A Grande Fome de Mao
8. Febre do aço
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Febre do aço
Stalin financiara a indústria à custa da agricultura, impondo requisições
punitivas de grãos que drenavam o campo de toda a sua riqueza. Em busca de
alternativa para o modelo soviético, Mao queria, em vez disso, trazer a
indústria para o campo. A produção industrial nas comunas do povo poderia
ser aumentada imediatamente com apoio em inovações baratas e técnicas
nativas que não requeriam grande volume de investimento, o que levaria a
um salto instantâneo da produtividade. Isso, por sua vez, poderia entusiasmar
os aldeões a alcançar metas econômicas ainda maiores: aí estava a chave para
industrializar um país atrasado sem grande investimento estrangeiro.
Especialistas burgueses foram acusados de direitistas conservadores,
enquanto a sabedoria ligada à terra de simples camponeses foi louvada. O
chefe do partido em Yunnan, Xie Fuzhi, zombava abertamente de medições
geológicas e inspeções tecnológicas recomendadas pelos especialistas russos,
apoiando-se, em lugar disso, na sabedoria das massas para construir represas
e reservatórios.1 O conhecimento intuitivo e a engenhosidade nativa, mais do
que a perícia estrangeira, introduziriam inovações baratas e eficazes que
impulsionariam as aldeias da China para a dianteira da União Soviética. O
campo deveria ser mecanizado por meio de artifícios simples, desenvolvidos
por agricultores comuns em institutos de pesquisa. “Os humildes são os mais
inteligentes, os privilegiados os mais burros”, Mao escreveu em um relatório
que mostrava que os trabalhadores tinham conseguido construir um trator
sozinhos.2 Ou, como afirmava Xie Fuzhi, repetindo palavras sábias do
presidente, “nós somos sobrenaturais. Talvez sejamos sobrenaturais da
segunda ordem. Talvez em algum outro lugar do planeta exista gente mais
brilhante do que nós, em cujo caso somos da segunda ordem, mas, se somos
mais brilhantes que eles, então somos sobrenaturais da primeira ordem”.3
Trabalhadores-modelo povoavam a propaganda do partido. He Ding, um
agricultor pobre de Henan, que nunca tivera um dia de escola em toda a vida,
inventou um sistema de carregadores de terra de madeira que se
movimentava por cabos aéreos com um mecanismo para descarregar e voltar
que reduzia em oito vezes o volume de trabalho necessário para construir um
reservatório.4 Cintos de transportadores de madeira, máquinas de madeira de
selecionar grãos e máquinas de madeira de plantar arroz — tudo era
enaltecido como milagres do homem comum. Na província de Shaanxi,
aldeões até mostravam automóveis nativos e locomotivas nativas: todas as
partes feitas de madeira.5 A maioria das invenções era bastante inocente, mas
o desperdício podia atingir enormes proporções. Na comuna de Diaofang,
Guangdong, cerca de 22 mil vigas, treliças e assoalhos foram arrancados das
casas das pessoas do dia para a noite em um movimento para mecanizar a
comuna. As carretas produzidas eram tão desconjuntadas que caíam aos
pedaços no momento em que alguém tentava usá-las.6
Mas o verdadeiro marco era o aço. Ali estava o material pelo qual valia a
pena insistir no socialismo — duro, brilhante, industrial, moderno e da classe
operária. A palavra “Stalin” simbolizava um homem de aço desejoso de
reduzir a frangalhos todos os inimigos da revolução. Chaminés fumegantes de
fábricas, máquinas-ferramentas chiadeiras, o ruído dos apitos da fábrica,
enormes altos-fornos incandescentes com fogo em vermelho profundo: estas
eram as consagradas imagens da modernidade socialista. Alexei Gastev, o
poeta trabalhador, escreveu, “nós somos originários do ferro”, o homem se
amalgamando com o ferro em uma fusão que anunciava um mundo onde a
máquina se tornava homem e o homem era uma máquina. O aço era o
ingrediente sagrado da alquimia do socialismo. O volume de aço produzido
era um número mágico recitado com fervor religioso nos países socialistas. A produção de aço destilava magicamente todas as complexas dimensões da
atividade humana em um número único, preciso, que indicava onde um país
se situava na escala da evolução. Mao pode não ter sido um especialista em
indústria, mas parecia capaz de repetir de memória e instantaneamente a
produção de aço de praticamente todos os países. Ele era possuído pelo aço.
Superar a Grã-Bretanha significava cada vez mais ultrapassar sua produção
anual de aço. O aço era o principal motor na escalada das metas, e ele
pressionou muito para ver a produção crescer. Era de 5,35 milhões de
toneladas em 1957. A meta para 1958 foi colocada em 6,2 milhões em
fevereiro de 1958 e aumentada para 8,5 milhões de toneladas em maio, até
Mao decidir, em junho, que 10,7 milhões de toneladas poderiam ser
produzidas. Isso mudou para 12 milhões de toneladas em setembro.
Enquanto fazia malabarismos com os números, Mao se convenceu de que, no
fim de 1960, a China alcançaria a União Soviética. E os Estados Unidos
seriam ultrapassados em 1962, quando uma produção de 100 milhões de
toneladas poderia ser atingida. Então, a China arrancaria, chegando a 150
milhões de toneladas em poucos anos. Sete centenas de milhões de toneladas
seriam produzidas por volta de 1975, deixando a Grã-Bretanha muito atrás.7
Mao era estimulado em seus desvarios por alguns dos camaradas
próximos. Li Fuchun, em primeiro lugar, dizia que a China poderia
desenvolver-se a uma velocidade sem precedentes na história graças à
superioridade do sistema socialista: a Grã-Bretanha poderia ser superada em
apenas sete anos. Então, apresentou um plano extravagante que buscava
alcançar a Grã-Bretanha em ferro, aço e outras commodities industriais em
menos de três anos.8 No início de junho de 1958, enquanto descansava ao
lado da piscina, Mao perguntou ao ministro da Metalurgia, Wang Heshou, se
a produção de aço poderia ser dobrada e o ministro respondeu: “Sem
problemas!”9 Ke Qingshi se gabava de que o Leste da China sozinho poderia
produzir 8 milhões de toneladas. 10 Líderes provinciais como Wang
Renzhong, Tao Zhu, Xie Fuzhi, Wu Zhipu e Li Jingquan, todos fizeram
promessas extravagantes sobre a produção de aço, cedendo aos caprichos
visionários do presidente.
A chave do sucesso eram as pequenas fornalhas operadas por aldeões em
todos os quintais das comunas do povo. Construídas de areia, pedra, barro
refratário ou tijolos, relativamente simples de fazer, permitiam que cada
aldeão se mobilizasse no esforço para superar a Grã-Bretanha. Uma fornalha
típica de fundo de quintal tinha três ou quatro metros de altura, com uma
plataforma de madeira no alto, sustentada por estacas. Uma rampa inclinada
dava acesso à fornalha, os agricultores subiam e desciam rapidamente com
sacos de coque, minério e fundente nas costas ou em cestos pendurados em
varas compridas. Ar era soprado no fundo, o ferro derretido e a escória sendo
liberados através de buracos. Baseadas nos métodos tradicionais de rajadas de
sopro, algumas fornalhas podem ter funcionado bem, mas muitas eram
engodos, impostos às comunas por oficiais fascinados pela febre do aço.
O esforço chegou ao clímax no fim do verão de 1958. Chen Yun, o líder do
partido que caíra em desgraça mais cedo naquele ano, foi posto a cargo do
movimento e trabalhou duro para se redimir. Em 21 de agosto, transmitiu
ordens de Mao de que não seria tolerada nem mesmo uma tonelada abaixo da
meta, e o fracasso em cumprir o plano significava punições que iam desde a
advertência até a expulsão do partido.11 Para manter o ímpeto, Mao visitou
Wuhan em setembro para inaugurar uma máquina gigantesca de ferro e aço
construída com a ajuda soviética e observou o ferro derretido do primeiro
fogo sair da fornalha. No mesmo dia, Pequim despachou uma equipe de 1.500
ativistas do partido para espalhar-se pelo país a fim de reunir apoio para o
esforço do aço.12 Depois disso, 29 de setembro foi escolhido para conquistar
uma meta ainda mais alta em celebração ao Dia Nacional. Duas semanas
antes do evento, o ministro da Metalurgia, Wang Heshou, em conferência
telefônica, pediu a líderes provinciais para aumentar o desafio. Estes, por sua
vez, incitaram representantes de condado por telefone no dia seguinte.13
Em Yunnan, Xie Fuzhi ordenou que todos se tornassem soldados da
campanha, anunciando uma investida durante duas semanas, dia e noite, para
aumentar a produção.14 Ativistas do partido se espalhavam pela manhã,
alguns partindo bem antes do sol nascer, a fim de alcançar aldeias remotas a
tempo. No condado de Dehong, 200 mil aldeões foram jogados na campanha enquanto o céu se tornava carmesim com a incandescência de milhares de
fornalhas de tijolos. Os aldeões se dispersavam na floresta em busca de
combustível, outros coletavam carvão, às vezes cavando com picaretas, pás e
mãos no campo aberto. No frenesi para cumprir as metas, os acidentes eram
comuns. Árvores derrubadas ao acaso tombavam em cima de aldeias;
explosivos usados por trabalhadores inexperientes para abrir minas também
custavam vidas.15 Xie Fuzhi telefonava regularmente para verificar os últimos
resultados.16 Fuzhi, por sua vez, era instigado por Bo Yibo, que transmitiu
uma meta de 12 milhões de toneladas, gabando-se de que 40 milhões de
trabalhadores operavam cerca de 500 mil fornalhas em todo o país.17 No Dia
Nacional, Bo anunciou que outubro seria o mês do salto da produção de aço,
e novo acesso de loucura se seguiu. Em Yunnan, o número de pessoas
envolvidas no movimento saltou de 3 milhões para 4 milhões, uma semana
especial de “alta produção” foi anunciada para estipular novo recorde. “Os
olhos do mundo estão sobre a China”, exclamou Xie Fuzhi, pois o país tinha
que alcançar a meta que havia anunciado ou enfrentar uma humilhante
mudança de opinião.18
Com toda a pressão vinda de cima, os aldeões tinham pouca escolha, a não
ser participar da campanha. Na região de Qujing, Yunnan, assoalhos foram
arrancados e galinhas foram mortas para que as penas pudessem ser usadas
para alimentar as chamas ou fazer foles. Esquadrões de ativistas do partido
iam de porta em porta para recolher pedaços de ferro e frequentemente
confiscavam utensílios domésticos ou ferramentas agrícolas. Aqueles que não
mostravam entusiasmo suficiente eram verbalmente insultados, empurrados,
ou até amarrados e obrigados a desfilar. Relatórios críticos escritos por
inspetores do partido na época falam de medo e intimidação. Na esteira de
um ano de incansáveis campanhas, cada uma nos calcanhares da última —
planos de irrigação, campanhas de fertilização, lavra profunda, plantio denso,
o ataque furioso das comunas do povo —, a mera menção do slogan
“lançando um satélite” era suficiente para instilar medo, pois isso augurava
nova “guerra amarga”, ou “batalha noturna”, em que ninguém tinha
permissão para dormir durante dias a fio. Alguns tentavam escapar e dormir na floresta molhada e fria para conseguir algumas horas de descanso, olhando
a distância as fornalhas brilhando como vaga-lumes na noite. Estavam com
frio e mal alimentados: os oficiais locais tentavam reduzir o custo do aço
inflando números, fornecendo quantidades mesquinhas de alimentos, agora
inteiramente em suas mãos graças ao advento dos refeitórios coletivos.19
A China estava mergulhada em um mar de fogo. Todas as fornalhas
funcionavam, embora os dramas humanos que se desenrolavam durante a
campanha fossem diferentes em cada aldeia. Em Yunnan, algumas pessoas
eram forçadas a ir para o trabalho sem alimento ou descanso suficientes e
trabalhavam até a morte perto das fornalhas, na pressa para completar a meta
de produção.20 Em outras vilas por todo o país, pessoas conseguiam
conservar uma pequena lembrança de uma panela ou frigideira. Mas duas
novas dimensões foram acrescentadas ao teatro de violência e mataram no
nascedouro qualquer insubordinação suspeitada. Primeiro, os oficiais agora
podiam contar com a milícia estabelecida dentro das comunas do povo para
forçar a obediência. Em Macheng, por exemplo, os milicianos podiam vir a
uma aldeia e recrutar pessoas para trabalhar nas fornalhas durante dias
sucessivos. Um homem que saiu do trabalho mais cedo foi levado pelas ruas
com um chapéu de burro em que estava escrito: “Sou um desertor.”21
Segundo, como toda a comida agora estava nas mãos das comunas, os oficiais
podiam usar as rações como forma de recompensa ou punição. A recusa a
trabalhar — ou qualquer sinal de indolência — era punida com corte de ração
ou privação completa de comida. Em Macheng, as mulheres que ficavam em
casa à noite para cuidar dos filhos eram banidas do refeitório.22 Como
explicou mais tarde Zhang Aihua, que viveu durante a fome em Anhui: “Ou
você fazia o que lhe diziam ou o chefe não lhe dava comida: a mão dele
segurava a concha.”23 O controle que os oficiais tinham sobre o suprimento
de comida era reforçado, visto que caçarolas e frigideiras eram rotineiramente
levadas embora.
Nas cidades, a campanha era dura em cima de pessoas comuns. Em
Nanquim, uma fornalha registrou recorde de 8,8 toneladas em um único dia,
mas os fogos tinham que ser alimentados constantemente e algumas equipes estavam tão famintas que desmaiavam ao lado dos fundidores. Apesar da
enorme pressão, as pessoas ainda protestavam. Wang Manxiao simplesmente
se recusou a trabalhar mais de oito horas por dia. Quando confrontado pelo
secretário do partido, Wang foi desafiador, perguntando à queima-roupa: “E
você vai fazer o quê?” Outras pessoas duvidavam de que as fornalhas de fundo
de quintal fossem ajudar a superar a Grã-Bretanha na produção de aço. Cerca
de metade de todos os trabalhadores de algumas equipes era descrita como
“retrógrada”, o que significava que se esquivavam de trabalho pesado.24
No final, os líderes conseguiram seu recorde, embora muito dele fosse
escória, minério não lavado ou mera invenção estatística. Lingotes de ferro
das regiões rurais acumulavam-se por toda parte, pequenos ou quebradiços
demais para serem usados em usinas de laminação modernas. De acordo com
relatório do próprio Ministério da Metalurgia, em muitas províncias, nem
mesmo um terço do ferro produzido por fornalhas de fundo de quintal era
utilizável. E o preço da mercadoria era exorbitante. Uma tonelada de ferro de
uma fornalha de fundo de quintal tinha o custo estimado em 300 a 350 yuans,
duas vezes o valor necessário para uma fornalha moderna, e àquele custo
tinham que ser acrescentados 4 toneladas de carvão, 3 toneladas de minério
de ferro e trinta a cinquenta dias de trabalho.25 As perdas totais do esforço de
ferro-e-aço em 1958 foram mais tarde estimadas pelo Departamento de
Estatísticas em 5 bilhões de yuans — sem incluir o dano às construções,
florestas, minas e pessoas.26
* * *
Quando Mikhail Klochko, um consultor estrangeiro que crescera na Ucrânia,
com seus campos ondulados e irregulares, viajou para o sul da China no
outono de 1958 e se surpreendeu com os trechos amarelos de terra nua,
divididos em pequenos terraços: estes eram os lendários arrozais, mas quase
nenhum ser humano era visto ali.27
Onde estavam os agricultores? Muitos eram mobilizados pela milícia para
as fornalhas de fundo de quintal, alguns colocados em grandes planos de irrigação, ao passo que outros tinham deixado a cidade em busca de trabalho
nas muitas fábricas que perseguiam metas sempre mais altas. No total, mais
de 15 milhões de fazendeiros mudaram-se para a cidade em 1958, atraídos
pela perspectiva de uma vida melhor.28 Em Yunnan, o número de
trabalhadores industriais saltou de 124 mil em 1957 para 775 mil, o que
significava que mais de meio milhão de pessoas tinham sido tiradas do
campo.29 Um terço de toda a força de trabalho da província foi direcionado
para trabalhar em projetos de conservação da água em uma ou outra época
daquele ano.30 Para colocar de forma diferente: dos 70 mil trabalhadores na
Jinning rural, Yunnan, 20 mil foram alocados nos planos de irrigação, 10 mil
na construção de ferrovias, 10 mil em fábricas locais, restando 30 mil para
produzir comida.31 Mas os números mascaravam outra mudança nos padrões
de trabalho: enquanto a maioria dos homens deixava a cidade, as mulheres
tinham que trabalhar nos campos. Muitas quase não tinham experiência em
conservar complexos terraços de arroz, plantando as sementes de forma
desigual e permitindo que ervas daninhas invadissem os campos. No condado
de Yongren, um quinto da safra apodreceu em consequência disso.32
Até um terço do tempo devotado à agricultura foi perdido,33 mas Mao e
seus colegas acreditavam que inovações como lavra profunda e plantio denso
compensavam amplamente esse déficit. Por outro lado, na “revolução
contínua” louvada pela liderança, os agricultores eram organizados segundo
padrões militares: iam para o campo industrial na estação seca e voltavam
para a frente agrícola durante a colheita. Como dizia Xie Fuzhi, “uma
revolução contínua significa o aparecimento constante de novas tarefas”.34
Mesmo que todas as fontes disponíveis de mão de obra fossem mobilizadas
para a campanha da colheita — de auxiliares de escritório, estudantes e
professores, trabalhadores de fábrica e habitantes da cidade até as forças
armadas —, a situação no local de produção era caótica. Muitas ferramentas
agrícolas tinham sido destruídas na campanha do ferro e aço, o trabalho
ainda era desviado para a construção de represas e os celeiros comuns nas
comunas do povo eram mal administrados. Em Liantan, a comuna-modelo
onde um slogan de louvor ao Grande Salto Adiante tinha sido esculpido na montanha para recepcionar uma equipe de inspeção, vários milhares de
fazendeiros foram alistados para lavrar profundamente 7 hectares durante a
colheita de outono; como ninguém estava disponível para colher a safra, cerca
de 500 toneladas de cereais foram abandonadas nos campos.35
Mas as entregas de grãos para o Estado tinham de ser feitas de acordo com
a produtividade que os oficiais locais declaravam oficialmente. A produção
verdadeira de cereais de 1958 foi de pouco mais de 200 milhões de toneladas,
mas, com base em todas as declarações feitas sobre colheitas excepcionais, a
liderança estimou que estava perto de 410 milhões de toneladas. Requisições
punitivas, baseadas em números inteiramente fictícios, só podiam criar medo
e raiva nas aldeias. O cenário estava armado para uma guerra em que as
requisições afundariam o campo na pior fome já registrada na história
humana. Tan Zhenlin parecia insensível a isso enquanto discursava para
alguns líderes do sul da China em outubro de 1958: “É preciso lutar contra os
camponeses [...]. Há algo ideologicamente errado com você, se você tem
medo de coerção.”36