ente o m elhor produto para seus interesses, apesar da com plexidade
da tarefa. O fato de que se tratava de um a prem issa errônea foi
com provado quando os m ercados im obiliários atingiram o apogeu no
com eço da década de 2000. Muitas das fam ílias m ais pobres assum iram
financiam entos hipotecários sem perceber que, após alguns anos de taxas de
j uros baixas, a prestação m ensal atingiria subitam ente níveis que as
im possibilitariam de pagar. Os econom istas convencionais não previram a
escala da crise que se seguiria, em parte porque não perceberam que as
pessoas estavam tom ando decisões claram ente irracionais que, em últim a
análise, fariam com que perdessem suas residências.
Uma abordagem sortida Percebendo que as pessoas não agem sem pre de m aneira racional, é possível que os legisladores adotem um a posição m ais paternalista. Já há, por exem plo, tentativas para regular m ais severam ente o m ercado hipotecário, e com isso os consum idores teriam m ais dificuldades para tom ar decisões contrárias a seus m elhores interesses no longo prazo.
A econom ia está evoluindo de um a disciplina que deposita um a fé quase ilim itada na capacidade dos m ercados para decidir o m elhor resultado para um a que questiona se os m ercados sem pre encontrarão o resultado preferido. Com o um rom ance m oderno, que se vale de diversos estilos em vez de se lim itar a um único discurso, a econom ia do século XXI vai escolher entre o key nesianism o, o m onetarism o, a teoria dos m ercados racionais e a econom ia com portam ental para criar um a nova fusão.
A ideia condensada:
intervenha quando as
provas não se
m ostram racionais.
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Edmund Conway
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