50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 25 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

24. Balança de pagamentos

 

Até pouco tempo atrás, poucos aspectos do noticiário econômico eram esperados com tanta ansiedade quanto as estatísticas da balança de pagamentos. Os detalhes sobre a interação financeira e econômica de um país com o resto do mundo eram considerados um dos elementos mais importantes para avaliar sua saúde, juntamente com o Produto Interno Bruto. Apesar de não sermos tão obcecados com os dados da balança de pagamentos quanto antes, eles ainda são o maior indicador das relações econômicas internacionais de um país.

Com o a balança de pagam entos é responsável por todo o com ércio que entra e sai de um país, inclusive o dinheiro inj etado nele por outras nações ou, por exem plo, enviado para fam ílias e filiais de em presas situadas em outros países, sua im portância não pode ser exagerada. A balança de pagam entos m ostra se um país está tom ando em préstim os excessivos durante determ inado período – e, com isso, acum ulando problem as para o futuro – ou em prestando dinheiro a outros em troca de bens. Em últim a análise, vai revelar se um país tem um futuro próspero pela frente ou se, pelo contrário, terá de pedir a aj uda do Fundo Monetário Internacional, por exem plo, para se m anter flutuando.

Conta-corrente e de capital A balança de pagam entos consiste principalm ente em duas partes: a conta-corrente e a conta de capital.

• A conta-corrente m ede o fluxo de bens e serviços que entram e saem de um país. Geralm ente, dá-se a isso o nom e de com ércio visível (bens tangíveis) e com ércio invisível (dinheiro pago por serviços com o assessoria j urídica, propaganda, arquitetura e assim por diante). Se um país im porta significativam ente m ais bens e serviços do que exporta, terá um grande déficit em sua conta-corrente. Desde a década de 1980, os EUA e o Reino Unido têm tido grandes déficits em conta-corrente quase todos os anos, pois têm im portado invariavelm ente m ais do que exportado para o resto do m undo. Por outro lado, os m aiores exportadores têm sido os países com grandes superávits em conta-corrente: Alem anha e Japão, historicam ente, e, m ais recentem ente, a China, que recebeu o rótulo de “m aior fábrica do m undo” por causa da quantidade m aciça de bens que envia para o m undo todo. Tam bém se incluem na conta quaisquer transferências unilaterais em dinheiro para o exterior, com o aj uda hum anitária e doações, bem com o as rem essas feitas por trabalhadores para suas fam ílias no estrangeiro.

• A conta de capital. Mesm o que um país tenha déficit em sua conta-corrente, este precisa necessariam ente ser equilibrado em outra parte (daí o nom e de balança de pagamentos). Se o Japão vende um m ilhão de dólares em carros para os Estados Unidos, vai ficar com esses dólares e precisará gastá-los, sej a em investim entos norte-am ericanos, sej a depositando-os em contas bancárias nos EUA. Assim , a China, por exem plo, que durante as décadas de 1990 e 2000 teve um superávit enorm e em seu com ércio com os EUA e outros países ocidentais, usou essa m ontanha de dinheiro para com prar trilhões de dólares em investim entos nos EUA – desde títulos da dívida pública a ações de grandes em presas.

Um tipo diferente de déficit

A balança de pagam entos registra o fluxo financeiro e econôm ico entre um

país e outras partes do m undo durante determ inado período de tem po –

geralm ente, um trim estre ou um ano. Inclui tanto o setor público ou estatal

quanto o setor privado, e não deve ser confundido com as contas de

orçam ento ou fiscais, que registram os gastos e em préstim os do governo.

 

Déficits inofensivos Um déficit em conta-corrente, que geralm ente acom panha um déficit com ercial, indica que um país está tom ando em prestado de outras nações para se financiar, pois seu apetite pelo consum o ultrapassou sua capacidade de produzir bens para satisfazer suas dem andas. Isso pode parecer preocupante, m as não precisa ser – pelo m enos, não em pequenas doses. Um pequeno déficit em conta-corrente pode ser um fenôm eno absolutam ente salutar em um país.

Durante a década de 1980, e novam ente no início da década de 2000, foi m uito divulgado o déficit em conta-corrente dos Estados Unidos, que atingiu a alta histórica de 6% do Produto Interno Bruto – m ais de 750 bilhões de dólares. O Reino Unido teve um déficit percentualm ente sim ilar.

Houve quem advertisse que os países poderiam sofrer um a crise grave na balança de pagam entos. Isso acontece quando parte dessa balança – geralm ente, a conta-corrente – não pode ser financiada pela outra. Isso aconteceu algum as vezes, com o nas crises financeiras asiática e russa do final da década de 1990. Esses países tinham grandes déficits em conta-corrente e, quando investidores do m undo todo perceberam que se aproxim avam de um a queda, com eçaram a se negar a adquirir qualquer coisa denom inada em rublos, bahts e assim por diante. Com isso, a conta de capital não conseguiu m ais equilibrar o déficit na conta-corrente. Circunstâncias desse tipo provocam necessariam ente um a crise econôm ica séria e inevitável.

Contudo, m uitos dos déficits podem ser m antidos em segurança por vários anos. Em geral, o que acontece quando um país tem um déficit significativo em conta-corrente não é um a crise, m as um declínio no valor de sua m oeda frente a outras. Com a queda na taxa de câm bio, as exportações do país ficam m ais baratas e, com isso, m ais atraentes para os estrangeiros; isso, por sua vez, estim ula as vendas desse país no exterior, o que deve reduzir o déficit em conta-corrente. Portanto, num sistem a internacional de taxas de câm bio flutuantes, os déficits em conta-corrente são inevitáveis, m as supõe-se que sej am capazes de se corrigir sozinhos.

Equilibrando as contas

Se um país tem déficit em sua conta-corrente, este deve ser equilibrado por

um superávit equivalente em sua conta de capital, que m ede os valores

gastos em investim entos no exterior e gerados pelos investim entos existentes.

Assim , por exem plo, os britânicos e as em presas britânicas costum am obter

um a renda significativa fazendo investim entos no exterior e com pensando

um pouco o considerável déficit em conta-corrente do país.

A única m aneira de um país conseguir im portar m ais bens do que exporta é

fazer com que outros países se disponham a com prar ativos denom inados

em sua m oeda, sej am dólares, libras ou pesos.

 

“Nosso país tem se comportado como uma família extraordinariamente rica

que possui uma enorme fazenda. Para consumir 4% mais do que produzimos… temos, dia após dia, vendido partes da fazenda e aumentado a hipoteca daquilo

que ainda temos...”

Warren Buffett

 

De olho nos déficits Entretanto, nem sem pre é assim . Com o m encionado no capítulo anterior, em vários m om entos da história houve sistem as de taxas de câm bio fixas, entre os quais o m ais fam oso foi o padrão-ouro do século XIX e início do XX, seguido pelo sistem a de taxas de câm bio fixas de Bretton Woods entre 1945 e a década de 1970. Nesses períodos, os países que tinham déficits em conta-corrente tiveram de desacelerar suas econom ias para recuperar o equilíbrio. Políticos e econom istas analisavam cuidadosam ente a balança de pagam entos para saber se prenunciavam um bom ou m au futuro para a econom ia.

Mesm o que o m undo não volte para um sistem a de taxas de câm bio fixas, ainda é im portante m onitorar se os países têm déficits ou superávits em suas contas-correntes, e identificar a estrutura de suas balanças de pagam entos – essas estatísticas são um bom m edidor da prosperidade futura de um a nação.

 

A ideia condensada:

o livro-razão das

relações econôm icas

internacionais

de um país