50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

04. Custo de oportunidade

 

Por mais que sejamos ricos e influentes, nunca encontraremos tempo suficiente num dia para fazer tudo aquilo que queremos. A economia lida com esse problema por meio do conceito de custo de oportunidade, que se refere simplesmente a entender se o tempo ou o dinheiro de alguém poderia ser investido em algo melhor.

Cada hora de nosso tem po tem seu valor. Cada hora que nos dedicam os a determ inada tarefa poderia m uito bem ser dedicada a outra, a dorm ir ou a assistir a um film e. Cada um a dessas opções tem um custo de oportunidade diferente – ou sej a, aquilo que nos custam em termos de oportunidades perdidas.

Digam os que você queira assistir a um a partida de futebol, m as os ingressos são caros e você vai dem orar duas horas para ir e voltar do estádio. Por que não assistir à partida em casa, você pensa, usando o tem po e o dinheiro poupados para j antar com am igos? Isso – o uso alternativo de seu dinheiro e tem po – é o custo de oportunidade.

Outro exem plo: cursar um a faculdade ou não? Por um lado, o tem po passado nela pode ser m uito gratificante, intelectual e socialm ente; quem tem um título universitário costum a receber m elhores oportunidades de em prego. Por outro, há o custo do curso, dos livros e dos trabalhos acadêm icos. Entretanto, esse raciocínio ignora o custo de oportunidade: nos quatro ou cinco anos de curso, você pode m uito bem exercer um a atividade rem unerada, ganhando dinheiro e m elhorando seu currículo com valiosas experiências profissionais.

Oportunidades descartadas O conceito de custo de oportunidade é tão im portante para em presas quanto para indivíduos. Vej a, por exem plo, o caso de um a fábrica de calçados. O proprietário planej a investir £ 500.000 em um a nova m áquina que vai acelerar drasticam ente seu ritm o de produção de sapatos de couro. Esse dinheiro poderia ser depositado em um a conta bancária, na qual renderia 5% de j uros ao ano. Portanto, o custo de oportunidade do investim ento é de £ 25.000 por ano – o valor descartado ao se investir na m áquina.

 

“Do ponto de vista da sociedade como um todo, o ‘custo’ de qualquer coisa é o

valor que ela tem em usos alternativos.”

Thomas Sowell, economista norte-americano

 

Para os econom istas, cada decisão é tem perada pelo conhecim ento daquilo de que se deve abrir m ão – em term os de dinheiro e satisfação – para fazer o que se desej a. Sabendo exatam ente o que está recebendo e o que está deixando de lado, você pode tom ar decisões m ais racionais e bem em basadas.

Pense na m ais fam osa regra da econom ia: não existe alm oço gratuito. Mesm o que alguém lhe ofereça um alm oço sem esperar que você retribua o convite ou converse durante a refeição, o alm oço não saiu de graça. O tem po que você passou no restaurante custou-lhe algum a coisa em term os de oportunidades descartadas.

Há quem considere m uito deprim ente a ideia de custo de oportunidade: im agine passar a vida toda calculando se o seu tem po seria m elhor em pregado noutro lugar, fazendo algum a coisa m ais lucrativa ou prazerosa. Porém , de certo m odo, é da natureza hum ana fazer exatam ente isso – estam os sem pre avaliando os prós e os contras das decisões.

No m undo dos negócios, um lem a popular é “relação preço-qualidade”. Dizem que as pessoas querem que seu dinheiro obtenha o m áxim o que puder. Porém , há outro lem a ganhando terreno rapidam ente: o “valor do tem po investido”. A m aior lim itação de nossos recursos é o núm ero de horas que podem os dedicar a algum a coisa, e por isso procuram os m axim izar o retorno do tem po investido. Lendo este capítulo, você está dedicando a ele um a pequena parcela de seu tem po, que poderia ser gasta em outras atividades – dorm ir, com er, assistir a um film e, e assim por diante. Em troca, porém , este capítulo vai aj udá-lo a pensar com o um econom ista, prestando atenção no custo de oportunidade de cada um a de suas decisões.

Fazendo o dinheiro trabalhar para você

Muitos j á tiveram um a sensação deprim ente ao apostar no tim e errado em

um a partida desportiva ou ao fazer um investim ento que fracassa em vez de

ganhar um m ilhão. Essa sensação é a percepção do custo de oportunidade: a

oportunidade perdida. Im agine o cenário de um a libra investida em títulos do

Tesouro da Grã-Bretanha – um a espécie de dívida governam ental – em

1900. Cem anos depois, seu valor seria de £ 140. Um a libra que tivesse

sim plesm ente acom panhado a inflação valeria apenas £ 54, m as se aplicada

em ações inglesas seu valor teria subido para £ 16.946. Nesse caso, o custo

de oportunidade de não investir em ações foi im enso.

Quando se trata de adquirir um a casa, os custos de oportunidade são bem

m ais im previsíveis. Por um lado, quando os preços dos im óveis estão

aum entando rapidam ente, aqueles que alugam em vez de com prar podem

achar que estão deixando de lado um investim ento m uito bom . No entanto,

ficarão bem m elhor quando os preços dos im óveis estiverem baixando, pois

estarão im unes ao im pacto. Do m esm o m odo, quando você aplica um a

parcela de sua renda, está abrindo m ão dos lucros que poderia ter caso

investisse o dinheiro em outra coisa.

 

Custo de oportunidade dentro de casa Percebam os ou não, todos nós tom am os decisões com base no conceito de custo de oportunidade. Se o encanam ento de casa com eça a vazar, você pode resolver consertar o vazam ento pessoalm ente após perceber que, m esm o pagando as ferram entas, o livro sobre encanam entos e dem ais custos ainda vai econom izar m uito em com paração ao custo da visita de um profissional. Contudo, o custo invisível adicional está nas coisas que você poderia ter feito com o tem po dedicado ao conserto – para não falar no fato de que provavelm ente o encanador teria feito um serviço m elhor. Essa ideia está

intim am ente ligada à teoria da vantagem com parativa (vej a o capítulo 7).

Custo de oportunidade no governo De m odo análogo, governos do m undo todo em pregam o argum ento do custo de oportunidade quando o assunto é a privatização. Raciocinam não só que as em presas de utilidade pública costum am ser m ais bem adm inistradas pelo setor privado com o tam bém que o dinheiro gerado pela venda pode ser usado de form a m ais eficiente em investim entos públicos.

Entretanto, volta e m eia as decisões tom adas tendo em m ente o custo de oportunidade dão errado. Em 1999, o prim eiro-m inistro britânico Gordon Brown decidiu vender quase 400 toneladas – a grande m aioria – das reservas de ouro do Reino Unido. Nessa época, havia m uito que o ouro estava guardado ociosam ente nos cofres do Banco da Inglaterra, e seu valor tinha caído, pois m uitos consideravam o ouro um investim ento ruim . Se o seu valor em dinheiro tivesse sido aplicado em investim entos com o títulos do governo, teria aum entado regularm ente nesses anos todos. Por isso, o Tesouro da Grã-Bretanha decidiu

vender o ouro ao preço m édio de US$ 276 por onça[1] em troca de diversos tipos de títulos.

Poucos poderiam ter previsto que, m enos de um a década depois, o preço do ouro aum entaria m uito, chegando a pouco m enos de US$ 981 por onça, o que significa que o ouro vendido por Gordon Brown por US$ 3,5 bilhões estaria valendo cerca de US$ 12,5 bilhões. O governo britânico lucrou um pouco quando investiu aquela som a – m as um a m era fração do que teria lucrado caso tivesse deixado o ouro onde estava, vendendo-o posteriorm ente. Isso ilustra um dos riscos do custo de oportunidade – ele o estim ula a acreditar que a gram a é sem pre m ais verde.

 

“O custo de alguma coisa é aquilo de que você abre mão para obtê-la.”

G reg Mankiw, professor de economia em Harvard

 

A ideia condensada:

tem po é dinheiro