50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

Edmund Conway · Capítulo 23 de 51

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50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer

22. Desemprego

 

Na economia, em última análise, tudo se reduz ao desemprego. Por maior que seja a atenção dada por especialistas e políticos ao Produto Interno Bruto, à inflação, às taxas de juros ou à riqueza de seu país, a simples questão de haver ou não emprego para as pessoas ainda é a principal. A meta do emprego pleno costuma ser uma das primeiras promessas eleitorais feitas pelos partidos políticos do mundo todo – embora o cumprimento dessa promessa varie muito.

A decisão governam ental de enfrentar o desem prego é com preensível, tendo em vista o traum a associado à perda do em prego; m as o que faz com que o livre m ercado sej a um a form a dinâm ica de gerir a econom ia é a capacidade de as em presas contratarem e despedirem pessoas à m edida que se desenvolvem . Se o dono de um a im obiliária vê seus negócios em baixa durante um a queda nesse m ercado, pode tentar econom izar cortando custos de m arketing ou de escritório, m as nenhum desses cortes será com parável à econom ia feita com a dispensa de alguns funcionários. A interação entre essas duas forças – o governo, que desej a ver o m aior núm ero possível de pessoas trabalhando, e as em presas, que desej am se m anter em funcionam ento – m olda não apenas o m ercado de trabalho com o o destino da econom ia em geral.

A história de dois mercados de trabalho Com pare a experiência da Europa e a dos Estados Unidos. Na m aior parte da Europa, as em presas têm lim itações ao poder de despedir funcionários por causa das legislações trabalhistas, que as obrigam a pagar um salário m ínim o aos em pregados. Porém , com o disse o econom ista norte-am ericano Thom as Sowell em sua obra Basic Economics, “As políticas de proteção trabalhista salvam os em pregos dos trabalhadores atuais, m as o preço é a redução da flexibilidade e da eficiência da econom ia com o um todo, inibindo assim a criação de novos em pregos para outros trabalhadores”. Por isso, a Europa tende a criar postos de traba-lho em um ritm o bem m ais lento do que o dos Estados Unidos, onde o m ercado de trabalho é substancialm ente m ais flexível.

 

O desem prego pode com pensar

Não raro, os governos podem até estim ular as pessoas a se m anterem

desem pregadas, tornando o valor do auxílio-desem prego m ais atraente do

que deveria.

Um estudo realizado pelo econom ista Martin Feldstein, de Harvard, m ostrou

que, para algum as pessoas, é com pensador não ter em prego. Vej a o caso de

alguém que poderia trabalhar por US$ 10 por hora ou receber o benefício do

desem prego de US$ 8 por hora. Sobre o benefício, deve recolher um

im posto de 18%, recebendo assim US$ 6,56 j á com a dedução. Se essa

pessoa estivesse trabalhando, pagaria 18% de im posto de renda e 7,5%

com o contribuição para a previdência social, o que lhe daria um salário

líquido de US$ 7,45. Com parando este valor com aquele que receberia caso

requeresse o benefício do desem prego, esse trabalhador poderia considerar

que um dia de lazer vale m ais do que os 89 centavos por hora que o

em prego lhe proporcionaria. Os governos estão sem pre tentando encontrar

um equilíbrio entre o incentivo para as pessoas voltarem a trabalhar e a

com pensação por terem perdido o em prego.

 

Definição de desemprego Em seu sentido m ais am plo, desem prego significa sim plesm ente não ter um trabalho rem unerado. Todavia, para os econom istas essa definição é inadequada. Há um a grande diferença entre um em pregado tem porário de escritório que está sem ocupação por algum as sem anas (“desem prego friccional”) e um m ecânico de fábrica para cuj as habilidades não há m ais dem anda porque a indústria em que trabalhava transferiu a m aior parte de sua produção para o exterior. Aquele vai voltar a trabalhar logo, contribuindo para a produção econôm ica do setor privado; este talvez necessite de novo treinam ento, geralm ente à custa do Estado e durante um período significativo.

Para tentar distinguir as diferentes situações, os econom istas conceberam várias classificações de desem prego. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a definição estrita de desem prego é a situação de alguém que não tem trabalho m as está tentando ativam ente voltar ao m ercado laboral. A porcentagem de trabalhadores norte-am ericanos que se enquadravam nessa descrição em 2008 era de 6,5%, em com paração com 5,6% no Reino Unido e 7% na União Europeia. Há um a outra categoria para desem pregados há m uito tem po, que geralm ente representam um a proporção bem m aior da população (21% no Reino Unido), pois inclui estudantes, pensionistas, m ães dedicadas a afazeres dom ésticos e aqueles que estão m uito doentes ou incapacitados de trabalhar. Os econom istas tam bém se ocupam com as idades dos que estão em pregados – e por um bom m otivo. Há estudos que m ostram que se você ficou sem em prego durante um longo período na adolescência ou no início da vida adulta, é bem provável que acabe entrando depois na fila dos desem pregados de longa duração ou perm anentes.

Taxas de desem prego

(com o porcentagem da população ativa no final de 2008)

França 7,9

 

Estados Unidos 7,6

 

Alemanha 7,2

 

Reino Unido 6,3

 

Japão 3,9

Fonte: Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido.

 

Medidas do desemprego Há duas m aneiras de m edir o desem prego. A m aneira tradicional consiste em contar o núm ero de pessoas que solicitam o auxílio-desem prego. O problem a desse indicador é que nem todos os desem pregados atrás de em prego vão pleitear o auxílio – geralm ente por um a questão de orgulho, ocasionalm ente por apatia e às vezes porque acham que não têm esse direito. O m odo m oderno (e provavelm ente m ais abrangente) de m edir o desem prego é fazer um a pesquisa j unto a um a fatia representativa da população – no caso do Reino Unido, são 60 m il entrevistados de todos os contextos sociais – sobre sua atual situação laboral.

Os níveis de desem prego tendem a aum entar e dim inuir j untam ente com a econom ia em geral. Nos Estados Unidos, durante a Grande Depressão, alcançaram 25%. Entretanto, a taxa de desem prego nunca chega a zero. Na verdade, apesar da boa intenção dos governos para reduzir o desem prego, a taxa raram ente fica m enor do que 4% da população ativa, m esm o quando a econom ia vai bem .

Na prática, é im possível o pleno em prego, sej a porque as pessoas precisam de tem po para buscar o trabalho apropriado, m esm o quando está disponível, sej a porque, com o desenvolvim ento da econom ia e o progresso tecnológico, inevitavelm ente alguns trabalhadores carecem das habilidades necessárias para certas atividades. Geralm ente, o desem prego é m ais alto do que noutras circunstâncias porque, em virtude da legislação sobre o salário m ínim o ou ao poder de negociação dos sindicatos, as em presas precisam pagar a seus funcionários salários m ais altos do que poderiam se perm itir. De m odo sim ilar, a existência do auxílio-desem prego pode estim ular alguns a ficar parados em vez de ir trabalhar. Portanto, os países têm o que os econom istas cham am de “taxa natural de desem prego” – em term os sim ples, a taxa m édia de desem prego a longo prazo.

 

“Provavelmente, a relação macroeconômica mais importante é a Curva de

Phillips.”

G eorge Akerlof, economista ganhador do Prêmio Nobel

 

Um dos m ais fam osos econom istas da Grã-Bretanha, A.W. Phillips, detectou um a relação espantosa entre os níveis de desem prego e a inflação. Quando o desem prego fica abaixo de determ inado nível, os salários aum entam e, com eles, a inflação, pois as em presas se preparam para pagar m ais para preservar o pessoal. O contrário tam bém se aplica: quando o desem prego é alto, força a inflação a cair. Na linguagem econôm ica, existe um a correlação negativa entre inflação e desem prego. A teoria de Phillips deu origem a um dos m ais duradouros m odelos da econom ia – a Curva de Phillips, que ilustra visualm ente essa correlação negativa. Se quiserm os m anter o desem prego a 4%, digam os, então terem os de aceitar um a inflação de 6%. Se quiserm os restringir a inflação a 2%, terem os de aceitar um a taxa de desem prego de 7%.

Os econom istas Edm und Phelps e o renom ado Milton Friedm an levaram a ideia um pouco além em sua teoria da “taxa de desem prego sem acelerar a inflação” (com sigla em inglês Nairu). Segundo essa teoria, m esm o que os legisladores sigam a Curva de Phillips para reduzir o desem prego a curto prazo, m ais cedo ou m ais tarde ele vai retornar a seu nível natural (e, enquanto isso, os esforços para m elhorar a econom ia cortando as taxas de j uros vão aum entar a inflação, m as isso j á é outra história).

Os políticos ainda prom etem às pessoas m ais postos de trabalho e níveis de em prego m ais altos do que seria realista esperar. Entretanto, cabe aos econom istas explicar que, infelizm ente, na prática é im possível proporcionar pleno em prego.

 

A ideia condensada:

o pleno em prego

é im possível