50 Ideias de Economia Que Você Precisa Conhecer
Finanças e Mercados
27 Mercados de títulos
“Antes, achava que se houvesse reencarnação, gostaria de voltar como presidente ou papa, ou um grande jogador de beisebol”, disse James Carville, diretor da campanha presidencial de Bill Clinton. “Mas, agora, quero voltar como o mercado de títulos. Você intimida qualquer um.”
Os m ercados internacionais de títulos, em que em presas e governos conseguem dinheiro, são bem m enos conhecidos e com preendidos do que seu equivalente em participações, o m ercado de ações, m as, em m uitos aspectos, são bem m ais im portantes e influentes. Ao determ inar se um país consegue dinheiro barato ou não, os m ercados de títulos têm aj udado a determ inar o curso de guerras, revoluções e conflitos políticos, e têm tido profundas im plicações em quase todos os aspectos da vida há séculos. Mesm o em períodos de paz, a capacidade de arrecadar dinheiro de um governo é de im portância crucial para seus cidadãos: quanto m ais altas as taxas de j uros que ele precisa pagar, m ais altos os custos de crédito para a econom ia com o um todo. Logo, ignore o m ercado de títulos – m as faça-o por sua conta e risco.
O preço dos títulos soberanos (títulos em itidos por governos nacionais) revela o conceito de crédito do governo, a facilidade com que ele consegue dinheiro e com o suas políticas são recebidas. Se um governo não consegue m ais recorrer ao m ercado de títulos, terá dificuldades para se sustentar.
Basicam ente, título é um a espécie de declaração de dívida que prom ete pagar ao possuidor certa im portância em um m om ento futuro, bem com o j uros ao longo de sua vida – geralm ente, em intervalos anuais. Um título governam ental típico de US$ 100.000, digam os, pode durar desde dois anos até m eio século, e paga um a taxa de j uros nom inal fixada em torno de 4-5%. Depois de em itidos, os títulos podem ser com ercializados nos im ensos m ercados internacionais de títulos dos grandes centros financeiros, desde Nova York a Londres e Tóquio.
O negócio é a taxa O verdadeiro poder dos m ercados de títulos está no fato de que as taxas de j uros determ inadas para o título pelos m ercados podem ser bem diferentes das m encionadas no próprio título. Se os investidores acreditam que um governo (a) corre o risco da m oratória ou (b) pode aum entar a inflação (o que tam bém é um a espécie de inadim plência, pois a inflação corrói o valor), a tendência dos títulos desse governo será de venda. Isso tem um efeito duplo: reduz o preço do título e aum enta a taxa de j uros efetivam ente paga por ele.
Sob a ótica econôm ica, isso faz sentido: quanto m aior o risco de um ativo, m enos os investidores pagam por ele e m aior deve ser a com pensação por m antê-lo (a taxa de j uros).
“Não ligo para títulos e ações, mas não quero que baixem no meu primeiro dia
como presidente.”
Presidente Theodore Roosevelt
Im agine um título do Tesouro dos EUA no valor de US$ 10.000, com taxa de j uros (ou rendim ento) de 4,5%. Durante sua vida (que pode ser de 10 anos, 20 anos ou m ais), pagará a seu proprietário US$ 450 por ano. Para quem adquire o título no preço da oferta original, isso representa um a taxa de j uros de 4,5%. Mas e se os investidores ficarem preocupados com a solvência do governo norte-am ericano e com eçarem a vender seus títulos? O preço cairá para US$ 9.000. Com esse preço, o rendim ento de US$ 450 vale, na verdade, 5% para os novos investidores.
A taxa do m ercado de títulos é m uito im portante, pois influencia as taxas de em issão de novos títulos de um governo, atraentes o suficiente para encontrar com pradores. Se quiser com pradores para os m ilhares de títulos que em ite sem analm ente, o governo precisa adaptar as taxas de j uros iniciais (a taxa do cupom ) à taxa do m ercado para os títulos j á existentes. Quanto m ais alta a taxa que precisar pagar, m ais difícil obter crédito e m aiores os cortes que será forçado a fazer. Não foi à toa que Jam es Carville considerou esse m ercado tão intim idador.
Classificações – de AAA a C
Os títulos – quer aqueles em itidos por um país, quer por um a em presa – são
considerados um dos investim entos m ais seguros. Quando um a em presa
quebra, os proprietários de títulos ficam m uito perto do com eço da fila dos
credores para receberem seu investim ento, enquanto os acionistas terão de
aguardar até m ais tarde, quando boa parte do dinheiro j á terá sido paga.
Entretanto, a m oratória é um a possibilidade a que os investidores têm de
estar atentos, e com o resultado foi construído um com plexo aparato para
orientá-los quanto à segurança (ou não) de qualquer título em particular.
Agências de classificação de risco de crédito, com o Standard & Poors,
Moody ’s e Fitch, existem para classificar títulos governam entais e
em presariais com base na possibilidade de m oratória. Essas classificações
vão de AAA, a m elhor qualidade, até C. Geralm ente, títulos classificados
com o BAA ou m ais são considerados com “grau de investim ento”; títulos
abaixo disso são cham ados de “títulos podres”. Com o recom pensa pelo
m aior risco de m oratória, as taxas de j uros dos títulos podres costum am ser
bem m ais altas.
Com o geralm ente os governos do m undo todo precisam pedir em préstim os para
m anter o orçam ento equilibrado (vej a o capítulo 38), em item sem pre novos títulos. Nos EUA, os tipos m ais com uns de títulos governam entais são certificados do Tesouro (Treasury bills), notas do Tesouro (Treasury notes) e títulos do Tesouro
( 1] Treasury bonds ). No Reino Unido, são conhecidos com o gilt-edged securities[
ou gilts, pois o governo é considerado um tom ador m uito confiável.
Origens dos títulos Os títulos surgiram na Itália m edieval, onde as cidades-Estado, geralm ente em guerra um as com as outras, forçavam os cidadãos m ais ricos a lhes em prestarem certas quantias em troca do pagam ento regular de j uros. Apesar de os investidores m odernos não serem forçados a adquirir títulos, nos EUA e no Reino Unido a m aior parte da dívida governam ental pertence aos cidadãos, principalm ente por m eio dos fundos de pensão. Os fundos de pensão são obrigados a aplicar um a fatia im portante de seus recursos na dívida governam ental, investim ento considerado o m enos arriscado de todos.
Esse m ercado só se tornou realm ente influente na era napoleônica, quando o governo britânico estava em itindo diversos títulos soberanos, inclusive o prim eiro – o tontine – e o m ais popular, o consol, que existe até hoj e. Na prim eira m etade do século XIX, Nathan Rothschild tornou-se um dos hom ens m ais ricos do m undo, e provavelm ente o m ais poderoso banqueiro da história, quando conquistou os m ercados de títulos da Europa. O fato de aprovar ou não a dívida de um país tinha consequências sérias. Hoj e, m uitos historiadores consideram que a derrota definitiva da França nas Guerras Napoleônicas deveu-se m ais à sua tendência a não pagar suas dívidas – tendo, assim , dificuldade para obter o dinheiro necessário para suas cam panhas –, do que a decisões de estratégia m ilitar.
A curva de rendimento Talvez o sinal m ais revelador da im portância do m ercado de títulos sej a o fato de que a form a com o os títulos se com portam pode proporcionar excelentes pistas sobre o futuro de determ inada econom ia. A curva de rendim ento m ede sim plesm ente as taxas de j uros de diversos títulos governam entais no decorrer do tem po. Mantidas as dem ais circunstâncias, as taxas de j uros dos títulos que vencem em breve devem ser m ais baixas que as de títulos que vencem daqui a alguns anos; isso reflete o fato de que se espera que a econom ia cresça no futuro e a inflação vá aum entar. De vez em quando, porém , a curva de rendim ento se inverte, o que significa que as taxas de j uros de títulos com vencim ento próxim o são m ais altas do que as de títulos que vencem daqui a alguns anos.
Esse é um sinal razoavelm ente confiável de que a econom ia está rum ando para um a recessão, pois im plica que as taxas de j uros e a inflação vão cair nos próxim os anos – dois fenôm enos habitualm ente associados às crises econôm icas. É m ais um exem plo que m ostra com o o destino econôm ico de todos está intim am ente ligado ao estado do m ercado de títulos.
A ideia condensada:
os títulos são a base
de financiam ento
do governo